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Metabolismo do Miocárdio

Vias Metabólicas no Miocárdio

Relembrando a Glicólise…

10 Reações da Glicólise

10 Reações da Glicólise

  • Ela tem dez reações, e é dividida em duas fases: preparatória (cinco primeiras reações) e de investimento (cinco últimas reações). A primeira fase converte uma molécula de glicose em duas moléculas de gliceraldeído 3 – fosfato, e a segunda produz duas moléculas de piruvato, duas moléculas de ATP e duas moléculas de NADH;
  • Reação 1: fosforilação da glicose; atuação da enzima hexoquinase (na maioria dos tecidos) ou da glicoquinase (fígado e pâncreas);
  • Reação 2: conversão/equilíbrio entre a glicose 6 – fosfato e a frutose 6 – fosfato.
  • Reação 3: a frutose 6-fosfato recebe um fosfato do ATP e vira frutose 1,6-bifosfato, isso quem faz é a enzima fosfofrutoquinase (PKF – 1).
  • Reação 4: clivagem da frutose 1,6 bifosfato em gliceraldeído 3-fosfato e diidroxiacetona fosfato; A enzima que atua nisso é a aldolase;
  • Reação 5: a diidroxiacetona é convertida em gliceraldeído 3-fosfato por uma isomerase, de forma reversível;
  • Reação 6: oxidação do gliceraldeído 3-fosfato em 1,3 bifosfoglicerato.
  • Reação 7: sai o fosfato do 1,3 bifosfoglicerato que vai para o ADP para formar ATP. Surge o 3-fosfoglicerato.
  • Reação 8: a enzima fosfoglicerato mutase desloca um grupo fosfato para outro carbono, e forma o  2-fosfoglicerato;
  • Reação 9: a enolase retira uma molécula de água da 2-fosfoglicerato e forma o fosfoenolpiruvato, que tem muita energia;
  • Reação 10: transferência de um fosfato do fosfoenolpiruvato para a formação de ATP e piruvato pela enzima piruvato quinase (PK).
  • As três enzimas que regulam a glicólise são: hexoquinase, PKF-1 e piruvato quinase (PK);  A hexoquinase é regulada pelo produto glicose 6 – fosfato, a PFK – 1 e a PK pela quantidade de carga energética.

Glicólise no Miocárdio

Como em qualquer outra célula, a absorção da glicose pelos miócitos está aumentada no período pós – prandial. Essas células também absorverão mais glicose quando ocorre isquemia ou hipóxia, e durante o trabalho cardíaco aumentado. Em todos esses casos, a glicólise está ativa.

Já os fatores que inibem a glicólise são jejum, baixo trabalho cardíaco ou diabetes mellitus severa. isso porque os níveis de ácido graxo no sangue estarão elevados, o que inibe a glicólise.

Por que em jejum a glicólise é inibida? Ou, por que no período pós – prandial, a glicólise é ativada?

A resposta das duas perguntas é: insulina. Esse hormônio é o responsável por aumentar a quantidade de transportadores de glicose nas membranas plasmáticas (GLUT1 e GLUT4). Com essa grande quantidade de transportadores, a glicose entra em maior quantidade dentro dos miócitos, e ai pode – se ativar a glicólise. Em jejum, a insulina está em baixíssima concentração, e isso diminui a quantidade de transportadores, logicamente, inibindo ou diminuindo a atividade da glicólise. No caso da diabetes mellitus, a pessoa tem ou resistência à insulina, ou a falta dela. O mecanismo é o mesmo como se a pessoa estivesse em jejum, ou seja, não há transportadores suficientes de glicose nas membranas plasmáticas, mesmo que no sangue haja alta concentração de insulina ou de glicose.

Outro detalhe importante sobre a glicólise nos miócitos é que, em condições de hipóxia a conversão da glicose 6-fosfato a frutose 1,6-bisfosfato, via frutose 6-fosfato, ocorre em uma taxa aumentada.

Relembrando o metabolismo do glicogênio…

Metabolismo Glicogênio

Metabolismo Glicogênio

Glicogenólise

  • Acontece assim: a fosforilase do glicogênio catalisa a quebra do glicogênio, formando glicose-1-fosfato. Essa glicose-1-fosfato é convertida em glicose-6-fosfato pela ação da fosfoglicomutase (sendo que essa é uma reação reversível!). A glicose-6-fosfato é transformada em glicose pela glicose-6-fosfatase. Essa enzima é uma proteína integral da  membrana, e não está presente em músculo (ou seja, essa reação não acontece nos cardiomiócitos!), mas está na membrana plasmática dos hepatócitos.

