Arquivo | fevereiro 2012

Primeira semana: da Clivagem à Implantação

Clivagem

O que é clivagem?

Clivagem é o nome que se dá às divisões celulares (mitoses, claro) que o zigoto vai sofrendo. Um monte de células vai surgindo rapidamente, essas células são chamadas de blastômeros. Cada divisão deixa essas células cada vez menor.

Clivagem: Primeira Semana

Clivagem: Primeira Semana

As principais características desse momento embrionário são:

  • a clivagem inicia – se 30 horas depois da fecundação;
  • enquanto a clivagem ocorre, o zigoto transita das tubas ao útero;
  • o zigoto está envolto pela zona pelúcida durante esse processo;

Compactação

Depois de se dividir algumas vezes, quando já houverem 9 blastômeros, eles começam a se reorganizar e formar uma “bola compacta” de células. Esse fenômeno é chamado de compactação.

Ele é importante porque, através dele, ocorre uma separação entre as células interna que formam a massa celular interna (chamada também de embrioblasto).

E a clivagem continuaaaaaaaa… até que chega a fase da amora.

Por que amora?

Porque você nessa época da vida parece uma amora. É por isso que te chamam de mórula. Nessa fase, há em torno de 12 a 32 blastômeros.

Olha só como é IGUALZINHO a uma amora #not

Mórula

Mórula: forma - se 3 dias após a fecundação e alcança o útero

Amora de verdade!

Amora de verdade!

Pensando bem, até que se parece bastante, né? Enfim…

Aquelas células internas que se organizaram e tal (embrioblasto) durante a compactação ficam cercadas por uma camada de células externas na mórula. Essa informação é importante para o próximo desenvolvimento embrionário.

Nidação

4 dias após a fecundação!

Só para o tempo da embriogênese ficar bem determinado, vamos retomar. Após 30 horas da fecundação, é quando inicia a CLIVAGEM. Dai divide, divide, forma a mórula. Isso tudo indo das tubas até o útero. Quando chega ao útero, o embrião já é uma mórula. Demora – se 3 dias para o zigoto virar essa mórula, então a média é de 3 dias para que o ovócito fecundado chegue ao útero.

Ok, passaram – se 3 dias, vamos ao quarto!

Assim que a mórula chega ao útero, uma cavidade chamada de cavidade blastocística surge nela.

Essa cavidade vai se enchendo de fluido do próprio útero. Esse fluido chega a essa cavidade passando pela zona pelúcida! Cada vez mais, vai enchendo de fluido. Enche, enche, enche, até que o blastômeros se dividem em duas partes:

  • Trofoblasto: camada externa de células, é essa camada que vai formar a parte embrionária da placenta!
  • Embrioblasto (massa celular interna): são um montes de células que ficam no centro. São essas células que vão dar origem ao neném! embrião.

Nessa fase de desenvolvimento, nosso neném deixa de ser uma amora 😦 mas ele evolui e se transforma em um blastocisto!! Essa evolução é chamada de blastogênese. Uma fotinho dele:

blastocisto 
Nosso neném com 5 dias de vida uterina. É possível ver a camada de células externas (trofoblasto) e a interna (embrioblasto). Lindooo 😀

O blastocisto fica, então, nadando/surfando suspenso nas secreções uterinas. Ele fica assim por uns 2 dias. Nesse tempo, o único acontecimento importante é que a zona pelúcida se degenera e vush some. A zona pelúcida tem que desaparecer para que o nosso blastocisto lindinho consiga aumentar cada vez mais rápido, é como se ela estivesse “prendendo” ele. Enquanto ele está nadando no útero, o nosso neném blastocisto se alimenta de secreções uterinas produzidas pelas glândulas uterinas.

6 dias após a fecundação!

Mais ou menos depois de 6 dias que ocorreu a fecundação, o blastocisto cola se adere ao tecido epitelial endometrial. A “parte” do “neném” que “cola” ao tecido epitelial endometrial é chamada polo embrionário, que é onde ficam as células internas. Que nem tá no desenho:

blastocisto aderindo ao epitélio endometrial

blastocisto aderindo ao epitélio endometrial

Assim que ele der uma encostadinha aderir ao tecido epitelial do endométrio, o trofoblasto começa a se dividir como um louco muito. Por causa disso, ele acaba se dividindo em duas camadas:

  • citotrofoblasto: camada interna
  • sinciotrofoblasto: massa externa, formada por uma massa protoplasmática multinucleada, na qual nenhum limite celular pode ser observado (Moore)

O trofoblasto começa então a se diferenciar. Do sinciotrofoblasto, surgem uns prolongamentos digitiformes que penetram o epitélio endometrial e invadem o tecido conjuntivo!!

Assim, o nosso neném tá superficialmente implantado ao endométrio. Nesse tempo, ele tem sua nutrição feita através dos tecidos maternos erodidos.

O sinciotrofoblasto é muitooooooooo invasivo, ele começa a penetrar cada vez mais e se expande rapidamente! Essa área de expansão leva o nome de polo embrionário (que é adjacente ao embrioblasto).

Umas enzimas produzidas pelo sinciotrofoblasto começam a digerir/erodir os tecidos maternos é um verdadeiro parasita. E assim é possível que o blastocisto consiga se implantar no endométrio.

7 dias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

No final da primeira semana, uma camada de células chamada de hipoblasto (endoderma primitivo – ver imagem a cima), surge na superfície do embrioblasto voltada para a cavidade blastocística. Dados embriológicos comparativos sugerem que o hipoblasto surge por delaminação do embrioblasto. (Moore)

E assim termina a primeira semana de desenvolvimento do futuro neném!

Ovulação à Nidação

Ovulação à Nidação

Embriologia, você me encanta. ♥

Observações sobre a Primeira Semana

  • A maior perda de embriões (aborto espontâneo) ocorre antes da implantação (50% dos casos).
  • Alguns autores defendem que as células embrionárias são formadas por uma mistura das células do trofoblasto com as do embrioblasto, e não como é apresentado pelo Moore de que as células embrionárias são só do embrioblasto.
  • As gravidezes gemelares iniciam até o blastocisto. Se até então não tiver dividido em dois embriões, vai continuar como um só mesmo.
  • Durante a nidação, qualquer tipo de descamação do endométrio (qualquer oscilação hormonal!) é fatal pro embrião 😦

 

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 36 a 41. Embriologia Clínica. 8ed.

Educação: da Legalização ao Fim do Aborto

A legalização ou não do aborto traz consigo uma infinidade de problemáticas sociais, culturais e religiosas. Provavelmente, nunca haverá um consenso entre se é moralmente correta, ou não, a sua efetuação. Independente disso, a sua execução deve ser legalmente permitida, cabendo aos valores morais do indivíduo julgar a sua prática.

Quando um casal engravida de forma indesejada, o aborto aparece como uma solução possível (PERES, Simone; HEILBORN, Luiza; 2006). No entanto, como ele é ilegal, faz – se necessário executa – lo de forma clandestina.  Sabe – se que se realizado por um casal com condição financeira precária, ele causará mais riscos à saúde da mulher do que se feito por um casal com uma viabilidade financeira melhor, porque estes últimos têm acesso a uma maior variedade de recursos da área da saúde do que o primeiro. (Barroso & Cunha, 1980). De qualquer forma, o risco é eminente, independente do estrato social, e isso configura – se como um problema de saúde pública, à medida que os agraves causados pelo aborto clandestino é o que mais ocupa leitos nos serviços públicos e privados na área da saúde da mulher (ARANDA, Fernanda; 2010). Além disso, o aborto ilegal é a quarta maior causa de mortalidade materna (SOUZA; Vera et ali; 2001), e uma das principais causas de morte no país. (PERES, Simone; HEILBORN, Luiza; 2006). Assim, a legalização de sua prática é necessária, pois reduziria a quantidade de leitos gastos nos hospitais devido a essa problemática, e também diminuiria essas taxas de mortalidade.

Há a possibilidade também da mulher não optar pela prática do aborto e decidir prosseguir com a gestação, embora indesejada. No entanto, são freqüentes os casos divulgados na mídia em que mães abandonam os seus filhos na rua, no lixo, em rios, etc, sendo que muitos deles são ainda recém – nascidos. Sem contar os casos de infanticídio, os quais são freqüentes, principalmente, na comunidade indígena. Especificamente entre os índios, o assassino não é incriminado, pois raramente são indiciados. É comum que crianças índias, nascidas com algum defeito físico ou mental, gêmeas, portadoras de alguma anormalidade, etc, sejam enterradas vivas, sufocadas, envenenadas ou abandonas em florestas, devido à tradição indígena. (Projeto Hakani) Isso contraria os direitos que toda a criança possui, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, as quais todas têm o direito de serem criadas de forma humana e terem um desenvolvimento repleto de amor e compreensão. O aborto contribuiria para que essas situações fossem evitadas, por isso sua legalização é imprescindível.

No campo econômico, a legalização do aborto também é lucrativa. No ano de 2006, os custos para o SUS relativos às complicações pós aborto realizados de forma clandestina foram em torno de 33,7 milhões de reais (Agência Brasil; 2006). Se fossem feitos de forma correta, por profissionais habilitados, condições higiênico – sanitárias mínimas e tecnologia adequada, essas consequências seriam evitadas e esse custo diminuído, ou até mesmo erradicado.

