Formação da Placenta e Gravidez Múltipla

Placenta

A placenta é formada mais ou menos entre o 11º ao 21º dia do desenvolvimento fetal. As principais funções dela é fornecer nutrientes aos neném em desenvolvimento, e também é por onde há troca de substâncias, desde as tóxicas, e também vírus, hormônios, etc. Ela também está relacionada ao metabolismo, pois contribui na síntese de glicogênios, colesterol e ácidos graxos (fonte de nutriente e energia para o embrião/feto), transporte de gases e nutrientes, e também tem função endócrina, pois secreta hCG, tireotrofina coriônica humana e corticotrofina coriônica humana. A transferência das substâncias entre a mãe e o feto feita pela placenta ocorre por difusão simples, difusão facilitada, transporte ativo e pinocitose (transferência de moléculas grandes!)

O que denominam de membranas fetais são o córion, âmnio, saco vitelino e o alantoide. O neném, no meio de tudo isso, fica separado do endométrio pela parte fetal da placenta e pelas membranas fetais.

O embrião vem da camada interna de células (epiblasto) as células que ficam em volta (trofoblasto) contém as células que vão se tornar o córion e o âmnio. A cavidade amniótica é formada pelo epiblasto, mas o córion vem do trofoblasto. O córion é a porção fetal da placenta que funciona dando oxigênio e nutrição para o embrião, liberando hormônios para manutenção da gravidez e servir de barreira para o sistema imune da mãe.

No início da gestação, quase não há células do embrião no endométrio. Já no final, o contato é maior, com a formação das vilosidades coriônicas (vilosidades da placenta). As microvilosidades do sinciciotrofoblasto aumentam a superfície de absorção da placenta.

A placenta, juntamente com o cordão umbilical, formam o sistema de transporte de substâncias entre o embrião e a mãe. A placenta e as membranas fetais fornecem ao embrião proteção, nutrição, respiração, excreção e produção de hormônios. Depois do nascimento, tudo isso é expelido do corpo da mãe.

Placenta Decídua

A placenta decídua é a camada funcional do endométrio de uma mulher grávida, que se separa do restante do útero após o nascimento do neném (é o endométrio gravídico). Ela pode ser dividida em três partes:

  1. Decídua basal: é a parte da placenta decídua que fica abaixo do neném, formando o componente materno da placenta;
  2. Decídua capsular: é a parte superficial da placenta decídua, que cobre o neném;
  3. Decídua parietal: é toda a parte restante da placenta decídua;

Esse nome “decídua” tem alguma relação com as células deciduais?

Deve ter! Olha, por causa da quantidade grande de progesterona no corpo materno, as células do estroma da decídua (isto é, do endométrio gravídico) sofrem a reação decidual, em que algumas células acumulam glicogênio e lipídeo no citoplasma. Daí, todas as mudanças celulares, vasculares e de propriedades do endométrio resumem – se na chamada reação decidual, tudo isso já foi explicado aqui. As células deciduais protegem o tecido materno de uma invasão descontrolada pelo sinciciotrofoblasto, e estão envolvidas na produção de hormônios.

E como a placenta se desenvolve?

Já no fim da terceira semana, existe um arranjo anatômico mínimo para que haja troca fisiológica entre a mãe e o neném. Mas, só no final da quarta semana, existe uma rede vascular complexa na placenta, auxiliando na troca de gases. nutrientes e produtos de excreção.

O desenvolvimento da placenta se dá assim, de acordo com Moore: o saco coriônico é coberto pelas vilosidades coriônicas (até quando começar a oitava semana). Daí, esse saco começa a crescer, e as vilosidades coriônicas que o cobria ficam comprimidas e a quantidade de sangue que chega a elas diminui. Isso faz com que elas degenerem, e uma área avascular nasce, ela é chamada de córion liso. O desaparecimento das vilosidades faz com que as vilosidades associadas à decídua basal aumentem rapidamente de número. Elas ramificam – se profusamente e crescem, e essa parte cheia de ramificações do saco coriônico é o que chamam de córion viloso.

