Sindesmologia: Introdução

Definições

A sindesmologia é a parte da anatomia que estuda as articulações e os ligamentos.

A articulação é definida como a conexão existente entre quaisquer partes rígidas do esqueleto. Assim, ela não precisa ser só entre osso e osso, mas pode também ser entre osso e cartilagem. As articulações podem ser móveis, ou parcialmente móvel, isso porque, dependendo do tecido interposto, o grau de mobilidade pode variar.

As articulações móveis, obviamente, são importantes para o movimento. As parcialmente móveis, geralmente têm função de proteção ou estabilidade do eixo maior da postura bípede. Um exemplo clássico de articulação parcialmente móvel são as articulações do crânio.

Já o ligamento tem a função de unir entre si duas cabeças ósseas de uma articulação. Eles possuem grande resistência mecânica, daí eles terem grande importância na fortificação da articulação.

Classificação das Articulações

As articulações têm dois grandes grupos: sólida ou sinovial. A articulação fibrosa se divide em dois grupos: fibrosa (ou sinartrose) e cartilagínea (ou anfiartrose). A articulação sinovial pode também ser chamada de diartrose. Essas classificações variam de acordo com o elemento interposto, que pode ser, respectivamente, tecido fibroso, cartilagem ou líquido sinovial.

OBS: Esse líquido sinovial é muito rico em proteínas e glicídeos. Agora, imagina um acidente em que a bolsa sinovial seja perfurada por algum objeto contaminado. Imagina agora as bactérias se proliferando nesse meio cheio de comida de bactéria. Então, problema, né?

Articulações Sólidas

1) Articulações Fibrosas

  • Sindesmose: grande quantidade de tecido conjuntivo fibroso, como os que tem nas membranas interósseas. Existe um tipo específico de sindesmose que é a gonfose. Essa gonfose é a articulação que existe entre o dente e a maxila. É interessante relacionar que, quando a pessoa morre, os dentes caem. Por que esses dentes caem? Porque na morte, esse tecido conjuntivo da articulação do tipo gonfose se decompõe. Sem essa articulação, o dente cai.
  • Suturas: tem pouquíssima quantidade de tecido conjuntivo. Os espaços entre as suturas vai diminuindo com o tempo, por isso que no crânio de um idoso, tem sutura que nem dá pra ver. Essas suturas vão surgindo durante o processo de ossificação desmal, e são especificamente encontradas no crânio. Ah, e o nome “sutura” é porque tem forma de costura.

2) Articulações Cartilagíneas

  • Sincondroses primárias: o tecido interposto é a cartilagem hialina. Essa articulação pode ser intra – óssea (quando tá dentro de um mesmo osso) ou pode ser interóssea, quando ocorre entre ossos diferentes. Estas articulações permitem o crescimento ósseo, e com o passar do tempo tornam – se completamente ossificadas. Um exemplo é entre o osso occipital e o esfenoide.
  • Sínfises: ocorrem onde dois ossos são interconectados por cartilagem do tipo fibrosa. Incluem a sínfise púbica e os discos intervertebrais.

Articulações Sinoviais

Conceitos

 Esse tipo de articulação é a que tem o líquido sinovial entre os ossos, o que facilita o movimento, já que reduz o atrito. Um exemplo dela é a do joelho. A articulação do ombro também é muito móvel, mas também tem articulação sinovial menos móveis, como a da mão e do cotovelo, ou seja, concluímos que há graus diferentes de liberdade de movimento entre as articulações sinoviais. Outra informação importante sobre as articulações sinoviais, é que elas são maioria dentro do nosso corpo. Essas articulações são compostas por dois componentes importantes:

  • Cápsula fibrosa: parte mais externa da articulação, ela envolve a articulação do lado de fora; É composta por duas membranas: membrana sinovial (interna) e a membrana fibrosa (externa). A membrana fibrosa é formada por tecido conjuntivo denso e envolve e estabiliza a articulação. A membrana sinovial será melhor detalhada em seguida.
  • Cartilagem hialina: as superfícies articulares esqueléticas são recobertas por cartilagem hialina. É por esse motivo que, ao olhar uma radiografia, os ossos parecem estar distantes entre si. Na verdade, essa distância é fruto dessa cartilagem, que aparece mais transparente no raio X do que o osso.
  • Líquido sinovial: a membrana sinovial é quem o produz. Ela o produz ativamente meio do sangue. Ou seja, ela tem a capacidade de filtrar o sangue e selecionar pra ela só o que interessa na produção do líquido (água, proteínas, glicídios).
  • Há elementos especiais nas articulações sinoviais, que as tornam mais adaptáveis. Por exemplo, os meniscos servem como amortecedores e servem para uma melhor adaptação das superfícies articulares. Tem também os discos que existem na articulação temporomandibular,  que tem função amortecedora para quando tiver mordendo/mastigando. Atenção: não confunda esse disco com o disco intervertebral! O disco (da ATM) é uma articulação do tipo sínfise. No caso da mandíbula, ele é um componente especial intrarticular de uma articulação sinovial. Ou seja, esses discos têm o mesmo nome, mas funções diferentes. 
  • Outro elemento especial das articulações sinoviais são as bursas, onde fica o líquido sinovial. A bursa serve como um acolchoado feito de líquido sinovial e membrana para diminuir o atrito. Elas são formadas por sacos fechados de membrana sinovial, que ocorrem fora da articulação. Essas bolsas costumam interpor- se entre estruturas como tendões e ossos, tendões e articulações ou pele e osso. Elas reduzem o atrito de uma estrutura que se move sobre a outra.
  • O labrum é outro elemento, ele fica em volta da cavidade acetabular, tem uma orla em volta do tecido cartilaginoso para deixar a cabeça do fêmur mais presa na fossa acetabular, para evitar que ocorra a luxação do fêmur.
  • Por último, temos os coxins gordurosos. Eles geralmente se situam entre a membrana sinovial e a cápsula e movimentam – se para dentro e para fora das regiões conforme mudam os contornos durante o movimento.
Observações Clínicas
  • Como eu já disse, o líquido sinovial é riquíssimo em nutrientes, a infecção dele por bactérias é a causa das artrites! Em casos de perfuração por objetos infectados, o indivíduo pode pegar uma artrite séptica;
  • Com a idade, a quantidade de líquido sinovial vai diminuindo. O idoso é todo durinho, porque ele perdeu muito do líquido sinovial de suas articulações. Daí, se ele tenta forçar a articulação, ele sente dor, porque o atrito entre as as superfícies ósseas aumenta. Se esse atrito aumenta muito, muito, passa a ter atrito entre as cartilagens articulares. Elas existem para que não haja contato de osso com osso, só que com o tempo, elas se desgastam. A renovação dessa cartilagem é MUITO lenta, já que o tecido cartilaginoso é pouco irrigado pelo sangue. Quando toda essa cartilagem tá desgastada e inicia – se o contato do osso com osso, começa o processo de artrose.
  • Diferença entre ARTRITE e ARTROSE: artrose é a diminuição do líquido sinovial e desgaste da superfície articular com processo inflamatório. Na artrite é aumento do conteúdo intraarticular, a custo de pus. Fica maior, porque fica infectado!
  • A articulação mais móvel é a do ombro, quando comparada com o fêmur, porque a cavidade glenoidal é mais rasa do que o acetábulo. Em compensação, a articulação do fêmur é mais estável, por isso é mais comum ter uma luxação de ombro do que de quadril. Quanto mais móvel, menos estável. Quanto mais estável, menos móvel.

Classificação Funcional das Articulações Sinoviais

  • Monoaxial: movimento em um só eixo, como o cotovelo (articulação entre o úmero e a ulna).
  • Biaxial: são aquelas que fazem flexão, extensão, abdução e adução, como a articulação do punho, que trabalha em dois eixos diferentes.
  • Triaxial (ou multiaxial): são aquelas que fazem flexão, extensão, abdução adução e rotação, como a do ombro (glenoumeral).

Classificação Morfológica das Articulações Sinoviais

  1. Plana: permite apenas o deslizamento. Por exemplo: entre as superfícies articulares das vértebras.
  2. Gínglimo (monoaxial): articulação em dobradiça. Por exemplo: a umeroulnar.
  3. Trocoide (monoaxial):  funciona de forma que uma superfície articular roda enquanto a outra fica fixa no mesmo ponto. Por exemplo: rádio com a ulna em movimento de pronação e supinação, ou a atlantoaxial.
  4. Selar (biaxial): as faces ósseas são reciprocamente côncavo-convexas. Permitem os mesmos movimentos das articulações condilares. Exemplo: Carpometacárpicas do polegar. Por exemplo: entre o carpo e o metacarpo.
  5. Condilar/Elipsoide (biaxial): uma superfície articular ovóide ou condilar é recebida em uma cavidade elíptica de modo a permitir os movimentos de flexão e extensão, adução e abdução e circundução, ou seja, todos os movimentos articulares, menos rotação axial. Exemplo: Articulação do pulso.
  6. Esferoide (triaxial): É uma forma de articulação na qual o osso distal é capaz de movimentar-se em torno de vários eixos, que tem um centro comum. Exemplos: Articulações do quadril e ombro.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 38 a 41. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.
Aula de Anatomia. Disponível em: http://www.auladeanatomia.com/artrologia/sinovias.htm. Acessado dia 08.06.12.
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