Oi!

Fiz esse blog no início da faculdade. Hoje estou formada, e como podem ver acabou que eu não fui colocando os resumos mais por aqui, não deu certo 😂

até pensei em deletar o blog, mas até hoje recebo comentários tão legais dizendo que os resumos que tão aqui tem ajudado alguns leitores, então resolvi deixar!

Se alguém tiver interesse, vou manter um instagram funcionando com uma pegada diferente. Nada universitário. Mas, com relatos do dia a dia dentro da medicina. Acho que vai ser legal.

Segue o link:

https://www.instagram.com/cynthiaaquino/

 

Sistema Nervoso Autônomo

Anatomia do SNA

  • os neurônios motores viscerais localizados na medula epsinal são denominados neurônios motores pré-ganglionares, e seus axônios são chamados fibras pré-ganglionares; os neurônios motores viscerais localizados fora do SNC são denominados neurônios motores pós-ganglionares, e seus axônios são chamados fibras pós-ganglionares. Os corpos celulares dos neurônios motores viscerais do SNC costumam associar-se entre si em massa distinta chamada de gânglio.
  • a parte simpática inerva estruturas nas regiões periféricas do corpo e das vísceras.
  • a parte parassimpática é mais restrita à inervação de vísceras apenas.

Parte Simpática

  • a cada lado, um tronco simpático paravertebral estende-se da base do crânio à extremidade inferior da coluna vertebral, onde os dois troncos convergem anteriormente para o cóccix, no gânglio ímpar.
  • as fibras simpáticas pré-ganglionares podem subir ou descer para outros níveis vertebrais, onde fazem sinapse em gânglios associados aos nervos espinais que podem ou não receber informações motoras viscerais diretamente da medula espinal.
  • as fibras ascendentes e descendentes, juntamente com todos os gânglios, formam o tronco simpático, que se prolonga por toda a extensão da coluna vertebral. A formação deste tronco, a cada lado da coluna, possibilita que fibras motoras viscerais da parte simpática, que emergem apenas de uma pequena região da medula espinal, sejam distribuídas a regiões periféricas inervadas por todos os nervos espinais.
  • as fibras simpáticas pré-ganglionares podem fazer sinapse com neurônios motores pós-ganglionares nos gânglios e depois sair dos gânglios medialmente, para inervar vísceras torácicas ou cervicais. Podem ascender no tronco, antes e depois de fazer sinapse.

Parte Parassimpática

  • a parte parassimpática da divisão autônoma do SNP sai das regiões craniana e sacral do SNC em associação com nervos cranianos e nervos espinais específicos.
  • os neurônios pré-ganglionares estão no SNC, e as fibras saem nos nervos cranianos.
  • as fibras sensitivas viscerais seguem o trajeto das fibras simpáticas, entrando na medula espinal em níveis medulares semelhantes. No entanto, as fibras sensitivas viscerais também podem entrar na medula espinal em níveis diferentes dos associados à saída motora.

Plexos Somáticos

  • os grandes plexos somáticos formados pelos ramos anteriores dos nervos espinais são o cervical (C1 a C4), o braquial (C5 a T1) e o lombossacral (constituído pelos plexos lombar – L1 a L4; sacral 4L a S4 e coccígeo – S5 a Co). Exceto pelo nervo espinal T1, os ramos anteriores dos nervos espinais torácicos continuam independentes e não participam de plexos.

Dor referida

  • ela ocorre quando informações sensitivas de uma determinada região são conduzidas à medula espinal, mas não interpretadas pelo SNC como provenientes de oura região inervada pelo mesmo nível medular.
  • a dor da região com poucas aferências é interpretada como proveniente da região com uma quantidade de aferências normalmente alta.

Fisiologia do SNA

  •  todos os neurônios pré-ganglionares são colinérgicos tanto do sistema nervoso simpático quanto no parassimpático. Todos ou quase todos os neurônios pós-ganglionares do sistema parassimpático também são colinérgicos. Ao invés disso, a maioria dos neurônios pós-ganglionares simpáticos também são adrenérgicos. Entretanto, as fibras nervosas pós-ganglionares simpáticas para as glândulas sudoríparas, para os músculos piloeretores dos pelos e para alguns vasos sanguíneos são colinérgicas. Então, todas ou quase todas as terminações nervosas do sistema parassimpático secretam acetilcolina. Quase todas as terminações nervosas simpáticas secretam norepinefrina, mas poucas secretam acetilcolina.
  • a acetilcolina ativa principalmente dois tipos de receptores: muscarínicos e nicotínicos
  • existem também dois tipos principais de receptores adrenérgicos: receptores alfa e beta
  • a estimulação dos nervos simpáticos que vão até as medulas adrenais causa a liberação de grandes quantidades de epinefrina e norepinefrina no sangue circulante, e estes dois hormônios são, por sua vez, levados para todos os tecidos do corpo.
  • A norepinefrina circulante causa a constrição de quase todos os vasos sanguíneos do corpo; causa também atividade aumentada do coração, inibição do trato gastrointestinal, dilatação das pupilas, etc.
  • a epinefrina causa quase os mesmos efeitos que aqueles causados pela norepinefrina, sendo diferentes nos seguintes aspectos: primeiro, a epinefrina, por causa da sua maior ação na estimulação dos receptores beta, tem um efeito maior na estimulação cardíaca do que a norepinefrina. Segundo, a epinefrina causa somente uma constrição fraca dos vasos sanguíneos dos músculos, em comparação com a vasoconstrição muito mais forte causada pela norepinefrina. Como os vasos do músculo representam um segmento principal dos vasos do organismo, esta diferença tem importância especial pois a norepinefrina aumenta muito a resistência periférica total e eleva a pressão arterial, enquanto a epinefrina aumenta muito menos a pressão arterial, mas aumenta mais o débito cardíaco.
  • a estimulação das medulas adrenais causa a liberação dos hormônios epinefrina e norepinefrina, os quais, juntos, têm quase os mesmos efeitos que a estimulação simática direta tem sobre todo o organismo, exceto que os efeitos são muito mais prolongados, durante de 2 a 4 minutos depois do término da estimulação.
  • epinefrina e norepinefrina são quase sempre liberadas pelas medulas adrenais no mesmo momento em que os diferentes órgãos são estimulados diretamente pela ativação simpática generalizada. Portanto, os órgãos são, na verdade, estimulados duas vezes: diretamente pelos nervos simpáticos e indiretamente pelos hormônios da medula adrenal.
DRAKE, R. et alli; (2005). Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.
GUYTON & HALL; (2006) Tratado Fisiologia Médica. 11a Edição. Elsevier.