E até quando a placenta se desenvolve?

Então, conforme o neném vai crescendo, tanto a placenta, como o útero e o saco coriônico vão aumentando de tamanho. A placenta cresce em tamanho e espessura até o feto ter cerca de 18 semanas.

A placenta é constituída por 2 componentes, tem a porção fetal, originária do saco coriônico, e a porção materna, originária do endométrio. O componente fetal é formado pelo córion viloso (córion frondosum, onde fica o cordão umbilical), e o materno pela decídua basal (córion laeve). No fim do quarto mês, a decídua basal está quase completamente substituída pelo componente fetal da placenta.

Placenta: Lado Materno e Lado Fetal

Placenta: Lado Materno e Lado Fetal

A parte fetal da placenta (que é o córion viloso) se prende à parte materna da placenta (formada pela decídua basal) pela capa citotrofoblástica. As vilosidades coriônicas prendem – se firmemente à decídua basal pela capa citotrofoblástica e ancoram o saco coriônico à decídua basal. Artérias e veias endometriais passam livremente por fendas na capa citotrofoblástica e se abrem no espaço interviloso.

A placenta decidual basal é invadida pelas vilosidades coriônicas, como acabou de ser dito, daí o tecido da decídua sofre erosão e aumenta – se o espaço interviloso. Esse processo de erosão produz várias áreas cuneiformes na decídua, os septos da placenta! Eles dividem a parte fetal da placenta em áreas convexas irregulares denominadas cotilédones. No final do quarto mês, a decídua basal já está quase toda substituída por cotilédones!

A decídua capsular degenera – se quando ocorre a fusão da decídua capsular com a decídua parietal (a capsular degenera – se por uma diminuição do aporte sanguíneo). Esse desaparecimento faz com que a parte lisa do saco coriônico se funda com a decídua parietal! Essa fusão termina quando escapa sangue do espaço interviloso, dai esse sangue afasta a membrana coriônica da decídua parietal, e dessa maneira restabelece – se o espaço potencial da cavidade uterina.

Tudo isso é importante para entender como chega o sangue materno ao neném e vice – versa.

O sangue materno chega ao espaço interviloso vindo das artérias espiradas do endométrio da decídua basal. As artérias espiraladas passam por fendas da capa citotrofoblástica e lançam sangue no espaço interviloso. Esse grande espaço é drenado pelas veias endometriais, que também atravessam a capa citotrofoblástica.

Ahh, nesse tempo, é necessário lembrar que o saco amniótico cresce mais rápido do que o coriônico, e isso resulta numa fusão dos dois, formando a membrana amniótica.

Uma observação importante a ser feita é sobre a placenta com hydatiforme, que surge quando ocorre penetração de 2 espermatozoides em um ovócito sem o pronúcleo feminino. O embrião é inviável.

E como ocorre a circulação na placenta?

Os materiais trocados entre a mãe e o feto devem cruzar uma delgada membrana placentária chamada de barreira. Ela também separa a circulação do feto e da mãe, é formada por tecidos extrafetais. Geralmente, não há mistura do sangue materno com o fetal, mas às vezes pode acontecer de quantidades bem pequenas de sangue do neném entrarem na circulação materna. Esse sangue passa por pequenos defeitos, muitas vezes nessa membrana placentária.

O sangue do feto pobre em oxigênio vai para a placenta, sendo conduzido pelas artérias umbilicais. No local em que o cordão umbilical se une à placenta, essas artérias se dividem e formam vários ramos dispostos radialmente, as artérias coriônicas, que se ramificam livremente na placa coriônica antes de entrar na vilosidade coriônica. Já o sangue fetal bem oxigenado nos capilares fetais passa para as veias de paredes delgadas, que acompanham as artérias coriônicas até o local da união do cordão umbilical. Aqui elas convergem para formar a veia umbilical. É esse grande vaso que transporta o sangue rico em oxigênio para o feto.

