Arquivo | março 2012

Histologia do Sistema Cardiovascular

O que é o sistema cardiovascular?

O sistema cardiovascular é um monte de tubos endoteliais contínuos. Nos seres humanos, que é o que interessa para a medicina, esse sistema é fechado, isto é, em nenhum momento do circuito o sangue será despejado em uma cavidade, já que ele percorre todo o trajeto dentro desses tubos endoteliais contínuos. Esse sistema é o responsável pela distribuição de nutrientes e oxigênio por todo o corpo, e pela coleta das excretas e do gás carbônico. O sangue consegue percorrer por esses vasos, porque ele é ejetado com uma pressão hidrostática feita pelo bombeamento sanguíneo do coração.

Os tubos que compõem o sistema são as artérias, veias e capilares. Cada um deles tem um formato diferente, pois a pressão com que recebem o sangue é diferente de um pra outro, e a forma com que esse sangue é distribuído por cada um também é diferente! As artérias têm que transportar o sangue em uma pressão muito alta, então suas paredes musculares são espessas. Já as veias devem transportar o sangue de volta ao coração, então a pressão do sangue dentro delas é menor, por isso as suas paredes são mais finas.

A circulação dentro do organismo pode ser dividida em duas: circulação sistêmica ou periférica (grande circulação) e circulação pulmonar (pequena circulação). A pressão exercida pelo bombeamento do coração faz com que em cada parte do sistema cardiovascular haja uma pressão distinta. Por exemplo, a pressão na aorta é muito alta, pois ela recebe o sangue diretamente do coração. Daí, conforme o sangue vai circulando, essa pressão vai diminuindo e chega a ser 0 mmHg quando ele retorna ao coração pela veia cava inferior.

Não podemos esquecer que o sistema cardiovascular não é composto só pelas veias, artérias, coração, sangue e capilares. Há também o sistema linfático, que possui características próprias, mas assemelha – se ao sanguíneo, na medida que também é composto por tubos. Ele será melhor explicado depois.

Vamos falar de cada componente do Sistema Cardiovascular (SCv)

Coração

Pra começar, o coração NÃO é assim:

Coração Fingindo Ser Um Coração

Coração Fingindo Ser Um Coração

Vamos manter o foco:

Como já foi dito, o sistema cardiovascular é composto por TUBOS. O coração não seria diferente! Ele é um tubo endotelial dobrado!

  • Esse órgão é quem bombeia o sangue para o resto do corpo. Por causa disso, a parede muscular desse órgão é muito espessa. Ela é dividida em:

Endocárdio e Miocárdio. Também é possível observar a camada de tecido conjuntivo subendocárdico (fica abaixo do endocárdio!) e também as fibras de Purkinje (jajá serão explicadas)

  1. Endocárdio: composto por um revestimento endotelial e um tecido conjuntivo subendotelial, sobre o qual ele fica apoiado. Esse tecido conjuntivo subendotelial (tecido conjuntivo subendocárdico) é composto por fibras colágenas e elásticas, sintetizadas por fibroblastos. Nessa camada de tecido conjuntivo ficam pequenos vasos sanguíneos, nervos e as fibras de Purkinje. O endocárdio é homólogo à túnica íntima dos vasos sanguíneos.
  2. Miocárdio: é um sincício (lembra de embrio! qualquer coisa chamada sincicio quer dizer: conjunto de células que se fundem, perdem suas membranas e formam uma única massa multinuclear) formado por fibras musculares estriadas cardíacas. Ele é composto por três tipos de músculo: músculo atrial, músculo ventricular e fibras musculares especializadas na excitação e condução de impulsos cardíacos. Ele é contínuo com a túnica média dos vasos sanguíneos.
  3. Epicárdio: superfície de baixo atrito revestida por um mesotélio em contato com o espaço pericárdico seroso. Ele é semelhante à túnica adventícia dos vasos sanguíneos.
O miocárdio é composto por três tipos de células: cardiócitos contráteis (que são os que se contraem para bombear o sangue), cardiócitos mioendócritos (produzem FNA) e cardiócitos nodais (especializados no controle da contração rítmica do coração. São células localizadas no nodo sinoatrial – junção da veia cava superior com o átrio direito – e no nodo atrioventricular – presente sob o endocárdio dos septos interatrial e interventricular.
  • O coração é composto de dois sincícios de fibras musculares:
  1. Sincício atrial: forma a parede dos dois átrios
  2. Sincício ventricular: forma a parede dos dois ventrículos

Ao redor das aberturas valvares entre os átrios e os ventrículos, há um tecido conjuntivo fibroso que separam os átrios e os ventrículos.

  • Sistema Condutor do Coração

O coração possui dois sistemas condutores especializados, os quais geram estímulos próprios e transmitem a excitação produzida. Um deles é o nodo (ou nó) sinusal (ou sinoatrial, S-A). Ele gera impulsos que causam contrações rítmicas do músculo cardíaco. O coração também tem um sistema condutor especializado, constituído pela via internodal, que induz o impulso do nodo sinoatrial para o nó atrioventricular, chamado também de nodo A – V. O nodo AV, no qual o impulso atrial é retardado antes de chegar aos ventrículos; o feixe atrioventricular, que conduz o impulso dos átrios para os ventrículos; e os feixes esquerdo e direito de fibras de Purkinje, que conduzem o impulso a todas as partes dos ventrículos. (Kierszenbaum; p. 356)

Resumindo: ocorre uma despolarização do nodo sinoatrial. Essa despolarização vai se propagando pela musculatura até alcançar o nodo atrioventricular. De lá, ela parte para os ventrículos, através dos feixes (fibras de Purkinje e feixe atrioventricular)

Nodos e Feixes

Outra característica do sistema condutor do coração é a excreção do fator natriurético atrial (FNA) pelas células musculares cardíacas do átrio. Esse FNA aumenta a quantidade de xixi estimula a diurese e também a excreção de sódio pela urina. Quando acontece isso, o volume de sangue diminui. Essa secreção de FNA pelas células citadas acontece quando elas estão distentidas, depois que o FNA é secretado por elas e o volume de sangue diminui, daí essas células conseguem se relaxar, e a distenção é aliviada. O FNA evita que a reabsorção de sódio e água cause hipervolemia (aumento anormal no volume de líquido circulante no corpo) e hipertensão, que pode resultar em insuficiência cardíaca.

É importante lembrar que o tecido muscular estriado cardíaco possui aqueles discos intercalares onde ficam as junções comunicantes, importantes para a distribuição sincronizada de íons e a rápida disseminação do potencial de ação, para que a contração do coração seja feita de forma rítmica!

  • Fibras de Purkinje

Os feixe formados pelas fibras de Purkinje são responsáveis por conduzir o impulso a todas as partes dos ventrículos. Elas ficam sob o endocárdio (ver a foto lá em cima! onde é citado sobre essas fibras). Diferentemente das fibras musculares cardíacas, elas possuem um diâmetro maior e porque tem um número reduzido de microfibrilas localizadas na periferia da fibra. Elas contêm muiiiiiito glicogênio, daí elas aparecem mais clarinhas nas lâminas, enquanto as fibras do músculo cardíaco aparecem mais escuras. A semelhança entre elas e as fibras musculares cardíacas, é que ambas são estriadas e unidas entre si por discos intercalares.

Fibras de Purkinje

  • Válvulas Cardíacas
As válvulas cardíacas são constituídas por uma porção central de tecido conjuntivo denso contendo fibras colágenas e elásticas, revestida nas suas duas faces por uma camada endotelial.

Artérias

A função das artérias é levar o sangue do coração ao resto do corpo, através dos capilares. Na diástole, quando o coração relaxa, ela armazena um pouco de sangue, senão o fluxo sanguíneo fica comprometido. Assim, quando o coração contrai (sístole) o sangue é ejetado, daí, obviamente, a artéria fica cheia de sangue. Mas dai, quando ele relaxa (diástole), ele se enche de sangue, e não bombeia. Pra que o fluxo seja mantido, então, a artéria armazena um pouco de sangue bombeado.

Como elas recebem um sangue vindo em alta pressão, elas devem ser mais grossas do que as veias, e mais firmes. Elas são divididas em três túnicas:

1. Túnica íntima: é a camada mais interna da artéria. Ela é constituída por:

- revestimento endotelial contínuo com o endocárdio

- camada intermediária de tecido conjuntivo frouxo (subendotélio)

- lâmina elástica interna, feita por elastina

2. Túnica média: é a camada intermediária da artéria. Ela é constituída por:

- células musculares lisas cercadas por uma quantidade variável de componentes da MEC (fibras colágenas e lâminas elásticas, com espaços irregulares – membranas elásticas fenestradas). O colágeno serve pra dar sustentabilidade pra artéria e também limitam a distensibilidade da parede do vaso. Tem mais colágeno nas veias do que nas artérias.

3. Túnica Adventícia (externa): é a camada mais externa da artéria. Ela é constituída por tecido conjuntivo! Algumas artérias e veias possuem pequenos vasos que as penetram pela túnica média e fornecem oxigênio aos vasos. Esses pequenos vasos são chamados de vasa vasorum.

O que separa a túnica externa e a média é uma camada de lâmina elástica.

As artérias podem ser classificadas, em ordem decrescente de tamanho (espessura): artérias elásticas de grande calibre, artérias musculares de médio calibre e as pequenas artérias e arteríolas.

  • As artérias elásticas de grande calibre têm como função levar o sangue do coração para as artérias distribuidoras de calibre médio. Essas artérias de grande calibre são aorta e os ramos principais: braquiocefálica, carótida comum, subclávia e ilíaca comum. As principais características delas são: receber sangue do coração com alta pressão e manter o sangue circulando continuamente, enquanto o coração está bombeando intermitentemente. A túnica íntima, a dessas artérias é composta pelo endotélio e pelo tecido conjuntivo subendotelial. Na túnica média dessas artérias, há lâminas elásticas fenestradas. Já na adventícia, a principal característica é possui as fibras colágenas. O tecido muscular liso é capaz de sintetizar fibras elásticas e colágenas. O vasa vasorum, nervi vasorum e vasos linfáticos ficam na túnica adventícia das grandes artérias elásticas.
  • Artérias musculares de calibre médio são vaso distribuidores, pois elas distribuem a quantidade necessária de sangue a cada órgão, dependendo da sua demanda. Elas são as artérias radial, tibial, poplítea, axilar, esplênica, mesentéria e intercostal. A túnica íntima das artérias musculares de calibre médio são compostas pelo endotélio, subendotélio e por uma lâmina elástica interna. Diferente da túnica média da artéria elástica de grande calibre, a das de calibre médio tem uma diminuição da quantidade de componentes elásticos e aumento da quantidade de fibras musculares lisas.
  • Arteríolas são os ramos finais do sistema arterial. Elas controlam a distribuição do sangue para os capilares por meio de vasoconstrição e vasodilatação. As arteríolas podem ficar vasoconstringindo e vasodilatando, porque ela foi feita pra isso! Isto é, as paredes delas contêm fibras musculares lisas que possibilitam esses fenômenos. Elas são consideradas vasos de resistência e são os principais determinantes da pressão sanguínea sistêmica. Como esses vasos têm um diâmetro muiito pequeno, pode acontecer delas serem fechadas, e isso aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo, por isso ela ser conhecida como um vaso de resistência! A túnica íntima delas é composto pelo endotélio, subendotélio e lâmina elástica interna. A túnica média é feita por camadas concêntricas de células musculares lisas. A adventícia contém pouca quantidade de tecido conjuntivo frouxo.
Túnica Íntima Túnica Média Túnica Adventícia Quais são?
Artéria Elástica de Grande Calibre Endotélio; tecido conjuntivo subendotelial Lâminas elásticas fenestradas Fibras colágenas; vasa vasorum, nervi vasorum e vasos linfáticos aorta e os ramos principais: braquiocefálica, carótida comum, subclávia e ilíaca comum
Artéria Muscular de Médio Calibre endotélio, subendotélio e lâmina elástica interna diminuição da quantidade de componentes elásticos e aumento da quantidade de fibras musculares lisas Lâmina elástica externa fenestrada na junção da túnca média com a adventícia – só em vasos maiores artérias radial, tibial, poplítea, axilar, esplênica, mesentéria e intercostal
Arteríola endotélio, subendotélio e lâmina elástica interna camadas concêntricas de células musculares lisas pouca quantidade de tecido conjuntivo frouxo ramos finais do sistema arterial
  • O segmento depois da arteríola propriamente dita é chamado de metarteríola, que é o ramo terminal do sistema arterial. Ela é constituída por uma camada de células musculares, geralmente descontínua, e representa um importante regulador local do fluxo sanguíneo.