Anatomia Macroscópica e Microscópica do Cerebelo; Anatomia dos Núcleos da Base; Contribuições do Cerebelo e dos Núcleos da Base para o Controle Motor Global

Cerebelo

  • Da superfície para o interior do órgão, distinguem-se três camadas no cerebelo:
  1. camada molecular
  2. camadas de células de Purkinje (camada média)
  3. camada granular
  • as células de Purkinje, piriformes e grandes, exercem ação inibitória. Seus axônios constituem as únicas fibras eferentes do córtex do cerebelo.
  • a camada molecular é formada principalmente por fibras de direção paralela e contém dois tipos de neurônios: as células estreladas e as células em cesto.
  • a camada granular é constituída principalmente pelas células granulares ou grânulos do cerebelo, células muito pequenas cujo citoplasma é muito reduzido.
  • na camada granular existem os neurônios chamados de células de Golgi.
  • as informações que chegam ao cerebelo de vários setores do sistema nervoso agem inicialmente sobre os neurônios dos núcleos centrais de onde saem as respostas eferentes do cerebelo. A atividade desses neurônios, por sua vez, é modulada pela ação inibidora das células de Purkinje. Na realidade, as conexões intrínsecas do cerebelo são mais complexas, uma vez que o circuito formado pela união das células granulares com as células de Purkinje é modulado pela ação de três outras células inibidoras: as células de Golgi, as células em cesto e as células estreladas. Tais células, assim como as células de Purkinje, agem através da liberação de GABA. Já a célula granular, a única célula excitadora do córtex cerebelar, tem como neurotransmissor o glutamato.
  • os núcleos do cerebelo correspondem aos: núcleo denteado, núcleo emboliforme, núcleo globoso, núcleo fastigial.
  • no cerebelo, tanto suas vias aferentes como eferentes, quando não são homolaterais, sofrem um duplo cruzamento, ou seja, vão para o lado oposto e voltam para o mesmo lado. Este fato tem importância clínica, pois a lesão de um hemisfério cerebelar dá sintomatologia do mesmo lado, enquanto no hemisfério cerebral a sintomatologia é do lado oposto.
  • as principais funções do cerebelo são: manutenção do equilíbrio e da postura, controle do tônus muscular, controle dos movimentos voluntários e aprendizagem motora.
  • manutenção do equilíbrio e da postura: essas funções se fazem basicamente pelo arquicerebelo e pela zona medial (vérmis) que promovem a contração adequada dos músculos axiais e proximais dos membros, de modo a manter o equilíbrio e a postura normal. Isso é feito pelos tractos vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal.
  • controle do movimentos voluntários: lesões do cerebelo têm como sintomatologia uma grave ataxia, ou seja, falta de coordenação dos movimentos voluntários decorrentes de erros na força, extensão e direção do movimento. O mecanismo através d qual o cerebelo controla o movimento envolve duas etapas: uma de planejamento do movimento e outra de correção do movimento já em exceção. O planejamento do movimento é feito via córtico-ponto-cerebelar. Uma vez iniciado, o movimento passa a ser controlado pela zona intermédia do cerebelo. O núcleo denteado, ligado ao planejamento motor, é ativado antes do início do movimento, enquanto o núcleo interpósito – ligado à correção do movimento – só é ativado depois que este se inicia.
  • zona intermediária do hemisférico: controle das contrações musculares nas parte distais das extremidades superiores e inferiores, especialmente as mãos e os dedos e os pés e os artelhos.
  • zona lateral do hemisfério: opera num nível ,muito mais remoto, porque esta área se une ao córtex cerebral no planejamento global de movimentos motores sequenciais. Sem esta zona lateral, a maioria das atividades motoras individualizadas do corpo perde seu ritmo e sequenciamento apropriado, e, portanto, fica sem coordenação.

Núcleos da Base

  • os núcleos da base são: claustrum, corpo amigdaloide, núcleo caudado, putâmen e globo pálido. Juntos, os três últimos constituem o corpo estriado.
  • o putâmen e o globo pálido, juntos, formam o núcleo lentiforme. Em quase toda sua extensão, o núcleo caudado é separado do núcleo lentiforme pela cápsula interna, sendo, entretanto, unido a ele em sua parte anterior.
  • as estruturas do corpo estriado ventral têm conexões com áreas corticais do sistema límbico e, desse modo, participam da regulação do comportamento emocional enquanto as estruturas dorsais do corpo estriado são fundamentalmente motoras somáticas.

Circuito Básico

  • esse circuito origina-se no córtex cerebral e, através das fibras córtico-estriatais, liga-se ao striatum, de onde os impulsos nervosos passam ao globo pálido. Este, por sua vez, através das fibras pálido-talâmicas, liga-se aos núcleos ventral anterior e ventral lateral do tálamo, os quais se projetam para o córtex cerebral. Fecha-se assim o circuito em alça córtico-estriado-tálamo-cortical, considerando o circuito básico do corpo estriado.

Contribuições do Cerebelo e dos Núcleos da Base para o Controle Motor Global

  • o cerebelo desempenha papeis importantes no ritmo das atividades motoras e na progressão homogênea rápida de um movimento muscular para o seguinte. Ele também ajuda a controlar a intensidade da contração muscular quando a carga muscular muda, bem como controlar o necessário inter-relacionamento instantâneo entre grupos musculares agonistas e antagonistas.
  • os gânglios da base ajudam a planejar e controlar padrões complexos de movimento muscular, controlando as intensidades relativas dos movimentos separados, as direções dos movimentos e o sequenciamento de múltiplos movimentos sucessivos e paralelos com o objetivo de atingir metas motoras específicas e complexas.

