Arquivos

Oi!

Fiz esse blog no início da faculdade. Hoje estou formada, e como podem ver acabou que eu não fui colocando os resumos mais por aqui, não deu certo 😂

até pensei em deletar o blog, mas até hoje recebo comentários tão legais dizendo que os resumos que tão aqui tem ajudado alguns leitores, então resolvi deixar!

Se alguém tiver interesse, vou manter um instagram funcionando com uma pegada diferente. Nada universitário. Mas, com relatos do dia a dia dentro da medicina. Acho que vai ser legal.

Segue o link:

https://www.instagram.com/cynthiaaquino/

 

Sindesmologia: Cíngulo do Membro Superior e Membro Superior

Cíngulo do Membro Superior

Entre a Clavícula e o Esterno

Articulação Esternoclavicular

1) Articulação Esternoclavicular

É a articulação entre a incisura clavicular do manúbrio do esterno com a face esternal da clavícula. Ela é sinovial e tem forma de sela. Permite o movimento da clavícula.

Há discos também entre o esterno e a clavícula. Eles servem para a moldagem das superfícies articulares, isto é, para uma superfície se adaptar melhor a outra. É em parte a função do menisco no joelho.

2) Ligamentos

Essa articulação é revestida pelo ligamento esternocostal radiado.  (De acordo com o que o professor falou hoje).

É reforçada por quatro ligamentos: ligamentos esternoclaviculares anterior e posterior, ligamento interclavicular, ligamento costoclavicular. (De acordo com o Grays).

Membros Superiores

Ombro

Articulação do Ombro

1) Articulação

As articulações que constituem o ombro são: articulação acromioclavicular (plana) e articulação glenoidal (muito, muito, muito, muito móvel). Elas permitem que a escápula alcance diversas posições na parede torácica, o que aumenta o alcance do membro superior.

  • articulação acromioclavicular: entre acrômio e clavícula. É uma articulação do tipo sinovial. É reforçada pelo ligamento acromioclavicular, ligamento coracoclavicular (muito maior, ele fornece muito do suporte ao peso do membro superior sobre a clavícula e mantendo a posição da clavícula no acrômio. É formado pelo ligamento trapezoide e ligamento conoide. O ligamento trapezoide se insere na linha trapezoidea da clavícula  o ligamento conoide posterior, se insere no tubérculo conoide.
  • articulação glenoumeral: é uma articulação esferoidea. Ocorre entre a cabeça do úmero e a cavidade glenoidal. Ela é multiaxial (muito movimento, pouca estabilidade). Existem nessa articulação os ligamentos glenoumerais superior, médio e inferior, ligamento coracoumeral e ligamento transverso do úmero.Os tendões dos músculos do manguito rotador (supra – espinal, infra – espinal, rendod menor e subescapular), unem – se com a cápsula articular e formam um anel musculotendíneo, que envolve as regiões posterior, superior e anterior da articulação do ombro. Este manguito de músculos estabiliza e mantém a cabeça do úmero na cavidade glenoidal da escápula sem comprometer a flexibilidade do braço e sua mobilidade.

2) Ligamentos

Os ligamentos que reforçam a articulação do ombro são os ligamentos coracoacromial (acrômio e processo coracoide) e coracoclavicular (clavícula e processo coracoide).

OBS: Os músculos que constituem o manguito rotador têm um importante papel na estabilização da articulação do ombro, e também a cabeça longa do bíceps braquial e os processos ósseos relacionados e ligamentos extracapsulares.

Observações Clínicas

  • fraturas da clavícula e luxações das articulações acromioclavicular e esternoclavicular: por causa do pequeno tamanho da clavícula e também por causa das forças potenciais que são transmitidas do membro superior pro tronco, passando por ela, é comum que ela seja um osso muito comum de ser fraturado. O local mais comum dela ser fraturada é no terço médio. Em traumas, é comum que a parte acromial da clavícula se desloque da articulação acromioclavicular. Traumas mais severos resultam em ruptura dos ligamentos conoide, trapezoide e coroclavicular, o que resulta numa subluxação da clavícula.

Cotovelo

Cotovelo

1) Articulação

Tem articulação entre a incisura troclear da ulna e a tróclea do úmero; articulação entre a cabeça do rádio e o capítulo do úmero (essas duas juntas são as principai sarticulações do cotovelo) e também a articulação entre a cabeça do rádio e a incisura da ulna (ou) articulação radiulnar proximal, que está envolvida com a pronação e supinação do antebraço; Elas três compartilham a mesma cavidade sinovial.

2) Ligamentos

Têm os ligamento colateral (radial e ulnar) e o ligamento anular (que conecta a cabeça do rádio à ulna).

  • ligamentos colaterais: dão suporte aos movimentos de extensão e flexão na articulação do cotovelo. Ele também tem a função de manter a cabeça do rádio sobre a ulna e permitir o movimento de pronação e supinação.
  • ligamento anular do rádio: o ligamento anular do rádio e a cápsula articular associada permitem que a cabeça do rádio deslize contra a incisura radial da ulna e forme um eixo com o capítulo durante a pronação e supinação do antebraço.

