Osteologia: Esqueleto Axial – Crânio

Definições

O esqueleto pode ser dividido em esqueleto axial e esqueleto apendicular. O esqueleto axial é aquele composto pelo crânio e a coluna vertebral. O apendicular é o formado pelos membros superiores e inferiores. O ponto de ligação entre ambos esqueletos é feito pelos cíngulos do membro superior e inferior.

O esqueleto axial, diferentemente do apendicular, está muito mais envolvido com a proteção do que com o movimento. Ele é quem protege o sistema nervoso central e também órgãos importantíssimos como o coração e o pulmão.

Esqueleto Axial

Um osso que faz exceção ao esqueleto axial é o hioide, pois sua função é de movimento e está extremamente relacionado à deglutição. Ele pode ser palpado e movimentado de lado a lado. Embora ele faça parte do esqueleto axial, ele não se articula com nenhum outro osso!! Ele fica imediatamente superior à laringe, na parte anterior do pescoço.

Tá ai o osso hioide. Queria uma imagem melhor dele e sua posição no esqueleto axial, mas não achei :(

Crânio

Podemos classificar o crânio entre os ossos do neurocrânio (frontal, parietal, occipital, temporal, esfenoide, etmoide) e os ossos da face (maxila, mandíbula, zigomático, frontal, vômer, palatino, nasal, concha nasal inferior, lacrimal).

Observações Importantes sobre o Crânio

  • Os ossos que constituem a cavidade ocular (onde ficam os olhos!!) são menos espessos do que os outros ossos. Isso foi uma adaptação do ser humano para que, em caso de traumas e fraturas, o olho não fosse esmagado pelos ossos que formam a cavidade ocular. Esses ossos são: lacrimal, maxila, esfenoide, zigomático, frontal, palatino.

amarelo = Osso frontal; verde = Osso lacrimal; marrom = Osso etmóide; azul = Osso zigomático; roxo = Osso maxilar; aqua = Osso palatino; vermelho = Osso esfenóide

  • os ossos que constituem a calota craniana apresentam a impressão de vasos. Isso ocorre porque a ossificação dessa região é a desmal, ou seja, o processo de ossificação ocorre em um contato muito íntimo entre os tecidos (o tecido ósseo formado e o que fica subjacente a ele).
  • o ponto mais cranial do crânio (tipo o ápice, o ponto mais alto) é chamado de vértex. A localização desse ponto pode variar de pessoa pra pessoa.
  • os forames que existem são imprescindíveis para a comunicação do encéfalo com as outras partes do corpo.
  • a região onde os ossos frontal, parietal, esfenoide e temporal estão em estreita proximidade é o ptério. As consequências clínicas de uma fratura do crânio nesta área podem ser muito graves. O osso nesta área é particularmente fino e fica sobre a divisão anterior da artéria meníngea média, que pode ser lacerada por uma fratura do crânio nesta área, resultando em um hematoma extradural.
  • O neném nasce sem que tenha ocorrido a ossificação nos ossos do crânio com um motivo simples: facilitar o parto! Os ossos saem desunidos para que a cabeça se deforme durante sua passagem pelo canal do parto e também para o crescimento pós natal.  A maioria dos chamados fontículos se fecham no primeiro ano de vida. Mas, a ossificação completa começa no final da terceira e década e, normalmente, apenas se completa na quinta década de vida.

Para continuar o estudo do crânio, é necessário saber onde fica cada um desses ossos. Alguns só podem ser observados em vistas específicas, outros podem ser vistos mais de uma. Olhem:

Ossos do Crânio: Visão Anterior e Lateral

De frente, de lado… Falta agora calota craniana, vista interna e vista posterior:

Ossos do Crânio: Calota Craniana

Ossos do Crânio: Visão Posterior

Ossos do Crânio: Vista Interna

Agora sim. Vamos falar de cada osso.

1) Osso Frontal

  • É um dos ossos que forma a cavidade ocular.
  • É um osso pneumático.
  • É o osso que forma a “testa”, e também é um dos ossos que compõem a calota craniana.
  • Quando o neném nasce, esse osso não se articula com os ossos parietais, e entre eles ficam as famosas moleiras, chamadas tecnicamente de fontanelas ou fontículos. Quando ocorre a ossificação, o osso frontal se articula com o parietal através da sutura coronal (coronal vem de coroa, mesmo! porque é mais ou menos nesse lugar em que a coroa fica na cabeça da pessoa).
  • Entre os dois arcos ciliares (no homem, esses dois arcos são bem mais protuberantes do que nas mulheres!), fica uma região chamada de glabela. É uma parte da testa em que misteriosamente geralmente não nascem pelos da sobrancelha. Clinicamente, essa região é importante, pois é um dos pontos craniométricos importantes em medida do esqueleto cefálico.

