Osteologia: Esqueleto Apendicular – Cíngulo do Membro Inferior e Membros Inferiores

Definições e Pontos Importantes

Membros Inferiores

O que liga o esqueleto axial aos membros inferiores é o cíngulo do membro inferior. Esse cíngulo é composto pelos ossos do quadril: ílio, ísquio e púbis e também o sacro. Quando neném, esses ossos ficam ligados entre si apenas por uma cartilagem na área do acetábulo, e se fundem apenas ao redor dos 16 anos em um único osso.

Os membros inferiores são compostos pelos fêmur, tíbia, fíbula e ossos do pé.

Outra forma de organizarmos o esqueleto apendicular é por segmento. Dessa forma, teríamos o primeiro segmento (cintura pélvica), segundo segmento (coxa), terceiro segmento (perna) e quarto segmento (pé).

Em relação à função dos membros inferiores, é claro que a locomoção é a primeira grande importância deles que vem a nossa mente, mas, não se pode esquecer que os ossos dos membros inferiores são muito importantes na hematopoiese, principalmente nas crianças!

Quando comparamos a amplitude de movimento dos membros superiores com os inferiores, percebemos que os membros superiores conseguem fazer muitos mais movimentos do que os inferiores! Por que isso? Por causa da diferença da articulação do ombro e da articulação do fêmur. Pensa: a cavidade glenoidal, como já disse, é bem rasa, então a cabeça do úmero não fica tão presa assim, dá pra ficar “sambando” na cavidade glenoidal. A cabeça do fêmur se articula no acetábulo, que é como um “buraco”, uma “fossa”, e a cabeça do fêmur fica bem encaixada! Esse é um dos principais motivos para que a amplitude de movimento dos membros inferiores seja menor do que o dos superiores.

Outra peculiaridade dos membros inferiores é o fato de que, toda sua anatomia foi feita para que todo o peso do corpo seja aguentado, e o centro de gravidade do corpo seja mantido estável, a fim de que o ser humano consiga ficar bípede “sem cair”. Sua anatomia também reduz a quantidade de energia necessária para manter a locomoção e produzir uma marcha suave e eficiente. Essas peculiaridades anatômicas são:

  •  inclinação da pelve no plano frontal;
  • rotação da pelve no plano horizontal;
  • movimento dos joelhos na direção da linha média;
  • flexão dos joelhos e complexas interações entre o quadril, joelho e tornozelo;

Agora, uma semelhança entre os membros superiores e inferiores é quando falamos das regiões de transição. Assim como os membros superiores tem a axila, fossa cubital e túnel do carpo como importantes regiões onde passam nervos, vasos, etc para as partes distais do membro, isso também existe nos membros inferiores! A região da virilha, tecnicamente chamada de trígono femoral, fossa poplítea (atrás do joelho) e a região retromaleolar medial (aqui chamada de túnel do tarso) são áreas de passagem de nervos e vasos para as partes distais dos membros.

No trígono femoral passam os prinipais vasos sanguíneos e um dos nervos do membro (nervo femoral), eles entram na coxa vindo do abdomem, passam pelo ligamento inguinal, tudo isso através do trígono femoral. Na fossa polplitea passam grandes vasos e nervos entre a coxa e a perna. E a maioria dos vasos, nervos e tendões flexores que vão da perna ao pé passam pelo túnel do tarso.

Cíngulo do Membro Inferior (Quadril)

Ílio

Osso Ilíaco

Dica: pra colocar o osso ilíaco em posição anatômica tem um truque simples: pegue o osso como se fosse falar no celular. Coloca a orelha no ísquio e “fale no púbis”. Se o encaixe certo for o da orelha direita, então é o osso ilíaco direito, e vice – versa.

  • asa ilíaca: encontramos as linhas glúteas (inserções dos músculos do glúteo) posterior, anterior e inferior; Essa asa serve como proteção de algumas vísceras, embora a principal função dela seja de fazer ligação;
  • [cavidade do] acetábulo: é um “buraco” onde fica a cabeça do fêmur. Nesse buraco encontramos os seguintes acidentes: fossa do acetábulo, face semilunar e incisura do acetábulo; a face semilunar é mais ampla posteriormente onde a maior parte do peso corporal é transmitida através da pelve para o fêmur. Os vasos sanguíneos e nervos passam através da incisura do acetábulo.
  • forame obturatório: é um forame grandão! Mas, a maior parte dele fica fechada por uma membrana de tecido conjuntivo, chamada de membrana obturadora. Tem só um espacinho entre a membrana e o osso, e nesse espacinho é que se dá a passagens para comunicação entre os membros inferiores e a cavidade pélvica;
  • há ainda outros acidentes: fossa ilíaca, face auricular (para se articular com o sacro, tem formato de orelha!);
  • linha arqueada: divide o ílio em corpo do ílio e asa do ílio;
  • crista ilíaca: facilmente palpada, é usada na coleta de medula óssea;