Outra realidade alarmante da saúde brasileira é a gravidez na adolescência. As campanhas de conscientização dos métodos contraceptivos, embora existam, ainda não são totalmente efetivas, e a gravidez na adolescência cresce cada vez mais. (PERES, Simone; HEILBORN, Luiza; 2006) Sabe – se que a gravidez durante essa fase é considerada sempre de alto risco, pois provocam alterações biológicas, sociais, culturais e psicológicas para a jovem que podem vir a se tornar complicações posteriores (SOUZA, Vera et al; 2001). Muitas dessas meninas não possuem estrutura mental e financeira para cuidar da saúde dela própria, muito menos da do filho. (PERES, Simone; HEILBORN, Luiza; 2006) Além disso, é grande a quantidade de meninas que abandonam a escola depois que engravidam, comprometendo a possibilidade que elas possuem de se ascenderem socialmente. (SOUZA, Vera et al; 2001) Assim, a legalização do aborto daria a chance para que elas não corram sofram discriminações ou até mesmo corram risco de morte devido à uma gravidez indesejada, e principalmente, reduziria o número de adolescentes que abandonam a escola.

Não bastasse isso, o aborto deve ser legalizado, pois a decisão de realiza – lo ou não é um direito exclusivo da gestante. Isso porque, é garantido a qualquer ser humano o direito sob o seu próprio corpo, e como pessoa e cidadã, a mulher tem o direito de decidir se deseja ou não interromper a própria gravidez, de acordo com os seus princípios éticos e religiosos. (SOARES, Gilberta; 2003) Além disso, é dever do governo garantir à população a possibilidade de executar o que é seu direito intrínseco. O governo é eleito pelo povo para executar a sua vontade, e cabe à população decidir o que é certo ou não. (THOREAU, Henry; 1848) Então, se os valores morais e religiosos da gestante não são contra a prática do aborto, ela tem o direito de executa – lo.
Não obstante, as condições socioeconômicas e cultural brasileiras não permitem que o aborto seja imediatamente legalizado. Isso porque o custo do aborto é extremamente alto, e muitas mulheres, devido à baixa escolaridade, provavelmente optariam a pratica – lo como forma de controle de natalidade. Quando a população tem acesso à boas condições socioeconômicas, cuidado à saúde e educação, ela tende a ter um número reduzido de gravidez indesejada. Isso porque, ela tem consciência da necessidade do uso de contraceptivos. (SANTELLI, John; SCHALET, Amy; 2009). Assim, para que ele possa ser implantado como um último recurso de planejamento familiar, é necessário que haja manutenção da educação brasileira e a conscientização da importância do uso de contraceptivos.

Nos países em que o aborto é legalizado, como a Holanda, e foi investido em programas de conscientização da população em relação à sua problemática e a necessidade do uso do contraceptivo, o número de abortos executados é significativamente menor do que em países em que o aborto é proibido, como o Brasil, ou em que o aborto é legalizado, mas não há programas de conscientização, como Cuba. (PIMENTEL, Silvia; PANDJIARJIAN, Valéria; s/d).

A Holanda é um país a ser seguido como exemplo em relação à temática do aborto. Ela é o país em que a taxa de natalidade, devido ao uso de contraceptivos, mais caiu entre toda a Europa nos últimos anos. Apesar disso, a quantidade de meninas adolescentes que iniciaram a vida sexual aumentou. Sem contar que, apresentam a menor taxa de aborto entre todos os países desenvolvidos e a menor taxa de fertilidade entre adolescentes.  Isso só foi possível devido, primeiramente, aos programas de conscientização, e por causa da própria cultura holandesa. (SANTELLI, John; SCHALET, Amy; 2009)
Diferentemente do Brasil, na Holanda não há um estigma tão forte em relação ao sexo durante a adolescência. Os pais “normalizam” a atividade sexual, a qual é vista como uma fase normal do desenvolvimento do adolescente. Por causa disso, as meninas sentem – se confortáveis em falar do assunto com os pais e procuram por conta própria a ajuda de profissionais para que possam ter uma vida sexual ativa sem riscos e com segurança para evitar uma gravidez indesejada. (SANTELLI, John; SCHALET, Amy; 2009) Essa não é uma realidade, atualmente, para o povo brasileiro, já que o sexo ainda é visto de uma forma estigmatizada, principalmente entre os jovens adultos.

Outro ponto que deve ser mudado no Brasil para que o aborto possa vir a ser uma realidade, é a própria formação e atuação do profissional de saúde. Muitos julgam a ex – gestante pela prática que cometeu. Não é função do profissional julgar a atitude do paciente, como relata um médico: “é decisão apenas da mulher, é um problema dela, não do profissional (…) Eu acho que a gente deve olhar para a mulher que fez um aborto, sempre vendo as causas…Eu não conheço nenhuma mulher que depois que faz o aborto diga: ‘ah, eu abortei!’ com felicidade. Então, não podemos pensar que ela fez porque gosta de fazer crime, de fazer aborto…porque quando se incrimina a mulher é porque se acha que ela gostou de fazer” (médico). ” (SOARES, Gilberta; 2003).

Dessa maneira, é possível perceber que a execução do aborto divide opinião. No entanto, não é isso que pode impedir que ele não seja legalizado, já que a sua descriminalização, além de resultar em benefícios econômicos e sociais para o país, é um direito da mulher como cidadã. Todavia, para que isso possa acontecer no Brasil, é necessário que previamente a população passe por um processo educativo, para que ele não seja usado como única forma de controle de natalidade.

Referências

Agência Brasil. Tratamento pós aborto custa R$ 33,4 mi ao SUS. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI1654128-EI306,00 tratamento+pos+aborto+custa+R+mi+ao+SUS.html Acesso em: 14/10/2011

ARANDA, F. Aborto supera câncer de mama em internações pelo SUS. Disponível em: http://delas.ig.com.br/saudedamulher/aborto+supera+cancer+de+mama+em+internacoes+pelo+sus/n1237794630553.html Acesso em: 14/10/2011

HEILBORN, L; PERES, S. Cogitação e prática do aborto entre jovens em contexto de interdição legal: o avesso da gravidez na adolescência. Rio de Janeiro. 2006. v 22. n 7. p 1411 – 1420.

PIMENTEL, Silvia; PANDJIARJIAN, Valéria. s/d. Aborto: Descriminar para não Discriminar. Disponível em: http://www.agende.org.br/dados_pesquisas/saude/saude.php. Acesso em: 14/10/2011

Projeto Hakani. Quebrando o Silêncio. Disponível em: http://www.hakani.org/pt/quebrando_silencio.asp Acesso em: 14/10/2011

SANTELLI, John; SCHALET, Amy. A New Vision for Adolescent Sexual and Reproductive Health. 2009. Disponível em: http://people.umass.edu/schalet/NewVision_Nov09.pdf Acesso em: 14/10/2011

SOARES, G. Profissionais de saúde frente ao aborto legal no Brasil: desafios, conflitos e significados. Rio de Janeiro. 2003. v 19. n(Sup. 2). p S399-S406

SOUZA; V. et ali. O Aborto entre as Adolescentes. Rev Latino-am Enfermagem. 2001. v 9. n 2. p 42 – 47. THOREAU, H. D. Desobediência Cívil. Disponível em: http://www.culturabrasil.org/desobedienciacivil.htm Acesso em: 14/10/2011

Desenvolvimento Folicular e Fecundação

Folículos Ovarianos

A formação do ovócito durante a ovogênese já foi detalhada e explicada aqui. No entanto, o ovócito não é resultante de uma simples gametogênese. Há um grupo de camadas que o envolve, e é importante detalha – las para quando o tema da fecundação for abordado.

Desenvolvimento Folicular

O FSH estimula o crescimento de vários folículos primordiais, e de 5 a 12 deles viram folículos primários. Desses folículos primários, apenas um é capaz de se desenvolver até virar um folículo maduro (folículo de Graaf), e finalmente se romper na superfície do ovário, liberando o ovócito.

De acordo com Moore, o desenvolvimento folicular ovariano é caracterizado por:

  • crescimento e diferenciação do ovócito primário;
  • proliferação das células foliculares;
  • formação da zona pelúcida;
  • desenvolvimento das tecas foliculares;

No início do ciclo, o folículo primário vai aumentando de tamanho (ação do FSH). Enquanto isso, o tecido conjuntivo adjacente ao folículo primário forma uma estrutura que chamam de teca folicular.

Teca Folicular

Tecas Foliculares

Essa teca é dividida em duas: a interna e a externa. A teca interna é vascularizada e glandular, já a externa é uma camada conjuntiva que se assemelha a uma cápsula. A teca interna é quem faz os vasos sanguíneos que irão nutrir os folículos durante o seu desenvolvimento. As células tecais como um todo têm o papel de produzir uma substância chamada de fator de angiogênese, a qual incita a formação dos vasos sanguíneos da teca interna.