Perímetro Cefálico

  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: incisura supra – orbital (forame onde passam nervos e vasos supra – orbitais), detalhe que é possível sentirmos essa incisura quando palpamos a região onde ela se encontra. Há ainda a glabela. Internamente, podemos citar outros acidentes importantes como o sulco do seio sagital superior (é uma estrutura venosa intradural), sulco do ramo anterior da artéria meníngea média. Não podemos esquecer, por último, da cristal frontal, que é um ponto de fixação para a foice do cérebro, que é uma especialização da dura-máter que separa parcialmente os dois hemisférios cerebrais.

2) Ossos Zigomáticos

  • É um dos ossos que forma a cavidade ocular.
  • É o osso que forma as “maçãs do rosto”, ou também chamado de “osso da bochecha”.
  • A importância clínica do osso zigomático é que esse é um osso alvo de traumatismo, quando ocorrem acidentes de trânsito, esportes, etc.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: forame zigomáticofacial (onde passa o nervo zigomático), processo temporal do osso zigomático, que, junto com o processo zigomático do osso temporal formam o arco zigomático.

3) Ossos Nasais

  • “A abertura piriforme é a grande abertura na região nasal e a abertura anterior da cavidade nasal. Visível através da abertura piriforme estão o par de conchas nasais inferiores e as cristas nasais fundidas, formando a parte inferior do septo nasal e terminando anteriormente como espinha nasal anterior.” (Gray’s Anatomia para Estudante, p. 764).
  • É o osso mais comum de ocorrer fratura.

4) Maxilas

  • Nas maxilas e na mandíbula existem os processos alveolares, onde os dentes ficam inseridos. Tanto os dentes, quanto o processo alveolar só existem em “mutualismo”, ou seja, enquanto existe dente funcional, existe processo alveolar, enquanto existe processo alveolar, existe dente funcional! É por isso que quando pegamos a mandíbula de um idoso ela é “lisinha”, não tem nenhum buraquinho do processo alveolar, porque não tem mais dente, então não tem mais processo alveolar, simples assim. Isso ocorre, porque com a queda dos dentes, o processo alveolar vai se atrofiando e é absorvido. Detalhe que a presença do dente só é fator para a existência do processo alveolar se o dente for funcional, ou seja, se o indivíduo usar esse dente, continuar mastigando…
  • É um osso pneumático.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: forame infra – orbital (onde passam nervos e vasos infra – orbitais), processo alveolar, espinha nasal anterior, processo zigomático da maxila.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso (parte inferior) são: fossa incisiva, tem a região chamada de palato duro.

5) Mandíbula

  • Presença do processo alveolar.
  • Há três articulações sinoviais na cabeça. A maior é a ATM (articulação temporomandibular). – As outras duas são entre os três ossículos da orelha média.
  • A mandíbula é o segundo osso mais vulnerável a fraturas (o primeiro é o nasal). É comum também que ocorra o deslocamento da ATM, às vezes por causa de um simples bocejo, ou também por traumatismos maiores. Isso ocorre quando o processo condilar da mandíbula se move anteriormente à eminência articular.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: mandíbula composta pelo processo condilar (constituído pela cabeça da mandíbula e pelo colo da mandíbula, detalhe que é a cabeça da mandíbula que se articula com a fossa mandibular do osso temporal), processo coronoide (inserção do tendão do músculo temporal), ramo da mandíbula, processo alveolar, forame da mandíbula (passa o nervo alveolar inferior, artéria e veia entram na mandíbula por esta abertura), ângulo da mandíbula, espinhas genianas (inserção de músculos – genioglosso e geniohióide – essas espinhas podem ainda ser chamadas de tubérculos da mandíbula), forame mentual (passagem de nervos e vasos mentuais), tubérculo mentual, protuberância mentual, linha oblíqua (é uma crista que tem como função ser um ponto de fixação para músculos relacionados com a cavidade oral).

6) Parietal

  • Os dois osso parietais constituem a maior parte do teto do crânio, ou seja, da parte de cima da cabeça. A parte exterior desses dois ossos não tem nada muito relevante a ser dito. É importante lembrar que os dois parietais se articulam na sutura sagital. Entre o parietal e o esfenoide tem a sutura esfenoparietal, e entre o parietal e o occipital tem a sutura lambdoidea. Outra sutura importante é entre o parietal e o temporal, em que temos a sutura escamosa e a sutura parietomastoidea. Existe um forame no osso parietal chamado de forame parietal (passagem de veias emissárias).
  • Na parte interna do teto craniano, também composta na sua maioria pelos ossos parietais, podemos perceber a grande quantidade de impressão de vasos, como os sulcos da artéria meníngea média.