Cerebelo e suas Funções Motoras

  • a perda do cerebelo pode causar o desaparecimento quase total da coordenação motora destas atividades, embora sua perda não cause paralisia de nenhum músculo.
  • o cerebelo auxilia na sequência das atividades motoras, assim como é seu papel, também, monitorar e fazer ajustes corretivos nas atividades motoras corporais enquanto estão sendo executadas, de modo que elas estejam de acordo com os programas motores elaborados pelo córtex motor cerebral e outras partes do SNC.

Circuitos Neuronais do Cerebelo

  • uma via aferente extensa e importante é a via corticopontocerebelar, que se origina nos córtices motor e pré-motor cerebrais e também no córtex somatossensorial cerebral. Esta passa, por meio dos núcleos pontinos e tratos pontocerebelar, principalmente para as divisões laterias dos hemisférios cerebelar contralaterais relativamente às áreas cerebrais. Além disso tratos aferentes importantes se originam a cada lado do tronco encefálico; eles incluem: um trato olivocerebelar importante que, originando-se na oliva inferior, dirige-se para todas as partes do cerebelo e é ativado na sua origem na oliva inferior por fibras do córtex motor cerebral, dos gânglios da base, de várias regiões da formação reticular e da medula espinhal; fibras vestibulocerebelares, algumas das quais se originam diretamente do próprio aparelho vestibular e outras são originadas nos núcleos vestibulares do tronco encefálico-quase todas elas terminam no lobo floculonodular e núcleo fastigial do cerebelo; e fibras reticulocerebelares, que se originam em diferentes porções da formação reticular do tronco encefálico e terminam nas áreas medianas cerebelares (principalmente no vermis).
  • o trato espinocerebelar dorsal entra no cerebelo através do pedúnculo cerebelar inferior e termina no vermis e na zona intermediária do cerebelo no mesmo lado de sua origem. O trato ventral entra no cerebelo através do pedúnculo cerebelar superior, mas termina em ambos os lados do cerebelo. Os sinais transmitidos nos tratos espinocerebelares dorsais vêm principalmente dos fusos musculares e, em menor grau, de outros receptores somáticos em todo o corpo. Estes sinais notificam o cerebelo sobre as condições momentâneas de: contração muscular, grau de tensão sobre os tendões musculares, posições e velocidades de movimento das diferentes partes do corpo e forças que agem sobre a superfície do corpo.
  • inversamente, os tratos espinocerebelares ventrais recebem menos informações dos receptores periféricos. Em lugar disso, eles são excitados principalmente por sinais motores que chegam aos cornos anteriores da medula espinhal vindos do encéfalo através dos tratos corticoespinhal e rubroespinhal e dos geradores de padrão motor interno da própria medula.
  • além dos sinais dos tratos espinocerebelares, os sinais são transmitidos ao cerebelo a partir da periferia do corpo através do sistema da coluna dorsal para os núcleos da coluna dorsal do bulbo e depois retransmitidos ao cerebelo. Da mesma forma, sinais são transmitidos pela medula espinhal através da via espinorreticular para a formação reticular do tronco encefálico e também através da via espinolivar para o núcleo olivar inferior. Então os sinais são retransmitidos de ambas estas áreas para o cerebelo.
  • a cada vez em que um sinal chega ao cerebelo, ele se divide e segue em duas direções: diretamente para um dos núcleos profundos cerebelares e para uma área correspondente do córtex cerebelar que recobre o núcleo profundo. Depois, uma fração de segundo mais tarde, o córtex cerebelar retransmite um sinal de saída inibitório para o núcleo profundo. Deste modo, todos os sinais de entrada para o cerebelo finalmente terminam nos núcleos profundos sob a forma de sinais excitatórios iniciais seguidos. Dos núcleos profundos, os sinais de saída partem do cerebelo e são distribuídos para outras partes do SNC.
  • as aferências para o cerebelo estão divididas principalmente em dois tipos de fibras, uma chamada fibra em trepadeira e a outra chamada fibra musgosa. As fibras em trepadeira originam-se, todas, das olivas inferiores do bulbo.
  • a função típica do cerebelo é ajudar a emitir sinais rápidos de ligar para os músculos agonistas e sinais de desligar recíprocos simultâneos para os músculos antagonistas no início de um movimento. Depois, quando se aproxima o término do movimento, o cerebelo é responsável principalmente por dar o ritmo e executar sinais de desligar para os agonistas e de ligar para os antagonistas.
  • o grau em que o cerebelo sustenta o início e o térmico das contrações musculares, bem como a temporização das contrações, precisam ser aprendidos pelo cerebelo.

Função do Cerebelo no Controle Motor Global

  • o SN usa o cerebelo para coordenar as funções de controle motor em três níveis: vestibulocerebelo, espinocerebelo e cerebrocerebelo.
  • vestibulocerebelo: é especialmente importante para controlar o equilíbrio entre contrações musculares de agonistas e antagonistas da coluna, quadris, e ombros durante alterações rápidas das posições corporais, conforme exigido pelo sistema vestibular.
  • espinocerebelo: depois de a zona intermediária do cerebelo ter cmparado os movimentos pretendidos com os movimentos reais, as células nucleares profundas do núcleo interpósito enviam sinais de saída corretivos de volta ao córtex motor cerebral através de núcleos de retransmissão no tálamo e para a porção magnocelular (a parte inferior) do úcleo rubro, o que dá origem ao trato rubroespinhal. Esta parte do sistema de controle motor cerebelar proporciona movimentos coordenador e homogêneos dos músculos agonistas e antagonistas das extremidades distais para realizar movimentos padronizados agudos com finalidade.
  • a maioria dos movimentos rápidos do corpo, tais como os movimentos dos dedos ao digitar, ocorre tão rapidamente que não é possível receber informações originadas do feedback, seja da periferia para o cerebelo, ou do cerebelo de volta ao córtex motor, antes que os movimentos estejam terminados. Estes movimentos são chamados de movimentos balísticos.