Veias

O sistema nervoso inicia – se com as vênulas pós-capilares. Essas vênulas são tubos de células endoteliais sustentados por uma lâmina basal e uma adventícia de fibras colágenas e fibroblastos.

A circulação venosa inicia – se com as vênulas pós capilares (que é principalmente onde ocorre a diapedese dos leucócitos), depois as vênulas musculares, vênulas coletoras até que se juntam e formam as veias. É importante lembrar que, as vênulas pós – capilares são, estruturalmente, semelhantes aos capilares contínuos, só que têm lúmen maior. São ainda túbulos de células endoteliais que são sustentados por uma lâmina basal e uma adventícia de fibras colágenas e fibroblastos.

  • túnicas das veias: não há uma distinção clara entre a túnica média e a túnica adventícia. Já o lúmen é revestido por um endotélio e uma lâmina basal subjacente. Não há lâmina elástica interna distinta.
  • túnica média muscular: é mais fina do que nas artérias, e as células musculares lisas têm uma orientação irregular, aproximadamente circular.
  • túnica adventícia: fibras colágenas e fibroblastos e poucas fibras nervosos. Os vasa vasorum, nas grandes veias, penetram na parede.

Uma característica específica das veias é a presença das valvas (estruturas que, junto com a contração do músculo estriado esquelético, auxiliam na volta do sangue para o coração, evitando o fluxo de sangue). A valva é uma projeção da túnica íntima para o lúmen, e é coberta por células endoteliais e reforçadas por fibras elásticas e colágenas. Além disso, as veias têm uma parede mais fina do que as artérias do mesmo calibre. Elas possuem uma alta capacitância porque sua parede tem propriedade de distensibilidade. Por isso que o conteúdo de sangue é grande, em relação ao volume das veias.

Capilares

Os capilares são vasos que realizam as trocas metabólicas. Eles são tubos muiiiiito finos e formados apenas por uma camada única de células endoteliais, que são altamente permeáveis, e circundadas por lâmina basal. Eles possuem tamanho suficiente pra caber uma hemácia, mas bastante finos para que ocorram as trocas gasosas.

O leito microvascular, o sítio da microcirculação, é composto por uma arteríola terminal (e metarteríola), pelo leito capilar, e por vênulas pós-capilars. O leito capilar é formado por capilares ligeiramente grandes (denominados canais preferenciais ou de comunicação), onde o fluxo sanguíneo é contínuo, e pequenos capilares, denominados capilares verdadeiros, onde o fluxo sanguíneo é intermitente. (Kierszenbaum)

Há três tipos de capilares. Os contínuos são aqueles completamente revestidos por endotélio (e seempre tem a lâmina basal). Entre a lâmina basal e esse endotélio podem existir umas células chamadas de pericitos. Elas são células indiferenciadas que parecem com células musculares lisas modificadas. Os líquidos e solutos, por meio de cavéolas ou vesículas de transcitose, são transportados por células endoteliais unidas por junções celulares. O outro tipo de capilar é o fenestrado, em que há poros (ou fenestras) podendo, ou não, possuir diafragma. (ver foto logo embaixo). O último tipo é o descontínuo (ou também chamado de sinusóide), em que o revestimento endotelial e a lâmina basal é incompleto, então há buracos e espaços nesses capilares. Eles são necessários em locais em que precisa de uma relação íntima entre o sangue e o parênquima.

Capilar Contínuo: presença dos pericitos, junção de oclusão. Encontrado em: encéfalo, tecido muscular, pele, timo e pulmão. Lâmina basal contínua.

Capilar Fenestrado: presença, nessa imagem, de diafragma. Encontrado em: com poros sem diafragma - glomérulos renais. Com diafragma - intestinos, glândulas endócrinas e ao redor dos túbulos renais. Lâmina basal contínua.

Capilar Descontínuo: presença dos espaços. Encontrado em: fígado e baço. Lâmina basal descontínua.

Agora… Vasos Linfáticos

Sistema Linfático

Funções:

1. Conduzir células do sistema imunológico e linfa aos linfodonos;

2. Remover o excesso de líquido acumulado nos espaços intersticiais;

3. Transportar quilomícrons

O fluxo da linfa vem sob baixa pressão e é unidirecional.

Conforme a circulação vai rolando, é comum que haja formação de um líquido que chamam de linfa. Essa linfa extravasa dos vasos sanguíneos e caem nos capilares linfáticos.

Os grandes vasos linfáticos têm três camadas parecidas com as veias, mas o lúmen é maior. Ainda como as veias, os vasos linfáticos também possuem valvas, só que em maior número ainda.

  • túnica íntima: camada endotelial com uma camada subendotelial (feito de tecido conjuntivo).
  • túnica média: algumas células musculares lisas em forma concêntrica e separadas por fibras colágenas.
  • túnica adventícia: formada por tecido conjuntivo com fibras colágenas e elásticas.

Como acontece a circulação linfática: há capilares linfáticos em quase todos os espaços teciduais. Inicia – se com tubos dilatados com extremidades fechadas, perto dos capilares sanguíneos.Os capilares linfáticos convergem em vasos linfáticos pré – coletores, drenando a linfa para os vasos linfáticos coletores. Os vasos linfáticos coletores são envolvidos por células musculares lisas, que promovem atividade de bombeamento intrínseco. O movimento do tecido adjacente promove um bombeamento extrínseco passivo. (Kierszenbaum)

O fluxo da linfa segue por duas contrações:

  • Contração Intrínseca: os vasos linfáticos se expandem por meio da linfa, e em seguida o músculo liso da parede se contrai. Daí, a válvula abre, a linfa fui, e depois a válvula fecha de novo.
  • Contração Extrínseca: contração de músculos adjacentes durante exercício, pulsações arteriais e compreensão por forças externas ao corpo comprimem o vaso linfático e causam o bombeamento.

Quando a drenagem da linfa está comprometida, o excesso de líquido acumula – se nos espaços teciduais e forma – se o edema.

Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 355 a 374. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.

Formação da Placenta e Gravidez Múltipla

Placenta

A placenta é formada mais ou menos entre o 11º ao 21º dia do desenvolvimento fetal. As principais funções dela é fornecer nutrientes aos neném em desenvolvimento, e também é por onde há troca de substâncias, desde as tóxicas, e também vírus, hormônios, etc. Ela também está relacionada ao metabolismo, pois contribui na síntese de glicogênios, colesterol e ácidos graxos (fonte de nutriente e energia para o embrião/feto), transporte de gases e nutrientes, e também tem função endócrina, pois secreta hCG, tireotrofina coriônica humana e corticotrofina coriônica humana. A transferência das substâncias entre a mãe e o feto feita pela placenta ocorre por difusão simples, difusão facilitada, transporte ativo e pinocitose (transferência de moléculas grandes!)

O que denominam de membranas fetais são o córion, âmnio, saco vitelino e o alantoide. O neném, no meio de tudo isso, fica separado do endométrio pela parte fetal da placenta e pelas membranas fetais.

O embrião vem da camada interna de células (epiblasto) as células que ficam em volta (trofoblasto) contém as células que vão se tornar o córion e o âmnio. A cavidade amniótica é formada pelo epiblasto, mas o córion vem do trofoblasto. O córion é a porção fetal da placenta que funciona dando oxigênio e nutrição para o embrião, liberando hormônios para manutenção da gravidez e servir de barreira para o sistema imune da mãe.

No início da gestação, quase não há células do embrião no endométrio. Já no final, o contato é maior, com a formação das vilosidades coriônicas (vilosidades da placenta). As microvilosidades do sinciciotrofoblasto aumentam a superfície de absorção da placenta.

A placenta, juntamente com o cordão umbilical, formam o sistema de transporte de substâncias entre o embrião e a mãe. A placenta e as membranas fetais fornecem ao embrião proteção, nutrição, respiração, excreção e produção de hormônios. Depois do nascimento, tudo isso é expelido do corpo da mãe.

Placenta Decídua

A placenta decídua é a camada funcional do endométrio de uma mulher grávida, que se separa do restante do útero após o nascimento do neném (é o endométrio gravídico). Ela pode ser dividida em três partes:

  1. Decídua basal: é a parte da placenta decídua que fica abaixo do neném, formando o componente materno da placenta;
  2. Decídua capsular: é a parte superficial da placenta decídua, que cobre o neném;
  3. Decídua parietal: é toda a parte restante da placenta decídua;

Esse nome “decídua” tem alguma relação com as células deciduais?

Deve ter! Olha, por causa da quantidade grande de progesterona no corpo materno, as células do estroma da decídua (isto é, do endométrio gravídico) sofrem a reação decidual, em que algumas células acumulam glicogênio e lipídeo no citoplasma. Daí, todas as mudanças celulares, vasculares e de propriedades do endométrio resumem – se na chamada reação decidual, tudo isso já foi explicado aqui. As células deciduais protegem o tecido materno de uma invasão descontrolada pelo sinciciotrofoblasto, e estão envolvidas na produção de hormônios.

E como a placenta se desenvolve?

Já no fim da terceira semana, existe um arranjo anatômico mínimo para que haja troca fisiológica entre a mãe e o neném. Mas, só no final da quarta semana, existe uma rede vascular complexa na placenta, auxiliando na troca de gases. nutrientes e produtos de excreção.

O desenvolvimento da placenta se dá assim, de acordo com Moore: o saco coriônico é coberto pelas vilosidades coriônicas (até quando começar a oitava semana). Daí, esse saco começa a crescer, e as vilosidades coriônicas que o cobria ficam comprimidas e a quantidade de sangue que chega a elas diminui. Isso faz com que elas degenerem, e uma área avascular nasce, ela é chamada de córion liso. O desaparecimento das vilosidades faz com que as vilosidades associadas à decídua basal aumentem rapidamente de número. Elas ramificam – se profusamente e crescem, e essa parte cheia de ramificações do saco coriônico é o que chamam de córion viloso.

E até quando a placenta se desenvolve?

Então, conforme o neném vai crescendo, tanto a placenta, como o útero e o saco coriônico vão aumentando de tamanho. A placenta cresce em tamanho e espessura até o feto ter cerca de 18 semanas.

A placenta é constituída por 2 componentes, tem a porção fetal, originária do saco coriônico, e a porção materna, originária do endométrio. O componente fetal é formado pelo córion viloso (córion frondosum, onde fica o cordão umbilical), e o materno pela decídua basal (córion laeve). No fim do quarto mês, a decídua basal está quase completamente substituída pelo componente fetal da placenta.

Placenta: Lado Materno e Lado Fetal

Placenta: Lado Materno e Lado Fetal

A parte fetal da placenta (que é o córion viloso) se prende à parte materna da placenta (formada pela decídua basal) pela capa citotrofoblástica. As vilosidades coriônicas prendem – se firmemente à decídua basal pela capa citotrofoblástica e ancoram o saco coriônico à decídua basal. Artérias e veias endometriais passam livremente por fendas na capa citotrofoblástica e se abrem no espaço interviloso.

A placenta decidual basal é invadida pelas vilosidades coriônicas, como acabou de ser dito, daí o tecido da decídua sofre erosão e aumenta – se o espaço interviloso. Esse processo de erosão produz várias áreas cuneiformes na decídua, os septos da placenta! Eles dividem a parte fetal da placenta em áreas convexas irregulares denominadas cotilédones. No final do quarto mês, a decídua basal já está quase toda substituída por cotilédones!

A decídua capsular degenera – se quando ocorre a fusão da decídua capsular com a decídua parietal (a capsular degenera – se por uma diminuição do aporte sanguíneo). Esse desaparecimento faz com que a parte lisa do saco coriônico se funda com a decídua parietal! Essa fusão termina quando escapa sangue do espaço interviloso, dai esse sangue afasta a membrana coriônica da decídua parietal, e dessa maneira restabelece – se o espaço potencial da cavidade uterina.

Tudo isso é importante para entender como chega o sangue materno ao neném e vice – versa.

O sangue materno chega ao espaço interviloso vindo das artérias espiradas do endométrio da decídua basal. As artérias espiraladas passam por fendas da capa citotrofoblástica e lançam sangue no espaço interviloso. Esse grande espaço é drenado pelas veias endometriais, que também atravessam a capa citotrofoblástica.

Ahh, nesse tempo, é necessário lembrar que o saco amniótico cresce mais rápido do que o coriônico, e isso resulta numa fusão dos dois, formando a membrana amniótica.

Uma observação importante a ser feita é sobre a placenta com hydatiforme, que surge quando ocorre penetração de 2 espermatozoides em um ovócito sem o pronúcleo feminino. O embrião é inviável.