Retirada de Medula Óssea nos Ossos do Quadril (crista ilíaca)

  • temos ainda a espinha ilíaca ântero – superior e ântero – inferior; espinha ilíaca póstero – superior e espinha ilíaca pósterio – inferior;
  • incisura isquiática maior e incisura isquiática menor e também a espinha isquiática;
  • túber isquiático: suporte ao corpo quando sentado, também serve como ponto de inserção proximal de músculos como bíceps da coxa, etc. São músculos fortes que precisam de uma superfície muito rugosa e ampla para serem inseridos.

Observações Clínicas

  • a abertura superior da pelve nas mulheres tem forma circular, e nos homens tem formato de coração. É mais circular porque o promontório é menos proeminente e as asas ilíacas são mais largas nas mulheres. O ângulo formado pelos dois ramos do arco púbico é maior nas mulheres (80-85 graus) do que nos homens (50 a 60 graus). É claro que essa circularidade pélvica feminina é por causa do parto, para facilitar a saída do neném.

Pelve Feminina e Pelve Masculina

  • a tendência de fratura na pelve é a fratura no púbis. Isso porque, ele é um osso mais frágil e também se articula com o outro púbis apenas através da sínfise púbica. Esse tipo de fratura é chamada de fratura open book.

Fratura Open Book

  •  A função do púbis é secundária. É simplesmente conversar com o outro púbis e fechar o anel pélvico. Isso permite o movimento de extensão e flexão, importantes pro parto!
  • pacientes com fratura na pelve devem ser avaliados quanto à lesões nos órgãos viscerais e tecidos moles, e vice – versa. A fratura na pelve pode causar muita perda de sangue, e também formar um hematoma pélvico, que pode comprimir nervos e órgãos e inibir a função de vísceras pélvicas. Tem 4 tipos de fraturas na pelve: 1) fratura na crista ilíaca (que não tem nada demais, o máximo é a perda demais de sangue), 2) quebra única no anel ósseo da pelve (lesão com separação, por exemplo, da sínfise púbica, essa lesão também não tem nada demais, só a perda de sangue), 3) quebra dupla no anel pélvico ósseo (fratura bilateral do ramo púbico, que podem produzir dano uretral! Ou também fratura do ramo púbico e a ruptura da articulação sacroiliaca com ou sem luxação, e isso pode dar um trauma significante das vísceras pélvicas e hemorragia), 4) lesões ao redor do acetábulo.

Coxa

Fêmur

Fêmur

Epífise Proximal

  • na cabeça do fêmur tem a fóvea da cabeça do fêmur, que faz a fixação do ligamento da cabeça do fêmur no osso ilíaco;
  • colo anatômico: porque depois da cabeça, vem sempre o colo!
  • trocânter maior e trocânter menor do fêmur: importantes para inserção de músculos. Repare que, analogamente ao úmero, o fêmur tem uma cabeça e um colo, e esses trocanters seriam o equivalente à tuberosidade maior e menor do úmero, mas como são tuberosidades muiiiito maiores, elas são chamadas de trocânter.
  • linha intetrocantérica: fica entre os trocanters e também a crista intetrocantérica;

Diáfise

  • linha áspera: se trifurca em linha glútea, linha pectínea e linha espiral. É um dos principais locais de fixação muscular da coxa;

Epífise Distal

  • face patelar: articulação com a patela;
  • os côndilos articulam – se com a tíbia e anteriormente com a patela;
  •  epicôndilo lateral: faceta superior é origem da cabeça lateral do músculo gastrocnemio e a faceta inferior é a origem do músculo poplíteo; ainda há também o epicôndilo medial;
Observações Clínicas
  • fraturas no colo do fêmur podem necrosar a cabeça do fêmur, ou se for uma fratura intertrocantérica ela pode ser consertada só colocando pinos e placa. Pode ser que a diáfise do fêmur seja fraturada também, mas pra isso precisa de muita energia. Por causa disso, esse tipo de fratura também lesiona os tecidos moles ao redor do fêmur.