7) Temporais

  • É um osso pneumático.
  • O osso temporal pode ser dividido em 4 partes: escamosa, processo zigomático, timpânica e petromastoidea (petrosa e mastoidea).
  • A parte escamosa do osso temporal é muito fina e pode ser facilmente fraturada, mas, pelo menos, fica em cima dela o músculo temporal, que é muito forte, e ele se dispõe exatamente na região da fossa média, protegendo a região.
  • Os acidentes ósseos (na parte lateral) importantes desse osso são: processo zigomático do osso temporal (um dos processos que formam o arco zigomático), processo mastoide (ponto de fixação para vários músculos), processo estiloide (origem dos músculos estiloióide, estiloglosso e estilofaríngeo), incisura mastoide (ponto de fixação para o músculo digástrico), meato acústico externo (canal auricular).
  • Os acidentes ósseos (vista inferior) importantes desse osso são: fossa mandibular, forame jugular (veia jugular interna), incisura mastoidea, canal carótico (passagem da artéria carótida interna e plexo nervoso), forame estilomastoideo (passagem do nervo facial), forame lacerado (é um forame que só existe em defuntos, pois em vida ele é fechado por uma membrana e nada importante passa por ele).
  • Na visão interior podemos encontrar o meato acústico interno.

8) Osso Occipital

  • Os acidentes ósseos importantes desse osso (vista posterior) são: linha nucal superior e linha nucal inferior (importantes pontos de origem muscular), protuberância occipital externa e ínio (que é a parte mais protuberante da protuberância occpital externa) e por fim a crista occipital externa.
  • Os acidentes ósseos importantes desse osso (vista inferior) são: tubérculo faríngeo (fixação de partes da faringe à base do crânio), forame magno (continuação do encéfalo e da medula espinal, artérias espinais posteriores, raízes do nervo acessório e meninges), côndilo occipital (articulação com a primeira vértebra cervical), canal do hipoglosso (nervo hipoglosso e vasos).
  • Na parte interna, é importante saber da existência do clivo (entradinha do forame magno), tubérculo jugular.

9) Osso Esfenoide

  • É um dos ossos que forma a cavidade ocular.
  • “Ele é composto por um corpo central, um par de asas maiores e um de asas menores projetando – se lateralmente do corpo, e dois processos pterigoides, que se projetam em direção caudal, imediatamente laterais à cada coáno”.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso (vista inferior) são:  hâmulo pterigoideo (hâmulo do processo pterigoideo da lâmina medial/lateral do osso esfenoide!), fossa pterigoidea, abertura do canal pterigoideo, forame espinhoso (passagem da artéria meníngea média), lâminas lateral e medial do processo pterigoideo.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso (vista interior) são: formando a sela túrcica: fossa hipofisal (onde fica a hipófise), dorso da sela, e tubérculo da sela. Tem ainda a fissura orbital superior (que dá pra ver na vista anterior da face), forame redondo.
  • Repare que o lugar em que a hipófise fica guardada é em uma região muito, muito interna do crânio, ela realmente fica bem protegida, pois um trauma em que a hipófise é acometida, teve que passar por diversas outras estruturas rígidas. A natureza deve ter tido todo esse trabalho porque a hipófise deve ser um pouquinho importante pro nosso corpo, né?
  • Os processos clinoides (vista interior): servem de ponto anterior de fixação para o tentório do cerebelo, que é uma camada de durá – mater que separa a parte posterior dos hemisférios cerebrais do cerebelo.

10) Osso Vômer

  • O vômer é melhor visto na vista inferior do crânio, na qual podemos perceber a abertura nasal posterior chamada de coáno.
  • Ele é importante por contribuir na formação do septo nasal (que separa os dois coános).

11) Osso Etmoide

  • Na vista interior, encontramos a cristal etmoidal e anterior a ela o forame cego (veias emissárias para a cavidade nasal). No osso etmoide também temos a lâmina cribriforme, e nessa lâmina ficam os forames da lâmina cribiforme, que são importantíssimos por serem a passagem dos nervos olfatórios. As células etmoidais são as responsáveis por fazerem do osso etmoide, um osso pneumático.

12) Osso Lacrimal

  • É o osso mais frágil e menor da face! Geralmente, ele tá quebrado no anatômico.

13) Ossículos da Audição

  • Os ossículos da audição são eles: bigorna, martelo e estribo. Com o tempo, esses vão perdendo a elasticidade que tem um com o outro e endurecendo, e é por isso que o idoso vai ficando surdo.

14) Osso Palatino

  • É o osso que forma a parte posterior do céu da boca (a maior parte é composta pela maxila)!
  • Os acidentes anatômicos dessa região mais importantes são: forame palatino maior, forame palatino menor, espinha nasal posterior.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 763 a 781. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.
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