E como ocorre a circulação na placenta?

Os materiais trocados entre a mãe e o feto devem cruzar uma delgada membrana placentária chamada de barreira. Ela também separa a circulação do feto e da mãe, é formada por tecidos extrafetais. Geralmente, não há mistura do sangue materno com o fetal, mas às vezes pode acontecer de quantidades bem pequenas de sangue do neném entrarem na circulação materna. Esse sangue passa por pequenos defeitos, muitas vezes nessa membrana placentária.

O sangue do feto pobre em oxigênio vai para a placenta, sendo conduzido pelas artérias umbilicais. No local em que o cordão umbilical se une à placenta, essas artérias se dividem e formam vários ramos dispostos radialmente, as artérias coriônicas, que se ramificam livremente na placa coriônica antes de entrar na vilosidade coriônica. Já o sangue fetal bem oxigenado nos capilares fetais passa para as veias de paredes delgadas, que acompanham as artérias coriônicas até o local da união do cordão umbilical. Aqui elas convergem para formar a veia umbilical. É esse grande vaso que transporta o sangue rico em oxigênio para o feto.

O sangue fetal e o sangue materno circulam muito próximos um ao outro, facilitando a difusão. Essa aproximação é possível porque os vasos sanguíneos formam um extenso sistema arteriocapilar – venoso dentro das vilosidades coriônicas.

Em relação a como o sangue da mãe chega à placenta (circulação placentária materna) temos que, nas artérias espiraladas, o fluxo sanguíneo é pulsátil e lançado em jatos por força da pressão do sangue materno. O sangue que penetra tem uma pressão consideravelmente mais alta do que a do espaço interviloso e jorra para a placa coriônica, que forma o teto do espaço interviloso. Com a dissipação da pressão, o sangue flui lentamente em torno das vilosidades terminais, permitindo a troca de produtos metabólicos e gasosos com o sangue fetal. O sangue retorna através das veias endometriais para a circulação materna. (Moore).

Falar agora um pouquinho da Membrana Placentária

A membrana placentária já foi citada nesse resumo, com sua definição e composição.

Até cerca de 20 semanas, ela é formada por 4 componentes: sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto, tecido conjuntivo das vilosidades e do endotélio dos capilares fetais.

Depois da 20ª semana, ocorrem alterações nas vilosidades terminais que deixam mais delgadas a parte do citotrofoblasto da placenta. Daí, o citotrofoblasto praticamente desaparece e deixam apenas pedaços delgados de sinciciotrofoblasto. Na maior parte dos lugares na placenta, a membrana plasmática é formada por apenas os outros 3 constituintes. Nesse locais de apenas 3 componentes, o sinciciotrofoblasto fica em contato direto com o endotélio dos capilares fetais, e forma uma membrana placentária vasculosincicial. Muitas substâncias são capazes de atravessar essa membrana! Ela não é exatamente uma barreira muito eficaz, apenas bactérias e substâncias com carga ou muito grandes são naturalmente barradas.

Gestações Múltiplas

Em gestações múltiplas, as membranas fetais e as placentas fetais variam de acordo com a origem dos gêmeos. Toda a formação (ou má formação, dependendo) de gêmeos está relacionada à formação e estrutura dos anexos embrionários. Por exemplo, gêmeos monozigóticos o tipo de placenta e as membranas formadas depende de quando ocorreu o processo de formação de gêmeos. No caso dos dizigóticos, a maioria deles tem duas placentas e alguns podem ter placenta fundidas. Não existem gêmeos dizigóticos que possuam um único âmnio, nem córion único.

  • 65% dos gêmeos monozigóticos tem âmnios separados, um único saco coriônico e uma placenta comum;
  • 35% dos gêmeos monozigóticos tem a separação dos blastômeros pode ocorrer em qualquer ponto, desde o estágio de duas células até o de mórula, originando dois blastocistos idênticos. Daí, cada embrião desenvolve seus próprios sacos amnióticos e coriônicos, as placentas podem, no entanto, estarem separadas ou fundidas.
  • Em casos raros, a divisão do disco embrionário leva à formação de dois embriões dentro do mesmo saco amniótico. A divisão completa do disco embrionário dá origem a gêmeos que raramente sobrevivem, porque seus cordões umbilicais frequentemente se mostram embaralhados, e a divisão incompleta do disco leva à formação de vários tipos de gêmeos conjugados. Os gêmeos conjugados são classificados de acordo com o ponto de junção, como o craniopagus (união do crânio), thoracopagus (tórax), etc. Há também formas raras de gêmeos nesses casos, como os gêmeos parasitas.

Hematopoiese (só uma observação!)

Durante a vida fetal, a hematopoiese ocorre no fígado. Somente próximo ao nascimento, é que os ossos longos do corpo vão ficar alocadas as células tronco hematopoieticas. Primeiro, a hematopoiese ocorre no saco vitelínico, depois na aorta da gônada mesonéfrica, depois na placenta, depois no fígado, e por último nos ossos!

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 114 a 132 e 137 a 145. Embriologia Clínica. 8ed.

 

Terceira Semana: Formação das Camadas Germinativas e Início da Diferenciação dos Tecidos e órgãos

A terceira semana do desenvolvimento embrionário, é a primeira semana em que a mulher percebe que a menstruação está atrasada. É nessa época que, geralmente, a mulher descobre que estão grávidas, e já dá até pra ver o neném na ultrassonografia. Um dos principais acontecimentos da terceira semana é o processo de gastrulação, que consiste no aparecimento da linha primitiva, desenvolvimento da notocorda e diferenciação das três camadas germinativas.

Como se dá o processo de gastrulação?

É importante saber que a região superior do embrião é indutora de formação de cabeça (porque tem fatores que induzem a formação da cabeça), e a mesma coisa na parte inferior. Toda a determinação de localidades dos órgãos é determinada durante o processo de gastrulação, é por causa dela que podemos classificar uma simetria bilateral!

O início da gastrulação ocorre quando é formada a linha primitiva, na superfície do epiblasto do disco embrionário. É ainda durante a gastrulação que o disco bilaminar é convertido em um trilaminar. Lembre – se que é ele que vai dar origem aos três folhetos germinativos!

Cada folheto germinativo dará origem, de acordo com Moore, às seguintes estruturas:

  • endoderme embrionário: é a fonte dos revestimentos epiteliais das vias respiratórias e do trato gastrointestinal, incluindo as glândulas que se abrem no trato gastrointestinal e as células glandulares dos órgãos associados, tais como o fígado e o pâncreas;
  • mesoderme embrionário: todos os músculos esqueléticos, células sanguíneas e revestimento dos vasos sanguíneos, todo músculo liso visceral, todos revestimentos serosos de toas as cavidades do corpo, ductos e órgãos do sistema reprodutivo e secretor e maior parte do sistema cardiovascular, incluindo cartilagem, os ossos, os tendões, os ligamentos, a derme e o estroma dos órgãos internos;
  • ectoderma embrionário: epiderme, sistema nervoso central e periférico, ao olho, à orelha interna e, como células da crista neural,  muitos tecidos conjuntivos da cabeça;

Para que o processo de gastrulação consiga acontecer com êxito, as proteínas ligadas à sinalização celular são essenciais nesse período. Elas atuam, por exemplo, na execução daqueles movimentos celulares já vistos: invaginação, ebolia, intercalação, extensão convergente, ingressão e involução). Isso dá início à morfogênese, que é o desenvolvimento do corpo do embrião, um evento significativo da terceira semana. Outro importante da gastrulação é que ela fornece orientação axial ao embrião.

Em resumo, a gastrulação:

  • início com a formação da linha primitiva;
  • conversão do disco bilaminar em disco trilaminar;
  • diferenciação das três camadas germinativas;
  • atuação das proteínas sinalizadoras nos movimentos celulares;
  • morfogênese
  • orientação axial ao embrião;
  • desenvolvimento da notocorda;

Um vídeo que achei no youtube resume bemmm a gastrulação, e veremos em detalhes cada um dos processos por ele demonstrados. 

Agora, vamos ver cada fenômeno da gastrulação de uma forma mais detalhada.

Vamos começar falando da linha primitiva

Todas as estruturas que serão citadas agora e durante o post podem ser analisadas nessa imagem:

Linha Primitiva

Linha Primitiva - Gastrulação

A formação da linha primitiva é o sinal do início da gastrulação. Bem no começo da terceira semana, a linha primitiva aparece caudalmente no plano mediano do aspecto dorsal do disco embrionário. Ela é formada pela migração das células do epiblasto para o plano mediano do disco embrionário. (Moore).

Concomitantemente, ao alongamento da linha primitiva na parte caudal, a extremidade cranial começa a se proliferar, e surge o nó primitivo. Daí, na linha primitiva, surge o sulco primitivo! Ele é uma depressão que vai até o nó primitivo, e forma a fosseta primitiva. Tanto o sulco e a fosseta, surge por invaginação.

Depois do aparecimento da linha primitiva, algumas células dão origem ao mesênquima, tecido formado por células frouxamente arranjadas suspensas em uma matriz gelatinosa. As células mesenquimais são ameboides e ativamente fagocíticas, e formam a maior parte dos tecidos conjuntivos! Elas têm poder de se diferenciar em fibroblasto, condroblasto e osteoblasto.

Formação dos três tecidos embrionários: uma parte do mesênquima forma o mesoderma indiferenciado, que é o formador do mesoderma embrionário ou intraembrionário. Algumas células do epiblasto, do nó primitivo e da linha primitiva deslocam o hipoblasto e formam o endoderma embrionário no teto do saco vitelino. As células que continuam no epiblasto formam o ectoderma embrionário (ou intraembrionário). Em resumo: as células do epiblasto são as que dão origem às três camadas germinativas do embrião, primórdio de todos os tecidos e órgãos!

Voltando à linha primitiva: ela forma o mesoderma até começar a quarta semana, dai depois a produção do mesoderma fica mais lenta. Nessa época, a linha primitiva diminui de tamanho e torna – se insignificante. No fim da quarta semana, ela já tem que ter totalmente desaparecido! A sua permanência é a causa do teratoma sacrococcígeo. Tadinha da neném (geralmente acomete meninas!), olha :(:

Teratoma Sacrococcigeo

Teratoma Sacrococcigeo

Agora, da notocorda!

Em resumo, a notocorda surge assim:

Formação da Notocorda

Formação da Notocorda

A notocorda é uma estrutura transitória ao longo do processo embrionário, pois desaparece após o desenvolvimento do neném. Ela origina – se mais ou menos assim: algumas células mesenquimais migram cefalicamente, do nó e da fosseta primitiva, formando o processo notocordal. Dentro dele, é o canal notocordal! Esse processo cresce, cresce, cresce até que alcança a placa pré – cordal, que é o primórdio da membrana bucofaríngea, que vai, futuramente, no seu local, dar origem à cavidade oral! Todo esse fenômeno está bem descrito na legenda da imagem. Leia a legenda da imagem. De acordo com Moore, a notocorda surge assim:

1) O processo notocordal se alonga, porque as células da fosseta primitiva sofrem invaginação.

2) A fosseta primitiva se estende para dentro do processo notocordal, formando assim o canal notocordal.

3) O assoalho do processo notocordal funde – se com o endoderma embrionário subjacente e as camadas fundidas sofrem uma degeneração gradual, resultando na formação de aberturas no assoalho do processo notocodal, permitindo a comunicação notocordal com o saco vitelino. O remanescente do processo notocordal forma a placa notocordal, achatada e com um sulco!

4) Iniciando pela extremidade cefálica do embrião, as células da notocorda proliferam, e a placa notocordal se dobra, formando a notocorda.

Algumas células notocordais são induzidas a formarem a notocorda. Essa notocorda define o eixo primitivo do embrião (dando uma certa rigidez), fornece os sinais necessários para o desenvolvimento do esqueleto axial e do sistema nervoso central, porque induz as células do ectoderma a se transformarem em sistema nervoso, e o SN é formado exatamente onde tem que ser formado! A notocorda se estende da membrana bucofaríngea ao nó primitivo. Ela degenera e desaparece quando os corpos vertebrais se formam, mas persiste como o núcleo pulposo de cada disco intervertebral. A notocorda ainda funciona como um indutor primário do embrião inicial, e quando está em desenvolvimento ela induz o ectoderma sobrejacente a espessar – se e formar a placa neural, que é o primórdio do sistema nervoso central!!

Detalhes sobre linha primitiva e processo notocordal:

- Outras células mesenquimais da linha primitiva e do processo notocordal migram entre as células do mesoderma até que chegam ao disco embrionário. Outras células ainda migram em torno da placa pré – cordal, e formam o mesoderma cardiogênico, na área cardiogênica, onde o primórdio do coração começa a se desenvolver, já no fim da terceira semana.