Enquanto isso, as células foliculares vão se reproduzindo, e reproduzindo, reproduzindo, reproduzindo… até formarem uma camada de células em torno do ovócito. O ovócito fica em uma posição excêntrica (fora do centro, caso seu português seja ruim) e o folículo ovariano (folículo mais ovócito) adquirem um formato oval.

Logo em seguida, o espaço em volta das células foliculares é preenchido por um fluido, e juntos formam uma cavidade chamada de antro. No antro, fica o fluido folicular. O folículo primário (ovariano), depois de desenvolver esse antro, é chamado de folículo secundário.

Então, o ovócito (lembre – se que ele está rodeado pelo folículo!) é “jogado” para um dos lados do folículo e fica envolvido ainda por células foliculares. Mas, essas células foliculares recebem o nome de cumulus ooforus, e se projetam para dentro do antro. E o folículo, enquanto isso, continua a crescer.

Até que chega o décimo quarto dia do ciclo (supondo um ciclo ideal de 28 dias). Na metade do ciclo, o folículo cresce muito repentinamente! E nesse crescimento, surge uma “pontinha”, uma saliência na superfície do ovário. Dessa saliência aparece um ponto avascular chamado de estigma. (O folículo já é chamado nessa época de folículo maduro – folículo de Graaf)

Esse estigma se rompe, e assim o ovócito secundário é jogado para as trompas uterinas. É expelido junto com ele, aquele fluido folicular que fica dentro do antro. (No Moore tá detalhado assim: O estigma logo se rompe expelindo o ovócito secundário com o fluido folicular. A expulsão do ovócito é o resultado da pressão intrafolicular e, provavelmente, da contração do músculo liso na teca externa devida à estimulação por prostaglandinas. A digestão enzimática da parede folicular parece ser um dos principais mecanismos que levam à ovulação.)

O ovócito não é expelido “cru”, mas ele é lançado nas trompas uterinas envolvido pela zona pelúcida (camada de material glicoprotéico celular e amorfo, fica interna ao folículo primário) e por algumas camadas de células foliculares, que formam a corona radiata! A corona radiata, junto com o cumulus ooforus, formam o chamado complexo cumulus – ovócito.

Corona Radiata

Corona Radiata e Zona Pelúcida

Aí o ovócito II (é secundário, porque o pico de LH induz, responsável pela ovulação, termina o processo da meiose. O ovócito II é expelido para as trompas parado na metáfase II.

Ok, o ovócito II foi expelido para as trompas envolvido pela zona pelúcida, pelo cumulus oofurus e por algumas camadas de células foliculares (que formam a corona radiata). Mas, e o que ficou no ovário? A teca, as outras paredes do folículo ovariano…? Que acontecem com elas?

Elas continuam no ovário! Mas, como esperado na beleza do corpo humano, elas adquirem um novo papel. O LH vai fazer com que a teca e as paredes do folículo ovariano se tornem enrugadas e se transformem em uma estrutura enrugada chamada de corpo lúteo (ou corpo amarelo). Esse corpo lúteo começa a produzir progesterona! E a progesterona é que tem o principal papel no espessamento do endométrio, como já foi visto. Se houver fecundação, esse corpo lúteo vai continuar produzindo progesterona por incentivo de um hormônio produzido pelo embrião, chamado de hCG. Sem fecundação, num tem embrião, então não tem hCG. Sem o hCG, o corpo lúteo degenera. A parada de produção de progesterona leva a queda desse hormônio no sangue e consequentemente a menstruação.

OBSERVAÇÕES

  • enquanto os folículos estão em crescimento no ovário, eles produzem estrogênio;
  • a teca interna produz, além do fluido folicular, também estrogênio.
  • as células da teca interna também secretam androgênios, as células foliculares pegam esses androgênios e os convertem em estrogênio!
  • mais estrogênio é formado por células estromais secretoras, pela glândula intersticial do ovário;

Isso explica no gráfico dos hormônios femininos a produção de estrogênio mesmo quando a alta concentração de estrogênio inibe por feedback negativo a produção de LH e FSH (que estimulam a produção de estrogênio pelos ovários). Isto é, mesmo que a produção ovariana de estrogênio esteja bloqueada por feedback negativo, o estrogênio ainda é produzido pelos mecanismos citados a cima.

Fecundação

Transporte dos Gametas

  • Ovócito: durante o período de ovulação, as extremidades das trompas (extremidades fimbriadas da tuba uterina) se aproximam mais do ovário. A trompa tem umas estruturas chamadas de fímbrias.  Elas movem – se pra frente e pra trás no ovário, como se tivesse varrendo. É isso, mais o batimento de um fluido pelas células ciliadas, que fazem o ovócito alcançarem o infundíbulo afunilado da tuba (nome que eu nunca vou conseguir decorar), apenas entenda que é isso que faz o ovócito chegar à trompa. Depois que o ovócito chegou às trompas, ele será encaminhado para o útero por meio de movimentos peristálticos da própria trompa.
  • Espermatozoide: os espermatozoides ficam armazenados no epidídimo. Durante a ejaculação,  eles saem de lá por movimentos peristálticos do músculo do ducto deferente e chegam à uretra. Durante esse caminho, as glândulas sexuais acessórias (seminais, próstata e bulbouretrais) secretam as substâncias necessárias para um “ejaculado fértil”. No orifício externo do útero e no fórnice da vagina, são depositados de 200 a 600 milhões de espermatozoides! Batendo os seus flagelos, eles passam pelo canal cervical. Para ajuda – los, tem uma enzima chamada de vesiculase (feita nas glândulas seminais) que forma um tipo de tampão vaginal que impede que os espermatozoides voltem para à vagina. Se a mulher estiver ovulado, o muco cervical estará em maior quantidade e o trajeto fica menos viscoco, o que facilita o transporte dos espermatozoides. A continuação do transporte dos espermatozoides até à tuba uterina, é brilhantemente descrita por Moore: As prostaglandinas presentes no semên estimulam a moilidade uterina no momento do intercurso e ajudam no movimento dos espermatozoides para o sítio de fecundação na ampola da tuba. A frutose presente no sêmen, secretatada pelas glândulas seminais, é a fonte de energia para os espermatozoides. (…) A velocidade dos espermatozoides variam de acordo com o pH do ambiente. Durante o armazenamento no epidídimo, eles são imóveis, mas tornam – se móveis no ejaculado Eles se movem lentamente no ambiente ácido da vagina, mas muito rapidamente no ambiente alcalino do útero. Não se sabe quanto tempo os espermatozoides levam para alcançar o local da fecundação, mas o tempo de transporte provavelmente é curto. 

Antes da fecundação, o espermatozoide deve passar pelo processo de maturação, já descrito aqui.

Início do Processo de Fecundação

O processo de fecundação é duplo, isto é, ele é tanto embriológico (ativação do ovócito) quanto genético (introdução de material genético paterno, e fusão dos núcleos – singamia).

A fecundação pode acontecer até 6 dias após o intercurso sexual, já que os espermatozoides conseguem sobreviver esse tempo no máximo dentro do trato feminino.

A fecundação, em condições normais, ocorre na ampola da tuba uterina. Ela até pode acontecer em outras partes da tuba, mas nunca acontece no útero. Os espermatozoides chegam ao ovócito por estímulos químicos (quimiotaxia) produzidos pelo próprio ovócito. A fecundação propriamente dita inicia – se com o contato do espermatozoide com o ovócito até a mistura do conjunto haploide de cromossomos maternos com paternos. Ela demora em torno de 24h.

O espermatozoide e o óvulo se reconhecem e se unem por causa de carboidratos e proteínas específicas que ficam nas membranas desses gametas.

Fases da Fecundação

1. Passagem do Espermatozoide Através da Corona Radiata

Três coisas são importantes durante a passagem do espermatozoide através da corona radiata: enzima hialuronidase (liberada no acrossoma do espermatozoide), enzima da mucosa tubária e os movimentos do flagelo. As enzimas auxiliam na dispersão das células foliculares, e juntas com o batimento do flagelo, auxiliam o espermatozoide passar pela corona radiata.

2. Penetração da Zona Pelúcida

Após passar pela corona radiata, os espermatozoides devem atravessar a zona pelúcida. Para isso, ele conta com o auxílio de diversas enzimas que lisam a zona pelúcida “abrindo caminho” para o espermatozoide entrar. Dentre essas enzimas, destaca – se uma chamada de acrosina (proteolítica), que é a mais importante. Assim que o espermatozoide passa pela zona pelúcida, ocorre a chamada reação zonal. Essa reação é a responsável pelo impedimento de outros espermatozoides conseguirem alcançar o ovócito, pois por causa dela (através da liberação de enzimas lisossômicas liberadas pelos grânulos corticais situados logo abaixo da membrana plasmática do ovócito) a zona pelúcida muda suas propriedades, e isso impede que outro espermatozoide consiga fecundar o ovócito! Além disso, a própria membrana plasmática do ovócito torna – se impermeável a outros espermatozoides depois da ação dessas enzimas.

3. Fusão das Membranas Plasmáticas do Ovócito e do Espermatozoide

As membranas dos dois gametas se fundem. Dentro do ovócito entram apenas a cabeça e a cauda do espermatozoide, só que a membrana plasmática do espermatozoide fica pra trás.