Anormalidades Clínicas do Cerebelo

  • dois dos mais importantes sintomas de doença cerebelar são a dismetria e a ataxia. Como assinalado anteriormente, na ausência do cerebelo, o sistema de controle motor subconsciente não consegue predizer até onde os movimentos irão. Portanto, os movimentos normalmente passam da marca pretendida; depois, a parte consciente do cérebro compensa excessivamente na direção oposta para o movimento compensatório que se sucede. Este efeito é chamado dismetria, e resulta em movimentos sem coordenação que são chamados ataxia.
  • quando o sistema de controle motor deixa de predizer onde as diferentes partes do corpo estarão num dado momento, perde-se a percepção das partes durante movimentos rápidos. Como resultado, o movimento que se sucede pode começar cedo demais, ou tarde demais, de modo que não ocorra progressão do movimento de forma organizada. Isto é a disdiadococinesia.
  • nistagmo cerebelar: o nistagmo cerebelar é o tremor do globo ocular que ocorre geralmente quando se tenta fixar os olhos numa cena num do lados do campo visual. Este tipo de fixação visual excêntrica resulta em movimentos rápidos e trêmulos dos olhos, e não fixos, sendo outra manifestação de falha do amortecimento pelo cerebelo.

Gânglios da Base – suas Funções Motoras

  • um dos principais papéis dos gânglios da base no controle motor é funcionar associadamente ao sistema corticoespinhal para controlar padrões complexos de atividade motora.

Vias Neurais dos Circuitos do Putâmen

  • as vias começam principalmente nas áreas pré-motora e suplementar do córtex motor e nas áreas somatossensoriais do córtex sensorial. Passam a seguir para o putâmen (evitando, na sua maioria, o núcleo caudado) e depois para a parte interna do globo pálido, a seguir para os núcleos de retransmissão ventral-anterior e ventrolateral do tálamo e, finalmente, retornam ao córtex motor primário e às partes das áreas pré-motora e suplementares estreitamente associadas ao córtex motor primário. Deste modo, os circuitos do putâmen têm suas aferências principalmente a partir daquelas partes do cérebro adjacentes ao córtex motor primário, mas não muito proveniente do próprio córtex motor primário.

Síndromes Clínicas Decorrentes de Lesão dos Gânglios da Base

  • Parkinson: decorre da destruição generalizada daquela parte da substância negra que envia fibras nervosa secretoras de dopamina para o núcleo caudado e o putâmen. A doença caracteriza por: rigidez de grande parte da musculatura do corpo; tremor involuntário das áreas envolvidas mesmo quando a pessoa está em repouso e dificuldade intensa de iniciar movimentos, a chamada acinesia. A dopamina liberada no núcleo caudado e no putâmen é um transmissor inibitório; portanto, a destruição dos neurônios dopaminérgicos na substância negra do paciente parsinsoniano teoricamente permitira que o núcleo caudado e o putâmen ficassem manifestamente ativos e possivelmente causaria saída contínua de sinais exictatórios para o sistema de controle motor corticoespinhal. Estes sinais poderiam excitar manifestamente muitos ou todos os músculos do corpo, levando assim à rigidez. O tremor da doença de Parkinson é bem diferente daquela da doença cerebelar, porque ocorre durante todas as horas da vigília e, portanto, é um tremor involuntário, distinguindo-se do tremor cerebelar, que ocorre apenas quando a pessoa realiza intencionalmente movimentos iniciados, e, portanto, é chamado de tremor intencional.
  • Huntington: caracteriza-se, a princípio, por movimentos rápidos em músculos individuais e depois movimentos graves progressivos de distorção do corpo inteiro. Ademais, desenvolve-se demência grave juntamente com as disfunções motora. Acredita-se que os movimentos anormais da doença de Huntington sejam causados pela perda da maior parte dos corpos celulares dos neurônios secretos de GABA no núcleo caudado e no putâmen e de neurônios secretores de acetilcolina em muitas partes do cérebro. Os terminais de axônios dos neurônios gabaérgicos normalmente inibem partes do globo pálido e da substância negra. Acredita-se que esta perda de inibição permita período espontâneos de atividade no globo pálido e na substância negra que causam os movimentos coreicos. A demência dessa doença provavelmente não resulta na perda de neurônios gabaérgicos, mas da perda de neurônios colinérgicos, talvez especialmente em áreas do córtex cerebral.
Referências
Angelo B.M.MACHADO. Neuroanatomia Funcional - Ed. Atheneu - Rio de Janeiro, 1993
GUYTON & HALL; (2006). 698 a 713. Tratado Fisiologia Médica. 11a Edição. Elsevier.

 

Anatomia Bulbo, Ponte e Mesencéfalo; Controle Cortical e do Tronco Cerebral sobre a Função Motora

Anatomia do Bulbo

  • o bulbo difere da medula por causa dos seguintes fatores:
  1. aparecimento de novos núcleos próprios do bulbo: núcleos grácil, cuneiforme e o núcleo olivar inferior.
  2. decussação das pirâmides ou decussação motora: as fibras do trato córtico-espinhal percorrem as pirâmides bulbares e a maioria delas decussa, ou seja, muda de direção cruzando o plano mediano (decussação das pirâmides), para continuar como tracto córtico-espinhal lateral.
  3. decussação dos lemniscos: as fibras dos fascículos grácil e cuneiforme da medula terminam fazendo sinapse em neurônios dos núcleos grácil e cuneiforme, que aparecem no funículo posterior, já nos níveis mais baixos, do bulbo. As fibras que se originam nestes núcleos são denominadas fibras arqueadas internas. Elas mergulham ventralmente, passam através da coluna posterior, contribuindo para fragmentá-la , cruzam o plano mediano (decussação sensitiva) e infletem-se cranialmente para constituir de cada lado o lemnisco medial.

Substância Cinzenta do Bulbo

Substância Cinzenta Homóloga (Núcleos de Nervos Cranianos)

  • os núcleos dos nervos cranianos situados no bulbo são: núcleo ambíguo, núcleo do hipoglosso, núcleo dorsal do vago, núcleos vestibulares, núcleo do tracto solitário, núcleo do tracto espinhal do nervo trigêmo, núcleo salivatório inferior.
  • para facilitar a memorização dos nomes e funções dos núcleos de nervos cranianos do bulbo, um bom exercício é tentar deduzir o nome de cada um dos núcleos que entram em ação nas várias etapas do ato de tomar sorvete. Inicialmente, põe-se a língua para fora para lamber o sorvete. Núcleo envolvido: núcleo do hipoglosso. A seguir, é necessário verificar se o sorvete está mesmo frio (ou seja, se é realmente um sorvete). Núcleo envolvio: núcleo do tracto espinhal do trigêmeo. Feito isso, é conveniente verificar o gosto do sorvete. Núcleo envolvido: núcleo do tracto solitário. Nessa etapa, o indivíduo já deve estar com a boca cheia d’água. Núcleo envolvido: núcleos salivatórios (no caso do bulbo, somente o infernior). Nessa fase, já há condições de se engolir o sorvete. Núcleo envolvido: núcleo ambíguo. Finalmente, o sorvete chega ao estômago e sofre a ação do suco gástrico. Núcleo envolvido: núcleo dorsal do vago. E como o indivíduo tomou o sorvete de pé, sempre mantendo o equilíbrio, estiveram envolvidos também os núcleos vestibulares inferior e medial.