- Caudalmente à linha primitiva, tem uma área circular chamada de membrana cloacal, que vai dar origem ao ânus. Ali e na membrana bucofaríngea, o disco embrionário permanece bilaminar, porque nesses locais, o ectoderma e o endoderma estão fundidos, impedidos dessa maneira a migração de células mesênquimais entre os folhetos. (Moore)

- Quando chega à metade da terceira semana, o mesoderma intraembrionário separa o ectoderma do endoderma em todos os lugares, menos na membrana bucofaríngea, membrana cloacal e no plano mediano, cefalicamente ao nó primitivo, onde se localiza o processo notocordal.

Alantoide (16º dia!!!!!!!!!)

Alantoide (atrofiado)

Alantoide (atrofiado)

O alantoide nos seres humanos é muiiito pequeno!! O seu mesoderma se expande abaixo do córion e forma os vasos sanguíneos que servirão à placenta. Os vasos sanguíneos do alantoide tornam – se artérias umbilicais. Já a parte intraembrionária das veias umbilicais tem origem diferente.

Neurulação – Início na Terceira semana, Fim na quarta!

Veja:

Os processos envolvidos na formação da placa neural e pregas neurais, e o fechamento dessas pregas para formar o tubo neural, constituem a neurulação!! Ela tá muito bem vista no vídeo. Esses fenômenos (neurulação) acabam na quarta semana, quando ocorre o fechamento do neuroporo caudal. Diz – se que o embrião encontra – se então no estágio de nêurula.

Com o desenvolvimento da notocorda, o ectoderma embrionário acima dela se espessa, formando uma placa alongada em forma de chinelo de células epiteliais espessadas: placa neural. Ah, a notocorda fica “embaixo” do tubo neural.

E esses tais de somitos?

Lembra daquele nó primitivo? Então, as células derivadas dele tem mais um papel: formar o mesoderma paraxial. Daí, quase no fim da terceira semana, esse mesoderma se diferencia e começa a dividir em pares de corpos cuboides chamados de somitos!!!!!! Eles se formam em uma sequência cefalocaudal. Esses blocos de mesoderma estão localizados em cada lado do tubo neural em desenvolvimento. Olha essa foto que gracinha os somitos nessa foto:

Somitos!

Somitos!

O “período somítico” do desenvolvimento humano é entre o 20º ao 30º dia, e nesse tempo cerca de 38 pares de somitos são formados!  Como eles são proeminentes durante a quarta e quinta semanas, eles ainda são usados como um dos vários critérios para determinar a idade do embrião.

A região em que eles aparecem é a futura região occipital do embrião, e dai vão em direção à cauda e dão origem à maior parte do esqueleto axial (como as vértebras) e aos músculos associados, assim como à derme da pele adjacente. Por isso, podemos dizer que os somitos cefálicos são os mais velhos, e os caudais mais jovens.

Desenvolvimento do Celoma Intraembrionário

O primórdio do celoma intraembrionário surge como espaços os quais coalescem e formam uma única cavidade que chamam de celoma intraembrionário, que divide o mesoderma em duas camadas: parietal (somática) que é a que forma a parede do corpo do embrião (somatopleura!), e a visceral (esplâncnica) que forma o intestino do embrião (esplancopleura). Daí, no segundo mês de desenvolvimento, o celoma intraembrionário está dividido em três cavidades corporais: pericárdica, pleurais e peritoneal.

Desenvolvimento Inicial do Sistema Cardiovascular

No início da terceira semana, já inicia – se a vasculogênese e a angiogênese! No fim dessa semana, o sangue já circula, e o coração começa a bater no 21º ou 22º dia. O sistema cardiovascular é o primeiro sistema de órgãos que alcança um estado funcional. Os batimentos cardíacos podem ser detectado por ultrassonografia durante a quinta semana.

Desenvolvimento das Vilosidades Coriônicas

Pouco depois que as vilosidades coriônicas primárias surgem, elas já começam a se ramificar. Na terceira semana, o mesênquima penetra as vilosidades primárias e forma um eixo central de tecido mesenquimal. Daí, as vilosidades (que agora já são secundárias!) recobrem toda a superfície do saco coriônico. Algumas dessas células mesenquimais diferenciam – se em vasos sanguíneos e capilares. Quando esses vasos tornam – se visíveis nas vilosidades, elas são chamadas de vilosidades coriônicas terciárias. Enquanto isso, os capilares das vilosidades coriônicas fundem – se e formam redes arteriocapilares, que logo se conectam ao coração do embrião. (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA QUE LINDO). 

No fim já da terceira semana, existe circulação no embrião bem lenta, por meio dos capilares das vilosidades coriônicas. As moléculas importantes do sangue materno que estão no espaço interviloso vão por difusão para as paredes das vilosidades e penetram no sangue do neném! E as excretas do neném difundem – se para o sangue da mãe, por meio também da parede das vilosidades.

Ao mesmo tempo que isso acontece, as células do citotrofoblasto se proliferam e se estendem através do sinciciotrofoblasto, e formam a capa citotrofoblástica, que, gradualmente, envolve o saco coriônico e o prende ao endométrio. Essa capa prende algumas vilosidades aos tecidos maternos, e assim constituem – se as vilosidades – tronco. As vilosidades que crescem adjacentes às vilosidades tronco são as vilosidades terminais. E são pelas paredes das vilosidades terminais que ocorre a maior parte das trocas de material entre o sangue materno e o do neném.

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 55 a 71. Embriologia Clínica. 8ed.

Segunda Semana: Fim da Implantação e Formação do Disco Embrionário

Nas duas primeiras semanas, as células do embrião investem muito na proteção dele, porque qualquer deslize, qualquer descamação do endométrio, qualquer trauma, é fatal pro embrião.

A implantação propriamente dita do blastocisto no endométrio termina por volta do décimo segundo dia, quando toda a camada do citotrofoblasto está dentro do endométrio. No entanto, do sétimo dia (quando surge a camada de células que forma o hipoblasto) até o décimo segundo dia, vários fenômenos ocorrem concomitantes à implantação! Vamos a eles ;)

Que acontece durante a implantação??????

Então, conforme o embrião vai invadindo cada vez mais o endométrio da mãe, aquela camada externa de células chamada trofoblasto vai tendo mais contato com esse endométrio e se diferencia em outras duas camadas: citotrofoblasto e sinciciotrofoblasto:

Sinciciotrofoblasto e Citotrofoblasto

Sinciciotrofoblasto e Citotrofoblasto

O sinciciotrofoblasto é a camada de células que invade o tecido conjuntivo endometrial, ou seja, por causa da ação dele que o blastocisto consegue “se afundar” no endométrio.Ele também dá origem aos anexos embrionários, e fica secretando muitas enzimas de lise, para facilitar a implantação. O organismo da mãe também ajuda para ocorrer a implantação, porque além da atuação do sinciciotrofoblasto, acontecem os seguintes fenômenos:

  • as células endometriais (células residuais) sofrem apoptose (ai o blastocisto consegue invadir com mais facilidade, né? já que as células do endométrio vão morrendo no lugar onde ele vai erodindo, acabam morrendo);
  • há atuação de moléculas/fatores que deixam o endométrio mais receptivo, como: microvilosidades das células endometriais, moléculas celulares de adesão, citocinas, prostaglandinas, genes homeobox, fatores de crescimento e metaloproteinases da matriz;

Tem umas células chamadas de células deciduais, elas acumulam glicogênio e lipídeos (a reação decidual, que envolve essas células, será explicada melhor depois). Daí, o sinciciotrofoblasto engole essas células! São essas células do endométrio que estão em degeneração. Como elas tão cheias de glicogênio e lipídeos, elas servem como uma fonte nutritiva para o embrião.

Outra ação do sinciciotrofoblasto é que é ele quem produz hCG, hormônio importantíssimo pra estimular o corpo lúteo a continuar produzindo progesterona (senão o endométrio “cai” e o bebê morre!).

A camada de células chamada de citotrofoblasto é formada por células que possuem só um núcleo. Elas sofrem mitose, e as novas células formadas vão para o sinciciotrofoblasto! Elas se fundem quando chegam ao sinciciotrofoblasto e perdem suas membranas. É por isso que o sinciciotrofoblasto chama – se SINCICIOtrofoblasto. Já que qualquer coisa chamada sincicio quer dizer: conjunto de células que se fundem, perdem suas membranas e formam uma única massa multinuclear!  Tudo faz sentido.

E agora?

Surge o disco embrionário, que é formado por duas camadas de células denominadas hipoblasto e epiblasto. Esse disco é que vai dar origem às camadas germinativas, que vão formar os órgãos e tecidos do neném! É importante destacar que o disco embrionário tem um crescimento lendo, quando comparamos com o crescimento do trofoblasto.

Disco Embrionário: Hipoblasto e Epiblasto

Disco Embrionário: Hipoblasto e Epiblasto

O epiblasto é uma camada espessa de células colunares altas, é ela que dá origem a: mesoderma (extraembrionário e embrionário), ectoderma (do âmnio e embrionário) e endoderma (do embrião), além do processo notocordal.

Já o hipoblasto é uma camada de células pequenas e cuboides, que ficam adjacentes à cavidade exocelômica. Ele forma o endoderma do saco vitelino e, junto com o epiblasto, o mesoderma extraembrionário. Depois, esse mesoderma vai ser formado por células que surgem na linha primitiva.

Mais tarde, esse mesoderma (extraembrionário, formado pelas células do endoderma do saco vitelino) é formado por células que surgem na linha primitiva. O saco vitelino e a cavidade amniótica tornam possíveis os movimentos morfogenéticos das células do disco embrionário. (Moore) Ou seja, as células do endoderma do saco vitelino são quem forma o mesoderma extraembrionário, depois esse mesoderma vai ser formado por células que surgem na linha primitiva.

O hipoblasto fica em continuidade com membrana delgada exocelômica, e, junto com essa membrana, eles formam o saco vitelino primitivo. Nessa época do desenvolvimento, o disco embrionário fica entre a cavidade amniótica e o saco vitelino.

Enquanto o embrião vai cavando se implanta no endométrio, surge um espaço no embrião que é o primórdio da cavidade amniótica. Quando ela surge (essa cavidade amniótica), as células do epiblasto que vão formar o âmnio, chamadas de amnioblastos, se destacam do epiblasto e passam a revestir a cavidade amniótica, formando o seu assoalho (para entender melhor, tenha em mente que a cavidade amniótica primordial vai surgindo JUNTO com o disco embrionário). O epiblasto fica perifericamente em continuidade com o âmnio.No futuro da gestação, um dos fatores que é analisado é a quantidade de líquido na cavidade amniótica, dada pela proliferação das células do epiblasto (em torno do oitavo dia!).

Para recapitular: durante a implantação o trofoblasto se divide em sinciciotrofoblasto e citotrofoblasto. Depois, surge a cavidade amniótica primordial, e o disco embrionário (formado pelo epiblasto e hipoblasto). Essas camadas de células do epiblasto e hipoblasto formam as várias estruturas do embrião e os folhetos germinativos. Ok, o que mais acontece durante a implantação do embrião no endométrio?

Depois de formados a cavidade amniótica, disco embrionário e saco vitelino, surgem as lacunas no sinciciotrofoblasto. Essas lacunas (entenda espaços) são preenchidas por sangue materno e restos celulares das glândulas uterinas erodidas, essa mistura é chamada de embriotrofo. Ela atravessa o disco embrionário por difusão e fornece o material nutritivo para o embrião. Essa comunicação entre os capilares maternos com as lacunas forma a circulação uteroplacentária primitiva. O sangue materno que chega traz oxigênio e substâncias nutritivas para o neném. O sangue com oxigênio chega ao embrião (lacunas) através das artérias espiraladas do endométrio, e o sangue com menos oxigênio é removido pelas veias endometriais. Nessa época da gestação, há atuação de muitas células fagocíticas, porque há um constante remodelamento do endométrio, e também é necessário retirar as excretas do embrião e da mãe. Essas lacunas são muito importantes!! Porque, em torno do décimo segundo dia, elas se fundem e formam o que chamam de redes lacunares, que são o primórdio dos espaços intervilosos da placenta. O sangue só consegue fluir entre a rede lacunar, porque os sinusoides, que são os capilares endometriais dilatados, estão erodidos pelo sinciciotrofoblasto! Até a formação dessa rede, a maioria do sangue circulante no embrião é materno, mas logo o embrião já começa a desenvolver as suas futuras células sanguíneas.