OBS: Os ligamentos colaterais em geral servem para impedir que ocorra movimentos para “lados que não eram pra virar”. Eles existem no joelho, dedo, tornozelo, cotovelo….

Antebraço

1) Articulação

  • articulação radiulnar distal: articulação entre a superfície articular da cabeça da ulna com a incisura ulnar no final do rádio e com um disco articular fibroso que separa a articulação radiulnar da articulação do punho;
  • a membrana interóssea que também pode ser chamada de articulação radioulnar média. Ela conecta o rádio e a ulna sem restringir a pronação e a supinação e proporciona inserção para músculos dos compartimentos anterior e posterior.

Mão e Punho

1) Articulação

  • Entre o rádio e ulna com os ossos do carpo (radiocarpal).
  • os ossos carpais possuem numerosas superfícies articulares. Todos eles se articulam entre si, sendo que os ossos carpais da fileira distal articulam – se com os metacarpais dos dedos. Com exceção do metacarpal do polegar, todos os movimentos dos ossos metacarpais nos ossos carpais são limitados.
  • articulação radiocarpal (do punho): sinovial. Entre a epífise distal do rádio e o disco articuar sobre a epífise distal da ulna, e o escafoide, o semilunar e o piramidal. É reforçada pelos ligamentos radiocarpal palmar, ulnocarpal palmar e radiocarpal dorsal. Além desses, tem ainda os ligamentos colaterais radial e ulnar do carpo.
  • articulações carpometacarpais: tem forma de sela entre o metacarpal I e o trapézio, o que permite uma grande mobilidade ao polegar, que não é uma característica dos outros dedos;
  • articulações metacarpofalângicas: articulação condilares, é reforçada pelo ligamento palmar e pelos ligamentos colaterais medial e lateral.
  • articulações interfalângicas da mão: são articulações do tipo gínglimo. São reforçadas pelos ligamentos coletais medial e lateral e pelos ligamentos palmares.

2) Ligamento

Os ligamentos que reforçam essa articulação são ligamento radiocárpico palmar, ulnocárpico palmar e radioulnar palmar. Há também o ligamento colateral nos dedos.

Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 626 a 712. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.

Sindesmologia: Cabeça e Coluna Vertebral

Cabeça

Crânio

No crânio predominam as suturas. Dispensável ficar citando elas nesse post, basta olhar aqui.

Mandíbula

1) Articulação

Articulação Temporomandibular

A articulação temporomandibular (ATM) é a articulação entre o osso temporal e a mandíbula. Ela permite a abertura bucal, e está sujeita a a um estresse muito grande, o qual é diminuído pelo disco.

2) Ligamentos

Quem mantêm essa articulação unida são os ligamentos: ligamento estilomandibular, ligamento lateral (temporomandibular) que conecta a base do côndilo da mandíbula até o arco zigomático, e o ligamento esfenomandibular. Eles reforçam o que é a função prioritária da cápsula articular

Observações Clínicas

  • Pode ter artrose na ATM! Mas, geralmente, quem trata disso é o dentista.
  • A luxação (perda do contato articular) dessa articulação é geralmente por causa de traumas.

Coluna Vertebral

1) Articulações

Entre as vértebras, há dois tipos de articulações: sínfise (entre os corpos vertebrais) e sinovial (entre os processos articulares).

a) Discos Intervertebrais (Sínfise)

Disco Intervertebral

O disco intervertebral é formado por um anel fibroso externo (composto de fibras dispostas em configuração lamelar), e um outro anel pulposo central interno (feito de polissacarídeos). Esse núcleo pulposo tem consistência gelatinosa e absorve forças de compressão entre as vértebras. Ele também é bem hidratado, porque os polissacarídeos “puxam” a água.

Observações Clínicas

Hérnia de Disco

  • Hérnia de disco: algum tipo de alteração degenerativa pode levar com que o núcleo pulposo se hernie. Ou seja, ele “sai” do anel fibroso. Geralmente, a hérnia de disco acontece em jovens (20 a 50 anos), porque o núcleo pulposo é bem hidratado, né? Só que em idosos, essa hidratação é menor, então é mais difícil do anel pulposo “ter força” pra herniar. Em compensação, com crianças também é muito difícil de acontecer, porque o anel fibroso é super forte, e o núcleo pulposo não teria força pra conseguir extravasar. O problema da hérnia é que, o anel pulposo pode comprimir a raiz de algum nervo e isso causa muiita dor! A hérnia mais frequente é a que comprime posteriormente, mas pode ser também dela herniar anteriormente. A hérnia lombar é menos dolorosa do que a torácica, porque na região lombar há menos quantidade de raízes nervosas do que na torácica. Já a hérnia cervical pode ser fatal!!