4. Término da segunda divisão meiótica e formação do pronúcleo feminino e masculino

A fecundação é o estímulo que o ovócito necessita para completar a meiose II (com a formação do segundo corpúsculo polar!). Depois disso, os cromossomas do ovócito se descondensam e formam o pronúcleo feminino.

Já com o espermatozoide, lembre – se que o material genético dele está absurdamente empacotado, os seus cromossomas se descondensam e o seu núcleo aumenta para formar o pronúcleo masculino. A cauda dele? Ela é degenerada.

Os dois pronúcleos dentro do ovócito são indistinguíveis! O ovócito contendo esses dois pronúcleos haploides é chamado de oótide.

5. Logo que os pronúcleos se fundem em uma agregação de cromossomos única e diploide, a oótide torna – se um zigoto

Os cromossomas no zigoto arranjam – se em um fuso de clivagem e inicia – se a divisão do zigoto.

Bloqueio Vitelínico

Além da reação de zona, outro mecanismo que existe para evitar a poliespermia (tentativa de mais de um espermatozoide tentando fecundar o ovócito) é o bloqueio vitelínico.

Depois que o espermatozoide alcança o ovócito, ocorre uma despolarização MUITO rápida na membrana plasmática do gameta feminino. Vai de uma carga negativa, para uma positiva. Isso impede que outros espermatozoides continuem a tentar fecundar o ovócito.

Para evitar a poliespermia, além desse bloqueio rápido de despolimerização, também tem o mais lento. Os íons de cálcio induzem a liberação de grânulos corticais que impedem os espermatozoides de tentarem penetrar o ovócito.

 

 

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 24 a 35. Embriologia Clínica. 8ed.


Ovogênese e Controle Hormonal Feminino

Ovogênese

A ovogênese é o processo da gametogênese feminina, no qual, através de uma sequência de eventos, as ovogônias são transformadas em ovócitos maduros. Esse processo se inicia no nascimento da menina, mas é completado só quando ela chega à puberdade e continua até a menopausa.

Visão Geral da Ovogênese

1. Vida Intrauterina

Durante a vida fetal, as ovogônias proliferam – se por meio de mitoses. Antes do nascimento da neném (por volta da sétima semana de vida intrauterina), as ovogônias crescem para formar os ovócitos primários (ainda são todos 2n, ninguém sofreu meiose). Assim que esses ovócitos I são formados, algumas células do tecido conjuntivo os circundam, formando o folículo primordial.

A primeira divisão meiótica desses ovócitos acontece antes do nascimento, só que ela (a prófase) só vai se completar na puberdade.  Isso só é possível porque, provavelmente, as células foliculares secretam uma substância chamada de inibidor da maturação do ovócito, que estaciona o processo meiótico.

Após o nascimento da neném, não se forma mais nenhum ovócito primário (diferente do homem, em que isso é contínuo). Até o nascimento, a mulher gera um número abruto de células germinativas. Mas, antes dela nascer, já morreu um monte dessas células (num tem uma explicação certa pra isso). E esse número vai diminuindo até chegar à menopausa. No ovário dela há em torno de 2 milhões de ovócitos primários, só que muitos regridem durante a infância e a adolescência. Apenas em torno de 40000 deles permanecem. E, desses 40000, apenas 400 são expelidos como ovócitos secundários na menstruação durante toda a vida dessa mulher.

2. Do Nascimento à Menopausa

No ovário de uma menina recém – nascida, os ovócitos primários ficam parados na primeira divisão meiótica nos folículos ovarianos. Só quando ocorrer maturação do folículo é que a primeira divisão meiótica acontece e surge o primeiro corpo polar (divisão citoplasmática desigual). Forma – se o ovócito secundário, que inicia a segunda divisão meiótica, mas só vai até a metáfase II e novamente a divisão é interrompida. Ela só é completa quando ocorre a fecundação (e formação do segundo corpo polar).

O ovócito começa a proliferar por estímulo hormonal da progesterona. Na puberdade, os oócitos secundários são recrutados para estarem gerando estruturas que chamamos de folículos.  O ovócito cresce e as células foliculares epiteliais viram cubóides até chegarem ao estágio colunar, quando o folículo recebe o nome de folículo primário. Depois disso, o ovócito é recoberto por uma camada de material glicoprotéico celular e amorfo chamada de zona pelúcida. Ela fica interna ao folículo primário. Todas as células que ficam em volta do ovócito são fundamentais pro processo de fecundação propriamente dito. (A fecundação será vista em outro post).

É importante lembrar que os erros de não – disjunção cromossômica na gametogênese (primeira divisão meiótica) é mais frequente em mulheres mais velhas. Os ovócitos permanecem no corpo da mulher desde o seu nascimento, são até 45 anos estacionados no ovário! Eles ficam muito sujeitos à diversas alterações, então é “comum” que ocorra essa falha na meiose. Diferente no homem, em que a renovação dos gametas é constante, e pro resto da vida. Em um homem, há 40 dias de diferença de uma espermatogônia pra um espermatozóide, na mulher dá pra ter até 40 anos!

Fases da Ovogênese

Podemos dividir a ovogênese em três fases, que compreendem os fenômenos descritos a cima: Fase de Multiplicação (ou de Proliferação), Fase de Crescimento e Fase de Maturação.

A Fase de Multiplicação, no feto humano feminino, termina até o terceiro mês de gestação. Ela corresponde ao período em que as células germinativas sofrem consecutivas mitoses para aumentar de quantidade e formar as ovogônias.

Fase de Crescimento: é a fase em que as ovogônias iniciam a meiose e estacionam na prófase I, ainda na vida uterina. As ovogônias começam a ganhar tamanho (adquirir vitelo) e acumulam uma grande quantidade de material nutritivo. Isso ocorre do terceiro mês de gestação até o início da puberdade. Quando as ovogônias param de crescer, elas iniciam a meiose, e dão origem aos ovócitos I. A puberdade se inicia quando esses ovócitos I reiniciam a meiose até a metáfase II (geralmente, entre 11 a 15 anos de idade).

Fase de Maturação: ela se inicia assim que a menina entra na puberdade. Os ovócitos I saem da prófase da meiose I e vão até a metáfase da meiose II. Essa divisão só será completa quando houver a fecundação, daí esse ovócito termina a meiose II!

A meiose gamética feminina é desigual. Ao invés de se formarem 4 gametas, como na espermatogênese, apenas um ovócito II é formado a cada ciclo menstrual. Essa desigualdade é importante para que, como foi dito, o gameta feminino possa acumular bastante vitelo para a nutrição do embrião. As outras três células que seriam originadas durante a gametogênese são chamadas de corpúsculo polar. O primeiro surge na primeira meiose. Ele continua o processo normalmente de meiose, formando mais dois corpúsculos polares. No entanto, essas células são degeneradas, não possuindo nenhuma função conhecida durante o ciclo ovariano feminino. (Ver primeira figura do post).

Comparação dos Gametas: Espermatozoide x Ovócito  II

Ovócito Espermatozoide
Grande e imóvel Muito pequeno e altamente móvel
Presença da zona pelúcida e camada de células foliculares (corona radiata) Dois tipos de espermatozoides normais: 23, X e 23, Y (essa diferença forma a base da determinação sexual primária)
Muito citoplasma e grânulos de vitelo (nutrição para o zigoto)

Estrutura do Ovário e do Útero

O útero é o órgão com a maior plasticidade no corpo da mulher. Nele, há uma grande vascularização, porque se ocorrer implantação do embrião, ele deve ser nutrido e suas excretas recolhidas. Há também bastantes glândulas porque muitas substâncias e hormônios são secretados para que na luz do útero haja o pH adequado.

A cada mês, um dos ovários é ativado e inicia – se o ciclo ovariano (ver mais adiante).

Controle Hormonal Feminino

Para entender o controle hormonal feminino, é necessário entender que não é possível separar o ciclo ovariano do ciclo uterino. Eles são interligados, os fenômenos que ocorrem em um afetam o outro e vice – versa.

Ciclo Hormonal Feminino

Ciclo Hormonal Feminino

Hormônios

GnRH: O GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina) é produzido no hipotálamo, por células neurossecretoras, e atua na hipófise (no lobo anterior) estimulando -a a liberar dois hormônios: FSH e LH.

FSH: O FSH (hormônio folículo estimulante), produzido pela hipófise, atua nos folículos ovarianos, incentivando (estimulando)  é dai que vem o nome dele hormônio folículo estimulante!! sério!!! o seu desenvolvimento. Outra função dele, é fazer com que esses folículos produzam estrogênio pelas células foliculares. O FSH é quem faz os folículos primordiais crescerem! Só que, apenas um folículo sobreviverá sad story e vai se transformar em um folículo maduro. Posteriormente, esse folículo maduro vai se romper na superfície do ovário, liberando o ovócito para ser fecundado.

LH: O LH (hormônio luteinizante), produzido pela hipófise, é conhecido por ser o hormônio da ovulação. Ele também é importante por induzir as células foliculares e o corpo lúteo a produzirem progesterona. Além disso, o pico de LH induz o término da primeira divisão meiótica do ovócito primário.

