Ovogênese e Controle Hormonal Feminino

Ovogênese

A ovogênese é o processo da gametogênese feminina, no qual, através de uma sequência de eventos, as ovogônias são transformadas em ovócitos maduros. Esse processo se inicia no nascimento da menina, mas é completado só quando ela chega à puberdade e continua até a menopausa.

Visão Geral da Ovogênese

1. Vida Intrauterina

Durante a vida fetal, as ovogônias proliferam – se por meio de mitoses. Antes do nascimento da neném (por volta da sétima semana de vida intrauterina), as ovogônias crescem para formar os ovócitos primários (ainda são todos 2n, ninguém sofreu meiose). Assim que esses ovócitos I são formados, algumas células do tecido conjuntivo os circundam, formando o folículo primordial.

A primeira divisão meiótica desses ovócitos acontece antes do nascimento, só que ela (a prófase) só vai se completar na puberdade.  Isso só é possível porque, provavelmente, as células foliculares secretam uma substância chamada de inibidor da maturação do ovócito, que estaciona o processo meiótico.

Após o nascimento da neném, não se forma mais nenhum ovócito primário (diferente do homem, em que isso é contínuo). Até o nascimento, a mulher gera um número abruto de células germinativas. Mas, antes dela nascer, já morreu um monte dessas células (num tem uma explicação certa pra isso). E esse número vai diminuindo até chegar à menopausa. No ovário dela há em torno de 2 milhões de ovócitos primários, só que muitos regridem durante a infância e a adolescência. Apenas em torno de 40000 deles permanecem. E, desses 40000, apenas 400 são expelidos como ovócitos secundários na menstruação durante toda a vida dessa mulher.

2. Do Nascimento à Menopausa

No ovário de uma menina recém – nascida, os ovócitos primários ficam parados na primeira divisão meiótica nos folículos ovarianos. Só quando ocorrer maturação do folículo é que a primeira divisão meiótica acontece e surge o primeiro corpo polar (divisão citoplasmática desigual). Forma – se o ovócito secundário, que inicia a segunda divisão meiótica, mas só vai até a metáfase II e novamente a divisão é interrompida. Ela só é completa quando ocorre a fecundação (e formação do segundo corpo polar).

O ovócito começa a proliferar por estímulo hormonal da progesterona. Na puberdade, os oócitos secundários são recrutados para estarem gerando estruturas que chamamos de folículos.  O ovócito cresce e as células foliculares epiteliais viram cubóides até chegarem ao estágio colunar, quando o folículo recebe o nome de folículo primário. Depois disso, o ovócito é recoberto por uma camada de material glicoprotéico celular e amorfo chamada de zona pelúcida. Ela fica interna ao folículo primário. Todas as células que ficam em volta do ovócito são fundamentais pro processo de fecundação propriamente dito. (A fecundação será vista em outro post).

É importante lembrar que os erros de não – disjunção cromossômica na gametogênese (primeira divisão meiótica) é mais frequente em mulheres mais velhas. Os ovócitos permanecem no corpo da mulher desde o seu nascimento, são até 45 anos estacionados no ovário! Eles ficam muito sujeitos à diversas alterações, então é “comum” que ocorra essa falha na meiose. Diferente no homem, em que a renovação dos gametas é constante, e pro resto da vida. Em um homem, há 40 dias de diferença de uma espermatogônia pra um espermatozóide, na mulher dá pra ter até 40 anos!

Fases da Ovogênese

Podemos dividir a ovogênese em três fases, que compreendem os fenômenos descritos a cima: Fase de Multiplicação (ou de Proliferação), Fase de Crescimento e Fase de Maturação.

A Fase de Multiplicação, no feto humano feminino, termina até o terceiro mês de gestação. Ela corresponde ao período em que as células germinativas sofrem consecutivas mitoses para aumentar de quantidade e formar as ovogônias.

Fase de Crescimento: é a fase em que as ovogônias iniciam a meiose e estacionam na prófase I, ainda na vida uterina. As ovogônias começam a ganhar tamanho (adquirir vitelo) e acumulam uma grande quantidade de material nutritivo. Isso ocorre do terceiro mês de gestação até o início da puberdade. Quando as ovogônias param de crescer, elas iniciam a meiose, e dão origem aos ovócitos I. A puberdade se inicia quando esses ovócitos I reiniciam a meiose até a metáfase II (geralmente, entre 11 a 15 anos de idade).

Fase de Maturação: ela se inicia assim que a menina entra na puberdade. Os ovócitos I saem da prófase da meiose I e vão até a metáfase da meiose II. Essa divisão só será completa quando houver a fecundação, daí esse ovócito termina a meiose II!