Hérnia de Disco Lombar

  • dor nas costas: isso é um distúrbio muito comum, e nem sempre se sabe a causa. Algumas vezes, pode ser por causa de uma compreensão de nervo, e daí nesse caso, em que um disco tá comprimindo um nervo, pode ter que operar e remover o disco. Quando a dor é por conta de desconforto mecânico, um dos tratamentos consiste em inserir uma agulha até a face articular e infiltra – la com anestésico local e corticosteroide.
  • a diminuição de tamanho na velhice se dá pela perda de água do núcleo pulposo. O disco diminui de tamanho, deixa de ficar tão túrgido, e as vértebras ficam um pouco mais próximas uma da outra, dai ocorre a diminuição.

b) Articulação entre os Processos Articulares (Sinovial)

Articulação Zigoapofisária: Articulação entre os Processos Articulares

É uma articulação entre os processos articulares superiores e inferiores, com as vértebras adjacentes. É interessante notar que, a disposição dessa articulação varia de tipo pra vértebra pra vértebra. Por exemplo, na vértebra torácica, essa articulação tá de um jeito totalmente diferente na lombar e na cervical! Essas diferenças possibilitam que cada região da coluna vertebral possua um limite e uma amplitude diferente de movimento. Para detalhar melhor, temos que na região cervical, as articulações ficam inclinadas da parte anterior para a posterior. Nas torácicas, elas ficam verticais, e nas lombares, elas ficam sobrepostas.

2) Ligamentos

Os ligamentos da coluna vertebral sustentam e reforçam a articulação das vértebras.

Ligamentos da Coluna Vertebral

Nome Localização Observações
Ligamentos Amarelos. Formam a parte da superfície posterior do canal vertebral. São predominantemente feitos de tecido elástico. Eles resistem à separação das lâminas na flexão e auxiliam na extensão de volta à posição anatômica.
Ligamentos longitudinais anterior e posterior. Ficam nas superfícies anterior e posterior dos corpos vertebrais e estendem – se ao longo da maior parte da coluna vertebral. O objetivo desses dois ligamentos é dar rigidez a essa estrutura. Ela tem que ser rígida, pra proteger a medula! (Claro que muito duro, é uma patologia, como a espondilite anquilosante). São predominantemente feitos de tecido elástico. Eles resistem à separação das lâminas na flexão e auxiliam na extensão de volta à posição anatômica. Esse ligamento tem objetivo de vedar um espaço entre uma lamina e outra
Ligamento supra – espinal e ligamento nucal. O ligamento supra – espinal vai da última vértebra cervical (CVII) até o sacro. Antes da CVII ele recebe o nome de ligamento nucal. Eles recebem nomes diferentes porque têm formatos diferentes. O ligamento nucal é uma estrutura triangular em forma de lâmina e sustenta a cabeça. Ele resiste à flexão e facilita o retorno da cabeça à posição anatômica. As amplas superfícies laterais e a margem posterior do ligamento dão fixação aos músculos adjacentes. O supra – espinal liga as extremidades dos processos espinhosos vertebrais e passa ao longo deles.O ligamento nucal na região cervical substitui os fracos processos espinhosos da região cervical (lembre – se que o processo espinhoso da região cervical são muito pequenos). Por causa do ligamento nucal, os músculos do pescoço são muito fortes para poder deixar a cabeça de pé. Esses músculos ficam o tempo todo contraídos, são músculos antigravitacionais.

 

Ligamento Interespinal Eles passam entre processos espinhosos vertebrais adjacentes. Fixam – se da base ao ápice de cada processo espinhoso e misturam – se com o ligamento supra – espinal posteriormente e os ligamentos amarelos anteriormente a cada lado.Quando chega na região cervical ,os ligamentos mudam de nome. O ligamento longitudinal anterior, quando chega na transição, ele muda de nome e vira membrana atlanto – occipital anterior. O ligamento amarelo quando chega na transição C1, occipital, vira membrana atlanto – occipital posterior.  O nome muda porque muda a composição/natureza do ligamento. Essa mudança de nome está relacionada à mudança de mobilidade, as cervicais são muito mais móveis.
  • Quando chega à região cervical, os ligamentos mudam de nome. O ligamento longitudinal anterior vira membrana atlanto – occipital anterior. O ligamento amarelo quando chega à transição C1 – occipital, vira membrana atlanto – occipital posterior. O ligamento longitudinal posterior vira membrana tectória. O nome muda porque muda a composição/natureza do ligamento. Essa mudança de nome está relacionada à mudança de mobilidade, já que as cervicais são muito mais móveis.
  •  A articulação entre o axis e o atlas não permite só o deslizamento, mas também o movimento de rotação. Então, quando a cabeça roda, roda o atlas ao redor do dente do axis levando o occipital (o crânio) junto. Para que esse movimento possa ocorrer sem perigo para o indivíduo, é necessário um processo ligamentar muito importante. Isto é, uma luxação na articulação atlanto-axial pode ser letal! Letal porque comprometeria a medula espinal.
  • Os ligamentos que impedem que o dente do axis fique em contato com a medula é o ligamento cruciforme (formato de cruz), composto pelo ligamento transverso, fibras longitudinais posteriores e anterior, e também os ligamentos alares. Tem também o ligamento apical que é o ligamento do ápice do dente.
  • Qualquer acidente com hiperrotação do pescoço pode romper a estrutura da cavidade sinovial e deixar o dente do axis “sambando” em cima da medula. Isso é fatal, porque as raízes do nervo frênico podem ser lesadas.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 41 a 47. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.