O estrogênio e a progesterona são hormônios que atuam de diversas formas no organismo feminino. Mas, o foco aqui são o ciclo ovariano e uterino, então não trataremos das outras atuações desses dois hormônios. Vale lembrar que o estrogênio também existe no organismo masculino (produzido pelas supra – renais), mas o objetivo dele aqui é a sua síntese pelo sistema reprodutor feminino.

Estrogênio: é produzido no estroma dos ovários. É devido a um alto nível de estrogênio na corrente sanguínea que ocorre o pico de LH. Ele é o responsável pelo primeiro desenvolvimento do endométrio (fase proliferativa).

Progesterona: é produzido pelo corpo lúteo. A sua atuação é principalmente na fase proliferativa do endométrio, aumentando – o de espessura. 

Ciclo Ovariano e Uterino

Partindo – se de um ciclo ideal de 28 dias:

Nos primeiros dias do ciclo, a hipófise libera FSH e LH, que irão realizar o desenvolvimento dos folículos, a ovulação e a formação do corpo lúteo.

O início do desenvolvimento dos folículos é regido pelo FSH (lembrando que ele incita o desenvolvimento de 5 a 12 folículos, mas só um que não degenera). Mas, os estágios finais de maturação precisam também do LH, não basta só o FSH!

O LH e o FSH continuam a serem liberados até que ocorra a ovulação (no décimo quarto dia).

Enquanto os níveis de FSH e LH vão subindo, o de estrogênio também vai. Ele vai sendo produzido pelos folículos em crescimento.

No útero, esse estrogênio produzido tem a função de iniciar a fase proliferativa do endométrio:

  • dura em torno de 9 dias;
  • é controlada pelo estrogênio secretado pelos folículos, então vai até o décimo quarto dia quando ocorre a ovulação;
  • é nessa fase que ocorre um aumento de até três vezes a espessura do endométrio;
  • aumenta – se também a quantidade de água nesse tecido. As glândulas se proliferam (tanto em número quanto em comprimento) e as artérias espiradas se alongam.
  • embrião tem que implantar até o dia em que o endométrio está na fase proliferativa máxima, senão num adianta, ele não vinga.

A alta quantidade de estrogênio na corrente sanguínea, um pouco antes da ovulação, faz com que, por feedback negativo, o hipotálamo pare de incitar a hipófise com o GnRh e a hipófise para de produzir LH e FSH, por isso o nível desses hormônios caem após a ovulação.

Depois da ovulação, é formado o corpo lúteo. Ele será o principal responsável pela produção de progesterona até o final do ciclo. No útero, inicia – se a fase lútea:

  •  duração de aproxidamente 13 dias;
  • no ovário está ocorrendo a formação, o crescimento e o funcionamento do corpo lúteo.
  • a progesterona estimula o epitélio glandular no endométrio a produzir um material rico em glicogênio;
  • o endométrio aumenta muiiito de espessura, por causa da atuação da progesterona (corpo lúteo) e do estrógeno e também porque aumenta o fluido do tecido conjuntivo;
  • as artérias espiraladas crescem dentro da camada compacta superficial e se tornam intensamente enroscadas. A rede venosa torna – se complexa e grandes lacunas se desenvolvem. (Moore)

A partir dessa fase secretora, há duas possibilidades: a mulher pode engravidar ou não.

Se ela engravidar… dai todo mundo fica feliz, quem que não gosta de neném, né?

  • o ciclo menstrual para! ela não menstrua, porque os níveis de progesterona e estrógenos continuam altos. O corpo lúteo não é degenerado, ele continua a produzir progesterona até que a placenta se desenvolva e tome esse papel. O corpo lúteo para não degenerar e continuar a produzir esses outros hormônios, ele é incitado pelo hormônio chamado hCG (que é o hormônio detectado em exames de gravidez) que é produzido pelo sincitrofoblasto.
  • após o parto, se a mulher não estiver amamentando o neném, o ciclo menstrual volta em torno de 6 a 10 semanas. Ele só não vai voltar enquanto ela estiver amamentando o neném.
Se e ela não engravidar… aí ela menstrua! A menstruação é como se fosse o seu corpo chorando porque você não engravidou. Olha todo o trabalho que ele tem, pra que você, mulher, tenha um filho. Quando você não engravida, é normal ele chorar né… No outro caso, se você não menstruar, quem chora é você 😀 fuuu.
  • o corpo lúteo degenera. Com isso, a produção de progesterona e estrógeno caem, e o que “segurava” o endométrio deixa de existir.
  • a não fecundação faz com que a fase isquêmica inicie. Nela, ocorre uma redução do suprimento sanguíneo. As artérias espiradas se contraem, diminui a secreção pelas glândulas, ocorre perda de tecido intersticial e uma retração do endométrio. As artérias espiradas se contraem mais ainda o que causa a necrose do tecido superficial. Finalmente, segue – se a ruptura da parede dos vasos lesados e o sangue penetra o tecido conjuntivo adjacente. Formam – se, então, pequenos lagos de sangue que se rompem na superfície endometrial resultando em sangramento para a luz uterina e através da vagina.
  • Inicia – se então, no útero, a fase menstrual. O endométrio descama em forma de menstruação. A parede do corpo do útero, na verdade, é composta por três camadas: perimétrio (fina camada externa), miométrio (espessa camada de músculo liso) e endométrio (fina camada interna). A camada basal do endométrio tem seu próprio suprimento sanguíneo e não se desintegra durante a menstruação. Já a camada funcional do endométrio é quem descama tanto na menstruação, quanto no parto.
  • a fase menstrual pode durar de 4 a 5 dias (normalmente).
Um novo ciclo se inicia no primeiro dia de menstruação. A baixa concentração de estrógeno incita, por feedback positivo, o hipotálamo a fazer a hipófise liberar FSH e LH, e começa tuuuuuuuudo de novo.
O controle hormonal é resumido na seguinte imagem:
Controle Hormonal Feminino
Controle Hormonal Feminino

 Como as pílulas anticoncepcionais atuam?

As pílulas possuem uma concentração adequada de progesterona e estrógeno (ou um dos dois, depende, depende). Elas bloqueiam a produção de FSH e LH pela hipófise, por meio de um feedback negativo. Artificialmente, são colocados hormônios no corpo da mulher, o que “engana” o hipotálamo que acredita que já possui uma quantidade adequada de estrógeno e progesterona na corrente sanguínea, então não há necessidade de produzir FSH e LH. Sem o FSH e o LH, não há ovulação, não há neném.

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 20 a 29. Embriologia Clínica. 8ed.

Tecido Cartilaginoso

O tecido cartilaginoso tem como principal função fornecer suporte aos tecidos moles e no crescimento dos ossos longos. Além disso, ele reveste as superfícies articulares e facilita o deslizamento de ossos nas articulações e tem abundante matriz – extracelular.

As células do tecido cartilaginoso são chamadas de condrócitos. Dentro do tecido, eles ocupam um lugar específico chamado lacuna.

Pericôndrio

O tecido cartilaginoso não possui muitos vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. Sua nutrição é feita por capilares do conjuntivo que envolvem o tecido, chamado de pericôndrio. O pericôndrio é um tecido conjuntivo denso formado por duas camadas: camada fibrosa, que fica na parte mais superficial do pericôndrio, e pela camada condrogênica, em que é rica em células (quanto mais próximo à cartilagem, mais rico em células o pericôndrio fica!). Morfologicamente, as células do pericôndrio parecem com os fibroblastos, só que as que ficam próximas à cartilagem têm a capacidade de originar condrócitos, ou seja, elas são funcionalmente como os condroblastos!

As cartilagens são envolvidas por essa bainha (pericôndrio), que possui vasos sanguíneos, linfáticos e nervos, com exceção das cartilagens articulares e a do tipo fibrosa. Isso porque, essas cartilagens recebem nutrientes da bolsa sinovial.

O pericôndrio é ainda uma fonte de novos condrócitos para o crescimento, além de ter função importante, como já dito, na nutrição e inervação do tecido cartilaginoso. Ele também é responsável pela oxigenação e eliminação de resíduos metabólitos do tecido.

Origem do Tecido Cartilaginoso

As células do tecido cartilaginoso, os condrócitos, têm origem de células mesenquimais (do mesênquima). Quem dá origem aos condrócitos é uma célula chamada de condroblasto. Essas células mesenquimáticas se diferenciam em condroblastos, os quais se proliferam e começam a produzir matriz extracelular. Com o tempo, essa matriz começa a separar essas células uma  das outras, até que elas ficam presos nos espaços chamados de lacunas.

Crescimento do Tecido Cartilaginoso

O crescimento pode ser: intersticial (crescimento dos condrócitos, que dá origem aos grupos isogênicos, por meio de divisão mitótica dos condrócitos preexistentes) e aposicional (crescimento da espessura da cartilagem, a partir das células do pericôndrio).