Depois que as lacunas se fundem, o trofoblasto começa a absorver o fluido nutritivo das redes lacunares, e depois esse fluido é transferido pro embrião. Assim que ele se alimenta, antes da placenta surgir. :)

12 dias!!!!!!!!!

Como já foi dito, é em torno do décimo segundo dia que as lacunas se fundem e formam a rede lacunar! Mas, outras coisas importantes acontecem em torno desse dia.

Pra começar, é no décimo segundo dia que é possível observar uma elevação na superfície do útero, onde o blastocisto se implantou. Enquanto o blastocisto tá se implantando, ele vai erodindo o tecido endometrial, né? Isso cria uma falha no epitélio endometrial, e que vai ser corrigida por um coágulo sanguíneo (um tipo de tampão). E é no décimo segundo dia, que esse epitélio vai recobrir esse tampão. Finaliza – se assim a implantação.

Reação Decidual

Assim que a implantação é finalizada, as células do tecido conjuntivo endometrial sofrem a chamada reação decidual: aquelas células do endométrio, já citadas, chamadas de células deciduais começam a armazenar glicogênio e lipídeo. O sinciciotrofoblasto as degenera e elas passam a ser material nutritivo para o embrião.

Mesoderma Extraembrionário

Mesoderma Extraembrionário

Mesoderma Extraembrionário

O mesoderma somático extraembrionário induz as células do citotrofoblasto a produzirem extensões celulares, as quais vão crescer para dentro do sinciciotrofoblasto. Essas projeções são as que formam as vilosidades coriônicas primárias, que são o primeiro estágio para o desenvolvimento da placenta.

O celoma extraembrionário divide o mesoderma extraembrionário em duas camadas: mesoderma somático extraembrionário (que reveste o trofoblasto e cobre o âmnio) e o mesoderma esplâncnico extraembrionário (envolve o saco vitelino).

O córion, que forma a parede do saco coriônico, é composto pelo mesoderma somático extraembrionário mais as duas camadas de trofoblasto.

Que mais acontece na segunda semana?

Durante todo esse processo, o mesoderma extraembrionário (formado pelas células mesenquimais do saco vitelino, fica crescendo, e dentro desse mesoderma surgem os espaços celômicos extraembrionários. Esses espaços se fundem e formam o celoma extraembrionário. Essa cavidade preenchida por fluido envolve o âmnio e o saco vitelino, exceto onde eles estão aderidos ao córion pelo pedículo do embrião. (Moore)

Por causa da formação desse celoma, o saco vitelino diminui de tamanho. Nisso, forma – se um saco vitelino menor chamado de saco vitelino secundário. Esse saco vitelino secundário é formado por células endodérmicas extraembrionárias que migram do hipoblasto para o interior do saco vitelino primitivo. Durante a formação do saco vitelino secundário, uma grande parte do saco vitelino primitivo destaca – se. O saco vitelino não contém vitelino, mas exerce funções como ser o local de origem das células germinativas primordiais e também por transferir nutrientes para o embrião. (Moore) O saco vitelino ainda é importante por ser lá em que ocorre a hematopoiese primitiva, e também onde as células germinativas primordiais surgem (elas surgem no endoderma do saco vitelino e depois migram para dentro do embrião, como já foi discutido no tópico de diferenciação sexual). Quando o embrião fica suspenso pelo pedículo, junto com os sacos vitelino e cavidade amniótica, o celoma extraembrionário passa a ser chamado de cavidade coriônica.

Formação do Saco Vitelino Secundário

Formação do Saco Vitelino Secundário

14 dias!!!!!!!!!!!

No décimo quarto dia, o embrião tem ainda a forma de um disco embrionário bilaminar, só que nesse dia, as células hipoblásticas já são colunares e delimitam uma área que é a placa precordal, onde vai ser o futuro local da boca e um importante organizador da região da cabeça do neném.

Placa Precordal

Placa Precordal

O fim da segunda semana é marcado pelo surgimento das vilosidades coriônicas primárias. (Futura formação da placenta). Ele também é marcado pelo fato do embrião já estar bem protegido dentro do endométrio (lembre que foi dito que nas duas primeiras semanas, as células embrionárias vão fazer de tudo pra proteger o embrião!). Toda a região que fica em volta do embrião, dá espaço ao embrião começar a crescer.

Lindinho!

Lindinho!

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 44 a 54. Embriologia Clínica. 8ed.

Tecido Muscular

A principal característica do tecido muscular é a contratilidade. Por causa dela, esse tecido é capaz de fornecer a habilidade de locomoção aos seres vivos. Em relação à origem, o tecido muscular tem origem embriológica do mesoderma, isto é, suas células são diferenciadas das células mesenquimais que formam os mioblastos.

Na fase embrionária, as células musculares estriadas esqueléticas são formadas pela fusão de mioblastos. Isso produz um miotubo que amadurece e se transforma em uma célula muscular longa. Uma célula muscular estriada esquelética pode chegar a ter vários centímetros.

Tipos de Tecido Muscular

Há três tipos de tecido muscular: tecido muscular estriado esquelético, tecido muscular estriado cardíaco e tecido muscular liso. O tecido muscular estriado esquelético tem ação voluntária, enquanto os outros dois é involuntária. A importância do músculo liso é para dar contratilidade intestinal, na bexiga, vasos sanguíneos, entre outros órgãos. O tecido muscular cardíaco é encontrado na parede do coração e é importante por fazer parte do bombeamento do sangue pelo corpo.

Há uma quantidade muito grande de mitocôndrias no tecido muscular, isso porque as células desse tecido gastam muita energia.

Tecido Muscular Estriado

A funcionalidade contrátil da célula muscular é dada pelos miofilamentos. Eles são encontrados em outros tipos de células, mas nas células musculares eles compõem estruturas importantes para a função de contração, diferente das outras células.

Há dois tipos de miofilamento: o de actina e o de miosina.Os filamentos finos são o de actina. A actina é formada por duas cadeias de monômeros, como se fossem dois colares de pérolas que fica enrolado um no outro. Associada a ela, tem a troponina e a tropomiosina. A tropomiosina é uma molécula longa e fina que vai estar entrelaçando o filamento fino. A troponina é uma proteína formada por três unidades: T, C e I. A T se liga a tropomiosina, a C ao cálcio (apenas encontrada nos tecidos musculares estriados) e a I inibe a ligação da miosina à actina.

Filamento Fino: Actina

Filamento Fino: Actina

O outro tipo é o filamento espesso, que são filamentos de miosina. Ela (miosina) tem formato de um taco de golfe com duas cabeças. Ela consiste em duas cadeias pesadas idênticas, e dois pares de cadeias leves. Cada cadeia pesada forma uma cabeça globular nas extremidades (daí parecer com um taco de golfe. Quando essas miosinas se associam uma a outra, formam o filamento espesso, o qual se associa à actina para favorecer a contratilidade muscular. A cabeça globular possui três regiões distintas: uma região de ligação à actina, uma região de ligação ao ATP e uma região de ligação a uma cadeia leve.

Filamentos Espesso e Fino

Interação do Filamento Fino com o Espesso

A sarcolema (membrana plasmática) no tecido muscular esquelético é circundada por lâmina basal e pelas células satélites (logo mais discutidas).

Células Satélites

Células Satélites

Da sarcolema são emitidas longas invaginações [digitiformes] que são os túbulos transversais, ou chamados também de túbulos T. Eles se projetam para o interior da célula (chamado de sarcoplasma). Esses túbulos T fazem contato com os canais membranosos do retículo sarcoplasmático, que concentra uma grande quantidade de íons cálcio. O local de contato é o que chamam de tríade (tríade = 2 sacos do retículo sarcoplasmático + túbulo T).

As mitocôndrias (sarcossomas) podem estar paralelas ao longo do eixo das miofibrilas ou podem envolver zona de filamentos espessos (formados por miosina).

Conceitos

  • a fibra muscular nada mais é do que a célula muscular (que é uma célula multinucleada!);
  • as miofibrilas são importantes para contração;
  • união de várias fibras musculares forma um feixe muscular;
  • cada fibra muscular é envolta por um tecido conjuntivo chamado de endomísio, por onde os capilares penetram (esses capilares devem ser flexíveis, para conseguirem aguentar a contração e o relaxamento do tecido);
  • envolvendo um conjunto de fibras musculares tem o perimísio, que é um tecido conjuntivo mais frouxo;
  • envolvendo vários feixes têm o epimísio, que é um tecido conjuntivo denso e rico em fibras colágenas (envolve todo o músculo!);
Epimísio, Perimísio e Endomísio

Epimísio, Perimísio e Endomísio

  • a fixação do tendão ao osso é feita por meio das fibras de Sharpey ao periósteo;
  • fascículo: são várias fibras musculares;
  • músculo: vários fascículos;
  • miofibrila: cadeia de sarcômeros;
  • sarcolema: membrana plasmática da célula muscular;

Tecido Muscular Estriado Esquelético

O músculo estriado esquelético tem células bem longas e o núcleo deslocado para a periferia da célula. Os pontinhos que são possíveis de serem vistos na microscopia são as miofibrilas:

  • três tipos de fibras: vermelha, branca ou intermediária;
  • fibra vermelha: unidade motora de contração lenta. Possui muiiiita mitocôndria e são resistentes à fadiga, por isso são apropriadas para a atividade muscular prolongada;
  • fibra branca: unidade motora de contração rápida. São grandes e possuem menos mitocôndrias. Elas contraem – se rapidamente e, em geral, são responsáveis pelos movimentos;
  • fibra intermediária: características tanto da fibra vermelha, quanto da branca;
  • possui estriações transversais;
  • é localizado em todo o corpo e está associado aos ossos;
  • as estriações é dada pelos sarcômeros (miofilamentos dispostos em sarcômeros);
  • existe variações de tamanho de diâmetro entre as fibras, tanto que existem músculos mais hipertrofiado do que outros;
  • hipertrofia é dada pelo número e tamanho das fibras;

Tecido Muscular Estriado Cardíaco

O músculo estriado cardíaco não tem o núcleo deslocado para periferia, e ele é esférico e central. Esse tecido apresenta estriações, obviamente pelo nome né, e as células não tem tantos núcleos quanto o esquelético. Além disso, ele apresenta estruturas específicas que são os discos intercalares. Geralmente, vendo no microscópio, é mais fácil diferenciar ele do esquelético observando os núcleos tanto pela quantidade, quanto pela posição, ou pela presença do disco intercalar.

As fibras musculares cardíacas são menores do que as esqueléticas e possuem de 1 a 2 núcleos. Elas são revestidas por uma bainha de conjuntivo e são anastomosicamente interligadas pelos discos intercalares. Esse discos constituem – se em uma região de acúmulo de proteínas de adesão (com desmossomos) e junções comunicantes, que auxiliam na troca de informação, como junções comunicantes, para uma contração sincronizada das células.

Esse tecido ainda possui túbulos T e retículos sarcoplasmácitos desenvolvidos em suas células, mas não são tão extensos. No entanto, ao invés de tríades, ele possui os díades, que são expansões do retículo sarcoplasmático (díades = túbulo T + uma cisterna do retículo sarcomplasmático. As mitocôndrias são mais abundantes nas fibras musculares estriadas cardíacas, e contêm numerosas cristas! Outra característica desse tecido são as células de Purkinje, que são células musculares modificadas que possuem muito glicogênio no citoplasma, e são importantes na propagação do impulso nervoso.

Tecido Muscular Liso

O músculo liso tem células fusiformes e não apresentam estriações (já que não tem sarcômeros!). Suas células se assemelham funcionalmente muito a um fibroblasto, tanto que alguns autores as chamam de miofibroblasto. Elas são revestidas por lâmina basal e mantidas por fibras reticulares. Essas células do músculo liso não exibem a mesma organização do músculo estriado e apresentam feixes de miofilamentos que se cruzam em todas as direções. Estes miofilamentos são de actina e tropomiosina, e de miosina. Apresenta também os filamentos intermediários de desmina e vimentina.

  • é encontrado nas túnicas musculares das artérias, músculo eretor da pele, túnica muscular de órgãos tubulares (como do sistema digestório, genito – urinário, respiratório, etc);
  • células possuem núcleo central;
  • contração lenta e involuntária;
  • não ocorre fusão de mioblastos no músculo liso;
  • sem estriações, sem sistema T;
  • o retículo sarcoplasmático é extremamente reduzido;
  • as células desse tecido podem sintetizar colágeno tipo III, fibras elásticas e proteoglicanos (daí faz lógica elas serem confundidas com os fibroblastos);
  • inervação: não exibem placas motoras, tem fibras do sistema nervoso simpático e parassimpático;
  • a miosina do músculo liso não tem aparência de taco de golfe, ela é uma miosina diferente. A interação da miosina com o feixe de actina é diferente, pois é feita com o auxílio dos corpos densos. Esses feixem agem como se estivessem costurando a célula.
  • as células musculares lisas da parede de grandes vasos sanguíneos produzem elastina (com a velhice, essa elastina passa a ser substituída por colágeno);

Contratilidade Muscular

Os tecidos musculares esqueléticos possuem sarcômeros, o liso não. Esses sarcômeros que dão o aspecto de estriação do tecido. Ele fica dentro de duas estruturas chamadas de disco Z.