Glicogênese

  • A glicose-6-fosfato deve ser transformada em glicose-1-fosfato pela ação da fosfoglicomutase. Daí, a glicogênio sintase é a responsável por transformar a glicose-1-fosfato em glicogênio. Só as ramificações que quem faz é a transglicosilase, e não a glicogênio sintase.

Regulação das Vias Metabólicas

  • os principais hormônios reguladores são insulina e glucagon.
  • o AMP também é um importante regulador do metabolismo. Um mediador importante é a AMPK, pois ela responde ao aumento na concentração de AMP, promovendo a fosforilação de proteínas importantes, regulando, com isso, sua atividade. A atividade da AMPK: aumenta o transporte de glicose, ativa a via glicolítica e suprime processos que consomem energia.
  • as hexoquinases I e II dos músculos são inibidas alostericamente pelo produto da reação, a glicose-6-fosfato. Assim, sempre que a concentração celular de glicose-6-fosfato cresce acima de seu nível normal, essas isoenzimas são inibidas temporária e reversivelmente, fazendo com que a velocidade de formação de glicose-6-fosfato se equilibre com a velocidade de sua utilização, e que o estado estacionário seja restabelecido.
  • a piruvato quinase é inibida por ATP, acetil CoA e ácidos graxos;
  • a epinefrina ativa a quebra do glicogênio e a glicólise;

Relembrando o Ciclo do Ácido Cítrico…

Ciclo de Krebs

Ciclo de Krebs

  • em condições aeróbias, o piruvato é transportado para dentro das mitocôndrias, por uma proteína carreadora específica engatada na membrana interna. Na matriz mitocondrial, o piruvato sofre descarboxilação oxidativa pelo complexo de piruvato desidrogenase, formando acetil CoA.
  • a atividade do complexo piruvato desidrogenase (que faz piruvato virar acetil CoA) é rigidamente controlada. Altas concentrações de NADH e de acetil CoA informam à enzima que as necessidades de energia da célula foram atendidas, ou que ácidos graxos estão sendo degradados, produzindo acetil CoA e NADH.

Relembrando Metabolismo de Ácidos Graxos

  • os triacilgliceróis são degradados a ácidos graxos e glicerol, que são liberados do tecido adiposo e transportados aos tecidos que necessitam de energia. Nestes tecidos, os ácidos graxos têm de ser ativados e transportados para dentro das mitocôndrias, para degradação. Os ácidos graxos são degradados etapa a etapa até acetil CoA, que é a seguir processada pelo Ciclo do Ácido Cítrico.
  • os ácidos graxos são ativados depois de se ligarem com a coenzima A, antes de entrarem na matriz mitocondrial, onde serão oxidados. Essa reação de ativação ocorre na membrana mitocondrial externa.
  • um mecanismo especial de transporte é necessário para levar as moléculas de acil CoA de cadeia longa através da membrana mitocondrial interna. Estes ácidos graxos têm de ser conjugados à carnitina, formando acil carnitina. Esta reação é cataliada pela carnitina transferase I, que está localizada na membrana mitocondrial externa.
  • a oxidação dos ácidos graxos se chama beta – oxidação (porque a oxidação acontece no carbono beta).
  • a acetil CoA formada na oxidação de ácidos graxos só entra no CAC se a degradação de lipídeos e a de glicídeos estiverem adequadamente equilibradas. A acetil CoA tem de se combinar com o oxaloacetato, para ganhar entrada no Ciclo do Ácido Cítrico. Contudo, a disponibilidade de oxaloacetato depende de um adequado fornecimento de glicídeos. Se não houver glicídeos disponíveis, ou se estiverem sendo utilizados incorretamente, a concentração de oxaloacetato é baixa e a acetil CoA não pode adentrar o CAC. Esta dependência é a base molecular do adágio de que os lipídeos queimam na chama dos glicídeos. Ou seja, sem glicídeo, não ocorre oxidação de lipídeos!
  • no jejum ou em dabetes, o oxaloacetato é usado para formar glicose pela gliconeogênese e, por isso, não está disponível para condensação com acetil CoA. Nestas condições, a acetil CoA é desviada para a formação de acetoacetato e D-3-hidroxibutirato. Esses dois compostos são referidos como “corpos cetônicos”.
  • a malonil CoA inibe a carnitinina aciltransferase I, impedindo a entrada de acil CoA na matriz mitocondrial em tempos de fartura. A malonil CoA é um inibidor especialmente eficaz da carnitinina transferase I no coração e músculo, tecidos que têm pouca capacidade de síntese de ácidos graxos por si próprios.

