Arquivo | 2 de setembro de 2012

Anatomia Macroscópica e Microscópica da Visão

Pálpebras, Aparelho Lacrimal e Músculos

Pálpebras

  • função de proteger o bulbo do olho.
  • o espaço entre as pálpebras é chamada de rima das pálpebras.
  • de anterior para posterior, as camadas que formam as pálpebras são: pele, tecido subcutâneo, músculo estriado, septo orbital, tarso e túnica conjuntiva.
  • a parte externa da pálpebra (porção cutânea) é revestida pela epiderme (epitélio estratificado pavimentoso queratinizado) sobre uma derme com tecido conjuntivo frouxo e o músculo orbicular do olho.
  • a parte interna (porção conjuntival interna) é revestida por uma delgada membrana mucosa, a conjuntiva.
  • é na parte cutânea que ficam as glândulas sudoríparas e as glândulas sebáceas. Nela também ficam os cílios.
  • na parte conjuntival fica a placa tarsal, que é um tecido conjuntivo denso fibroelástico que contém grandes glândulas tarsais sebácea. Elas são responsáveis por dar rigidez às pálpebras.
  • a conjuntiva é contínua com o revestimento da pele e se estende até a periferia da córnea.
  • quando ocorre bloqueio das glândulas sebáceas e sudoríferas, há uma inflamação conhecida como terçol.
  • o tarso é o que proporciona maior sustentação para cada pálpebra. Ele é formado por placas de tecido conjuntivo denso. Associado ao tarso na pálpebra superior, está o músculo levantador da pálpebra superior.

Aparelho Lacrimal

  • o aparelho lacrimal está envolvido na produção, movimento e drenagem de líquido da superfície do bulbo do olho. É composto por glândula lacrimal e seus ductos, os canalículos lacrimais, o saco lacrimal e o ducto lacrimonasal.
  • a glândula lacrimal produz um líquido, a lágrima, que primeiramente se acumula no saco conjuntival e em seguida, sai para a cavidade nasal através de um ducto de drenagem (ducto nasolacrimal).
  • quando o músculo orbicular do olho se contrai durante o ato de piscar, a pequena parte lacrimal do músculo comprime o saco lacrimal, forçando o líquido para o ducto lacrimonasal, que drena para o meato nasal inferior da cavidade nasal. Quando o músculo relaxa, o saco lacrimal expande-se, puxando o líquido para si através dos canalículos do saco da conjuntiva.

Músculos

  • levantador da pálpebra superior
  • reto superior
  • reto inferior
  • reto medial
  • reto lateral
  • oblíquo superior
  • oblíquo inferior

Bulbo do Olho

Anatomia do Olho

Anatomia do Olho

  • o bulbo ocular é constituído por três túnicas ou camadas, as quais, de fora pra dentro, são: esclera e a córnea, úvea, retina.
  • o olho pode ser dividido em três câmaras. A câmara anterior é a que corresponde ao espaço entre a córnea e a superfície anterior da íris. A posterior é a que vai da superfície posterior da íris até o cristalino. E, por último, a cavidade vítrea é onde fica o corpo vítreo, e fica posterior ao cristalino.
  • as câmaras anterior e posterior são contínuas entre si através da pupila, e ficam cheias do humor aquoso. Ele é produzido na câmara posterior, vai para a câmara anterior através da pupila, e então é absorvido no seio venoso da esclera, também chamado de canal de Schlemm. O humor aquoso fornece nutrientes à córnea avascular e à lente e mantém a pressão intra-ocular.
  • a túnica fibrosa, ou túnica externa do bulbo do olho é formada pela esclera e pela córnea.

Túnica Fibrosa, ou Túnica Externa

Esclera

  • camada de fibras colágenas e elásticas. É um tipo de tecido conjuntivo denso.
  • é o “branco do olho”
  • a esclera proporciona inserção para os vários músculos envolvidos nos movimentos do bulbo do olho.
  • a superfície da esclera fixa-se frouxamente à corioide da túnica vascular.

Córnea

  • é transparente, o que permite a entrada de luz no olho.
  • não possui vasos sanguíneos e linfático. Esse é o principal motivo para a córnea ser um dos poucos órgãos do corpo que pode ser transportado sem praticamente qualquer tipo de rejeição.
  • é rica em terminações nervosas.
  • é mantida sempre umedecida pelas lágrimas.
  • ela é composta por cinco camadas: epitélio da córnea, camada de Bowman, estroma, membrana de Descemet e endotélio da córnea.
  • epitélio da córnea: estratificado pavimentoso não-queratinizado. As células da superfície externa têm microvilos e todas as células se conectam entre si por desmossomas. Epitélio muito sensível, pois tem grande quantidade de terminações nervosas livres, além de ter uma alta capacidade de regeneração.
  • camada de Bowman: transparente, constituídas por fibrilas de colágeno tipo I, sem fibras elásticas. Sem capacidade de regeneração.
  • estroma: altamente transparente. Apresenta feixes de fibras colágenas tipo I e IV que formam camadas dispostas regularmente em planos sucessivos, que se cruzam em diversos ângulos, sendo resistente a traumas e trações. É rico em proteloglicanos.
  • membrana de Descement: contém colágeno do tipo VII.
  • endotélio da córnea: camada única de células epiteliais pavimentosas, com espaços intercelulares impermeáveis que impedem o influxo de humor aquoso no estroma da córnea.