Sindesmologia: Introdução

Definições

A sindesmologia é a parte da anatomia que estuda as articulações e os ligamentos.

A articulação é definida como a conexão existente entre quaisquer partes rígidas do esqueleto. Assim, ela não precisa ser só entre osso e osso, mas pode também ser entre osso e cartilagem. As articulações podem ser móveis, ou parcialmente móvel, isso porque, dependendo do tecido interposto, o grau de mobilidade pode variar.

As articulações móveis, obviamente, são importantes para o movimento. As parcialmente móveis, geralmente têm função de proteção ou estabilidade do eixo maior da postura bípede. Um exemplo clássico de articulação parcialmente móvel são as articulações do crânio.

Já o ligamento tem a função de unir entre si duas cabeças ósseas de uma articulação. Eles possuem grande resistência mecânica, daí eles terem grande importância na fortificação da articulação.

Classificação das Articulações

As articulações têm dois grandes grupos: sólida ou sinovial. A articulação fibrosa se divide em dois grupos: fibrosa (ou sinartrose) e cartilagínea (ou anfiartrose). A articulação sinovial pode também ser chamada de diartrose. Essas classificações variam de acordo com o elemento interposto, que pode ser, respectivamente, tecido fibroso, cartilagem ou líquido sinovial.

OBS: Esse líquido sinovial é muito rico em proteínas e glicídeos. Agora, imagina um acidente em que a bolsa sinovial seja perfurada por algum objeto contaminado. Imagina agora as bactérias se proliferando nesse meio cheio de comida de bactéria. Então, problema, né?

Articulações Sólidas

1) Articulações Fibrosas

  • Sindesmose: grande quantidade de tecido conjuntivo fibroso, como os que tem nas membranas interósseas. Existe um tipo específico de sindesmose que é a gonfose. Essa gonfose é a articulação que existe entre o dente e a maxila. É interessante relacionar que, quando a pessoa morre, os dentes caem. Por que esses dentes caem? Porque na morte, esse tecido conjuntivo da articulação do tipo gonfose se decompõe. Sem essa articulação, o dente cai.
  • Suturas: tem pouquíssima quantidade de tecido conjuntivo. Os espaços entre as suturas vai diminuindo com o tempo, por isso que no crânio de um idoso, tem sutura que nem dá pra ver. Essas suturas vão surgindo durante o processo de ossificação desmal, e são especificamente encontradas no crânio. Ah, e o nome “sutura” é porque tem forma de costura.

2) Articulações Cartilagíneas

  • Sincondroses primárias: o tecido interposto é a cartilagem hialina. Essa articulação pode ser intra – óssea (quando tá dentro de um mesmo osso) ou pode ser interóssea, quando ocorre entre ossos diferentes. Estas articulações permitem o crescimento ósseo, e com o passar do tempo tornam – se completamente ossificadas. Um exemplo é entre o osso occipital e o esfenoide.
  • Sínfises: ocorrem onde dois ossos são interconectados por cartilagem do tipo fibrosa. Incluem a sínfise púbica e os discos intervertebrais.

Articulações Sinoviais

Conceitos

 Esse tipo de articulação é a que tem o líquido sinovial entre os ossos, o que facilita o movimento, já que reduz o atrito. Um exemplo dela é a do joelho. A articulação do ombro também é muito móvel, mas também tem articulação sinovial menos móveis, como a da mão e do cotovelo, ou seja, concluímos que há graus diferentes de liberdade de movimento entre as articulações sinoviais. Outra informação importante sobre as articulações sinoviais, é que elas são maioria dentro do nosso corpo. Essas articulações são compostas por dois componentes importantes:

  • Cápsula fibrosa: parte mais externa da articulação, ela envolve a articulação do lado de fora; É composta por duas membranas: membrana sinovial (interna) e a membrana fibrosa (externa). A membrana fibrosa é formada por tecido conjuntivo denso e envolve e estabiliza a articulação. A membrana sinovial será melhor detalhada em seguida.
  • Cartilagem hialina: as superfícies articulares esqueléticas são recobertas por cartilagem hialina. É por esse motivo que, ao olhar uma radiografia, os ossos parecem estar distantes entre si. Na verdade, essa distância é fruto dessa cartilagem, que aparece mais transparente no raio X do que o osso.
  • Líquido sinovial: a membrana sinovial é quem o produz. Ela o produz ativamente meio do sangue. Ou seja, ela tem a capacidade de filtrar o sangue e selecionar pra ela só o que interessa na produção do líquido (água, proteínas, glicídios).
  • Há elementos especiais nas articulações sinoviais, que as tornam mais adaptáveis. Por exemplo, os meniscos servem como amortecedores e servem para uma melhor adaptação das superfícies articulares. Tem também os discos que existem na articulação temporomandibular,  que tem função amortecedora para quando tiver mordendo/mastigando. Atenção: não confunda esse disco com o disco intervertebral! O disco (da ATM) é uma articulação do tipo sínfise. No caso da mandíbula, ele é um componente especial intrarticular de uma articulação sinovial. Ou seja, esses discos têm o mesmo nome, mas funções diferentes. 
  • Outro elemento especial das articulações sinoviais são as bursas, onde fica o líquido sinovial. A bursa serve como um acolchoado feito de líquido sinovial e membrana para diminuir o atrito. Elas são formadas por sacos fechados de membrana sinovial, que ocorrem fora da articulação. Essas bolsas costumam interpor- se entre estruturas como tendões e ossos, tendões e articulações ou pele e osso. Elas reduzem o atrito de uma estrutura que se move sobre a outra.
  • O labrum é outro elemento, ele fica em volta da cavidade acetabular, tem uma orla em volta do tecido cartilaginoso para deixar a cabeça do fêmur mais presa na fossa acetabular, para evitar que ocorra a luxação do fêmur.
  • Por último, temos os coxins gordurosos. Eles geralmente se situam entre a membrana sinovial e a cápsula e movimentam – se para dentro e para fora das regiões conforme mudam os contornos durante o movimento.
Observações Clínicas
  • Como eu já disse, o líquido sinovial é riquíssimo em nutrientes, a infecção dele por bactérias é a causa das artrites! Em casos de perfuração por objetos infectados, o indivíduo pode pegar uma artrite séptica;
  • Com a idade, a quantidade de líquido sinovial vai diminuindo. O idoso é todo durinho, porque ele perdeu muito do líquido sinovial de suas articulações. Daí, se ele tenta forçar a articulação, ele sente dor, porque o atrito entre as as superfícies ósseas aumenta. Se esse atrito aumenta muito, muito, passa a ter atrito entre as cartilagens articulares. Elas existem para que não haja contato de osso com osso, só que com o tempo, elas se desgastam. A renovação dessa cartilagem é MUITO lenta, já que o tecido cartilaginoso é pouco irrigado pelo sangue. Quando toda essa cartilagem tá desgastada e inicia – se o contato do osso com osso, começa o processo de artrose.
  • Diferença entre ARTRITE e ARTROSE: artrose é a diminuição do líquido sinovial e desgaste da superfície articular com processo inflamatório. Na artrite é aumento do conteúdo intraarticular, a custo de pus. Fica maior, porque fica infectado!
  • A articulação mais móvel é a do ombro, quando comparada com o fêmur, porque a cavidade glenoidal é mais rasa do que o acetábulo. Em compensação, a articulação do fêmur é mais estável, por isso é mais comum ter uma luxação de ombro do que de quadril. Quanto mais móvel, menos estável. Quanto mais estável, menos móvel.

Classificação Funcional das Articulações Sinoviais

  • Monoaxial: movimento em um só eixo, como o cotovelo (articulação entre o úmero e a ulna).
  • Biaxial: são aquelas que fazem flexão, extensão, abdução e adução, como a articulação do punho, que trabalha em dois eixos diferentes.
  • Triaxial (ou multiaxial): são aquelas que fazem flexão, extensão, abdução adução e rotação, como a do ombro (glenoumeral).

Classificação Morfológica das Articulações Sinoviais

  1. Plana: permite apenas o deslizamento. Por exemplo: entre as superfícies articulares das vértebras.
  2. Gínglimo (monoaxial): articulação em dobradiça. Por exemplo: a umeroulnar.
  3. Trocoide (monoaxial):  funciona de forma que uma superfície articular roda enquanto a outra fica fixa no mesmo ponto. Por exemplo: rádio com a ulna em movimento de pronação e supinação, ou a atlantoaxial.
  4. Selar (biaxial): as faces ósseas são reciprocamente côncavo-convexas. Permitem os mesmos movimentos das articulações condilares. Exemplo: Carpometacárpicas do polegar. Por exemplo: entre o carpo e o metacarpo.
  5. Condilar/Elipsoide (biaxial): uma superfície articular ovóide ou condilar é recebida em uma cavidade elíptica de modo a permitir os movimentos de flexão e extensão, adução e abdução e circundução, ou seja, todos os movimentos articulares, menos rotação axial. Exemplo: Articulação do pulso.
  6. Esferoide (triaxial): É uma forma de articulação na qual o osso distal é capaz de movimentar-se em torno de vários eixos, que tem um centro comum. Exemplos: Articulações do quadril e ombro.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 38 a 41. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.
Aula de Anatomia. Disponível em: http://www.auladeanatomia.com/artrologia/sinovias.htm. Acessado dia 08.06.12.