Contração Músculo Estriado

A contração é feita pela interação da miosina com a actina. O sítio de ligação entre a miosina e a actina fica coberto pelo complexo tropomiosina – troponina. Quando ocorre o estímulo nervoso, há liberação de íons cálcio pelo retículo sarcoplasmático. Esses íons, então, se ligam à troponina e modifica a sua conformação. Isso faz com que ocorra o deslocamento da cabeça da miosina, que agora pode se associar à actina, que antes estava coberta pelo complexo tropomiosina – troponina. A ligação da miosina com a actina gasta ATP, porque muda a conformação da proteína que vai fazer com que ocorra o deslizamento dos filamentos de actina sobre os filamentos de miosina. O cálcio é liberado pelo estímulo nervoso, que chega ao retículo por meio de sinais conduzidos pelos túbulos T (ocorre uma despolarização de membranas e aí o sinal é conduzido pela região das tríades (túbulos T)).

Em relação ao estímulo nervoso, é importante explicar que o sinal de excitação para a contração é gerado pela acetilcolina (transmissor químico liberado por uma terminação nervosa em resposta a um potencial de ação). A acetilcolina difunde – se para o interior de um estreito espaço, denominado junção neuromuscular (entre a fibra muscular e a terminação nervosa). O potencial de ação propaga – se do sarcolema até os túbulos T, os quais transportam o sinal de excitação até o interior da célula muscular. Os íons cálcio são liberados no interior do citossol para ativar a contração muscular, quando o potencial de ação atingir o túbulo T. (Kierszenbaum)

OBS: Estrutura dos Sarcômeros

Unidade Contrátil: Sarcômero

Unidade Contrátil: Sarcômero

Quando há contração, a banda I praticamente some, porque a miosina diminui e aproxima a banda Z da outra banda Z (banda = linha, na foto), sobrepondo um filamento sobre o outro.No entanto, não há alteração do comprimento dos filamentos espessos e delgados, isto é, o comprimento da banda A e a distância ente o disco Z e a banda H adjacente permanece constante. Por outro lado, o comprimento do sarcômero diminui, porque os filamentos espessos e delgados (de miosina e actina) deslizam uns sobre os outros, ou seja, o tamanho das bandas H e I diminuem, como foi dito. A força de contração é gerada pelo processo que move um tipo de filamento sobre os filamentos adjacentes do outro tipo = deslizamento da actina sobre a miosina.

Na banda I só há actina. A miosina puxa a actina para cima e as bandas desaparecem e fica só a banda A. Essa linha M (faixa M) é uma região de intersecção entre as miosinas. Na banda H é onde tem a enzima creatina – quinase, que catalisa a formação de ATP no tecido muscular.

O fosfato de creatina é um mecanismo de reserva cuja função é manter os níveis de ATP constantes durante a contração muscular. Quando a concentração de ATP diminui, a hidrólife do fosfato de creatina constitui – se na fonte de energia de reserva. A creatina – quinase catalisa uma reação reversível que produz creatina e ATP a partir da hidrólise do fosfato de creatina. O fosfato de creatina recém – sintetizado provém das mitocôndrias e transporta grupos fosfatos entre as mitocôndrias e a miofibrila. (Kierszenbaum)

Tecido Muscular Esquelético

Tecido Muscular Esquelético

Na foto a cima, temos: as estriações bem fininhas é a actina, que forma a banda I. De uma banda I pra outra, tem a banda A, que é uma região mais espessa, dividida pela metade pela região de banda H, em que se vê somente o filamento de miosina.

Contração Músculo Liso

Invaginações da membrana plasmática (chamadas de cavéolas) atuam como um sistema de túbulos T primitivos, que transmite os sinais de despolarização ao retículo sarcoplasmático pouco desenvolvido. Essas células unem – se umas às outras por meio de junções comunicantes. Essas junções permitem a contração sincrônica do tecido muscular liso. Cada célula é envolvida por uma lâmina basal que atua transmitindo as forças produzidas por cada célula. (Kierszenbaum).

Durante a contração do músculo liso, ocorre o deslizamento da actina e da miosina, como no esquelético: os filamentos de actina e miosina associada fixam – se aos corpos densos do citoplasma, e são os equivalentes aos discos Z nos tecidos musculares estriados. (Kierszenbaum) Mas, essa contração faz com que haja um encolhimento da célula, isto é, ela enche e distende. Os miofilamentos, então, tem que ser extramente ancorados na membrana plasmática das células, senão essa contração não daria certo! Tudo isso é como se fosse uma rede de pesca, sendo que essa rede é constituída de filamentos.

A miosina do tecido muscular liso é diferente da do esquelético também (é a miosina do tipo II). Ela só vai interagir com a actina se ela estiver fosforilada. Para isso, ao invés de ter a tropomina, tem a camodulina. Quando ela se liga ao fósforo, faz com que a miosina seja fosforilada.

O complexo ativo de cálcio e calmodulina ativo faz ativar a cinase de cadeia leve da miosina que fosforila a cabeça da miosina, mudando sua conformação. Isso permite que haja deslizamento dos filamentos e contração muscular. Ah, esqueci de falar: os íons cálcio chegam do lado de fora da célula! Diferente do outro tecido muscular que eles ficam no retículo sarcoplasmático. Outra diferença entre a contração de um tecido e outro, é que as células musculares lisas não contêm troponina! Possuem a tropomiosina, e é ela que se liga aos filamentos de actina e os estabiliza. Já que não tem a troponina, uma outra molécula, a quinase, é que sensibiliza o cálcio das fibras musculares lisas.

O tecido muscular liso pode ser estimulado a contrair – se por meio de: estimulação nervosa, hormonal ou estiramento. Em resposta a um estímulo apropriado, ocorre um aumento de cálcio citoplasmático.

Regeneração do Tecido Muscular

O músculo liso tem uma resposta regenerativa mais eficiente do que o músculo esquelético, porque a célula do músculo liso é menos diferenciada do que a dos estriados.

O tecido muscular cardíaco, no entanto, não apresenta as chamadas células satélites, então a regeneração não acontece, por isso que os infartos levam à lesões irreversíveis. Na área em que houve lesão, ocorre a fibrose do músculo cardíaco, pois ele é substituído por tecido conjuntivo no lugar. Essa região em que foi substituída por tecido conjuntivo perde o contato com as outras células do tecido, dai a contratilidade da região fica deficiente.

Além das células satélites, há uma população de células – tronco do músculo esquelético adulto, que são as células da população lateral. Elas têm a capacidade de diferenciar – se em todas as principais linhagens de células do sangue, bem como em células satélites miogênicas. Essas células da população lateral estão presentes na medula óssea e podem dar origem a células miogênicas capazes de participar da regeneração muscular.

As células satélites, encontradas nos tecidos musculares que se regeneram, dão origem aos mioblastos quando ocorre a lesão do tecido. Elas ficam em repouso e são como se fossem “células tronco” do tecido muscular. Essa diferenciação em mioblastos ocorre quando as células satélites se fusionam e formam o mioblasto (célula multinucleada).

Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 199 a 222. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.

Tecido Ósseo e Osteogênese

Tecido Ósseo

O tecido ósseo é aquele que constitui os ossos (oh, really?), sendo um dos tipos de tecido conjuntivos, mas esse é rígido e inflexível. A sua principal característica é que sua matriz é calcificada, por isso uma das funções desse tecido é comportar – se como um reservatório de cálcio e fosfato. Ele é altamente vascularizado, e isso é imprescindível para sua manutenção, já que as suas células estão em constante atividade. As principais funções do tecido ósseo é dar sustentação ao corpo, proteger órgãos (como faz a caixa craniana, a caixa torácica, etc).

Visão Macroscópica e Microscópica do Tecido Ósseo

Visão Macroscópica

Macroscopicamente, identificamos dois tipos de tecidos ósseos:

  • Tecido Ósseo Esponjoso (ou chamado também de trabecular): é formado por trabéculas ósseas ou também, pode – se dizer, por uma trama de espículas, as quais delimitam o espaço ocupado pela medula óssea. É encontrado na superfície dos ossos longos (epífise).
  • Tecido Ósseo Compacto: é formado por lamelas concêntricas e encontra – se mais na diáfise dos ossos longos. Esse tecido contém o canal medular, onde são produzidas as células do sangue. O tecido ósseo compacto termina sempre em um tecido ósseo esponjoso.
Osso Longo

Osso Longo: Observar o que é diáfise, epífise e metáfise e onde ficam os tipos de tecido ósseo no osso longo, assim como a localização da medula óssea.

O crescimento do osso em comprimento é dado pelo disco epifisário que existe entre a diáfise e a epífise. Esse disco é formado por tecido cartilaginoso que representa uma zona de crescimento durante a ossificação endocondral.

Disco Epifisário: Ossificação Endocondral

Disco Epifisário: Ossificação Endocondral

Visão Microscópica

Para ser visualizado pela microscopia, o tecido ósseo deve ser desgastado, isto é, ele não é trabalhado como as outras lâminas, porque todo o tratamento dado descalcificaria a matriz extracelular. O processo de preparação do tecido é feito desgastando o osso (como se o lixasse), até ficar fininho e possível de ser observado no microscópio. Por causa do desgaste, perde – se o que é orgânico e fica só o inorgânico.

Microscopicamente, o tecido ósseo pode ser classificado em:

  • Tecido ósseo lamelar (ou secundário): há várias camadas concêntricas distribuídas em torno de um canal, chamado canal de Harvers, formando o sistema de Harvers ou ósteons. Essas camadas contém os osteócitos, e em volta a linha cimentante. Externamente, em contato com a região de fora do osso, há as lamelas circunferenciais externas. E as lamelas entre os canais de Harvers é a lamela intersticial. Há também os canais de Volmann, que são transversais, mas diferentes dos canais de Harvers eles não são circundados por lamelas concêntricas (ver figura em baixo). Como internamente o osso é revestido pelo chamado endosteo, e externamente pelo periósteo, as lamelas circunferenciais externas ficam em contato com o periósteo, e as internas com o endósteo. O periósteo é formado por duas camadas: a camada mais externa que é abundante em fibras de colágeno e vasos sanguíneos, os quais penetram no canal de Volkmann, e a camada interna que possui as células osteoprogenitoras (osteoblastos). É ainda no periósteo que ficam as fibras de Sharpey, as quais fixam o periósteo ao ossos e são formadas por colágeno. Já o endósteo é formado por fibras reticulares. Ambos (endósteo e periósteo) são possíveis de serem vistos por descalcificação. A parte branca nesses tipos de lâmina é a medula óssea, e cobrindo externamente o osso fica o periósteo (camada externa do periósteo é colágeno e interna é osteoblasto). Bem colado ao osso tem o endósteo. Há lamelas grandes e também pequenas, elas estão sempre em desenvolvimento, já que o tecido ósseo não é estático. Como esse tecido é muito vascularizado, o vaso sanguíneo penetra no periósteo e passa por canais perpendiculares aos ósteons. Os “buracos pretos” vistos nas lâminas de tecido ósseo secundário são onde ficam os osteócitos (células maduras do osso), cada um deles ocupa uma lacuna com canalículos que penetram nas lamelas das lacunas adjacentes. Além disso, é possível observar várias lamelas concêntricas em torno do canal de Harvers.
Tecido Ósseo Lamelar

Tecido Ósseo Lamelar

→ Ósteons (sistema de Harvers/haversianos): são formados por lamelas que se dispõe concentricamente ao redor de um canal vascular longitudinal (vascular = tem um vaso sanguíneo que passa pelo canal e serve para nutrir as células do tecido ósseo, os nutrientes são transportados através de uma cadeia de prolongamentos celulares);

→ Lamelas Intersticiais: observadas por entre os ósteos e separadas dos mesmos por uma fina camada denominada linha cimentante;

→ Lamelas Circunferenciais internas: são encontradas na superfície interna, subjacente ao endósteo;

Os canais vasculares podem ter duas orientações em relação à estrutura lamelar:

→ Capital longitudinal que segue para o centro do ósteon dentro de um espaço denominado canal de Havers

→ Os canais de Havers estão conectados entre si por intermédio de canais oblíquos chamados de canais de Volkmann, os quais contêm vasos sanguíneos originados da medula óssea e do periósteo.