Túnica média (Úvea), ou Túnica Vascular do Bulbo do Olho

  • essa túnica é formada pela: corioide, corpo ciliar e íris.

Corioide

  • camada fina, altamente vascular, pigmentada.
  • ela ainda é formada
  • é formada por outras três camadas: membrana de Bruch, coriocapilar e estroma da corioide.
  • membrana de Bruch: rede fibras colágenas e elásticas.
  • coriocapilar: tem capilares fenestrados que levam oxigênio e nutrientes às camadas externas da retina e à fóvea.
  • estroma da corioide: grandes artérias e veias circundadas por fibras colágenas e elásticas, fibroblastos, algumas células musculares lisas, neurônios do sistema nervoso autônomo e melanócitos.

Corpo Ciliar

  • pode ser dividido em duas partes: porção uveal e a porção neuroepitelial.
  • formada pelo músculo ciliar e pelos processos ciliares.
  • é uma estrutura em forma de triângulo que fica entre a corioide e a íris.
  • porção uveal: é onde fica o músculo ciliar. Nessa porção, também tem uma camada de capilares fenestrados que fornece sangue ao músculo ciliar.
  • o músculo ciliar, quando se contrai, diminui o tamanho do anel formado pelo corpo ciliar, ou seja, reduz a tensão (diminui o) no ligamento suspensor da lente. Esta, portanto, fica mais arredonda (relaxa), resultando em acomodação da lente para visão próxima.
  • as fibras zonulares se estendem dos processos ciliares. Elas se fixam à lente do bulbo do olho, e suspendem a lente em posição apropriada e formam coletivamente o ligamento suspensor da lente. Os processos ciliares são importantes para a formação do humor aquoso.
  • a porção neuroepitelial é formada pela camada epitelial pigmentar externa e por uma camada epitelial não-pigmentar interna. O humor aquoso é produzido pelas células epiteliais dos processos ciliares irrigados por capilares fenestrados.

Íris

  • é a parte colorida do olho.
  • tem uma abertura central, que é a pupila.
  • é uma continuação do corpo ciliar e está localizada à frente do cristalino. Ela forma um portão para o fluxo de humor aquoso entre as câmaras anterior e posterior do olho, e também controla a quantidade de luz que entra no olho.
  • é formada pela face uveal anterior (ou estromal) e a superfície posterior (neuroepitelial).
  • a face uveal anterior (externa) é formada por fibroblastos e melanócitos pigmentados. O número de melanócitos pigmentados determina a cor da íris.
  • a superfície neuroepitelial posterior (interna) apresenta-se com duas camadas de epitélio pigmentar. A camada externa, uma continuação da camada pigmentar do epitélio ciliar, é formada por células mioepiteliais que se tornam o músculo dilatador da pupila. O músculo liso do esfíncter da pupila está localizado no estroma da íris ao redor da pupila.
  • o músculo esfíncter da pupila, quando contraído, causa constrição à abertura pupilar.
  • o músculo dilatador da pupila, quando contraído, causa aumento ou abertura da pupila.

Túnica Interna

  • é formada pela retina. Ela é formada por duas partes: parte óptica da retina e a parte cega. A parte óptica da retina pode ser chamada de retina sensorial, e a cega de epitélio não-sensorial pigmentar da retina.
  • parte óptica: formada por dois estratos: estrato pigmentoso externo e o estrato nervoso interno. É o estrato nervoso que se destaca, no caso de um deslocamento da retina.
  • na parte posterior da camada neural da retina tem o disco do nervo óptico, mácula lútea e a fóvea central.
  • disco óptico: é onde o nervo óptico deixa a retina. Como não há células receptoras sensíveis à luz no disco do nervo óptico, este local é denominado ponto cego da retina. Ele inclui: papila óptica (uma protrusão formada pelos axônios que entram no nervo ótpico) e a lâmina cribiforme da esclera, atravessada pelos axônios que entram no nervo óptico. A artéria e a veia centrais da retina atravessam o disco óptico.
  • mácula lútea: possui uma depressão central chamada de fóvea central. É a área mais delgada da retina, e a sensibilidade visual aqui é mais alta que em outras partes na retina, porque apresenta somente cones. É caracterizada pela presença de um pigmento amarelo nas camadas internas ao redor da fóvea.
  • o epitélio pigmentar cúbico não-sensorial tem junções de oclusão. Elas formam a barreira externa da retina, e lá estão presentes grânulos de melanina, para que o excesso de luz que chega aos fotorreceptores possa ser absorvido.

