Anatomia Macroscópica e Microscópica do Sistema Respiratório: Faringe, Laringe e Traqueia

Parte Nasal da Faringe

Nasofaringe

Nasofaringe

Logo depois dos coános, vem a parte nasal da faringe. O teto dessa parte da faringe é composto pela base do crânio, de forma que a cavidade da faringe se mantém sempre aberta. No teto, ainda há uma grande quantidade de tecido linfoide, chamado de tonsila faríngea, bem na mucosa que reveste o teto. Quando ocorre aumento desse tecido (adenoide), pode acontecer da parte nasal da faringe ficar até obstruída, e ai a pessoa só consegue respirar pela boca.

O mais importante pra saber dessa parte, é a existência do óstio faríngeo da tuba auditiva, que é a abertura da tuba auditiva. A projeção da tuba auditiva cria um abaulamento chamado de toro tubário, e posteriormente a esse toro tem o recesso faríngeo.

Laringe

A laringe é uma estrutura oca, sua armação é feita de cartilagem, e ela reveste a via respiratória inferior. A laringe é contínua inferiormente com a traqueia, superiormente a sua abertura é feita na faringe, que fica um posterior a ela. Ela ainda fica pouco inferior à língua e à abertura posterior da cavidade oral.

A laringe é capaz de fechar a via respiratória inferior e também produzir som. Ela é composta por cartilagens ímpares, pares e uma membrana fibroelástica, além de vários músculos.

Outra propriedade importante da laringe é o fato dela ser móvel. Ela fica suspensa pelo osso hioide na parte superior, e na traqueia na parte inferior. Mas, isso não a faz ficar imóvel, pelo contrário! Ela pode ser movimentada pra cima, pra baixo, pra frente, pra trás… Quem faz isso são os músculos extrínsecos que tão inseridos ou na laringe, ou no osso hioide.

A laringe pode ser dividida em: supraglote (epiglote, falsas cordas vocais e ventrículos laríngeos), glote (cordas vocais verdadeiras e pelas comissuras anterior e posterior) e subglote ou cavidade infraglótica (abaixo das cordas vocais verdadeiras).

Cartilagem

Cartilagem Cricoidea

Imagem Ântero-Lateral da Cartilagem Cricoidea

Imagem Ântero-Lateral da Cartilagem Cricoidea

  • mais inferior das cartilagens;
  • envolve completamente as vias respiratórias;
  • é composta pela lâmina da cartilagem cricoidea, que fica posterior à via respiratória, e pelo arco da cartilagem cricoidea, que fica anteriormente.
  • na parte posterior da cartilagem, tem uma crista chamada de arqueada, que é onde o esôfago se insere. Essa crista separa duas depressões chamadas de fóveas.
Imagem Posterior da Cartilagem Cricóidea

Imagem Posterior da Cartilagem Cricóidea

Cartilagem Tireoidea

Cartilagem Tireoidea

Cartilagem Tireoidea

  • maior cartilagem da laringe.
  • ela é formada pelas lâminas direita e esquerda, que se unem anteriormente formando a proeminência laríngea (pomo de Adão). Posteriormente, essas lâminas num se juntam.
  • superiormente à proeminência laríngea, tem a incisura tireóidea superior. Juntamente com a proeminência laríngea, essas estruturas são referências palpáveis do pescoço.
  • as margens das lâminas se alonga posteriormente e formam os cornos superior e inferior.
  • as faces laterais das lâminas têm a linha oblíqua, que se expandem nas extremidades para formar os tubérculos tireóideos superior e inferior. Além disso, na linha oblíqua é onde se inserem os músculos extrínsecos da laringe.

Cartilagem Epiglótica

Cartilagem Epiglote

Cartilagem Epiglote

  • cartilagem em forma de folha;
  • sua base é fixa à parte posterior da cartilagem tireoidea.
  • medialmente, na face inferior, tem o tubérculo epiglótico.

Cartilagens aritenoideas

  • forma de pirâmide.
  • o ângulo anterior da base da cartilagem aritenoidea é alongado em um processo vocal, ao qual se insere o ligamento vocal.

A laringe ainda tem as cartilagens corniculadas e as cuneiformes. Mas, são tão pequenas… deixa pra lá.

Ligamentos da Laringe

Extrínsecos

  • Membrana tireo-hióidea.
  • Ligamento hioepiglótico.
  • Ligamento cricotraqual.