Piruvato e Lactato no Miocárdio

Piruvato

O piruvato é convertido a lactato em condições anaeróbicas, ou seja, em hipóxia ou isquemia. A piruvato desidrogenase, que é a enzima que transforma o piruvato em acetil CoA, geralmente é inativa. Ela se ativa nos cardiomiócitos quando ocorre aumento do esforço cardíaco, pela catecolaminas ou em períodos pós – prandial, quando a concentração de glicose está alta. No entanto, em condições de hipóxia, isquemia ou durante a oxidação de ácidos graxos, ela fica inativa, e isso inativa também a glicólise.

Lactato

O lactato é produzido em condições de anaerobiose. Quando a pessoa faz um exercício físico, é comum ter lactato em altas concentrações no sangue. Em situações assim, quando a concentração de lactato é alta, os cardiomiócitos o utilizam para a produção de energia.

Além do mais, como o lactato é produzido em condições de anaerobiose, a sua medida no seio coronário é um dos sinais de isquemia (infarto). Depois de ser absorvido pelo cardiomiócito, o lactato é convertido em piruvato, pela LDH (lactato desidrogenase), no caso dos cardiomiócitos, a enzima é a LDH – 1 (e sua concentração pode ser também uma forma de medir isquemia cardíaca).

Corpos Cetônicos

Assim como nos outros miócitos, a utilização dos corpos cetônicos pelos cardiomiócitos é através da enzima tiolase (transforma os corpos cetônicos em duas moléculas de acetil CoA). Só que os cardiomiócitos num fazem gliconeogênese, então todo o acetil CoA é usado para formar energia. Em pessoas com diabetes, os cardiomiócitos utilizam muito os corpos cetônicos!

Principais Reservas de Energia dos Cardiomiócitos

A isquemia (quando não há fluxo nem de nutrientes, nem de oxigênio!) faz com que os cardiomiócitos fiquem desprovidos dessas substâncias. Daí, para situações como essa, os cardiomiócitos têm reserva de energia! E essa reserva é feita de glicogênio e creatina-fosfato.

Creatina-Fosfato

Na isquemia, a creatina-fosfato doa um grupo fosfato para ADP, formando ATP. Essa reação de transferência é mediada pela enzima creatina fosfoquinase cardíaca, chamada de CPK-MB. Ela ainda é capaz de catalisar a formação de creatina-fosfato na forma inversa, ou seja, pegando fosfato e transferindo para o ADP.

Glicogênio

Os cardiomiócitos utilizam glicogênio quando em isquemia! Diferente dos outros miócitos que utilizam glicogênio em jejum ou quando a concentração de glicose está baixa. Então, mesmo em jejum, os cardiomiócitos são capazes de sintetizar glicogênio, e em situações de esforço cardíaco ou isquemia, também. Ah, e isso acontece, porque a glicogênio sintase é ativada quando nos miócitos há alta concentração de glicose-6-fosfato, e isso inibe a via glicolítica.  Então, a quebra do glicogênio acontece quando ocorre isquemia, ou quando a glicogênio fosforilase está ativa (baixa concentração de glicose-6-fosfato).

*Doença de Pompe*

A doença de Pompe acontece quando a enzima alfa- 1,4 glicosidase está inativa, pois essa enzima é a responsável em degradar o glicogênio nos lisossomos. Quando ela num tá ativa, há um acúmulo muito grande de glicogênio nesses lisossomos, que podem se romper! E isso compromete todo o cardiomiócito, destruindo o músculo cardíaco.