Camadas de Células da Retina

  • 1 – Camada de fotorreceptores
  • 2 – Camada nuclear externa – núcleo dos fotorreceptores
  • 3 – Camada plexiforme externa – axônios dos fotorreceptores
  • 4 – camada nuclear interna – núcleo das células bipolares, horizontais, amácrinas e de Müller.
  • 5 – Camada plexiforme interna – prolongamentos dessas células
  • 6 – Camada de células ganglionares
  • 7 – Camada de fibras do nervo óptico

Bastonetes e Cones

  • cones: predominantes na fóvea central. Percebem cores e detalhes.
  • bastonetes: se concentram na periferia e atuam na visão periférica e noturna.
  • eles apresentam dois segmentos principais: um segmento externo e um segmento interno.
  • segmento externo: contém pilhas de discos membranosos achatados que abrigam um fotopigmento.
  • os vários componentes dos discos são sintetizados no segmento interno e são transportados por motores moleculares ao longo de microtúbulos em direção ao segmento externo através da estreita ponte citoplasmática contendo o cílio modificado.
  • segmento interno: muitas mitocôndrias.
  • três diferenças entre bastonetes e cones: 1) o segmento externo é cilíndrico nos bastonetes e tem formato cônico nos cones. 2) os bastonetes terminam num pequeno botão ou esférula do bastonete. Já os cones terminam no pedículo do cone. 3) os bastonetes têm o fotopigmento rodopsina. Os cones têm a iodopsina. A rodopsina é utilizada na visão noturna, e a iodopsina percebe detalhes e discrimina cores (azul, verde e vermelho).

Neurônios de Condução: Células bipolares e Células Ganglionares

  • essas células conduzem o impulso recebido pelas células fotorreceptoras para o cérebro.
  • tem duas classes de células bipolares: células bipolares dos bastonetes, e células bipolares dos cones.
  • As células bipolares (neurônios bipolares) dividem-se em dois grupos: 1) células bipolares difusas – contato sináptico com 2 ou mais fotorreceptores(até 6). 2) Células bipolares monossinápticas – um fotorreceptor.
  • As células ganglionares – estabelecem contato com as células bipolares e seus axônios irão formar o nervo óptico.

Neurônios de Associação: Células Horizontais e Células Amácrinas

  • as células horizontais e amácrinas não têm axônios ou dendritos. Elas possuem prolongamentos que conduzem em ambas as direções.
  • as células horizontais integram cones e bastonetes de áreas adjacentes da retina, ou seja, estabelecem contatos entre vários fotorreceptores.
  • as células amácrinas têm só um prolongamento que se ramifica.

Células de Müller

  • os prolongamentos citoplasmáticos das células de Müller preenchem os espaços entre os fotorreceptores e as células bipolares e ganglionares.
  • sua função é isolar, nutrir e sustentar os neurônios da retina

Cristalino

  • transparente, lente biconvexa, elástica e avascular.
  • as fibras da zônula mantêm o cristalino em seu lugar.
  • é formado por três componentes: cápsula do cristalino, epitélio do cristalino e substância do cristalino.
  • O cristalino é importante no processo de formação da imagem.
  • A nitidez das imagens distantes e próximas focalizadas na retina depende do formato do cristalino.
  • acomodação visual define o processo pelo qual o cristalino se torna mais arredondado para focalizar a imagem de um objeto próximo e se achata quando a imagem de um objeto distante é focalizado na retina.

Acomodação Visual

  • a acomodação define o porcesso pelo qual o cristalino se torna mais arredondado para focalizar a imagem de um objeto próximo na retina, e se achata quando a imagem de um objeto distante é focalizada na retina.
  • três componentes contribuem para o processo de acomodação: músculo ciliar, corpo ciliar e os ligamentos suspensores.
  • quando ele está arredondado, fica melhor a visão para perto (músculo ciliar contraído).
  • quando ele está plano, fica melhor a visão para longe (músculo ciliar relaxado).
  • miopia: bulbo do olho profundo demais, ou a curvatura do cristalino não é plana o suficiente. A imagem do objetido distante se forma em um plano à frente da retina. Lente divergente.
  • hipermetropia: bulbo do olho raso demais e a curvatura do cristalino é plana demais. A imagem distante é formada em um plano atrás da retina. Lente convergente.
  • presbiopia: dificuldade de enxergar de perto por causa da perda da elasticidade do cristalino.
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