Terceira Semana: Formação das Camadas Germinativas e Início da Diferenciação dos Tecidos e órgãos

A terceira semana do desenvolvimento embrionário, é a primeira semana em que a mulher percebe que a menstruação está atrasada. É nessa época que, geralmente, a mulher descobre que estão grávidas, e já dá até pra ver o neném na ultrassonografia. Um dos principais acontecimentos da terceira semana é o processo de gastrulação, que consiste no aparecimento da linha primitiva, desenvolvimento da notocorda e diferenciação das três camadas germinativas.

Como se dá o processo de gastrulação?

É importante saber que a região superior do embrião é indutora de formação de cabeça (porque tem fatores que induzem a formação da cabeça), e a mesma coisa na parte inferior. Toda a determinação de localidades dos órgãos é determinada durante o processo de gastrulação, é por causa dela que podemos classificar uma simetria bilateral!

O início da gastrulação ocorre quando é formada a linha primitiva, na superfície do epiblasto do disco embrionário. É ainda durante a gastrulação que o disco bilaminar é convertido em um trilaminar. Lembre – se que é ele que vai dar origem aos três folhetos germinativos!

Cada folheto germinativo dará origem, de acordo com Moore, às seguintes estruturas:

  • endoderme embrionário: é a fonte dos revestimentos epiteliais das vias respiratórias e do trato gastrointestinal, incluindo as glândulas que se abrem no trato gastrointestinal e as células glandulares dos órgãos associados, tais como o fígado e o pâncreas;
  • mesoderme embrionário: todos os músculos esqueléticos, células sanguíneas e revestimento dos vasos sanguíneos, todo músculo liso visceral, todos revestimentos serosos de toas as cavidades do corpo, ductos e órgãos do sistema reprodutivo e secretor e maior parte do sistema cardiovascular, incluindo cartilagem, os ossos, os tendões, os ligamentos, a derme e o estroma dos órgãos internos;
  • ectoderma embrionário: epiderme, sistema nervoso central e periférico, ao olho, à orelha interna e, como células da crista neural,  muitos tecidos conjuntivos da cabeça;

Para que o processo de gastrulação consiga acontecer com êxito, as proteínas ligadas à sinalização celular são essenciais nesse período. Elas atuam, por exemplo, na execução daqueles movimentos celulares já vistos: invaginação, ebolia, intercalação, extensão convergente, ingressão e involução). Isso dá início à morfogênese, que é o desenvolvimento do corpo do embrião, um evento significativo da terceira semana. Outro importante da gastrulação é que ela fornece orientação axial ao embrião.

Em resumo, a gastrulação:

  • início com a formação da linha primitiva;
  • conversão do disco bilaminar em disco trilaminar;
  • diferenciação das três camadas germinativas;
  • atuação das proteínas sinalizadoras nos movimentos celulares;
  • morfogênese
  • orientação axial ao embrião;
  • desenvolvimento da notocorda;

Um vídeo que achei no youtube resume bemmm a gastrulação, e veremos em detalhes cada um dos processos por ele demonstrados. 

Agora, vamos ver cada fenômeno da gastrulação de uma forma mais detalhada.

Vamos começar falando da linha primitiva

Todas as estruturas que serão citadas agora e durante o post podem ser analisadas nessa imagem:

Linha Primitiva

Linha Primitiva - Gastrulação

A formação da linha primitiva é o sinal do início da gastrulação. Bem no começo da terceira semana, a linha primitiva aparece caudalmente no plano mediano do aspecto dorsal do disco embrionário. Ela é formada pela migração das células do epiblasto para o plano mediano do disco embrionário. (Moore).

Concomitantemente, ao alongamento da linha primitiva na parte caudal, a extremidade cranial começa a se proliferar, e surge o nó primitivo. Daí, na linha primitiva, surge o sulco primitivo! Ele é uma depressão que vai até o nó primitivo, e forma a fosseta primitiva. Tanto o sulco e a fosseta, surge por invaginação.

Depois do aparecimento da linha primitiva, algumas células dão origem ao mesênquima, tecido formado por células frouxamente arranjadas suspensas em uma matriz gelatinosa. As células mesenquimais são ameboides e ativamente fagocíticas, e formam a maior parte dos tecidos conjuntivos! Elas têm poder de se diferenciar em fibroblasto, condroblasto e osteoblasto.