Marcadores de Isquemia Cardíaca

Gráfico IAM

Gráfico IAM

Para identificar isquemia cardíaca, há alguns compostos que podem ser identificados em exames. Esses compostos chegam à corrente sanguínea, porque no infarto ocorre a morte celular, e os compostos caem no sangue. Os principais são:

  • troponinas T e I: há troponinas T e I nos músculos esqueléticos e no cardíaco. As troponinas do músculo cardíaco são a TcI e a TcT. Depois do infarto, as suas concentrações permanecem até sete dias elevadas.
  • mioglobina: devido à lesão nas células musculares cardíacas, é comum que tenha mioglobina circulante. No entanto, esse marcador num é muito eficiente, porque todos os outros músculos também tem mioglobina, então não necessariamente a injúria é do coração, pode ser de outro músculo.
  • CK e CK-MB: a CK é a creatinoquinase. Ela é formada pelas subunidades M e B, e elas se associam formando isoenzimas, uma delas é a CK – MB. A CK – MB corresponde a 20% das CKs do músculo cardíaco, e só 2% do músculo esquelético, ou seja, está em maior concentração no coração. Então, um aumento da concentração de CK-MB é um indício para confirmar o infarto agudo do miocárdio. A concentração de CK – MB normaliza – se em até três dias.
  • LDH-1: como já dito, essa enzima atua transformando o lactato em piruvato. Em condições de isquemia cardíaca, a concentração dessa enzima estará elevada, pois haverá uma maior produção de lactato.

Reperfusão na Área Infartada no Miocárdio

Depois que a pessoa infartou, uma das coisas a ser feita é a reperfusão na área infartada, para tentar salvar o máximo de células possíveis de morrer. No entanto, quanto mais tempo a pessoa ficou em isquemia, mais devagar a reperfusão deve ser feita. O motivo disso é porque, devido à isquemia, ocorre acúmulo de metabólitos do ATP, que serviam de base energética para os cardiomiócitos durante o período de isquemia. Podemos citar os metabólitos como: ADP, AMP, adenosina, e inosina. Esses metabólitos do ATP se acumulam, porque o ATP não pode ser regenerado, então as células usam o ADP e AMP para terem energia. Daí, o aumento desses metabólitos fazem com que haja produção de hipoxantina, que é formada a partir da adenosina e inosina.

Quando faz a reperfusão, passa a chegar oxigênio nessas células. Só que, o oxigênio ativa uma enzima  chamada de oxidase. E essa oxidase vai pegar a hipoxantina pra fazer xantina e H2O2. O problema, é que tem muita hipoxantina, então vai ter muito H2O2 pra fazer! Se a quantidade de oxigênio que chega for pequena, a formação de H2O2 será menor, porque menos oxidase vai ser ativa, então menos hipoxantina vai ser usada pra formar xantina e H2O2.

O problema de H2O2 em excesso, é porque essa molécula é capaz de oxidar e destruir as estruturas celulares, entre elas, até o DNA! E também destroem as proteínas das membranas, e acaba agravando a área que tava com lesão, que antes era reversível, e transforma em irreversível…

Em condições fisiológicas, há formação de H2O2 também, só que a velocidade de formação é menor, então os mecanismos de proteção do miocárdio dão conta de impedir que essa H2O2 destrua tudo por aí.

 

Histologia do Sistema Cardiovascular

O que é o sistema cardiovascular?

O sistema cardiovascular é um monte de tubos endoteliais contínuos. Nos seres humanos, que é o que interessa para a medicina, esse sistema é fechado, isto é, em nenhum momento do circuito o sangue será despejado em uma cavidade, já que ele percorre todo o trajeto dentro desses tubos endoteliais contínuos. Esse sistema é o responsável pela distribuição de nutrientes e oxigênio por todo o corpo, e pela coleta das excretas e do gás carbônico. O sangue consegue percorrer por esses vasos, porque ele é ejetado com uma pressão hidrostática feita pelo bombeamento sanguíneo do coração.

Os tubos que compõem o sistema são as artérias, veias e capilares. Cada um deles tem um formato diferente, pois a pressão com que recebem o sangue é diferente de um pra outro, e a forma com que esse sangue é distribuído por cada um também é diferente! As artérias têm que transportar o sangue em uma pressão muito alta, então suas paredes musculares são espessas. Já as veias devem transportar o sangue de volta ao coração, então a pressão do sangue dentro delas é menor, por isso as suas paredes são mais finas.

A circulação dentro do organismo pode ser dividida em duas: circulação sistêmica ou periférica (grande circulação) e circulação pulmonar (pequena circulação). A pressão exercida pelo bombeamento do coração faz com que em cada parte do sistema cardiovascular haja uma pressão distinta. Por exemplo, a pressão na aorta é muito alta, pois ela recebe o sangue diretamente do coração. Daí, conforme o sangue vai circulando, essa pressão vai diminuindo e chega a ser 0 mmHg quando ele retorna ao coração pela veia cava inferior.