Condrócitos

Na periferia da cartilagem hialina, os condrócitos têm a forma achatada, e quanto mais profundo ao tecido, eles vão ficando mais esféricos e aparecem em grupos de 8 células chamados de grupos isógenos (suas células são geradas de um único condroblasto). Os condrócitos têm uma superfície celular mais aumentada, a fim de aumentar a superfície de contato e facilitar a nutrição da célula (lembre – se que esse tecido é pobre em vasos sanguíneos, então sua forma de nutrição é bem característica em relação aos outros tecidos!). Os condrócitos são células secretoras de colágeno tipo II, proteoglicanas e glicoproteínas (como a condronectina).

Além da nutrição ser pobre, a oxigenação desse tecido também é. Então, devido à baixa tensão de oxigênio, esse tecido degrada a glicose, principalmente, de forma anaeróbia. Os nutrientes chegam do sangue por meio de difusão atravessam do sangue para o pericôndrio, matriz da cartilagem e vão até os condrócitos mais profundos.

Condrócito x Condroblasto

Assim como a relação entre os fibrócitos e o fibroblasto, os condrócitos e condroblastos são semelhantes. Os condrócitos encontram – se aprisionados pela matriz extracelular e trabalham mais lentamente do que os condroblastos. Quando os condrócitos se dividem, eles ficam presos na mesma lacuna.

Os condrócitos possuem grânulos de glicogênio e lipídeos no seu citoplasma para poderem se nutrir. Isso porque, a vascularização é precária, então eles precisam de uma outra fonte de energia. Ainda por causa disso, deve – se lembrar que a oxigenação desse tecido também não é lá aquelas coisas tão eficiente.

Renovação do Tecido Cartilaginoso

Os condrócitos estão em constante renovação na matriz extracelular. Para provar isso, alguns pesquisadores injetam uma substância chamada de papaína nas orelhas dos coelhos. Elas só conseguem ficar de “pé” por causa do tecido conjuntivo! Mas, essa papaína tem o poder de destruir a matriz. Depois de um tempo que os coelhos ficaram com as orelhas caídas, elas voltaram a ficar de pé, o que prova que há renovação do tecido cartilaginoso, sim!

No entanto, essa renovação é beeeem limitada, porque a falta da nutrição adequada impede que esse crescimento tenha um desempenho esperado. Mas, a cartilagem está sempre sujeita a processos degenerativos. Inclusive, se esses processos forem muito intensos, pode acontecer a calcificação da matriz cartilaginosa, o que retira a propriedade de aguentar impactos que o tecido cartilaginoso possui. (Muitas doenças de jogadores de futebol que afetam o joelho são causadas por isso).

Matriz Extra – Territorial e Interterritorial

A matriz territorial fica mais em contato com os condrócitos. Em volta dela, é onde fica a matriz interterritorial.

A resistência do tecido cartilaginoso é dada pelo colágeno do tipo II ou da combinação de colágeno com elastina, e glicosaminoglicanos que se ligam ao colágeno.

O tecido cartilaginoso apresenta uma grande quantidade de moléculas de água que auxiliam na absorção dos choques.

Tipos de Tecido Cartilaginoso

O tecido cartilaginoso tem três tipos: cartilagem hialínica, cartilagem elástica e cartilagem fibrosa.

Cartilagem Hialina

A cartilagem hialina é a mais comum, encontrada na cartilagem articular, e é nutrida pelo líquido sinovial. Ela é branco – azulada quando vista no microscópio eletrônico e translúcida.

cartilagem hialina

Cartilagem Hialina (traqueia): Branco - Azulada e Translúcida

É essa cartilagem que constitui o primeiro esqueleto do embrião, o qual passará por um processo de ossificação posteriormente. Outro lugar em que podemos encontrar a cartilagem hialina é entre a diáfise e a epífise de um osso, onde fica um disco epifisário composto de cartilagem hialina, que é responsável pelo crescimento do osso em extensão.

Nos adultos, a cartilagem hialina é encontrada nas paredes das fossas nasais, traqueia e brônquios, extremidade ventral das costelas e recobrindo as superfícies articulares dos ossos longos, em articulações com grande mobilidade.

Sua matriz possui delicadas fibrilas de colágeno tipo II associadas ao ácido hialurônico, proteoglicanas muito hidratadas e glicoproteínas, além das glicosaminoglicanas. Por fim, outro componente importante é a condronectina, uma glicoproteína estrutural, capaz de se ligar aos condrócitos e fibrilas de colágeno tipo II, formando um tipo de arcabouço macromolecular na matriz junto com os condrócitos.

“Em torno dos condrócitos existem zonas estreitas ricas em proteoglicanas e pobres em colágeno. Essas zonas mostram basofilia, metacromasia e a reação PAS mais intensas do que no resto da matriz, sendo impropriamente chamadas de cápsulas, porque inicialmente se acreditava que constituíssem uma parede envolvendo as células.”  (Junqueira e Carneiro)

Cartilagem Elástica

A cartilagem elástica é encontrada em regiões do corpo que precisam de flexibilidade. Na microscopia, ela apresenta uma aparência mais fibrosa do que a hialina. Sua matriz possui poucas fibrilas de colágeno tipo II e muitas fibras elásticas.

Ela é encontrada: pavilhão auditivo, conduto auditivo externo, tuba auditiva, epiglote, cartilagem cuneiforme da laringe.

É basicamente igual a hialina, mas possui uma rica rede de fibras elásticas contínuas com o pericôndrio. A elastina faz essa cartilagem ter uma cor amarelada quando visualizada a fresco. Ela cresce principalmente por posição e é menos sujeita a processos degenerativos do que a de hialina.

Cartilagem Elástica

Cartilagem Elástica (orelha): Cor amarela no microscópio eletrônico

Cartilagem Fibrosa

A cartilagem fibrosa está em um nível intermediário entre a de hialina e a elástica. Sua nutrição é feita por difusão, e sua matriz é composta por majoritariamente fibras de colágeno tipo I.

É encontrada nos discos intervertebrais e na sínfise pubiana. A fibrocartilagem está sempre associada a conjuntivo denso, sendo imprecisos os limites entre os dois. A substância fundamental é escassa e limitada à proximidade das lacunas. As fibras colágenas tipo I constituem feixes que seguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos. Não existe pericôndrio!

Cartilagem fibrosa (disco intervertebral): os condrócitos estão organizados em grupos isogênicos

Discos Intervertebrais

Localizado entre os corpos das vértebras e unidos a elas por ligamentos. São formados por dois componentes: anel fibroso e núcleo pulposo.

disco intervertebral

Disco intervertebral: absorção de impactos e mobilidade entre as vértebras

Referências
CARNEIRO, J.; JUNQUEIRA, L.; (2004) Histologia Básica. 10ed. p.130 a 135. Guanabara.

Tecido Adiposo

O tecido conjuntivo adiposo é aquele que tem predomínio de células chamadas de adipócitos, as quais têm o poder de acumular gotículas de lipídeo no seu interior (triglicerídeos). Ele é comumente encontrado na hipoderme e nas vísceras, sua função é principalmente o armazenamento de energia.

Os triglicerídeos (já estudados no tópico sobre Lipídeos) são renovados constantemente por influência de estímulos nervosos e hormonais. Isso só é possível porque o tecido adiposo é inervado e possui vasos sanguíneos.

Outras funções do tecido adiposo também são o modelamento do corpo embora nem todo tecido adiposo tenha um bom gosto de modelamento, né? formação de coxins absorventes de choques, evitando que ocorram choques entre os órgãos internamente, preenchimento de espaços e isolamento térmico.  Além disso, hoje já associa – se o tecido adiposo como um órgão endócrino, pois ele é capaz de, por exemplo, converter testosterona em estrógeno (na mulher), e também tem alguns outros hormônios por ele excretados que estão relacionados com doenças muito comuns em indivíduos com obesidade, como hipertensão e diabetes.

Tipos de Tecido Adiposo

Há dois tipos de tecidos adiposos:

  • Unilocular: possui uma única e grande inserção lipídica na célula. Ele pode ser classificado como comum ou amarelo. Ele é distribuído no corpo de acordo com o biotipo, sexo e idade. É a grande reserva de energia e proteção contra o frio como ISOLANTE TÉRMICO. Ele está presente no adulto, já que o adulto não possui quase tecido adiposo marrom distribuído, só em algumas partes do corpo, como na aorta. Os adipócitos do tecido adiposo unilocular são células grandes com uma única inclusão lipídica e núcleo periférico. É importante ressaltar que as gotículas não possuem membranas em volta, elas ficam apenas inseridas no citoplasma. Além disso, esse tecido apresenta septos de conjuntivo que contêm vasos e nervos.
tecido adiposo multi e unilocular

Nessa foto é possível identificar o motivo de serem chamados de unilocular (apenas uma grande gota lipídica) e multilocular (várias gotinhas de lipídeo)

  • Multilocular: possui várias inserções lipídicas dentro da célula. Pode ser classificado como pardo também. Suas funções são de estoque de energia, e é um produtor de energia também EM FORMA DE CALOR (assim que ele protege do frio, e não como isolante térmico como o unilocular). As mitocôndrias desse tecido apresentam proteínas desacopladoras, e é por desacoplamento na cadeia transportadora de elétrons que esse calor é gerado. Este calor aquece os vasos sanguíneos e depois é dissipado para o resto do corpo! Uma típica ação de termogênese, bastante encontrada em recém nascidos para a proteção contra o frio, em que a oxidação dos ácidos graxos fornece calor e não ATP. Assim, é óbvio dizer que esse tecido é bastante distribuídos nos fetos e recém – nascidos, e também nos animais, principalmente nos que hibernam. Nos seres humanos adultos a distribuição não é elevada, e é encontrado apenas em alguns órgãos, como no entorno da aorta. Ele é bastante vascularizado, e a sua tonalidade parda é devido à grande presença de mitocôndrias. As células nesse tecido são menores do que no tecido adiposo branco, o núcleo não é deslocado e geralmente é central.