Formação dos três tecidos embrionários: uma parte do mesênquima forma o mesoderma indiferenciado, que é o formador do mesoderma embrionário ou intraembrionário. Algumas células do epiblasto, do nó primitivo e da linha primitiva deslocam o hipoblasto e formam o endoderma embrionário no teto do saco vitelino. As células que continuam no epiblasto formam o ectoderma embrionário (ou intraembrionário). Em resumo: as células do epiblasto são as que dão origem às três camadas germinativas do embrião, primórdio de todos os tecidos e órgãos!

Voltando à linha primitiva: ela forma o mesoderma até começar a quarta semana, dai depois a produção do mesoderma fica mais lenta. Nessa época, a linha primitiva diminui de tamanho e torna – se insignificante. No fim da quarta semana, ela já tem que ter totalmente desaparecido! A sua permanência é a causa do teratoma sacrococcígeo. Tadinha da neném (geralmente acomete meninas!), olha :(:

Teratoma Sacrococcigeo

Teratoma Sacrococcigeo

Agora, da notocorda!

Em resumo, a notocorda surge assim:

Formação da Notocorda

Formação da Notocorda

A notocorda é uma estrutura transitória ao longo do processo embrionário, pois desaparece após o desenvolvimento do neném. Ela origina – se mais ou menos assim: algumas células mesenquimais migram cefalicamente, do nó e da fosseta primitiva, formando o processo notocordal. Dentro dele, é o canal notocordal! Esse processo cresce, cresce, cresce até que alcança a placa pré – cordal, que é o primórdio da membrana bucofaríngea, que vai, futuramente, no seu local, dar origem à cavidade oral! Todo esse fenômeno está bem descrito na legenda da imagem. Leia a legenda da imagem. De acordo com Moore, a notocorda surge assim:

1) O processo notocordal se alonga, porque as células da fosseta primitiva sofrem invaginação.

2) A fosseta primitiva se estende para dentro do processo notocordal, formando assim o canal notocordal.

3) O assoalho do processo notocordal funde – se com o endoderma embrionário subjacente e as camadas fundidas sofrem uma degeneração gradual, resultando na formação de aberturas no assoalho do processo notocodal, permitindo a comunicação notocordal com o saco vitelino. O remanescente do processo notocordal forma a placa notocordal, achatada e com um sulco!

4) Iniciando pela extremidade cefálica do embrião, as células da notocorda proliferam, e a placa notocordal se dobra, formando a notocorda.

Algumas células notocordais são induzidas a formarem a notocorda. Essa notocorda define o eixo primitivo do embrião (dando uma certa rigidez), fornece os sinais necessários para o desenvolvimento do esqueleto axial e do sistema nervoso central, porque induz as células do ectoderma a se transformarem em sistema nervoso, e o SN é formado exatamente onde tem que ser formado! A notocorda se estende da membrana bucofaríngea ao nó primitivo. Ela degenera e desaparece quando os corpos vertebrais se formam, mas persiste como o núcleo pulposo de cada disco intervertebral. A notocorda ainda funciona como um indutor primário do embrião inicial, e quando está em desenvolvimento ela induz o ectoderma sobrejacente a espessar – se e formar a placa neural, que é o primórdio do sistema nervoso central!!

Detalhes sobre linha primitiva e processo notocordal:

- Outras células mesenquimais da linha primitiva e do processo notocordal migram entre as células do mesoderma até que chegam ao disco embrionário. Outras células ainda migram em torno da placa pré – cordal, e formam o mesoderma cardiogênico, na área cardiogênica, onde o primórdio do coração começa a se desenvolver, já no fim da terceira semana.

- Caudalmente à linha primitiva, tem uma área circular chamada de membrana cloacal, que vai dar origem ao ânus. Ali e na membrana bucofaríngea, o disco embrionário permanece bilaminar, porque nesses locais, o ectoderma e o endoderma estão fundidos, impedidos dessa maneira a migração de células mesênquimais entre os folhetos. (Moore)

- Quando chega à metade da terceira semana, o mesoderma intraembrionário separa o ectoderma do endoderma em todos os lugares, menos na membrana bucofaríngea, membrana cloacal e no plano mediano, cefalicamente ao nó primitivo, onde se localiza o processo notocordal.

Alantoide (16º dia!!!!!!!!!)

Alantoide (atrofiado)

Alantoide (atrofiado)

O alantoide nos seres humanos é muiiito pequeno!! O seu mesoderma se expande abaixo do córion e forma os vasos sanguíneos que servirão à placenta. Os vasos sanguíneos do alantoide tornam – se artérias umbilicais. Já a parte intraembrionária das veias umbilicais tem origem diferente.