Não podemos esquecer que o sistema cardiovascular não é composto só pelas veias, artérias, coração, sangue e capilares. Há também o sistema linfático, que possui características próprias, mas assemelha – se ao sanguíneo, na medida que também é composto por tubos. Ele será melhor explicado depois.

Vamos falar de cada componente do Sistema Cardiovascular (SCv)

Coração

Pra começar, o coração NÃO é assim:

Coração Fingindo Ser Um Coração

Coração Fingindo Ser Um Coração

Vamos manter o foco:

Como já foi dito, o sistema cardiovascular é composto por TUBOS. O coração não seria diferente! Ele é um tubo endotelial dobrado!

  • Esse órgão é quem bombeia o sangue para o resto do corpo. Por causa disso, a parede muscular desse órgão é muito espessa. Ela é dividida em:

Endocárdio e Miocárdio. Também é possível observar a camada de tecido conjuntivo subendocárdico (fica abaixo do endocárdio!) e também as fibras de Purkinje (jajá serão explicadas)

  1. Endocárdio: composto por um revestimento endotelial e um tecido conjuntivo subendotelial, sobre o qual ele fica apoiado. Esse tecido conjuntivo subendotelial (tecido conjuntivo subendocárdico) é composto por fibras colágenas e elásticas, sintetizadas por fibroblastos. Nessa camada de tecido conjuntivo ficam pequenos vasos sanguíneos, nervos e as fibras de Purkinje. O endocárdio é homólogo à túnica íntima dos vasos sanguíneos.
  2. Miocárdio: é um sincício (lembra de embrio! qualquer coisa chamada sincicio quer dizer: conjunto de células que se fundem, perdem suas membranas e formam uma única massa multinuclear) formado por fibras musculares estriadas cardíacas. Ele é composto por três tipos de músculo: músculo atrial, músculo ventricular e fibras musculares especializadas na excitação e condução de impulsos cardíacos. Ele é contínuo com a túnica média dos vasos sanguíneos.
  3. Epicárdio: superfície de baixo atrito revestida por um mesotélio em contato com o espaço pericárdico seroso. Ele é semelhante à túnica adventícia dos vasos sanguíneos.
O miocárdio é composto por três tipos de células: cardiócitos contráteis (que são os que se contraem para bombear o sangue), cardiócitos mioendócritos (produzem FNA) e cardiócitos nodais (especializados no controle da contração rítmica do coração. São células localizadas no nodo sinoatrial – junção da veia cava superior com o átrio direito – e no nodo atrioventricular – presente sob o endocárdio dos septos interatrial e interventricular.
  • O coração é composto de dois sincícios de fibras musculares:
  1. Sincício atrial: forma a parede dos dois átrios
  2. Sincício ventricular: forma a parede dos dois ventrículos

Ao redor das aberturas valvares entre os átrios e os ventrículos, há um tecido conjuntivo fibroso que separam os átrios e os ventrículos.

  • Sistema Condutor do Coração

O coração possui dois sistemas condutores especializados, os quais geram estímulos próprios e transmitem a excitação produzida. Um deles é o nodo (ou nó) sinusal (ou sinoatrial, S-A). Ele gera impulsos que causam contrações rítmicas do músculo cardíaco. O coração também tem um sistema condutor especializado, constituído pela via internodal, que induz o impulso do nodo sinoatrial para o nó atrioventricular, chamado também de nodo A – V. O nodo AV, no qual o impulso atrial é retardado antes de chegar aos ventrículos; o feixe atrioventricular, que conduz o impulso dos átrios para os ventrículos; e os feixes esquerdo e direito de fibras de Purkinje, que conduzem o impulso a todas as partes dos ventrículos. (Kierszenbaum; p. 356)

Resumindo: ocorre uma despolarização do nodo sinoatrial. Essa despolarização vai se propagando pela musculatura até alcançar o nodo atrioventricular. De lá, ela parte para os ventrículos, através dos feixes (fibras de Purkinje e feixe atrioventricular)

Nodos e Feixes

Outra característica do sistema condutor do coração é a excreção do fator natriurético atrial (FNA) pelas células musculares cardíacas do átrio. Esse FNA aumenta a quantidade de xixi estimula a diurese e também a excreção de sódio pela urina. Quando acontece isso, o volume de sangue diminui. Essa secreção de FNA pelas células citadas acontece quando elas estão distentidas, depois que o FNA é secretado por elas e o volume de sangue diminui, daí essas células conseguem se relaxar, e a distenção é aliviada. O FNA evita que a reabsorção de sódio e água cause hipervolemia (aumento anormal no volume de líquido circulante no corpo) e hipertensão, que pode resultar em insuficiência cardíaca.