Osteologia: Esqueleto Apendicular – Cíngulo do Membro Inferior e Membros Inferiores

Definições e Pontos Importantes

Membros Inferiores

O que liga o esqueleto axial aos membros inferiores é o cíngulo do membro inferior. Esse cíngulo é composto pelos ossos do quadril: ílio, ísquio e púbis e também o sacro. Quando neném, esses ossos ficam ligados entre si apenas por uma cartilagem na área do acetábulo, e se fundem apenas ao redor dos 16 anos em um único osso.

Os membros inferiores são compostos pelos fêmur, tíbia, fíbula e ossos do pé.

Outra forma de organizarmos o esqueleto apendicular é por segmento. Dessa forma, teríamos o primeiro segmento (cintura pélvica), segundo segmento (coxa), terceiro segmento (perna) e quarto segmento (pé).

Em relação à função dos membros inferiores, é claro que a locomoção é a primeira grande importância deles que vem a nossa mente, mas, não se pode esquecer que os ossos dos membros inferiores são muito importantes na hematopoiese, principalmente nas crianças!

Quando comparamos a amplitude de movimento dos membros superiores com os inferiores, percebemos que os membros superiores conseguem fazer muitos mais movimentos do que os inferiores! Por que isso? Por causa da diferença da articulação do ombro e da articulação do fêmur. Pensa: a cavidade glenoidal, como já disse, é bem rasa, então a cabeça do úmero não fica tão presa assim, dá pra ficar “sambando” na cavidade glenoidal. A cabeça do fêmur se articula no acetábulo, que é como um “buraco”, uma “fossa”, e a cabeça do fêmur fica bem encaixada! Esse é um dos principais motivos para que a amplitude de movimento dos membros inferiores seja menor do que o dos superiores.

Outra peculiaridade dos membros inferiores é o fato de que, toda sua anatomia foi feita para que todo o peso do corpo seja aguentado, e o centro de gravidade do corpo seja mantido estável, a fim de que o ser humano consiga ficar bípede “sem cair”. Sua anatomia também reduz a quantidade de energia necessária para manter a locomoção e produzir uma marcha suave e eficiente. Essas peculiaridades anatômicas são:

  •  inclinação da pelve no plano frontal;
  • rotação da pelve no plano horizontal;
  • movimento dos joelhos na direção da linha média;
  • flexão dos joelhos e complexas interações entre o quadril, joelho e tornozelo;

Agora, uma semelhança entre os membros superiores e inferiores é quando falamos das regiões de transição. Assim como os membros superiores tem a axila, fossa cubital e túnel do carpo como importantes regiões onde passam nervos, vasos, etc para as partes distais do membro, isso também existe nos membros inferiores! A região da virilha, tecnicamente chamada de trígono femoral, fossa poplítea (atrás do joelho) e a região retromaleolar medial (aqui chamada de túnel do tarso) são áreas de passagem de nervos e vasos para as partes distais dos membros.

No trígono femoral passam os prinipais vasos sanguíneos e um dos nervos do membro (nervo femoral), eles entram na coxa vindo do abdomem, passam pelo ligamento inguinal, tudo isso através do trígono femoral. Na fossa polplitea passam grandes vasos e nervos entre a coxa e a perna. E a maioria dos vasos, nervos e tendões flexores que vão da perna ao pé passam pelo túnel do tarso.

Cíngulo do Membro Inferior (Quadril)

Ílio

Osso Ilíaco

Dica: pra colocar o osso ilíaco em posição anatômica tem um truque simples: pegue o osso como se fosse falar no celular. Coloca a orelha no ísquio e “fale no púbis”. Se o encaixe certo for o da orelha direita, então é o osso ilíaco direito, e vice – versa.

  • asa ilíaca: encontramos as linhas glúteas (inserções dos músculos do glúteo) posterior, anterior e inferior; Essa asa serve como proteção de algumas vísceras, embora a principal função dela seja de fazer ligação;
  • [cavidade do] acetábulo: é um “buraco” onde fica a cabeça do fêmur. Nesse buraco encontramos os seguintes acidentes: fossa do acetábulo, face semilunar e incisura do acetábulo; a face semilunar é mais ampla posteriormente onde a maior parte do peso corporal é transmitida através da pelve para o fêmur. Os vasos sanguíneos e nervos passam através da incisura do acetábulo.
  • forame obturatório: é um forame grandão! Mas, a maior parte dele fica fechada por uma membrana de tecido conjuntivo, chamada de membrana obturadora. Tem só um espacinho entre a membrana e o osso, e nesse espacinho é que se dá a passagens para comunicação entre os membros inferiores e a cavidade pélvica;
  • há ainda outros acidentes: fossa ilíaca, face auricular (para se articular com o sacro, tem formato de orelha!);
  • linha arqueada: divide o ílio em corpo do ílio e asa do ílio;
  • crista ilíaca: facilmente palpada, é usada na coleta de medula óssea;