A meiose gamética feminina é desigual. Ao invés de se formarem 4 gametas, como na espermatogênese, apenas um ovócito II é formado a cada ciclo menstrual. Essa desigualdade é importante para que, como foi dito, o gameta feminino possa acumular bastante vitelo para a nutrição do embrião. As outras três células que seriam originadas durante a gametogênese são chamadas de corpúsculo polar. O primeiro surge na primeira meiose. Ele continua o processo normalmente de meiose, formando mais dois corpúsculos polares. No entanto, essas células são degeneradas, não possuindo nenhuma função conhecida durante o ciclo ovariano feminino. (Ver primeira figura do post).

Comparação dos Gametas: Espermatozoide x Ovócito  II

Ovócito Espermatozoide
Grande e imóvel Muito pequeno e altamente móvel
Presença da zona pelúcida e camada de células foliculares (corona radiata) Dois tipos de espermatozoides normais: 23, X e 23, Y (essa diferença forma a base da determinação sexual primária)
Muito citoplasma e grânulos de vitelo (nutrição para o zigoto)

Estrutura do Ovário e do Útero

O útero é o órgão com a maior plasticidade no corpo da mulher. Nele, há uma grande vascularização, porque se ocorrer implantação do embrião, ele deve ser nutrido e suas excretas recolhidas. Há também bastantes glândulas porque muitas substâncias e hormônios são secretados para que na luz do útero haja o pH adequado.

A cada mês, um dos ovários é ativado e inicia – se o ciclo ovariano (ver mais adiante).

Controle Hormonal Feminino

Para entender o controle hormonal feminino, é necessário entender que não é possível separar o ciclo ovariano do ciclo uterino. Eles são interligados, os fenômenos que ocorrem em um afetam o outro e vice – versa.

Ciclo Hormonal Feminino

Ciclo Hormonal Feminino

Hormônios

GnRH: O GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina) é produzido no hipotálamo, por células neurossecretoras, e atua na hipófise (no lobo anterior) estimulando -a a liberar dois hormônios: FSH e LH.

FSH: O FSH (hormônio folículo estimulante), produzido pela hipófise, atua nos folículos ovarianos, incentivando (estimulando)  é dai que vem o nome dele hormônio folículo estimulante!! sério!!! o seu desenvolvimento. Outra função dele, é fazer com que esses folículos produzam estrogênio pelas células foliculares. O FSH é quem faz os folículos primordiais crescerem! Só que, apenas um folículo sobreviverá sad story e vai se transformar em um folículo maduro. Posteriormente, esse folículo maduro vai se romper na superfície do ovário, liberando o ovócito para ser fecundado.

LH: O LH (hormônio luteinizante), produzido pela hipófise, é conhecido por ser o hormônio da ovulação. Ele também é importante por induzir as células foliculares e o corpo lúteo a produzirem progesterona. Além disso, o pico de LH induz o término da primeira divisão meiótica do ovócito primário.

O estrogênio e a progesterona são hormônios que atuam de diversas formas no organismo feminino. Mas, o foco aqui são o ciclo ovariano e uterino, então não trataremos das outras atuações desses dois hormônios. Vale lembrar que o estrogênio também existe no organismo masculino (produzido pelas supra – renais), mas o objetivo dele aqui é a sua síntese pelo sistema reprodutor feminino.

Estrogênio: é produzido no estroma dos ovários. É devido a um alto nível de estrogênio na corrente sanguínea que ocorre o pico de LH. Ele é o responsável pelo primeiro desenvolvimento do endométrio (fase proliferativa).

Progesterona: é produzido pelo corpo lúteo. A sua atuação é principalmente na fase proliferativa do endométrio, aumentando – o de espessura. 

Ciclo Ovariano e Uterino

Partindo – se de um ciclo ideal de 28 dias:

Nos primeiros dias do ciclo, a hipófise libera FSH e LH, que irão realizar o desenvolvimento dos folículos, a ovulação e a formação do corpo lúteo.

O início do desenvolvimento dos folículos é regido pelo FSH (lembrando que ele incita o desenvolvimento de 5 a 12 folículos, mas só um que não degenera). Mas, os estágios finais de maturação precisam também do LH, não basta só o FSH!

O LH e o FSH continuam a serem liberados até que ocorra a ovulação (no décimo quarto dia).

Enquanto os níveis de FSH e LH vão subindo, o de estrogênio também vai. Ele vai sendo produzido pelos folículos em crescimento.

No útero, esse estrogênio produzido tem a função de iniciar a fase proliferativa do endométrio:

  • dura em torno de 9 dias;
  • é controlada pelo estrogênio secretado pelos folículos, então vai até o décimo quarto dia quando ocorre a ovulação;
  • é nessa fase que ocorre um aumento de até três vezes a espessura do endométrio;
  • aumenta – se também a quantidade de água nesse tecido. As glândulas se proliferam (tanto em número quanto em comprimento) e as artérias espiradas se alongam.
  • embrião tem que implantar até o dia em que o endométrio está na fase proliferativa máxima, senão num adianta, ele não vinga.