Intrínsecos

  • Membrana fibroelástica da laringe.
  • Ligamento cricotireoideo (membrana cricovocal, membrana cricotireoidea): essa membrana fica fixa ao arco da cartilagem cricoidea e segue superiormente até terminar na cartilagem tireoidea. A fixação é feita, anteriormente, pela cartilagem tireoidea, e posteriormente, aos processos vocais das cartilagens aritenoideas. A margem livre entre estes dois pontos de fixação é espessada, e forma o ligamento vocal, que fica sob a prega vocal, ou corda vocal verdadeira da laringe. A membrana cricotireoidea também é espessada anteriormente na linha média para formar o ligamento cricotireoideo mediano. Em situações de emergência, quando as vias aéreas estão bloqueadas acima do nível das pregas vocais, o ligamento cricotireoideo mediano pode ser perfurado para estabelecer uma passagem do ar. Exceto pelos pequenos vasos e ocasional presença de um lobo piramidal da glândula tireoide, normalmente há poucas estruturas entre o ligamento cricotireoideo mediano e a pele.
  • Membrana Quadrangular: cada membrana quadrangular apresenta margens superior e inferior livres. A margem inferior é espessada e forma o ligamento vestibular sob a prega vestibular, que é a corda vocal falsa da laringe.

Articulações da Laringe

  • Articulações cricotireoideas: tipo sinovial. Isso permite que elas possam se movimentar para frente e incline – se para baixo, na cartilagem cricoidea.
  • Articulações cricoaritenoideas: elas podem se afastar deslizando ou dirigindo – se para a outra e rodam. Isso faz com que os processos vocais façam um movimento de giro em torno de um pivô, aproximando – se ou afastando – se da linha média. Estes movimentos abduzem a aduzem os ligamentos vocais.

Músculos da Laringe

Os músculos extrínsecos da laringe prendem a laringe ao osso hioide para elevá – lo durante a deglutição.

Os músculos intrínsecos da laringe unem as cartilagens tireoide e cricoide. Quando os músculos intrínsecos se contraem, a tensão nas cordas vocais muda para modular a fonação.

  • músculos cricotireoideos;
  • músculos cricoaritenoideos posteriores;
  • músculos cricoaritenoideos laterais;
  • músculo aritenoideo transverso;
  • músculos aritenoideos oblíquos;
  • músculos vocais;
  • músculos tireoaritenoideos;

Começo e Fim da Laringe

  • ádito da laringe: abertura superior. Está voltada para a parte anterior da faringe, imediatamente abaixo e posteriormente à língua. As margens laterais do ádito são formadas por pregas de mucosa chamadas de pregas ariepiglóticas. Há ainda dois tubérculos, que marcam as posições das cartilagens cuneiformes e corniculadas que ficam subjacentes.
  • a abertura inferior da laringe: ela é contínua com a luz da traqueia, é completamente envolvida pela cartilagem cricoidea, e tem posição horizontal, diferentemente do ádito da laringe, que é oblíquo e está voltado póstero – superiormente na faringe. A abertura inferior é sempre mantida aberta, mas o ádito pode ser fechado por movimentos da cartilagem epiglótica.

Regiões da Laringe

  • vestíbulo da laringe: região entre o ádito da laringe e as pregas vestibulares.
  • glote: muito delgada. É a região entre as pregas vestibulares (acima) e as pregas vocais (abaixo). De cada lado da glote, tem um abaulamento, que produz um espaço em forma de calha chamado de ventrículo da laringe. Daí, de cada ventrículo, vem uma extensão tubular que se projeta entre a prega vestibular e a cartilagem tireoidea. Dentro das paredes destes sáculos, encontram – se numerosas glândulas mucosas. O muco secretado nos sáculos lubrifica as pregas vocais.
  • cavidade infraglótica: região entre as pregas vocais (acima) e a abertura inferior da laringe (abaixo).
  • rima do vestíbulo: abertura de forma triangular, que fica entre as duas pregas vestibulares adjacentes, bem na entrada da glote.
  • rima da glote: outra abertura triangular, mas essa fica entre as duas pregas vocais, e separa a glote acima, da cavidade infraglótica, abaixo.

Cordas Vocais

As bordas livres das cordas vocais tem uma cobertura formada por epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado e pela camada superficial da lâmina própria, que é conhecida também como espaço de Reinke.