Esta imagem mostra todas as estruturas faladas:

Tecido Ósseo Compacto

Tecido Ósseo Compacto e Esponjoso

  • Tecido ósseo não – lamelar (ou entrelaçado, ou primário): ainda é um tecido ósseo em desenvolvimento.

Matriz Óssea

A matriz ossa é composta por 35% de componentes orgânicos e os outros 65% de inorgânico. A parte orgânica da matriz é composta por colágeno do tipo I (predominantemente), proteoglicanos, proteínas não colagenosas (por exemplo a osteocalcina que inibe a função osteoblástica, e a osteonectina que remodela o osso e também está ligada à morfogênese), além de vitamina D e outros compostos. A parte inorgânica da matriz é composta por depósitos de fosfato de cálcio na forma de hidroxiapatita. A matriz óssea é diferente do tecido conjuntivo denso modelado, embora parecidos, porque o osso não é homogêneo que nem o conjuntivo. A chamada matriz osteóide é a matriz recém – sintetizada que ainda não está mineralizada. Os minerais são gradualmente depositado na forma de faixas ou lamelas. Por último, os osteoblastos (que são os que formam essa matriz) são aprisionados no interior da matriz osteóide e se tornam osteócitos quando a matriz já estiver calcificada.

Células do Tecido Ósseo

Osteoprogenitoras

As células osteoprogenitoras têm origem pela diferenciação das células mesenquimais. Elas ficam localizadas no periósteo e no endósteo e permanecem como células de revestimento até que são, por algum motivo, ativadas. Isso ocorre quando ocorre algum tipo de lesão ou fratura do tecido ósseo. Quando isso ocorre, elas são estimuladas a se diferenciarem em osteoblastos.

Osteoblastos

Os osteoblastos têm formato cúbico ou cilíndrico, e tem aparência de tecido epitelial, além de serem células altamente polarizadas, que depositam o osteóide ao longo da interface osteoblasto – osso, controlando e iniciando a mineralização do osteoide. A principal função deles é produzir matriz orgânica (a chamada matriz osteóide, já discutida). Para isso, eles contam com a atuação de uma proteína de membrana que atua na mineralização da matriz por meio de depósito de hidroxiapatita chamada de fosfatase alcalina. A mineralização é o processo pelo qual a matriz extracelular passa e fica que a deixa impregnada com sais de cálcio e fosfato. Os osteoblastos ativam os osteoclastos e quando a formação óssea termina, os osteoblastos se diferenciam em osteócitos se achatando, quando a formação óssea termina.

Osteócitos

Os osteócitos possuem estruturas chamadas de canalículos, que são junções celulares comunicantes (são células altamente ramificadas). É por essas junções que os nutrientes são transferidos de célula a célula. Eles são imprescindíveis, já que a matriz é calcificada e não tem como ocorrer difusão pela matriz. Os pontinhos pretos nas lâminas são as lacunas onde os osteócitos ficam.

Osteoclastos

Os osteoclastos têm origem diferente dos osteoblastos, osteócitos e das células osteoprogenitoras, isto é, não são derivados das células mesenquimais! Eles são provenientes da combinação dos monócitos do sangue, e sua função no tecido ósseo é de “limpar” o osso.

Ao atingirem o tecido ósseo, os monócitos se fundem em forma de células multinucleadas, e ocupam uma lacuna chamada de Howship. A função de limpeza do osteoclasto é possível, pois no seu interior há várias vesículas com enzimas que atuam na reabsorção da matriz. Essas enzimas têm o poder de solubilizar a matriz, mas para isso elas dependem de um pH ácido! Para diminuir o pH, elas liberam eletrólitos juntos. Primeiramente, a fase inorgânica da matriz é digerida, e depois a fase orgânica. Essa reabsorção não ocorre no osso de forma integral, mas de ponto a ponto. Isso é possível graças a presença de proteínas de vedação, o que faz a reabsorção ocorrer lacuna por lacuna. Quem regula os osteoclastos são os osteoblastos, pelas células do estroma da medula óssea, calcitonina e vitamina D3. O domínio celular dos osteoclastos voltado para a lacuna possui extensos pragueamentos da membrana celular. Ao redor da circunferência da borda preguada, filamentos de actina se acumulam e formam a zona de vedação que sela e isola a lacuna de reabsorção óssea.

Osteogênese (Ossificação)

A osteogênese é o processo de formação óssea. Ela pode ser uma ossificação intramembranosa, quando o tecido ósseo é depositado diretamente sobre o tecido conjuntivo primitivo, ou endocondral quando o tecido ósseo substitui uma cartilagem hialina já existente.

Inicialmente, ocorre a deposição de uma rede trabecular primária ou esponjosa primária que, em seguida, é transformada em tecido ósseo maduro. Porém, existe uma diferença: na ossificação endocondral, a cartilagem é substituída por matriz óssea. (Kierszenbaum)

Ossificação Intramembranosa

A ossificação intramembranosa tem esse nome porque ocorre entre membranas. A ossificação da moleira fontanela das crianças é o maior exemplo desse tipo de ossificação. As células mesenquimais do tecido conjuntivo se transformam em osteoblastos. Eles passam então a produzir a matriz e em seguida ocorre o depósito de cálcio (processo de mineralização do tecido). Posteriormente, a matriz é remodelada e forma o tecido ósseo secundário (lamelar).

Ossificação Intramembranosa: Fontanela

Ossificação Intramembranosa: Fontanela

Etapas:

1) O mesênquima embrionário transforma – se em tecido conjuntivo, e as células desse tecido começam a se agregar.

2) Células mesenquimais começam a secretar matriz óssea. Os centros de ossificação começam a se desenvolver e se fundem, formando uma rede de trabéculas que parece uma esponja (tecido ósseo esponjoso). Esse tecido recém – formado possui fibras colágenas não orientadas, dai ser chamado de tecido ósseo primário. Mais tarde, quando ocorrer a remodelação óssea, dai as lamelas são formadas e o tecido passa a ser o tecido ósseo lamelar.

3) Ocorre deposição de fosfato de cálcio na matriz.

4) A mineralização da matriz óssea aprisiona os osteoblastos nas lacunas (os quais se diferenciam para osteócitos) e o fechamento parcial dos canais perivasculares, os quais assumem uma nova função, a de hematopoiese, pela conversão de células mesenquimais em células formadoras de sangue.

Esse tecido é depois convertido em tecido ósseo lamelar, no qual as fibras colágenas ficam organizadas em feixes paralelos. Essas lamelas dispostas de formas concêntricas e o centro delas é perfurado por um vaso sanguíneo, constitui um ósteon (ou sistema de Harvers)! O canal de Harvers é por onde o vaso sanguíneo passa.

Ossificação Endocondral

A ossificação endocondral ocorre nos ossos longos, sendo que a cartilagem hialina é o molde para esse processo de ossificação, essa cartilagem é substituída pelo tecido ósseo (na intramembranosa, as células mesenquimais já são diferenciadas direto pra células do tecido ósseo, sem passar pelo conjuntivo!).

Etapas:

1) Formação de um centro primário de ossificação: os condrócitos sofrem maturação e hipertrofia, e passam a produzir colágeno tipo X, que é um marcador para condrócitos hipertróficos. Esses condrócitos passam a secretar fatores angiogênicos que induzem a formação de vasos sanguíneos a partir do pericôndrio. Células osteoprogenitoras e hematopoiéticas chegam com os vasos sanguíneos recém – formados. Os condrócitos sofrem apoptose à medida que ocorre calcificação da matriz, e formam – se centros primários de ossificação.

2)  Os vasos sanguíneos invadem o espaço ocupado pelos condrócitos hipertróficos, ramificam – se e vão em direção de cada uma das extremidades dos centros de ossificação.

3) As células osteoprogenitoras e tronco hematopoiéticas chegam ao centro da cartilagem calcificada. Lá, as osteoprogenitoras diferenciam – se em osteoblastos que se agregam nas superfícies da cartilagem e passam a sintetizar a matriz óssea (osteóide).

O crescimento em extensão dos ossos longos depende do crescimento intersticial da cartilagem hialina que ocorre à medida que o centro da cartilagem é substituído por tecido ósseo nas zonas de ossificação equisdistantes. Após o nascimento, os centros secundários de ossificação desenvolvem – se nas epífises. Como na diáfise, o espaço ocupado pelos condrócitos hipertróficos é invadido por vasos sanguíneos e células osteoprogenitoras provenientes do pericôndrio. A maior parte da cartilagem hialina das epífises é substituída por tecido ósseo esponjoso, exceto a cartilagem articular e um delgado disco, a placa epifisária de crescimento, localizada entre as epífises e a diáfise. A placa epifisária é responsável pelo subsquente crescimento em extensão do osso. (Kierszenbaum).

Zonas de Ossificação Endocondral

O processo de erosão da cartilagem pode ser observado histologicamente pelas zonas de ossificação endocondral. Elas são quatro: zona de reserva, zona proliferativa, zona hipertrófica e zona de invasão vascular.

Zona de Ossificação Endocondral

De cima pra baixo: cartilagem da epífise, zona de reserva, zona proliferativa, zona hipertrófica e zona de invasão vascular

1) Zona de reserva: é onde fica cartilagem hialina primitiva. “Os condrócitos estão fugindo enquanto a erosão mediada pelos osteoclastos persegue os condrócitos da zona de reserva.

2) Zona proliferativa: é onde ocorre a proliferação ativa dos condrócitos. É uma área mitoticamente ativa que representa a zona de fuga da cartilagem.

3) Zona hipertrófica: é onde ocorre a apoptose dos condrócitos e também a calcificação da matriz territorial que circunda as colunas de condrócitos previamente proliferados.

4) Zona de invasão vascular: é nessa área que os vasos sanguíneos invadem e levam as células osteoprogenitoras. (Esses vasos são formados pelos fatores angiogênicos, já citados!).

Crescimento em largura da diáfise

À medida que o osso cresce em comprimento, novas camadas de tecido ósseo são adicionadas à porções externas da diáfise por crescimento aposicional. Como resultado, a espessura da diáfise aumenta. A erosão simultânea que ocorre na parede interna da diáfise leva a uma ampliação da cavidade medular. (Kierszenbaum).

Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 131 a 164. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.

Tecido Hematopoietico

Sangue

O sangue é um tipo de tecido conjuntivo composto por eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Além dessas células, ele possui também o plasma que é a parte líquida, constituído por sais e compostos orgânicos (vitaminas, lipídeos, aminoácidos, etc).  O que chamam de soro, é esse plasma mas sem o fibrinogênio.

Para analisar o sangue na lâmina, diferente dos outros tecidos, deve ser feito o chamado esfregaço. Isto é, uma gota de sangue é colocada na lâmina e depois esse sangue é “puxado”, tirando o excesso. Depois ele é corado. Simples assim, não há grandes tratamentos.

Elementos Celulares

  • Eritrócitos: os eritrócitos são células anucleadas, pois durante o seu processo de formação elas perdem o núcleo. Na verdade, elas não têm nenhuma organela, apenas possuem membrana plasmática, citoesqueleto, hemoglobina e algumas enzimas glicolíticas. Isso explica porque a vida média dessas células é tão pequena (por volta de 120 dias). Elas são degradadas por fagocitose no baço ou no fígado.  Não há um consenso em dizer se os eritrócitos são células, ou não. O fato delas não terem núcleo e organelas é o motivo de muitos cientistas dizerem que ela não pode ser considerada como um elemento celular. No entanto, outros ainda dizem que ela é sim uma célula, mas altamente especializada, tanto que perdeu núcleo e organelas. Quando a hemácia fica “velha”, ela é degrada no baço e são substituídas pelos reticulócitos, daí depois de ficarem na circulação por 1 ou 2 dias, eles se amadurecem e viram novas hemácias.
eritrócitos vistos na lâmina

eritrócitos vistos na lâmina

  • Plaquetas: são importantes na coagulação sanguínea. A sua produção é estimulada pela trombopoietina, produzida no rim e no fígado. A grande quantidade de plaquetas liga e degrada a trombopoietina, que é o hormônio regulador da produção de plaquetas.  Elas são fragmentos celulares, são pedaços de citoplasmas dos megacariócitos! A função delas é de impedir, pela coagulação sanguínea, a perda de muito sangue quando ocorre um corte. A região central da plaqueta, o granulômero, contém mitocôndrias, retículo endoplasmático granular, o complexo de Golgi e grânulos. A periferia da plaqueta, o hialômero, contém microtúbulos e microfilamentos que regulam o formato e o movimento da plaqueta. (Kierszenbaum)
plaquetas e hemácias

o número 1 é as hemácias e o 2 as plaquetas, vistas em microscopia

  •  Leucócitos: os glóbulos brancos podem ser divididos em dois grupos, os agranulócitos (linfócitos e monócitos) e granulócitos (neutrófilos, basófilos e eosinófilos).  Os eosinófilos recebem esse nome, pois seus grânulos são corados com eosina.