Substância Cinzenta Própria do Bulbo

  • os núcleos situados nessa substância são: núcleos grácil e cuneiforme. Eles dão origem a fibras arqueadas internas que cruzam o plano mediano para formar o lemnisco medial. Tem também o núcleo olivar inferior, e os núcleos olivares acessórios medial e dorsal.

Substância Branca do Bulbo

Fibras Transversais

  • as fibras transversais do bulbo são também denominadas fibras arqueadas e podem ser divididas em internas e externas.

Fibras Longitudinais

  • são as que formam as vias ascendentes, descendentes e de associação do bulbo.

Vias Ascendentes

  • são as vias: fascículos grácil e cuneiforme, lemnisco medial, tracto espino-talâmico lateral, tracto espino-talâmico anterior, tracto espino-cerebelar anterior, tracto espino-cerebelar posterior e pedúculo cerebelar inferior.

Vias Descendentes

  • são as vias: tracto córtico-espinhal, tracto córtico-nuclear, tractos extrapiramidais, tracto espinhal do nervo trigêmeo e tracto solitário.

Formação Reticular do Bulbo

  • na formação reticular do bulbo localiza-se o centro respiratório, muito importante para a regulação do ritmo respiratório. Aí se localizam também o centro vasomotor e o centro do vômito.

Anatomia da Ponte

  • a ponte é formada por uma parte ventral, ou base da ponte, e uma parte dorsal, ou tegmento da ponte. No limite entre o tegmento e a base da ponte observa-se um conjunto de fibras mielínicas de direção transversal, o corpo trapezoide.

Base da Ponte

  • formada pelas fibras longitudinais: tracto córtico-espinhal, tracto córtico-nuclear e tracto córtico-pontino.
  • formada pelas fibras transversais e núcleos pontinos: os núcleos pontinos são pequenos aglomerados de neurônios dispersos em toda a base da ponte.

Tegmento da Ponte

  • apresenta fibras descendentes, ascendentes e transversais, além de núcleos de nervos cranianos e substância cinzenta própria da ponte.
  • núcleos do tegmento são: núcleos cocleares, corpo trapezoide e lemnisco lateral, núcleos vestibulares (que formam os fascículo-vestíbulo-cerebelar, fascículo longitudinal medial, tracto vestíbulo-espinhal, fibras vestíbulo-talâmicas), núcleos dos nervos facial e abducente, núcleo salivatório superior e núcleo lacrimal, núcleos do nervo trigêmeo.

Anatomia do Mesencéfalo

  • o mesencéfalo é constituído por uma porção dorsal, o tecto do mesencéfalo, e outra ventral muito maior, os pedúnculos cerebrais, separados pelo aqueduto cerebral. Este percorre longitudinalmente o mesencéfalo e é circundado por uma espessa camada de substância cinzenta, a substância cinzenta central ou periaqueductal. Este percorre longitudinalmente o mesencéfalo e é circundado por uma espessa camada de substância cinzenta, a substância cinzenta central ou periaqueductal. Em cada pedúnculo cerebral distingue-se uma parte ventral, a base do pedúnculo, formada de fibras longitudinais e uma parte dorsal, o tegmento do mesencéfalo, cuja estrutura se assemelha à parte correspondente da ponte. Separando o tegmento da base, observa-se uma lâmina de substância cinzenta pigmentada, a substância negra.

Tecto do Mesencéfalo

  • constituído de 4 eminências: os colículos superiores e os colículos inferiores, e também a área pré-tectal.

Tegmento do Mesencéfalo

  • na substância cinzenta homóloga do mesencéfalo ficam os núcleo do nervo troclear, núcleo do nervo oculomotor.
  • na substância cinzenta própria do mesencéfalo ficam os núcleo rubro, substância negra.
  • ainda no tegmento, tem a substância branca.

Córtex Motor e Trato Corticoespinhal

  • o córtex motor é dividido em três subáreas: córtex motor primário, área pré-motora e área motora suplementar.
Áreas Motoras e Somatossensoriais

Áreas Motoras e Somatossensoriais

Área Pré-Motora

  • a parte mais anterior da área pré-motora desenvolve primeiro uma “imagem motora” do movimento muscular total que deve ser realizado. Depois, no córtex pré-motor posterior, esta imagem excita cada padrão de atividade muscular sucessivo necessário para obter a imagem. Esta parte posterior do córtex pré-motor envia seus sinais diretamente ao córtex motor primário para excitar músculos específicos ou, mais frequentemente, por meio dos núcleos da base e do tálamo de volta ao córtex motor primário. Deste modo, o córtex pré-motor, os núcleos da base, o tálamo e o córtex motor primário constituem um sinal global complexo para o controle de padrões complexos de atividade muscular coordenada.

Área Motora Suplementar

  • as estimulações dessa área desencadeiam movimentos bilaterais.
  • esta área funciona em conjunto com a área pré-motora para gerar movimentos responsáveis pela postura geral do corpo todo, movimentos de fixação de diferentes segmentos do corpo, movimentos de posição da cabeça e dos olhos, e assim por diante, como base para o controle motor mais fino dos braços e das mãos pela área pré-motora e o córtex motor primário.
Representação dos Diferentes Músculos do Corpo e no Córtex Motor: Homúnculo

Representação dos Diferentes Músculos do Corpo e no Córtex Motor: Homúnculo

Algumas Áreas Especializadas de Controle Motor Encontradas no Córtex Motor Humano

Área de Broca e a Fala

  • área situada imediatamente anterior ao córtex motor primário e imediatamente acima da fissura lateral cerebral é a área de Broca. Sua lesão não impede a pessoa de vocalizar, mas torna impossível para o indivíduo falar palavras inteiras.