Retirada de Medula Óssea nos Ossos do Quadril (crista ilíaca)

  • temos ainda a espinha ilíaca ântero – superior e ântero – inferior; espinha ilíaca póstero – superior e espinha ilíaca pósterio – inferior;
  • incisura isquiática maior e incisura isquiática menor e também a espinha isquiática;
  • túber isquiático: suporte ao corpo quando sentado, também serve como ponto de inserção proximal de músculos como bíceps da coxa, etc. São músculos fortes que precisam de uma superfície muito rugosa e ampla para serem inseridos.

Observações Clínicas

  • a abertura superior da pelve nas mulheres tem forma circular, e nos homens tem formato de coração. É mais circular porque o promontório é menos proeminente e as asas ilíacas são mais largas nas mulheres. O ângulo formado pelos dois ramos do arco púbico é maior nas mulheres (80-85 graus) do que nos homens (50 a 60 graus). É claro que essa circularidade pélvica feminina é por causa do parto, para facilitar a saída do neném.

Pelve Feminina e Pelve Masculina

  • a tendência de fratura na pelve é a fratura no púbis. Isso porque, ele é um osso mais frágil e também se articula com o outro púbis apenas através da sínfise púbica. Esse tipo de fratura é chamada de fratura open book.

Fratura Open Book

  •  A função do púbis é secundária. É simplesmente conversar com o outro púbis e fechar o anel pélvico. Isso permite o movimento de extensão e flexão, importantes pro parto!
  • pacientes com fratura na pelve devem ser avaliados quanto à lesões nos órgãos viscerais e tecidos moles, e vice – versa. A fratura na pelve pode causar muita perda de sangue, e também formar um hematoma pélvico, que pode comprimir nervos e órgãos e inibir a função de vísceras pélvicas. Tem 4 tipos de fraturas na pelve: 1) fratura na crista ilíaca (que não tem nada demais, o máximo é a perda demais de sangue), 2) quebra única no anel ósseo da pelve (lesão com separação, por exemplo, da sínfise púbica, essa lesão também não tem nada demais, só a perda de sangue), 3) quebra dupla no anel pélvico ósseo (fratura bilateral do ramo púbico, que podem produzir dano uretral! Ou também fratura do ramo púbico e a ruptura da articulação sacroiliaca com ou sem luxação, e isso pode dar um trauma significante das vísceras pélvicas e hemorragia), 4) lesões ao redor do acetábulo.

Coxa

Fêmur

Fêmur

Epífise Proximal

  • na cabeça do fêmur tem a fóvea da cabeça do fêmur, que faz a fixação do ligamento da cabeça do fêmur no osso ilíaco;
  • colo anatômico: porque depois da cabeça, vem sempre o colo!
  • trocânter maior e trocânter menor do fêmur: importantes para inserção de músculos. Repare que, analogamente ao úmero, o fêmur tem uma cabeça e um colo, e esses trocanters seriam o equivalente à tuberosidade maior e menor do úmero, mas como são tuberosidades muiiiito maiores, elas são chamadas de trocânter.
  • linha intetrocantérica: fica entre os trocanters e também a crista intetrocantérica;

Diáfise

  • linha áspera: se trifurca em linha glútea, linha pectínea e linha espiral. É um dos principais locais de fixação muscular da coxa;

Epífise Distal

  • face patelar: articulação com a patela;
  • os côndilos articulam – se com a tíbia e anteriormente com a patela;
  •  epicôndilo lateral: faceta superior é origem da cabeça lateral do músculo gastrocnemio e a faceta inferior é a origem do músculo poplíteo; ainda há também o epicôndilo medial;
Observações Clínicas
  • fraturas no colo do fêmur podem necrosar a cabeça do fêmur, ou se for uma fratura intertrocantérica ela pode ser consertada só colocando pinos e placa. Pode ser que a diáfise do fêmur seja fraturada também, mas pra isso precisa de muita energia. Por causa disso, esse tipo de fratura também lesiona os tecidos moles ao redor do fêmur.