Granulócitos

Os granulócitos podem possuir grânulos citoplasmáticos primários, ou secundários (específicos).

  • Neutrófilos: os neutrófilos são multilobulados (possuem de 3 a 5 lóbulos) podendo ter formato de bastonete ou ser segmentado, representam de 60 a 70% dos leucócitos circulantes e são os primeiros a agir na ação inflamatória. Possuem grânulos secundários (específicos) e primários Na microscopia, eles têm cor rosa – pálida ou meio acinzentada. A vida média deles é beeem curtinha, em torno de 6 a 7 horas, mas no tecido conjuntivo conseguem sobreviver até 4 dias! Eles são produzidos e ficam no sangue, em uma resposta inflamatória eles migram para o tecido conjuntivo onde vão atuar. Nessa resposta inflamatória eles limitam a infecção bacteriana e são um dos primeiros a chegar para atuar na defesa do organismo. Os granulócitos primários possuem elastase e mieloperoxidase e nos secundários têm lisossomo e proteases, tudo isso é importante para a destruição dos patógenos.
Neutrófilos: bastonete e segmentado

Neutrófilos: bastonete e segmentado

  •  Eosinófilos: possuem núcleo bilobulado (dividido em dois) e constituem apenas de 2 a 4% dos leucócitos circulantes, e essa concentração está maior apenas quando o indivíduo está com algum tipo de reação alérgica ou verminose. Assim como os neutrófilos, eles podem deixar a circulação e entrar no tecido conjuntivo, constituindo a primeira linha de defesa contra parasitas e também quando em processos alérgicos. Os grânulos desse anticorpo são corados com eosina (daí o nome eosinófilo, né?). A atuação do eosinófilo é assim: a peroxidase é liberada no exterior e se liga à membrana do microorganismo, facilitando assim a degradação pelos macrófagos. Eles possuem uma proteína catiônica que é capaz de neutralizar a heparina e junto com a proteína básica principal (MBP, capaz de se ligar à membrana do parasita) eles são capazes de fragmentar os parasitas.
eosinófilo

Eosinófilo

  •  Basófilos: são muito semelhantes aos mastócitos do tecido conjuntivo propriamente dito. Eles são células com núcleo bilobulado coberto por grânulos grandes e são muito corados com a hematoxilina, pois os grânulos são basofílicos. Eles correspondem a 1% dos leucócitos circulantes e também podem atingir o tecido conjuntivo. O principal papel é na hipersensibilidade imediata, como a asma brônquica, ou tardia, como uma reação alérgica cutânea. Eles estão ligados a infecções virais e situações de inflamação crônica. Os grânulos dos basófilos têm grande volume e proteínas ácidas sulfatadas, ou carboxiladas (como a heparina).
basófilo

Basófilo

Agranulócitos

Os agranulócitos apresentam um núcleo arredondado e não segmentado. O citoplasma deles contém grânulos primários, que são lisossomas. Como principais características deles, vamos dizer que: os linfócitos têm uma relação núcleo/citoplasma muito pequena, isto é, tem muito núcleo e pouco citoplasma, já os monócitos têm o núcleo com formato reniforme.

  • Linfócitos: os linfócitos apresentam um citoplasma basofílico e delgado. O núcleo é bem escuro e redondo, pois a cromatina deles é mais densa. Eles ainda podem ser classificados como grande ou pequeno, e apresentam de 20 a 40% dos leucócitos circulantes. Os linfócitos são divididos em linfócito B, linfócito T e natural killer. Na microscopia ótica, não é possível separar esses linfócitos, isso é possível apenas por separações químicas ou marcação por fluorescência. Os linfócitos B são produzidos e a amadurecidos na medula óssea, e são precursores dos plasmócitos (células do tecido conjuntivo ligadas à produção de anticorpos). Já os linfócitos T são produzidos na medula óssea, e migram para o timo, e é lá que amadurecem. Tanto o linfócito B quanto o T estão relacionados à defesa celular, o natural killer com a resposta imune imediata.
Linfócito

Linfócito

  • Monócitos: os monócitos possuem núcleo reniforme (formato de rim) e os filamentos de cromatina são finos, por isso que o seu núcleo não fica tão corado na microscopia como o do linfócito. Eles apresentam grânulos que não são visualizados na microscopia de luz (são grânulos lisossomais). Os monócitos circulam no sangue de 12 a 100 horas, e vão pro tecido conjuntivo onde vão dar origem aos macrófagos.
Monócito

Monócito: núcleo riniforme

O que ocorre durante a inflamação?

Uma proteína da membrana do leucócito interage com a proteína da membrana de uma célula do endotélio, que está lá só por causa da inflamação. A partir dessa interação, as células começam a fazer o que chamam de “rolamento” no endotélio. Após essa interação, elas migram do endotélio para o tecido conjuntivo, onde irão atuar.

O rolamento é feito pelas selectinas, é uma adesão fraca entre o leucócito e o endotélio, mas tem que ser fraca mesmo porque a célula tem que, literalmente, rolar. Os macrófagos que estão ativos secretam proteínas que estimulam a expressão dessas selectinas pelas células endoteliais. Depois desse passo, os leucócitos realmente se aderem, e o rolamento é interrompido, isso por causa da atuação das integrinas. Rolou, aderiu e aí quando chegar ao local certo o leucócito migra para o tecido conjuntivo por meio de diapedese (essa migração é facilitada por uma proteína chamada de CD31).

Tudo isso chamam de endereçamento (homing).

Hematopoiese

A hematopoiese é um fenômeno que ocorre já durante a vida intrauterina. No feto, ela tem início no primeiro trimestre nas ilhotas hematopoiéticas que ficam no saco vitelínico. Essas ilhotas se desenvolvem a partir dos hemangioblastos, os progenitores das células hematopoiéticas e das células endoteliais. No próximo trimestre, a hematopoiese passa a ser no fígado e depois no baço. Já no sétimo mês de vida intrauterina, a hematopoiese passa a ser na medula óssea e permanece assim durante a vida adulta.

A formação das células do sangue (hematopoiese) corresponde a um sistema hierárquico. Isso porque todas as células têm origem a partir de um precursor comum, que são as células hematopoiéticas as quais dão origem a progenitores multipotentes, que, por sua vez, dão origem aos precursores das células maduras. Todos os processos são controlados por citocinas (CFU) bastante importantes na diferenciação das células.

Todos os processos de hematopoiese ocorrem na medula óssea. Nela há dois compartimentos: estroma da medula óssea (estroma reticular) e o compartimento hematopoiético, em que ocorre a produção do sangue. O estroma tem todos os componentes de tecido conjuntivo como fibroblasto, além de algumas células acumuladoras de gordura que, durante o envelhecimento da medula óssea vermelha, ela passa a ser vermelha para branca/amarela, porque ocorre acumulação de gorduras e diminuição da quantidade de produção de sangue. Essa produção se limita, durante o desenvolvimento do indivíduo, a alguns ossos como costelas, vértebras e no quadril e cabeça do fêmur. O estroma da medula ainda tem células adiposas, macrófagos, etc, etc…

No estroma da medula óssea, cada componente tem um papel importante: as células endoteliais constituem – se uma barreira que impede as células hematopoiéticas maduras de entrarem no sangue. As adiposas são fontes de energia e sintetizam fatores de crescimento. Os macrófagos removem células e os núcleos residuais dos eritrócitos. Os osteoblastos são os responsáveis por remodelar e manter o tecido ósseo adjacente ao tecido medular.

Ainda na medula óssea, deve – se lembrar que há três tipos de populações celulares: células – tronco hematopoiéticas (capazes de auto – renovação), células precursoras comprometidas (geração de linhagens celulares distintas) e células em maturação (resultantes da diferenciação da população de células precursoras comprometidas).

  • Células – tronco hematopoiéticas (auto – renovação): produzem duas células precursoras comprometidas que são as célula – tronco mielóide e a célula – tronco linfóide.
Das células tronco mielóide originam – se UFC eritróide, UFC megacariocítica, UFC basofílica, UFC eosinofílica e a UFC para granulócitos – macrófagos (produzem eritrócitos, plaquetas, basófilos, eosinófilos, monócitos e neutrófilos respectivamente).
Há três fatores que influenciam na hematopoiese, são conhecidos como citocinas hematopoiéticas. Eles são produzidas na medula óssea e também fora dela. Eles são: fatores estimuladores de colônicas (UFC – capazes de estimular células precursoras comprometidas a crescer in vitro), eritropoietina, trombopoietina e citocinas.

Os processos de hematopoiese são controlados a partir de um precursor comum. As células migram da medula para o vaso sanguíneo, onde encontram a circulação. (migração transendotelial).

Dependendo do elemento celular que está sendo produzido, ele só ficará pronto quando encontrar outros órgãos como o timo (linfócitos T) e linfonodos (ativação dos linfócitos).

Em resumo:

Células hematopoieticas -> progenitores multipotentes -> precursores das células maduras -> células maduras

Eritropoiese

→ Pró – eritroblasto -> eritroblasto basófilo -> eritroblasto policromátílico -> eritroblasto ortocromático -> reticulócito -> eritrócito;

→ regulada pela eritropoietina (glicoproteína produzida no rim em resposta à hipóxia!);

Os eritrócitos têm origem a partir de um eritroblasto da linhagem mieloides. Eles diferenciam até chegar aos glóbulos vermelhos. Nesse processo de diferenciação, a célula vai perdendo o núcleo: o núcleo vai diminuindo até que é exocitado. Por fim, a célula começa a expressar hemoglobina (deixa a hemácia vermelhinha).

Leucopoese

→ Linhagem granulocítica: mieloblasto -> pró – mielócito -> mielócito -> metamielócito -> célula em bastão (bastonete) -> forma madura

A leucopoese é o fenômeno que dá origem aos leucócitos. A produção dos granulócitos (os quais têm origem a partir do mieloblasto) se dá pelo pró mielócito (que é a fase em que ocorre a síntese dos grânulos). É na fase do mielócito ainda que começa a produção específica dos grânulos, quando se diferenciam em neutrófilo, basófilo e eosinófilo (surgimento dos grânulos secundários). Outra característica da fase do mielócito é que a região do Golgi é bem nítida e é o último estágio em que a célula pode se dividir. A partir disso, a célula só se diferencia de acordo com a sua linhagem. A segmentação do núcleo acontece quando a célula está em formato de bastão.

Monopoiese

→ Monoblastos -> pró monócitos -> monócitos

A proteína GM – CSF é importante na produção dos monócitos, os quais são morfologicamente semelhantes aos mieloblastos. Os promonócitos possuem núcleo grande e endentado. É na etapa de promonócito que começa o endilhamento do núcleo, quando ele começa a mudar de forma. Antes, ele tinha uma forma grande e circular, dai o processo de endentação faz com que ele vá adquirindo o formato de núcleo riniforme, característico dos monócitos.

Linfopoiese

Os linfócitos têm origem do linfoblasto. Tem linfoblasto -> prolinfócito -> linfócito médio -> linfócito pequeno e plasmócito (quando se trata de linfócitos B, senão para no linfócito pequeno). O linfoblasto tem cromatina frouxa, nucléolo proeminente e citoplasma com muitos ribossomos, além de poucas cisternas do retículo endoplasmático.

A maturação dos linfócitos ocorre no timo e linfonodos.

Trombopoese

A produção das plaquetas têm origem a partir do megacarioblasto que, diferente das outras células, ele é menorzinho. A célula se divide de maneira em que o citoplasma não é dividido junto, ou seja, não tem citocinese. Daí, a cada divisão o tamanho da célula vai aumentando. Posteriormente, essa célula gigante é fragmentada, e formam – se as plaquetas. A ordem de formação é: megacarioblasto, promegacariócito, megacariócito basófilo e depois o acidófilo (Os megacariócitos desenvolvem projeções citoplasmáticas que se tornam pró – plaquetas). Tudo isso ocorre só na medula, e no sangue só tem as plaquetas!  Esse processo de divisão nuclear sucessiva, sem a divisão da célula é chamada de endomitose.

Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 165 a 197. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.