Campo de Movimentos Oculares Voluntários

área pré-motora imediatamente acima da área de Broca. A lesão desta área impede um indivíduo de movimentar voluntariamente os olhos em direção a diferentes objetos. Esta área frontal também controla os movimentos das pálpebras como o piscar.

Área para Habilidades Manuais

a lesão desta área provoca a falta de coordenação dos movimentos manuais, dando origem à patologia apraxia motora.

Transmissão de Sinais do Córtex Motor para os Músculos

  • os sinais motores são transmitidos diretamente do córtex para a medula espinhal através do trato corticoespinhal e indiretamente através de múltiplas vias acessórias que envolvem os núcleos da base, cerebelo e vários núcleos do tronco cerebral.

Trato Corticoespinhal (Piramidal)

Trato Piramidal

Trato Piramidal

  • a via de saída mais importante do córtex motor é o trato corticoespinhal, também chamado de trato piramidal.
  • depois de sair do córtex, ele (o trato) atravessa o ramo posterior da cápsula interna (entre o núcleo caudado e o putame dos núcleos da base) e depois desce pelo tronco cerebral, formando as pirâmides da medula oblonga. A maior parte das fibras piramidais então cruza na parte inferior do bulbo para o lado oposto e desce pelos tratos corticoespinhais laterais da medula espinhal, finalmente terminando principalmente nos interneurônios das regões intermediárias da substância cinzenta da medula. Algumas das fibras não atravessam para o lado oposto no bulbo, mas passam ipsilateralmente, formando os tratos corticoespinhais ventrais da medula espinhal. Muitas, senão todas as fibras desse trato, acabam, finalmente, cruzando para o lado oposto da medula, seja em regiões cervicais, seja na região torácica alta. Estas fibras podem estar relacionadas ao controle de movimentos posturais bilaterais pelo córtex motor suplementar.
  • as fibras mais impressionantes no trato piramidal originam-se de células piramidais gigantes, as chamadas células de Betz, que são encontradas apenas no córtex motor primário.
  • a remoção de uma parte do córtex motor primário – a área que contém as células piramidais gigantes de Betz – causa graus variáveis de paralisia dos músculo representados. Se o núcleo caudado subjacente e as áreas motoras pré-motora e motoras suplementares adjacentes não forem lesados, ainda poderão ocorrer movimentos posturais grosseiros e “fixação” de extremidades, mas há perda do controle voluntário de movimentos discretos dos segmentos distais das extremidades, especialmente das mãos e dos dedos. Isto não significa que os músculos das mãos e dos dedos, em si mesmos, não possam se contrair; em lugar disso, a capacidade de controlar os movimentos finos é que se perder. A partir destas observações, pode-se concluir que a área piramidal é essencial para o incício voluntário dos movimentos finalmente controlados, especialmente das mãos e dos dedos.

Vias de Fibras Aferentes ao Córtex Motor

  • o córtex motor opera em associação com os núcleos da base e o cerebelo para dar seguimento apropriado ao curso da ação motora. As mais importantes vias aferentes ao córtex motor são as seguintes:
  1. fibras subcorticais de regiões adjacentes ao córtex cerebral: áreas somatossensoriais do córtex parietal, áreas adjacentes do córtex frontal anteriores ao córtex motor e córtices visual e auditivo.
  2. fibras subcorticais que chegam através do corpo caloso proveniente do hemisfério cerebral oposto.
  3. fibras somatossensoriais que chegam diretamente do complexo ventrobasal do tálamo: sinais cutâneos e sinais articulares e musculares da periferia do corpo.
  4. tratos dos núcleos ventrolateral e ventroanterior do tálamo, que por sua vez, recebem sinais do cerebelo e dos núcleos da base.
  5. fibras dos núcleos intralaminares do tálamo: controle do nível geral de excitabilidade do córtex motor do mesmo modo que controlam o nível geral de excitabilidade da maioria das outras regiões do córtex cerebral.

O Núcleo Rubo como uma Via Alternativa para Transmitir Sinais Corticais para a Medula Espinhal

  • a parte magnocelular do núcleo rubro tem uma represenação somatográfica de todos os músculos do corpo, assim como acontece com o córtex motor. Portanto, a estimulação de um único ponto nesta parte do núcleo rubro causa contrçaão de um músculo isolado ou de um pequeno grupo de músculos. No entanto, a precisão de representação dos diferentes músculos é muito menos desenvolvida neles do que no córtex motor.
  • núcleo rubro (fica no mesencéfalo) recebe um grande número de fibras diretas do córtex motor primário através do trato corticorrubral, bem como colaterais do trato corticoespinhal, quando este atravessa o mesencéfalo. Estas fibras fazem sinapse na porção mais inferior do núcleo rubro, a parte magnocelular, que contém grandes neurônios com tamanho semelhante ao das células de Betz no córtex motor. Estes grandes neurônios então dão origem ao trato rubroespinhal, que atravessa para o lado oposto na parte inferior do tronco cerebral e segue um trajeto imediatamente adjacente e anterior ao trato corticoespinhal, entrando nas colunas laterais da medula espinhal.
  • a função do sistema corticorrubroespinhal é servir como rota acessória para transmissão de sinais relativamente discretos do córtex motor para a medula espinhal. Isto é, quando as fibras corticoespinhais são destruídas, mas a via corticorrubroespinhal fica intacta, ainda podem ocorrer alguns movimentos discretos, exceto os movimentos para controle fino dos dedos e mão, que ficam consideravelmente comprometidos.

Excitação das Áreas de Controle Motor da Medula Espinhal pelo Córtex Motor Primário e o Núcleo Rubro

  • se um sinal forte for enviado a um músculo para causar contração rápida inicial, então um sinal contínuo muito mais fraco pode manter a contração por períodos longos daí em diante. Esta é a maneira habitual pela qual a excitação causa contrações musculares. Para fazer isto, cada coluna de células excita duas populações de neurônios de células piramidais, uma chamada de neurônios dinâmicos, e a outra, de neurônios estáticos.
  • os neurônios dinâmicos são excessivamente excitados por um curto período no começo de uma contração, causando o desenvolvimento de força rápido inicial. Depois, os neurônios estáticos descarregam numa taxa muito mais lenta, mas continuam a disparar nesta faixa lenta para manter a força de contração enquanto for necessária a contração.