A alta quantidade de estrogênio na corrente sanguínea, um pouco antes da ovulação, faz com que, por feedback negativo, o hipotálamo pare de incitar a hipófise com o GnRh e a hipófise para de produzir LH e FSH, por isso o nível desses hormônios caem após a ovulação.

Depois da ovulação, é formado o corpo lúteo. Ele será o principal responsável pela produção de progesterona até o final do ciclo. No útero, inicia – se a fase lútea:

  •  duração de aproxidamente 13 dias;
  • no ovário está ocorrendo a formação, o crescimento e o funcionamento do corpo lúteo.
  • a progesterona estimula o epitélio glandular no endométrio a produzir um material rico em glicogênio;
  • o endométrio aumenta muiiito de espessura, por causa da atuação da progesterona (corpo lúteo) e do estrógeno e também porque aumenta o fluido do tecido conjuntivo;
  • as artérias espiraladas crescem dentro da camada compacta superficial e se tornam intensamente enroscadas. A rede venosa torna – se complexa e grandes lacunas se desenvolvem. (Moore)

A partir dessa fase secretora, há duas possibilidades: a mulher pode engravidar ou não.

Se ela engravidar… dai todo mundo fica feliz, quem que não gosta de neném, né?

  • o ciclo menstrual para! ela não menstrua, porque os níveis de progesterona e estrógenos continuam altos. O corpo lúteo não é degenerado, ele continua a produzir progesterona até que a placenta se desenvolva e tome esse papel. O corpo lúteo para não degenerar e continuar a produzir esses outros hormônios, ele é incitado pelo hormônio chamado hCG (que é o hormônio detectado em exames de gravidez) que é produzido pelo sincitrofoblasto.
  • após o parto, se a mulher não estiver amamentando o neném, o ciclo menstrual volta em torno de 6 a 10 semanas. Ele só não vai voltar enquanto ela estiver amamentando o neném.
Se e ela não engravidar… aí ela menstrua! A menstruação é como se fosse o seu corpo chorando porque você não engravidou. Olha todo o trabalho que ele tem, pra que você, mulher, tenha um filho. Quando você não engravida, é normal ele chorar né… No outro caso, se você não menstruar, quem chora é você :D fuuu.
  • o corpo lúteo degenera. Com isso, a produção de progesterona e estrógeno caem, e o que “segurava” o endométrio deixa de existir.
  • a não fecundação faz com que a fase isquêmica inicie. Nela, ocorre uma redução do suprimento sanguíneo. As artérias espiradas se contraem, diminui a secreção pelas glândulas, ocorre perda de tecido intersticial e uma retração do endométrio. As artérias espiradas se contraem mais ainda o que causa a necrose do tecido superficial. Finalmente, segue – se a ruptura da parede dos vasos lesados e o sangue penetra o tecido conjuntivo adjacente. Formam – se, então, pequenos lagos de sangue que se rompem na superfície endometrial resultando em sangramento para a luz uterina e através da vagina.
  • Inicia – se então, no útero, a fase menstrual. O endométrio descama em forma de menstruação. A parede do corpo do útero, na verdade, é composta por três camadas: perimétrio (fina camada externa), miométrio (espessa camada de músculo liso) e endométrio (fina camada interna). A camada basal do endométrio tem seu próprio suprimento sanguíneo e não se desintegra durante a menstruação. Já a camada funcional do endométrio é quem descama tanto na menstruação, quanto no parto.
  • a fase menstrual pode durar de 4 a 5 dias (normalmente).
Um novo ciclo se inicia no primeiro dia de menstruação. A baixa concentração de estrógeno incita, por feedback positivo, o hipotálamo a fazer a hipófise liberar FSH e LH, e começa tuuuuuuuudo de novo.
O controle hormonal é resumido na seguinte imagem:
Controle Hormonal Feminino
Controle Hormonal Feminino

 Como as pílulas anticoncepcionais atuam?

As pílulas possuem uma concentração adequada de progesterona e estrógeno (ou um dos dois, depende, depende). Elas bloqueiam a produção de FSH e LH pela hipófise, por meio de um feedback negativo. Artificialmente, são colocados hormônios no corpo da mulher, o que “engana” o hipotálamo que acredita que já possui uma quantidade adequada de estrógeno e progesterona na corrente sanguínea, então não há necessidade de produzir FSH e LH. Sem o FSH e o LH, não há ovulação, não há neném.

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 20 a 29. Embriologia Clínica. 8ed.
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4 pensamentos sobre “Ovogênese e Controle Hormonal Feminino

  1. nem!!! é mta inspiração .. kkkkk mas se eu não tivesse tensa por causa da prova tb fkava inventando estorinhas kkkkkkkkkkkkkkk.. tá otimo ! vlw

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