Neurulação – Início na Terceira semana, Fim na quarta!

Veja:

Os processos envolvidos na formação da placa neural e pregas neurais, e o fechamento dessas pregas para formar o tubo neural, constituem a neurulação!! Ela tá muito bem vista no vídeo. Esses fenômenos (neurulação) acabam na quarta semana, quando ocorre o fechamento do neuroporo caudal. Diz – se que o embrião encontra – se então no estágio de nêurula.

Com o desenvolvimento da notocorda, o ectoderma embrionário acima dela se espessa, formando uma placa alongada em forma de chinelo de células epiteliais espessadas: placa neural. Ah, a notocorda fica “embaixo” do tubo neural.

E esses tais de somitos?

Lembra daquele nó primitivo? Então, as células derivadas dele tem mais um papel: formar o mesoderma paraxial. Daí, quase no fim da terceira semana, esse mesoderma se diferencia e começa a dividir em pares de corpos cuboides chamados de somitos!!!!!! Eles se formam em uma sequência cefalocaudal. Esses blocos de mesoderma estão localizados em cada lado do tubo neural em desenvolvimento. Olha essa foto que gracinha os somitos nessa foto:

Somitos!

Somitos!

O “período somítico” do desenvolvimento humano é entre o 20º ao 30º dia, e nesse tempo cerca de 38 pares de somitos são formados!  Como eles são proeminentes durante a quarta e quinta semanas, eles ainda são usados como um dos vários critérios para determinar a idade do embrião.

A região em que eles aparecem é a futura região occipital do embrião, e dai vão em direção à cauda e dão origem à maior parte do esqueleto axial (como as vértebras) e aos músculos associados, assim como à derme da pele adjacente. Por isso, podemos dizer que os somitos cefálicos são os mais velhos, e os caudais mais jovens.

Desenvolvimento do Celoma Intraembrionário

O primórdio do celoma intraembrionário surge como espaços os quais coalescem e formam uma única cavidade que chamam de celoma intraembrionário, que divide o mesoderma em duas camadas: parietal (somática) que é a que forma a parede do corpo do embrião (somatopleura!), e a visceral (esplâncnica) que forma o intestino do embrião (esplancopleura). Daí, no segundo mês de desenvolvimento, o celoma intraembrionário está dividido em três cavidades corporais: pericárdica, pleurais e peritoneal.

Desenvolvimento Inicial do Sistema Cardiovascular

No início da terceira semana, já inicia – se a vasculogênese e a angiogênese! No fim dessa semana, o sangue já circula, e o coração começa a bater no 21º ou 22º dia. O sistema cardiovascular é o primeiro sistema de órgãos que alcança um estado funcional. Os batimentos cardíacos podem ser detectado por ultrassonografia durante a quinta semana.

Desenvolvimento das Vilosidades Coriônicas

Pouco depois que as vilosidades coriônicas primárias surgem, elas já começam a se ramificar. Na terceira semana, o mesênquima penetra as vilosidades primárias e forma um eixo central de tecido mesenquimal. Daí, as vilosidades (que agora já são secundárias!) recobrem toda a superfície do saco coriônico. Algumas dessas células mesenquimais diferenciam – se em vasos sanguíneos e capilares. Quando esses vasos tornam – se visíveis nas vilosidades, elas são chamadas de vilosidades coriônicas terciárias. Enquanto isso, os capilares das vilosidades coriônicas fundem – se e formam redes arteriocapilares, que logo se conectam ao coração do embrião. (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA QUE LINDO). 

No fim já da terceira semana, existe circulação no embrião bem lenta, por meio dos capilares das vilosidades coriônicas. As moléculas importantes do sangue materno que estão no espaço interviloso vão por difusão para as paredes das vilosidades e penetram no sangue do neném! E as excretas do neném difundem – se para o sangue da mãe, por meio também da parede das vilosidades.

Ao mesmo tempo que isso acontece, as células do citotrofoblasto se proliferam e se estendem através do sinciciotrofoblasto, e formam a capa citotrofoblástica, que, gradualmente, envolve o saco coriônico e o prende ao endométrio. Essa capa prende algumas vilosidades aos tecidos maternos, e assim constituem – se as vilosidades – tronco. As vilosidades que crescem adjacentes às vilosidades tronco são as vilosidades terminais. E são pelas paredes das vilosidades terminais que ocorre a maior parte das trocas de material entre o sangue materno e o do neném.

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 55 a 71. Embriologia Clínica. 8ed.
About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s