A Retroalimentação Somatossensorial para o Córtex Motor Ajuda a Controlar a Precisão da Contração Muscular

  • quando os sinais neurais do córtex motor causam uma contração muscular, sinais somatossensoriais retornam todo o caminho da região ativada do corpo para os neurônios no córtex motor que estejam iniciando a ação. A maioria destes sinais somatossensoriais se origina em: fusos musculares, órgãos tendinosos dos tendões musculares, receptores táteis da pele que recobre os músculos. Estes sinais somáticos costumam causar aumento da retroalimentação positiva da contração muscular pelos seguintes modos: no caso dos fusos musculares, se as fibras fusimotoras musculares nos fusos se contraírem mais que as grandes fibras músculo-esqueléticas, as partes centrais do fuso ficarão estiradas, e portanto, excitadas. Sinais destes fusos então retornam rapidamente às células piramidais no córtex motor para advertir que as grandes fibras musculares não se contraíram o suficiente. As células piramidais excitam ainda mais o músculo, ajudando sua contração a alcançar a contração dos fusos musculares. No caso dos receptores táteis, se a contração muscular causar compressão da pele contra um objeto, como a compressão dos dedos em torno de um objeto que é agarrado, os sinais dos receptores da pele poderão, se necessário, causar ainda mais excitação dos músculos, e, portanto, aumentar a rigidez do aperto de mão.

Papel do Tronco Cerebral no Controle da Função Motora

  • o tronco cerebral é diretamente responsável por muitas funções especiais de controle, como as seguintes:
  1. controle da respiração
  2. controle do sistema cardiovascular
  3. controle parcial da função gastrointestinal
  4. controle de muitos movimentos estereotipados do corpo
  5. controle do equilíbrio
  6. controle dos movimentos oculares

Sustentação do Corpo contra Gravidade – Papeis dos Núcleos Reticulares e Vestibulares

  • os núcleos reticulares se dividem em dois grupos principais: núcleos reticulares pontinos, localizados um pouco posterior e lateralmente à ponte e estendendo-se ao mesencéfalo e núcleos reticulares bulbares, que se estendem através do bulbo inteiro, situando-se ventral e medialmente perto da linha média. Estes dois grupos de núcleos funcionam principalmente de maneira antagonista entre si, com os pontinos excitando os músculos antigravitários, e os bulbares relaxando os mesmos músculos.
  • os núcleos reticulares pontinos transmitem sinais excitatórios descendentes para a medula espinhal através do trato reticuloespinhal pontino. As fibras desta via terminam nos neurônios motores anteriores mediais responsáveis pela excitação dos músculos axiais do corpo, os quais sustentam o corpo contra a gravidade, isto é, os músculos da coluna vertebral e os extensores das extremidades.
  • os núcleos reticulares bulbares transmitem sinais inibitórios aos mesmos neurônios motores anteriores antigravitários por meio de um trato diferente, o trato reticuloespinhal bulbar. Os núcleos reticulares bulbares recebem fortes colaterais de aferência: do trato corticoespinhal, do trato rubroespinhal e de outras vias motoras. Estas normalmente ativam o sistema inibitório reticular bulbar para contrabalançar os sinais excitatórios do sistema reticular pontino, de modo que, sob condições normais, os músculos corporais não estejam normalmente tensos.
  • os núcleos vestibulares transmitem fortes sinais excitatórios para os músculos antigravitários por meio dos tratos vestibuloespinhais lateral e medial nas colunas anteriores da medula espinhal. O papel específico dos núcleos vestibulares, contudo, é controlar seletivamente os sinais excitatórios para os diferentes músculos antigravitários para manter o equilíbrio em resposta a sinais do sistema vestibular.

Sensações Vestibulares e Manutenção do Equilíbrio

  • os canais semicirculares, o utrículo e o sáculo são todos parte integrante do mecanismo de equilíbrio.

Máculas

  • a mácula do utrículo se situa principalmente no plano horizontal na superfície inferior do utrículo e desempenha um importante papel em determinar a orientação da cabeça quando esta fica em posição ereta. Inversamente, a mácula do sáculo está localizada principalmente no plano vertical e sinaliza a orientação da cabeça quando o indivíduo está deitado.
  • cada mácula é coberta por uma camada gelatinosa, na qual ficam imersos muitos pequenos cristais de carbonato de cálcio chamados estatocônias.
  • as estatocônicas calcificadas têm uma gravidade específica duas a três vezes acima da gravidade específica do líquido e tecidos circunjacentes. O peso das estatocônicas curva os cílios na direção da tração gravitacional.

Sensibilidade Direcional das Células Ciliadas – Quinocílio

  • o quinocílio sempre está localizado de um lado e os estereocílios se tornam cada vez mais curtos em direção ao outro lado da célula.
  • quando os estereocílios e o quinocílio se curvam na direção do quinocílios, os filamentos puxam, em sequência, os estereocílios, afastando-os do corpo celular. Isto abre várias centanas de canais na membrana celular neuronal em torno das bases dos estereocílios, e estes canais são capazes de conduzir um grande número de íons positivos. Portanto, há um influxo considerável de íons positivos para o interior da célula a partir de um líquido endolinfático circunjacente, causando despolarização da membrana do receptor. Inversamente, a deformação do conjunto de estereocílios na direção oposta (de volta em direção ao quinocílio) reduz a tensão nas fixações; isto fecha os canais iônicos, causando assim hiperpolarização do receptor.
  • à medida que muda a orientação da cabeça no espaço e o peso das estatocônias distorce os cílios, são transmitidos sinais apropriados para o SNC controlar o equilíbrio.
  • ocorre um padrão diferente de excitação nas fibras nervosas maculares para cada orientação da cabeça no campo gravitacional. É este “padrão” que notifica o SNC sobre a orientação da cabeça no espaço.
  • quando um indivíduo começa a girar em qualquer direção, a inércia do líquido em um ou mais dos ductos semicirculares faz com que o líquido permaneça estacionário enquanto o ducto semicircular gira com a cabeça. Isto faz com que o líquido flua do ducto e atravesse a ampola, deformando a cúpula para um lado.
  • a partir das células ciliadas, são enviados sinais apropriados por meio do nervo vestibular para notificar o SNC sobre uma mudança de rotação da cabeça e da velocidade de mudança em cada um dos três planos do espaço