Histologia - Corda Vocal Verdadeira

Histologia – Corda Vocal Verdadeira

  • cordas vocais verdadeiras: a lâmina própria consiste em três camadas: 1) uma camada superficial contendo matriz extracelular com poucas fibras elásticas (espaço de Reinke), 2) uma camada intermediária com um conteúdo maior de fibras elásticas. 3) uma camada profunda com abundantes fibras elásticas e colágenas.
  • as cordas vocais (pregas vocais) têm duas regiões: eixo e cobertura. A cobertura que tem um epitélio estratificado pavimentoso não-queratinizado, que é o espaço de Reinke. Já o eixo é composto pelas camadas intermediária e profunda da lâmina própria, e o músculo vocal ou tiroaritenoide. A cobertura é flexível, mas o eixo é rígido, mas tem propriedades contráteis. À medida que a rigidez do eixo da corda vocal aumenta, a velocidade da onda da mucosa aumenta e o tom se eleva.
  • O espaço de Reinke e a cobertura epitelial são responsáveis pela vibração das cordas vocais.
  • a lâmina própria é rica em mastócitos. Em reações de ataque, os mastócitos podem fazer edemas e até obstruir a laringe.

Mucosa da Laringe

A mucosa da laringe é contínua com a da faringe e a da traqueia. Um epitélio estratificado pavimentoso não-queratinizado cobre a superfície lingual e uma pequena extensão da superfície faríngea da epiglote e das cordas vocais verdadeiras. Nas outras partes, o epitélio é pseudo-estratificado ciliado, com células caliciformes. Há ainda glândulas seromucosas laríngeas, que são encontradas por toda a lâmina própria, exceto ao nível das cordas vocais verdadeiras.

Irrigação e Drenagem

  • artérias laríngeas superior e inferior;
  • veias laríngeas superiores inferior;

Inervação

  • sensitiva e motora: ramos dos nervos vagos [X]: nervos laríngeos superiores e nervos laríngeos recorrentes.

A laringe na…

… Respiração

Respiração tranquila:

  • ádito da laringe, vestíbulo da laringe, rima do vestíbulo e a rima da glote ficam abertos; A rima da glote assume uma forma triangular.

Inspiração Forçada:

  • pregas vocais são abduzidas, rima da glote alarga – se até assumir a forma romboide, e isso aumenta o diâmetro da passagem aérea da laringe.

… Fonação

  • o ar é forçado através da rima da glote fechada. Esta ação faz com que as pregas vocais vibrem entre si, e produzam sons. Esses sons são depois modificados pelas partes mais altas das vias aéreas e a cavidade oral.

... Fechamento com esforço (quando precisa reter ar na cavidade torácica para estabilizar o tronco)

  • rima da glote fica completamente fechada, assim como a rima do vestíbulo e as partes inferiores do vestíbulo da laringe. O resultado é o fechamento súbito, completo e forçado das vias aéreas.

… Deglutição

  • a rima da glote, a rima do vestíbulo e o vestíbulo da laringe fecham – se e o ádito da laringe estreita – se. Ademais, a laringe movimenta – se para cima e para a frente. Esta ação faz com que a epiglote oscile para baixo em direção às cartilagens aritenoideas e efetivamente estreite ou feche o ádito da laringe. O movimento da laringe para cima e para a frente também abre o esôfago, que está fixado na face posterior da lâmina da cartilagem cricoidea.

Traqueia

A traqueia é um tubo flexível que se estende do nível vertebral CVI, na parte inferior do pescoço, ao nível vertebral TIV/V no mediastino, onde se bifurca em brônquios principais direito e esquerdo. A traqueia é mantida aberta por peças de cartilagem em forma de C contidas em sua parede. – a parte aberta do C está voltada posteriormente. Essa cartilagem que forma esse C é hialina, e está envolvida por uma camada fibroelástica mesclada com pericôndrio. A peça em forma de C mais inferior é a chamada cartilagem da carina.  A parede posterior da traqueia é composta principalmente por musculatura lisa.

Ela é palpável na incisura jugular. Posteriormente à traqueia vem o esôfago, e ele é imediatamente anterior à coluna vertebral. Existe uma mobilidade significativa no posicionamento vertical destras estruturas quando elas atravessam o mediastino superior. A deglutição e a respiração causam desvios posicionais, assim como pode ocorrer na doença e com o uso de instrumentalização especializada.

Traqueia!

Traqueia!

A traqueia é revestida por um epitélio pseudo-estratificado cilíndrico ciliado disposto sobre uma distinta lâmina basal. Há 4 tipos principais de células:

  1. células cilíndricas ciliadas: são predominantes. Vão do lúmen até à lâmina basal.
  2. células caliciformes: são também abundantes e também têm contato com o lúmen e a lâmina basal.
  3. células basais: ficam na lâmina basal, são importantes células-tronco.
  4. células de Kulchitsky: células neuroendócrinas que secretam serotonina, calcitonina, ADH, etc.

A lâmina própria da traqueia tem fibras elásticas, e a submucosa tem glândulas mucosas e serosas.

Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 145, 949 a 965. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 377 a 381. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s