Origem Tecido Adiposo

As células adiposas têm a mesma origem do fibroblasto! Isto é, das células mesenquimais indiferenciadas. Todo tecido adiposo se origina de uma célula adiposa multilocular. Quando essa célula adiposa multilocular dá origem ao unilocular, as gotas lipídicas começam a se fundir até formar uma única só. Quando a “intenção” do tecido é continuar sendo multilocular, então as gotas lipídicas continuam imersas separadamente no citoplasma.

Distribuição do Tecido Adiposo Marrom no Recém – Nascido

Tecido Marrom no Neném

Tecido Marrom no Neném

A foto a cima demonstra onde o tecido adiposo marrom é encontrado nos recém – nascidos. Esse tecido vai sendo degradado conforme o tempo vai passando, e no adulto sua distribuição é bem limitada, como já foi explicado.

Referências
CARNEIRO, J.; JUNQUEIRA, L.; (2004) Histologia Básica. 10ed. p.125 a 129. Guanabara.

Tecido Conjuntivo

O tecido conjuntivo é o responsável pelo estabelecimento e manutenção do corpo: as células da matriz extracelular dão suporte para que as células dos outros tecidos fiquem apoiadas. Ele é composto por componentes que podem ser divididos em três classes: fibras, células e substância fundamental. Sua origem é do tecido embrionário chamado mesênquima, onde ficam as células mesenquimais.

As suas células ficam distribuídas dentro de uma matriz extracelular muito abundante, com grande suplemento sanguíneo, linfático e nervoso. Na matriz extracelular encontram – se proteínas fibrosas (colágeno e elastina) e substância fundamental (glicoproteínas e proteoglicanos (essas não possuem fibras e ficam, então, dissolvidas na matriz).

Classificação do Tecido Conjuntivo

O tecido conjuntivo pode ser classificado em embrionário, adulto (também chamado de propriamente dito) e especializado.

  • Embrionário
O tecido conjuntivo embrionário é absurdamente frouxo, possui matriz hidrofília e também é conhecido como tecido conjuntivo mucoso ou “Geleia de Wharton”. Depois do nascimento do indivíduo, esse tecido pode ser encontrado, nas crianças, na polpa dos dentes. A matriz é extremamente amorfa e clarinha, porque ela é muiiiiiiiito rica em água. Nela também ficam as fibras de colágeno.
  • Adulto

O tecido conjuntivo adulto pode ser dividido em frouxo e denso, sendo que o denso pode ser subdividido em modelado e não – modelado. O tecido é classificado como frouxo ou denso de acordo com a quantidade de célula e matriz:

  • mais célula do que matriz = conjuntivo frouxo (frouxo porque o que dá resistência ao tecido é a matriz celular rica em colágeno);
  • mais matriz do que célula = conjuntivo denso (denso porque tá “bagunçado”, se as fibras ficam sem orientação, assim como as células, aí chamamos de não – modelado, se tiverem uma orientação, daí é modelado;
O tecido conjuntivo denso é adaptado para fornecer resistência e proteção aos tecidos. São predominantes neles as fibras colágenas e não há tantas células como no frouxo, por exemplo. Ele é menos flexível do que o frouxo, mas mais resistente à tensão. Quando as fibras colágenas são organizadas em feixes sem uma orientação definida, os tecido chama – se denso não modelado, quando elas estão paralelas umas às outras e alinhadas com os fibroblastos, daí chamamos de modelado. O tecido conjuntivo modelado é encontrado em tendões, ligamentos e córnea. O não modelado, na derme.
O tecido frouxo é mais distribuído no organismo e bastante ligado à nutrição. Ele tem pouca resistência às trações e envolve bastante os vasos sanguíneos. É um tecido conjuntivo muito comum que preenche espaços entre grupos de células musculares, suporta células epiteliais e forma camadas em torno dos vasos sanguíneos. As células mais numerosas nesse tecido são os fibroblastos e macrófagos, mas todos os outros tipos de celulares do tecido conjuntivo estão presentes. Ele tem uma consistência delicada e é bem vascularizado.

Há ainda o tecido conjuntivo reticular, encontrado na aorta, que garante resistência elástica. Ele geralmente está formando o estroma de alguns órgãos que precisam de um arcabouço mais resistente, como os órgãos hematopoiéticos e como o fígado. Há uma prevalência de fibras reticulares em relação às fibras elásticas. O tecido conjuntivo elástico, por outro lado, tem predomínio de fibras elásticas e é mais encontrado em paredes de grandes vasos sanguíneos e em ligamentos.

  • Especializado

Existem quatro tipos de tecidos conjuntivos especializados: tecido adiposo, tecido cartilaginoso, tecido ósseo e tecido hematopoiético. Eles serão melhor estudados posteriormente.

Resumindo…

Tecido Principais Características
Tecido Conjuntivo Embrionário Mucoso; Grande quantidade de água, proteinoglicanos e glicosaminoglicanos;
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) Frouxo Não é tão resistente à tensão; Relacionado à nutrição;
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) Denso Modelado Fibras Orientadas
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) Denso Não Modelado Fibras Não Orientadas
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) Reticular Predomínio de Fibras de Colágeno III
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) Elástico Predomínio de Fibras de Colágeno II

Quais são as células do tecido conjuntivo?

As células do tecido conjuntivo são: fibroblasto (produzem a matriz extracelular), macrófagos, mastócitos, plasmócitos, leucócitos.

  • Fibroblastos: sintetizam as proteínas de colágeno e elastina, além das glicosaminoglicanas, proteoglicanas e glicoproteínas multiadesivas que farão parte da matriz extracelular. É uma célula fusiforme. Os fibroblastos são células que realizam muita síntese e por isso possuem atividade metabólica alta, então é fácil deduzir que devido a esses fatores eles têm um nucléolo bem visível. É importante lembrar que antes de um fibroblasto ser um fibroblasto, ele foi antes um fibrócito! Não podemos negar nosso passado. O fibrócito é uma célula cuja atividade sintética é muiiiiito menor que a do fibroblasto, então o seu nucléolo não é tão visível assim.
fibrocito e fibroblasto

O fibroblasto possuirá atividade sintética maior, então é normal seu citoplasma possuir organelas como complexo de golgi e ribossomos mais evidentes, quando comparado com uma célula mais quiescente, como seu precursor, o fibrócito.

  • Macrófagos: os macrófagos possuem propriedades fagocíticas, isto é, eles promovem “limpeza” e renovação do tecido, remodelando o mesmo, derivam de células precursoras da medula óssea, que se dividem produzindo os monócitos. A função principal do macrófago é ser capaz de manter a homeostase do tecido (equilíbrio). Sua ação é de renovar as fibras senescentes e o material da matriz extracelular. apresentar antígenos (na resposta imunológica) e produzir ocitocinas (que são mediadores inflamatórios). O fibroblasto constrói/sintetiza a matriz, enquanto o macrófago destrói/remodela a matriz. Outra diferença entre os dois, é que o fibroblasto não tem capacidade de fagocitar bactérias, enquanto o macrófago tem. Eles também possuem muitos lisossomos, para a degradação do material fagocitado, um núcleo irregular (não possui uma forma definida). Os macrófagos são encontrados SOMENTE no tecido conjuntivo, o seu precursor habita a corrente sanguínea e é denominado monócito. Assim, os macrófagos e monócitos são as mesmas células, mas em estados diferentes de evolução. Até é possível encontrar monócitos no tecido conjuntivo, às vezes o tecido é fixado bem no momento em que o monócito ainda não se transformou no macrófago. Só o inverso (macrófago na corrente) que num é possível.
Macrófago

Aproveitando a imagem, é possível observarmos o formato fusiforme do fibroblasto.E em relação ao macrófago, percebemos que ele não possui um formato regular, como foi descrito, e também a grande quantidade de matriz extracelular que o tecido conjuntivo é característico de possuir.

É normal que os macrófagos ganhem nomes específicos dependendo do lugar em que são encontrados. No fígado, eles são chamados de células de Kupffer, no tecido ósseo de osteoclasto e no sistema nervoso central, de microglia.

Macrófago x Fibroblasto: o fibroblasto tem núcleo elíptico regular e é responsável pela síntese da matriz extracelular. O macrófago tem núcleo irregular, com muitas enzimas de degração no seu interior e é responsável pela degradação do tecido conjuntivo. Na lâmina, o núcleo do macrófago é mais clarinho, já do fibroblasto é mais eosinofílico, então ele fica mais escuro.