Função do Utrículo e do Sáculo na Manutenção do Equilíbrio Estático

  • é especialmente importante que as células ciliadas estejam todas orientadas em direções diferentes nas máculas dos utrículos e sáculos, para que, com diferentes posições da cabeça, diferentes células ciliadas fiquem estimuladas. Os padrões de estimulação das diferentes células ciliadas notificam o SNC sobre a posição da cabeça com respeito à tração da gravidade. Por sua vez, os sistemas nervoso vestibular, cerebelar e motor reticular excitam os músculos posturais apropriados para manter o equilíbrio.
  • quando o corpo subitamente é empurrado para frente, isto é, quando o corpo se acelera, as estatocônias, que têm inércia de massa maior do que o líquido circunjacente, caem para trás nos cílios das células ciliadas e é enviada informação de desequilíbrio para os centros nervosos, fazendo com que o indivíduo sinta como se estivesse caindo apara trás. Isto automaticamente faz com que o indivíduo se incline para frente até que o desvio anterior das estatocônias resultante iguale exatamente a tendência de as estatocônias caírem para trás devido à aceleração. Neste ponto, o sistema nervoso sente um estado de equilíbrio apropriado e não inclina mais o corpo para frente. Deste modo, as máculas operam para manter o equilíbrio durante a aceleração linear exatamente da mesma maneira que operam durante o equilíbrio estático.

Detecção da Rotação da Cabeça pelos Ductos Semicirculares 

  • quando a cabeça subitamente começa a girar em qualquer direção (aceleração angular), a endolinfa, nos ductos semicirculares, devido à sua inércia, tende a continuar estacionária enquanto os ductos semicirculares giram. Isto causa fluxo relativo do líquido nos ductos na direção oposta à rotação da cabeça.
  • mesmo quando a cúpula está em sua posição de repouso, a célula ciliada emite uma descarga tônica de cerca de 100 impulsos por segundo. Quando o animal começa a rodar, as células ciliadas se deformam para um lado, e a frequência de descargas aumenta grandemente; e com a rotação contínua, o excesso de descarga da célula ciliada gradualmente retorna de volta ao nível de repouso durante os segundos seguintes.
  • a razão para esta adaptação do receptor é que, durante os primeiros segundos de rotação, vencida a resistência inercial ao fluxo de líquido no ducto semicircular e após a deformação da cúpula, a endolinfa começa a rodar tão rapidamente quanto o próprio canal semicircular; depois em mais 5 a 20 segundos, a cúpula lentamente retorna à sua posição de repouso no meio da ampola devido à sua própria retração elástica. Quando a rotação subitamente para, têm lugar exatamente os efeitos opostos.
  • qual a função dos ductos semicirculares na manutenção do equilíbrio? Tudo o que eles detectam é que a cabeça do indivíduo está começando ou parando de girar numa direção ou noutra. Portanto, a função dos ductos semicirculares não é manter o equilíbrio estático ou manter o equilíbrio durante movimentos direcionais ou rotacionais constantes. Ainda assim, a perda de função dos ductos semicirculares realmente faz com que um indivíduo tenha pouco equilíbrio quando tenta realizar movimentos corporais com mudanças intrincadas rápidas.
  • o mecanismo do ducto circular prediz se o desequilíbrio vai ocorrer, e, assim, faz com que os centros do equilíbrio realizem ajustes preventivos antecipatórios apropriados.
  • cada vez que a cabeça é rodada subitamente, sinais dos ductos semicirculares fazem com que os olhos rodem numa direção igual e oposta à rotação da cabeça. Isto resulta de reflexos transmitidos pelos núcleos vestibulares e pelo fascículo longitudinal medial aos núcleos oculomotores.
  • receptores articulares do pescoço: quando a cabeça está inclinada numa direção por curvatura do pescoço, impulsos dos proprioceptores cervicais impedem os sinais originados no aparelho vestibular de dar à pessoa um senso de desequilíbrio. Eles fazem isto por transmissão de sinais que e opõem exatamente aos sinais transmitidos do sistema vestibular. No entanto, quando o corpo inteiro se inclina numa direção, os impulsos do aparelho vestibular não recebem oposição dos sinais dos proprioceptores do pescoço, portanto, neste caso, a pessoa realmente percebe uma mudança do estado de equilíbrio do corpo inteiro.
  • as sensações de pressão das plantas dos pés dizem à pessoa se o peso está distribuído igualmente entre os dois pés e se o peso nos pés é mais para frente ou mais para trás.
  • informações exteroceptivas são especialmente necessárias para a manutenção do equilíbrio quando uma pessoa está correndo. A pressão do ar contra a parede da frente do corpo sinaliza que a força está se opondo ao corpo numa direção diferente daquela causada pela tração gravitacional; como resultado, a pessoa se inclina para frente para se opor a isto.
  • até mesmo um movimento linear ou rotacional discreto do corpo muda instantaneamente as imagens visuais na retina, e estas informações são retransmitidas aos centros de equilíbrio.
  • a via primária para os reflexos do equilíbrio começa nos nervos vestibulares, onde os nervos são excitados pelo sistema vestibular. A via então passa para os núcleos vestibulares e cerebelo. A seguir, são enviados sinais para os núcleos reticulares do tronco cerebral, bem como para a medula espinhal por meio dos tratos vestibuloespinhais e reticuloespinhais. Os sinais para a medula controlam a inter-relação entre facilitação e inibição dos muitos músculos antigravitários, deste modo controlando automaticamente o equilíbrio.
Referências
Angelo B.M.MACHADO. Neuroanatomia Funcional - Ed. Atheneu - Rio de Janeiro, 1993
GUYTON & HALL; (2006). 673 a 684. Tratado Fisiologia Médica. 11a Edição. Elsevier.