É importante lembrar que o tecido muscular estriado cardíaco possui aqueles discos intercalares onde ficam as junções comunicantes, importantes para a distribuição sincronizada de íons e a rápida disseminação do potencial de ação, para que a contração do coração seja feita de forma rítmica!

  • Fibras de Purkinje

Os feixe formados pelas fibras de Purkinje são responsáveis por conduzir o impulso a todas as partes dos ventrículos. Elas ficam sob o endocárdio (ver a foto lá em cima! onde é citado sobre essas fibras). Diferentemente das fibras musculares cardíacas, elas possuem um diâmetro maior e porque tem um número reduzido de microfibrilas localizadas na periferia da fibra. Elas contêm muiiiiiito glicogênio, daí elas aparecem mais clarinhas nas lâminas, enquanto as fibras do músculo cardíaco aparecem mais escuras. A semelhança entre elas e as fibras musculares cardíacas, é que ambas são estriadas e unidas entre si por discos intercalares.

Fibras de Purkinje

  • Válvulas Cardíacas
As válvulas cardíacas são constituídas por uma porção central de tecido conjuntivo denso contendo fibras colágenas e elásticas, revestida nas suas duas faces por uma camada endotelial.

Artérias

A função das artérias é levar o sangue do coração ao resto do corpo, através dos capilares. Na diástole, quando o coração relaxa, ela armazena um pouco de sangue, senão o fluxo sanguíneo fica comprometido. Assim, quando o coração contrai (sístole) o sangue é ejetado, daí, obviamente, a artéria fica cheia de sangue. Mas dai, quando ele relaxa (diástole), ele se enche de sangue, e não bombeia. Pra que o fluxo seja mantido, então, a artéria armazena um pouco de sangue bombeado.

Como elas recebem um sangue vindo em alta pressão, elas devem ser mais grossas do que as veias, e mais firmes. Elas são divididas em três túnicas:

1. Túnica íntima: é a camada mais interna da artéria. Ela é constituída por:

– revestimento endotelial contínuo com o endocárdio

– camada intermediária de tecido conjuntivo frouxo (subendotélio)

– lâmina elástica interna, feita por elastina

2. Túnica média: é a camada intermediária da artéria. Ela é constituída por:

– células musculares lisas cercadas por uma quantidade variável de componentes da MEC (fibras colágenas e lâminas elásticas, com espaços irregulares – membranas elásticas fenestradas). O colágeno serve pra dar sustentabilidade pra artéria e também limitam a distensibilidade da parede do vaso. Tem mais colágeno nas veias do que nas artérias.

3. Túnica Adventícia (externa): é a camada mais externa da artéria. Ela é constituída por tecido conjuntivo! Algumas artérias e veias possuem pequenos vasos que as penetram pela túnica média e fornecem oxigênio aos vasos. Esses pequenos vasos são chamados de vasa vasorum.

O que separa a túnica externa e a média é uma camada de lâmina elástica.

As artérias podem ser classificadas, em ordem decrescente de tamanho (espessura): artérias elásticas de grande calibre, artérias musculares de médio calibre e as pequenas artérias e arteríolas.