Patela

Patela

  • é o maior osso sesamoide;
  • a patela diminui a tensão necessária para a extensão da perna, funciona como uma roldana. Sem a patela, deveria ser necessário fazer muito mais força. Os ossos sesamoides geralmente tem essa função.
  • ápice: fixação do ligamento da patela (patela à tíbia)
  • base: inserção do músculo quadríceps femoral

Perna

Tíbia

Tíbia

  • única que se articula com o fêmur na articulação do joelho é a tíbia;
  • extremidade proximal é expendida no plano transversal para o suporte de peso e consiste de um côndilo medial e outro côndilo lateral;

Epífise Proximal

  • côndilo medial e lateral: já explicados! e entre eles, fica a eminência intercondilar;
  • tuberosidade da tíbia: inserção do ligamento patelar;
  • fóvea fibular: articulação com a fíbula;

Diáfise

  • linha do músculo sóleo; (dispensa comentários)

Epífise Distal

  • maléolo medial: tomar cuidado que a fíbula vai ter um maléolo também, mas vai ser lateral!
  • fossa para o tálus: local para articulação com o tálus;
  • incisura fibular: articulação com a fíbula;

Fíbula (antigo Perônio)

Fíbula

  • é um osso que não suporta peso, diferente da tíbia;
  • é facilmente quebrado! em um trauma em que a tíbia e a fíbula são fraturadas, a atenção principal é dada à tíbia, podendo a fíbula até ficar fraturada sem causar grandes danos;

Epífise Proximal

  • cabeça da fíbula;
  • face articular para a tíbia: articulação com o côndilo lateral da tíbia;

Diáfise

  • crista interóssea;

Epífise Distal

  • maléolo lateral: super comum de ser fraturado quando a pessoa inverte o pé (tipo a mulher quando tá andando de salto e tropeça);
  • face articular para o tálus: lugar de articulação com o tálus

Observações Clínicas

  • o nervo fibular comum ramo do nervo isquiático curva – se lateralmente ao redor do colo da fíbula quando passa da fossa poplítea para a perna. O nervo pode ser rolado de encontro ao osso na região imediatamente distal à inserção do músculo bíceps femoral na cabeça da fíbula. Neste local, o nervo pode ser danificado por lesões de impacto, fraturas do osso ou aparelhos de gesso que são colocados em posição muito alta.

Pé e Calcanhar

Ossos do Pé

  • os ossos do pé não são organizados em um único plano, de modo que eles se posicionem de maneira uniforme no chão. Em vez disto, os ossos metatarsais e tarsais formam os arcos longitudinal e transverso;

Ossos do Tarso

  • Fileira proximal: calcâneo (maior dos ossos tarsais, forma a estrutura óssea do calcanhar; o tendão do calcâneo é o conhecido “tendão de Aquiles”, outra coisa importante é o sustentáculo do tálus, que é uma prateleira óssea que se projeta medialmente e suporta a parte mais posterior da cabeça do tálus) e o tálus (osso mais superior do pé, é suportado pelo calcâneo. Se articula com a tíbia e a fíbula, e forma a articulação talocrural);
  • Fileira distal: cuboide, navicular, cuneiforme (lateral, intermédio e medial)

Ossos do Metatarso

  • 5 ossos do metatarso numerados de I a V no sentido medial para lateral;
  • são os dedos do pé;
  • atenção: o dedão do pé se chama hálux!

Falanges

  • com exceção do hálux, todos os dedos do pé apresentam 3 falanges: a distal, a medial e a proximal. O hálux tem só a distal e proximal;

Observações Clínicas

  •  o tálus é um osso incomum, pois se ossifica a partir de um único centro primário de ossificação, que inicialmente aparece no colo, a face posterior do talus parece se ossificar por último, normalmente na puberdade. Um dos problemas com as fraturas do tálus é que o suprimento sanguíneo para o osso é vulnerável a danos. As fraturas do colo do talus geralmente interrompem o suprimenro sanguíneo para o talus, tornando o corpo e a face posterior do talus susceptíveis à osteonecrose, que por sua vez pode levar a uma osteoartrite prematura e necessitar de extensa cirurgia.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 512 a 562. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.
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