  • Mastócitos: essas células têm como função promover alergia (histamina), defesa contra patógenos (mediadores químicos) e atua no processo de cicatrização (heparina). É uma célula em que os grânulos são de fácil visualização e eles são metacromáticos (mudam de cor a cada corante utilizado!). Eles possuem origem na medula óssea e ganham a corrente sanguínea para posteriormente migrar para os tecidos. Esses grânulos contêm histamina (desencadeador da alergia), heparina (anti coagulante) e mediadores químicos que atraem monócitos, neutrófilos e eosinófilos.
Mastócito

Mastócito: onde é possível visualizar a grande quantidade de grânulos.

O mecanismo de secreção desse grânulos pelo mastócito é o seguinte: a pessoa primeiro tem que ter sido inoculada pelo antígeno uma vez. Na segunda vez, já terão moléculas de IgE que vão se ligar aos receptores da superfície celular do mastócito, e quando entrar em contato com o antígeno, vai ser disparada uma cascata de fosforilação no citoplasma do mastócito e a concomitante entrada de íon cálcio na célula. Essa sinalização celular fará com que os grânulos comecem a se fundir e então são exocitados. Junto disso, tem na membrana plasmática umas fosfolipases que aceleram o processo de síntese de leucotrienos.

É importante ressaltar que, há duas populações de mastócitos no tecido conjuntivo, e os mastócitos dessas duas populações são morfologicamente semelhantes. Apesar disso, um é encontrado na pele e cavidade peritoneal e seus grânulos contêm uma substância anticoagulante (que é a já citada heparina). O outro tipo é o mastócito da mucosa, como o próprio nome já diz, ele se localiza na mucosa intestinal e nos pulmões, só que seus grânulos possuem condroitim sulfatado no lugar de heparina.

OBS: Embora os mastócitos sejam semelhantes aos leucócitos basófilos, os mastócitos se originam de uma célula tronco diferente!

  • Plasmócitos: os plasmócitos têm influência no processo da resposta inflamatória com a produção de anticorpos. São células especializadas na síntese e secreção de imunoglobulinas, por causa disso eles apresentam retículo endoplasmático rugoso e complexo de Golgi muito desenvolvidos, além de um nucléolo proeminente, essas organelas são facilmente identificadas na lâmina. O núcleo dessas células possui formato de “roda de carroça” e o citoplasma delas é bastante basofílico e possui uma área acidófilica próxima ao núcleo, que é o Complexo de Golgi. São mais abundantes nas inflamações crônicas e em locais sujeitos à penetração de antígenos ou microorganismos, mas em compensação são escassos em tecidos conjuntivos normais.
Plasmócito

Nessa foto, forçando BEEEEM a amizade, é possível perceber o núcleo em formato de roda de carroça. Em outras fotos, essa visualização é mais clara.

  • Leucócitos: os leucócitos são componentes normais do sangue e chegam aos locais de inflamação por quimiotaxia, através de diapedese (passagem dos leucócitos pro tecido conjuntivo atravessando os vasos sanguíneos).
Leucócitos

Inflamação: aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular, com os leucócitos executando a diapedese, quimiotaxia e fagocitose.

Inflamação é um quadro com os seguintes acontecimentos: aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular (por ação de substâncias vasoativas como a histamina), quimiotaxia e fagocitose. Os leucócitos, depois de terem alcançado o tecido conjuntivo, não retornam ao sangue. A única exceção são os linfócitos que circulam continuamente em vários compartimentos do corpo.

Outros Componentes do Tecido Conjuntivo

No tecido conjuntivo também temos as fibras de colágeno e reticulares (formadas por colágeno) e as elásticas (formadas por elastina), as glicoproteínas e proteonoglicanos, e metaloproteínas, que formam a substância fundamental.

Palhinha sobre: Colágeno

O colágeno é a proteína mais abundante no organismo, cuja principal função é estrutural. Características encontradas em pele, osso, cartilagem, músculo liso e lâmina basal como força, tensão e elasticidade, são devidas a essa proteína.

  1. Colágenos que formam fibras longas: (colágeno de tipo I) ocorre como estruturas classicamente denominadas de fibrilas de colágenos e que formam ossos, dentina, tendões, cápsula de órgãos, derme, etc.
  2. Colágeno de ancoragem: as fibrilas de colágeno são formadas pela polimerização de tropocolágeno (processo melhor detalhado quando falarmos sobre as fibras de colágeno)
A renovação do colágeno é, em geral, muito lenta. Só é rápida no ligamento periodontal. Antes do processo de renovação do colágeno, é preciso que ele seja degradado por enzimas chamadas de colagenases.

Fibras

  • Fibra de colágeno: esse tipo de fibra é grande, então não seria possível que ela fosse sintetizada dentro dos fibroblastos já polimerizada. Como saída para esse problema, os fibroblastos produzem um tipo de procolágeno que, posteriormente, formará a fibrila colágena e depois essa fibrila forma a fibra colágena! Durante essa transformação, o procolágeno sofre um tipo de arranjo com tropocolágeno, perde a região C e N terminal e forma a fibrila colágena. Essa fibrila, por ação de proteínas como FACIT e proteoglicanas forma um outro arranjo formando a fibra colágena. O colágeno mais abundante é o do tipo I, e ele é mais distribuído também. Há outros tipos de colágenos importantes que formam redes reticulares (colágenos tipo IV). O tipo II é fibrilar e é mais produzido pela cartilagem (tecido que será estudado depois!). As fibras colágenas são as mais numerosas no tecido conjuntivo. No estado fresco elas têm cor branca, por isso os tecidos em que elas predominam têm essa cor também. Tipo os tendões, eles têm a cor branca porque são ricos em fibras de colágeno.
fibra colágeno

Fibra de colágeno: é possível observar que elas seguem uma orientação, logo é um tecido denso modelado (tendão).

  • Fibras reticulares: essas fibras são constituídas predominantemente por colágeno tipo III. Elas são particularmente abundantes em músculo liso, endoneuro e nas trabéculas de órgãos hematopoieticos (baço, nódulos linfáticos, medula óssea vermelha). Essas fibras são capazes de criar um tipo de rede flexível em órgãos que estão sujeitos a mudanças fisiológicas de forma ou volume, tais como artérias, baço, fígado, útero e camadas musculares do intestino.
  • Fibra de elastina: outra proteína fibrilar é a elastina, que forma as fibras elásticas. Elas estão bastante localizadas na derme, no mesentério e formando as camadas concêntricas da aorta. Mais uma vez, sua síntese é dependente da ação do fibroblasto. Primeiro, ele produz a proelastina, ai vem a tropoelastina e depois as fibras elásticas. Essas fibras têm três tipos que são variações dependendo do estágio de elastogênese: oxitalânicas, elaunínicas, e as maduras. A elastina vai se juntando com o tempo e formando fibras mais resistentes, que são as maduras! Como já dito, elas são mais encontradas na derme, quando essas fibras se rompem surgem as malditas estrias.
Fibra Elástica

Fibra Elástica

As fibras oxitalânicas não possuem tanta elasticidade, mas são altamente resistentes à força de tração, enquanto as fibras elásticas distendem – se facilmente quando tracionadas. E elastina é resistente à fervura, à extração com ácalis e com ácido, e à digestão com proteases usuais, mas é facilmente hidrolisada pela elastase pancreática. Ela também ocorre na forma não fibrilar, formando as membranas fenestadas (lâminas elásticas!), presentes nas paredes de alguns vasos sanguíneos. Uma curiosidade sobre a elastina, é que ela possui dois aminoácidos incomuns: desmosina e isodesmosina.

A fibra elástica quando está relaxada, fica enovelada. Quando tracionada, fica esticada!

Substância Fundamental

A substância fundamental é uma mistura complexa altamente hidratada, incolor e transparente de glicosaminoglicanos e proteoglicanos, e glicoproteínas multiadesivas. Como ela é viscosa, ela pode atuar tanto como lubrificante, e como barreira à penetração de microorganismos invasores, sendo que ela preenche os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo.

  • Proteoglicanos: tem como função a hidratação, eles formam poros que permitem a difusão de algumas moléculas dentro do tecido conjuntivo, além de se associarem com outras proteínas da matriz extracelular. Um dos tipos de proteoglicanos é a agrecan, bastante encontrada na cartilagem, auxiliando no suporte e proteção desse tecido.
  • Glicoproteínas: são proteínas globulares, enoveladas, associadas a uma cadeia de açúcar. São vistas pela coloração com PAS (que é a que permite a visualização da membrana basal nos tecidos). A laminina é uma proteína encontrada na lâmina basal e envolvida em diferentes etapas de diferenciação, adesão e sobrevivência das células, tem formato de cruz. Já a integrina é a proteína que interage com as outras células.
  • Metaloproteinases: são capazes de degradar células, pois acaba com o colágeno (auxilia, assim, no remodelamento da matriz extracelular!!), elas têm capacidade de liberar fatores e assim possibilitar a migração de células, sua natureza é, então, importante fator no câncer.
Referências
CARNEIRO, J.; JUNQUEIRA, L.; (2004) Histologia Básica. 10ed. p.92 a 124. Guanabara.