O sangue fetal e o sangue materno circulam muito próximos um ao outro, facilitando a difusão. Essa aproximação é possível porque os vasos sanguíneos formam um extenso sistema arteriocapilar – venoso dentro das vilosidades coriônicas.

Em relação a como o sangue da mãe chega à placenta (circulação placentária materna) temos que, nas artérias espiraladas, o fluxo sanguíneo é pulsátil e lançado em jatos por força da pressão do sangue materno. O sangue que penetra tem uma pressão consideravelmente mais alta do que a do espaço interviloso e jorra para a placa coriônica, que forma o teto do espaço interviloso. Com a dissipação da pressão, o sangue flui lentamente em torno das vilosidades terminais, permitindo a troca de produtos metabólicos e gasosos com o sangue fetal. O sangue retorna através das veias endometriais para a circulação materna. (Moore).

Falar agora um pouquinho da Membrana Placentária

A membrana placentária já foi citada nesse resumo, com sua definição e composição.

Até cerca de 20 semanas, ela é formada por 4 componentes: sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto, tecido conjuntivo das vilosidades e do endotélio dos capilares fetais.

Depois da 20ª semana, ocorrem alterações nas vilosidades terminais que deixam mais delgadas a parte do citotrofoblasto da placenta. Daí, o citotrofoblasto praticamente desaparece e deixam apenas pedaços delgados de sinciciotrofoblasto. Na maior parte dos lugares na placenta, a membrana plasmática é formada por apenas os outros 3 constituintes. Nesse locais de apenas 3 componentes, o sinciciotrofoblasto fica em contato direto com o endotélio dos capilares fetais, e forma uma membrana placentária vasculosincicial. Muitas substâncias são capazes de atravessar essa membrana! Ela não é exatamente uma barreira muito eficaz, apenas bactérias e substâncias com carga ou muito grandes são naturalmente barradas.

Gestações Múltiplas

Em gestações múltiplas, as membranas fetais e as placentas fetais variam de acordo com a origem dos gêmeos. Toda a formação (ou má formação, dependendo) de gêmeos está relacionada à formação e estrutura dos anexos embrionários. Por exemplo, gêmeos monozigóticos o tipo de placenta e as membranas formadas depende de quando ocorreu o processo de formação de gêmeos. No caso dos dizigóticos, a maioria deles tem duas placentas e alguns podem ter placenta fundidas. Não existem gêmeos dizigóticos que possuam um único âmnio, nem córion único.

  • 65% dos gêmeos monozigóticos tem âmnios separados, um único saco coriônico e uma placenta comum;
  • 35% dos gêmeos monozigóticos tem a separação dos blastômeros pode ocorrer em qualquer ponto, desde o estágio de duas células até o de mórula, originando dois blastocistos idênticos. Daí, cada embrião desenvolve seus próprios sacos amnióticos e coriônicos, as placentas podem, no entanto, estarem separadas ou fundidas.
  • Em casos raros, a divisão do disco embrionário leva à formação de dois embriões dentro do mesmo saco amniótico. A divisão completa do disco embrionário dá origem a gêmeos que raramente sobrevivem, porque seus cordões umbilicais frequentemente se mostram embaralhados, e a divisão incompleta do disco leva à formação de vários tipos de gêmeos conjugados. Os gêmeos conjugados são classificados de acordo com o ponto de junção, como o craniopagus (união do crânio), thoracopagus (tórax), etc. Há também formas raras de gêmeos nesses casos, como os gêmeos parasitas.

Hematopoiese (só uma observação!)

Durante a vida fetal, a hematopoiese ocorre no fígado. Somente próximo ao nascimento, é que os ossos longos do corpo vão ficar alocadas as células tronco hematopoieticas. Primeiro, a hematopoiese ocorre no saco vitelínico, depois na aorta da gônada mesonéfrica, depois na placenta, depois no fígado, e por último nos ossos!

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 114 a 132 e 137 a 145. Embriologia Clínica. 8ed.

 

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