  • As artérias elásticas de grande calibre têm como função levar o sangue do coração para as artérias distribuidoras de calibre médio. Essas artérias de grande calibre são aorta e os ramos principais: braquiocefálica, carótida comum, subclávia e ilíaca comum. As principais características delas são: receber sangue do coração com alta pressão e manter o sangue circulando continuamente, enquanto o coração está bombeando intermitentemente. A túnica íntima, a dessas artérias é composta pelo endotélio e pelo tecido conjuntivo subendotelial. Na túnica média dessas artérias, há lâminas elásticas fenestradas. Já na adventícia, a principal característica é possui as fibras colágenas. O tecido muscular liso é capaz de sintetizar fibras elásticas e colágenas. O vasa vasorum, nervi vasorum e vasos linfáticos ficam na túnica adventícia das grandes artérias elásticas.
  • Artérias musculares de calibre médio são vaso distribuidores, pois elas distribuem a quantidade necessária de sangue a cada órgão, dependendo da sua demanda. Elas são as artérias radial, tibial, poplítea, axilar, esplênica, mesentéria e intercostal. A túnica íntima das artérias musculares de calibre médio são compostas pelo endotélio, subendotélio e por uma lâmina elástica interna. Diferente da túnica média da artéria elástica de grande calibre, a das de calibre médio tem uma diminuição da quantidade de componentes elásticos e aumento da quantidade de fibras musculares lisas.
  • Arteríolas são os ramos finais do sistema arterial. Elas controlam a distribuição do sangue para os capilares por meio de vasoconstrição e vasodilatação. As arteríolas podem ficar vasoconstringindo e vasodilatando, porque ela foi feita pra isso! Isto é, as paredes delas contêm fibras musculares lisas que possibilitam esses fenômenos. Elas são consideradas vasos de resistência e são os principais determinantes da pressão sanguínea sistêmica. Como esses vasos têm um diâmetro muiito pequeno, pode acontecer delas serem fechadas, e isso aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo, por isso ela ser conhecida como um vaso de resistência! A túnica íntima delas é composto pelo endotélio, subendotélio e lâmina elástica interna. A túnica média é feita por camadas concêntricas de células musculares lisas. A adventícia contém pouca quantidade de tecido conjuntivo frouxo.
Túnica Íntima Túnica Média Túnica Adventícia Quais são?
Artéria Elástica de Grande Calibre Endotélio; tecido conjuntivo subendotelial Lâminas elásticas fenestradas Fibras colágenas; vasa vasorum, nervi vasorum e vasos linfáticos aorta e os ramos principais: braquiocefálica, carótida comum, subclávia e ilíaca comum
Artéria Muscular de Médio Calibre endotélio, subendotélio e lâmina elástica interna diminuição da quantidade de componentes elásticos e aumento da quantidade de fibras musculares lisas Lâmina elástica externa fenestrada na junção da túnca média com a adventícia – só em vasos maiores artérias radial, tibial, poplítea, axilar, esplênica, mesentéria e intercostal
Arteríola endotélio, subendotélio e lâmina elástica interna camadas concêntricas de células musculares lisas pouca quantidade de tecido conjuntivo frouxo ramos finais do sistema arterial
  • O segmento depois da arteríola propriamente dita é chamado de metarteríola, que é o ramo terminal do sistema arterial. Ela é constituída por uma camada de células musculares, geralmente descontínua, e representa um importante regulador local do fluxo sanguíneo.

Veias

O sistema nervoso inicia – se com as vênulas pós-capilares. Essas vênulas são tubos de células endoteliais sustentados por uma lâmina basal e uma adventícia de fibras colágenas e fibroblastos.

A circulação venosa inicia – se com as vênulas pós capilares (que é principalmente onde ocorre a diapedese dos leucócitos), depois as vênulas musculares, vênulas coletoras até que se juntam e formam as veias. É importante lembrar que, as vênulas pós – capilares são, estruturalmente, semelhantes aos capilares contínuos, só que têm lúmen maior. São ainda túbulos de células endoteliais que são sustentados por uma lâmina basal e uma adventícia de fibras colágenas e fibroblastos.

  • túnicas das veias: não há uma distinção clara entre a túnica média e a túnica adventícia. Já o lúmen é revestido por um endotélio e uma lâmina basal subjacente. Não há lâmina elástica interna distinta.
  • túnica média muscular: é mais fina do que nas artérias, e as células musculares lisas têm uma orientação irregular, aproximadamente circular.
  • túnica adventícia: fibras colágenas e fibroblastos e poucas fibras nervosos. Os vasa vasorum, nas grandes veias, penetram na parede.

Uma característica específica das veias é a presença das valvas (estruturas que, junto com a contração do músculo estriado esquelético, auxiliam na volta do sangue para o coração, evitando o fluxo de sangue). A valva é uma projeção da túnica íntima para o lúmen, e é coberta por células endoteliais e reforçadas por fibras elásticas e colágenas. Além disso, as veias têm uma parede mais fina do que as artérias do mesmo calibre. Elas possuem uma alta capacitância porque sua parede tem propriedade de distensibilidade. Por isso que o conteúdo de sangue é grande, em relação ao volume das veias.

Capilares

Os capilares são vasos que realizam as trocas metabólicas. Eles são tubos muiiiiito finos e formados apenas por uma camada única de células endoteliais, que são altamente permeáveis, e circundadas por lâmina basal. Eles possuem tamanho suficiente pra caber uma hemácia, mas bastante finos para que ocorram as trocas gasosas.

O leito microvascular, o sítio da microcirculação, é composto por uma arteríola terminal (e metarteríola), pelo leito capilar, e por vênulas pós-capilars. O leito capilar é formado por capilares ligeiramente grandes (denominados canais preferenciais ou de comunicação), onde o fluxo sanguíneo é contínuo, e pequenos capilares, denominados capilares verdadeiros, onde o fluxo sanguíneo é intermitente. (Kierszenbaum)

Há três tipos de capilares. Os contínuos são aqueles completamente revestidos por endotélio (e seempre tem a lâmina basal). Entre a lâmina basal e esse endotélio podem existir umas células chamadas de pericitos. Elas são células indiferenciadas que parecem com células musculares lisas modificadas. Os líquidos e solutos, por meio de cavéolas ou vesículas de transcitose, são transportados por células endoteliais unidas por junções celulares. O outro tipo de capilar é o fenestrado, em que há poros (ou fenestras) podendo, ou não, possuir diafragma. (ver foto logo embaixo). O último tipo é o descontínuo (ou também chamado de sinusóide), em que o revestimento endotelial e a lâmina basal é incompleto, então há buracos e espaços nesses capilares. Eles são necessários em locais em que precisa de uma relação íntima entre o sangue e o parênquima.

Capilar Contínuo: presença dos pericitos, junção de oclusão. Encontrado em: encéfalo, tecido muscular, pele, timo e pulmão. Lâmina basal contínua.

Capilar Fenestrado: presença, nessa imagem, de diafragma. Encontrado em: com poros sem diafragma - glomérulos renais. Com diafragma - intestinos, glândulas endócrinas e ao redor dos túbulos renais. Lâmina basal contínua.

Capilar Descontínuo: presença dos espaços. Encontrado em: fígado e baço. Lâmina basal descontínua.

Agora… Vasos Linfáticos

Sistema Linfático

Funções:

1. Conduzir células do sistema imunológico e linfa aos linfodonos;

2. Remover o excesso de líquido acumulado nos espaços intersticiais;

3. Transportar quilomícrons

O fluxo da linfa vem sob baixa pressão e é unidirecional.

Conforme a circulação vai rolando, é comum que haja formação de um líquido que chamam de linfa. Essa linfa extravasa dos vasos sanguíneos e caem nos capilares linfáticos.

Os grandes vasos linfáticos têm três camadas parecidas com as veias, mas o lúmen é maior. Ainda como as veias, os vasos linfáticos também possuem valvas, só que em maior número ainda.

  • túnica íntima: camada endotelial com uma camada subendotelial (feito de tecido conjuntivo).
  • túnica média: algumas células musculares lisas em forma concêntrica e separadas por fibras colágenas.
  • túnica adventícia: formada por tecido conjuntivo com fibras colágenas e elásticas.

Como acontece a circulação linfática: há capilares linfáticos em quase todos os espaços teciduais. Inicia – se com tubos dilatados com extremidades fechadas, perto dos capilares sanguíneos.Os capilares linfáticos convergem em vasos linfáticos pré – coletores, drenando a linfa para os vasos linfáticos coletores. Os vasos linfáticos coletores são envolvidos por células musculares lisas, que promovem atividade de bombeamento intrínseco. O movimento do tecido adjacente promove um bombeamento extrínseco passivo. (Kierszenbaum)

O fluxo da linfa segue por duas contrações:

  • Contração Intrínseca: os vasos linfáticos se expandem por meio da linfa, e em seguida o músculo liso da parede se contrai. Daí, a válvula abre, a linfa fui, e depois a válvula fecha de novo.
  • Contração Extrínseca: contração de músculos adjacentes durante exercício, pulsações arteriais e compreensão por forças externas ao corpo comprimem o vaso linfático e causam o bombeamento.

Quando a drenagem da linfa está comprometida, o excesso de líquido acumula – se nos espaços teciduais e forma – se o edema.

Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 355 a 374. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.