Patela

Patela

  • é o maior osso sesamoide;
  • a patela diminui a tensão necessária para a extensão da perna, funciona como uma roldana. Sem a patela, deveria ser necessário fazer muito mais força. Os ossos sesamoides geralmente tem essa função.
  • ápice: fixação do ligamento da patela (patela à tíbia)
  • base: inserção do músculo quadríceps femoral

Perna

Tíbia

Tíbia

  • única que se articula com o fêmur na articulação do joelho é a tíbia;
  • extremidade proximal é expendida no plano transversal para o suporte de peso e consiste de um côndilo medial e outro côndilo lateral;

Epífise Proximal

  • côndilo medial e lateral: já explicados! e entre eles, fica a eminência intercondilar;
  • tuberosidade da tíbia: inserção do ligamento patelar;
  • fóvea fibular: articulação com a fíbula;

Diáfise

  • linha do músculo sóleo; (dispensa comentários)

Epífise Distal

  • maléolo medial: tomar cuidado que a fíbula vai ter um maléolo também, mas vai ser lateral!
  • fossa para o tálus: local para articulação com o tálus;
  • incisura fibular: articulação com a fíbula;

Fíbula (antigo Perônio)

Fíbula

  • é um osso que não suporta peso, diferente da tíbia;
  • é facilmente quebrado! em um trauma em que a tíbia e a fíbula são fraturadas, a atenção principal é dada à tíbia, podendo a fíbula até ficar fraturada sem causar grandes danos;

Epífise Proximal

  • cabeça da fíbula;
  • face articular para a tíbia: articulação com o côndilo lateral da tíbia;

Diáfise

  • crista interóssea;

Epífise Distal

  • maléolo lateral: super comum de ser fraturado quando a pessoa inverte o pé (tipo a mulher quando tá andando de salto e tropeça);
  • face articular para o tálus: lugar de articulação com o tálus

Observações Clínicas

  • o nervo fibular comum ramo do nervo isquiático curva – se lateralmente ao redor do colo da fíbula quando passa da fossa poplítea para a perna. O nervo pode ser rolado de encontro ao osso na região imediatamente distal à inserção do músculo bíceps femoral na cabeça da fíbula. Neste local, o nervo pode ser danificado por lesões de impacto, fraturas do osso ou aparelhos de gesso que são colocados em posição muito alta.

Pé e Calcanhar

Ossos do Pé

  • os ossos do pé não são organizados em um único plano, de modo que eles se posicionem de maneira uniforme no chão. Em vez disto, os ossos metatarsais e tarsais formam os arcos longitudinal e transverso;

Ossos do Tarso

  • Fileira proximal: calcâneo (maior dos ossos tarsais, forma a estrutura óssea do calcanhar; o tendão do calcâneo é o conhecido “tendão de Aquiles”, outra coisa importante é o sustentáculo do tálus, que é uma prateleira óssea que se projeta medialmente e suporta a parte mais posterior da cabeça do tálus) e o tálus (osso mais superior do pé, é suportado pelo calcâneo. Se articula com a tíbia e a fíbula, e forma a articulação talocrural);
  • Fileira distal: cuboide, navicular, cuneiforme (lateral, intermédio e medial)

Ossos do Metatarso

  • 5 ossos do metatarso numerados de I a V no sentido medial para lateral;
  • são os dedos do pé;
  • atenção: o dedão do pé se chama hálux!

Falanges

  • com exceção do hálux, todos os dedos do pé apresentam 3 falanges: a distal, a medial e a proximal. O hálux tem só a distal e proximal;

Observações Clínicas

  •  o tálus é um osso incomum, pois se ossifica a partir de um único centro primário de ossificação, que inicialmente aparece no colo, a face posterior do talus parece se ossificar por último, normalmente na puberdade. Um dos problemas com as fraturas do tálus é que o suprimento sanguíneo para o osso é vulnerável a danos. As fraturas do colo do talus geralmente interrompem o suprimenro sanguíneo para o talus, tornando o corpo e a face posterior do talus susceptíveis à osteonecrose, que por sua vez pode levar a uma osteoartrite prematura e necessitar de extensa cirurgia.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 512 a 562. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.

Osteologia: Esqueleto Apendicular – Cíngulo do Membro Superior e Membros Superiores

Definição e Pontos Importantes

O cíngulo do membro superior é compostos pela clavícula e escápula (antes chamada de omoplata). Ele é importante, pois é a conexão do esqueleto axial com o apendicular superior. Já os membros superiores são compostos pelo úmero, rádio, ulna, ossos do carpo, ossos do metacarpo e pelas falanges.

Ainda tem outra classificação, através de segmentos. Assim, o primeiro segmento seria a cintura escapular, o segundo o braço, o terceiro o antebraço, e o quarto e último, a mão.

Uma importante diferença do esqueleto axial e do apendicular, é que os ossos do esqueleto axial são predominantemente planos e irregulares, e isso auxilia para a sua função de estabilidade e proteção. Já os ossos do esqueleto apendicular são predominantemente longos, e isso é coerente com sua principal função de movimentos de grande amplitudes.

Para exemplificar os movimentos do membro superior, citemos: o braço pode se movimentar fazendo os seguintes movimentos: flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial (rotação interna), rotação lateral (rotação externa) e circundução, tudo isso por causa da articulação do ombro (glenoumeral).

Cíngulo dos Membros Superiores

Clavícula

Clavícula

  • A clavícula é o osso que liga propriamente o esqueleto axial ao apendicular, já que ela se articula com o esterno e com o acrômio; daí que ela tem duas faces: face articular esternal e face articular acromial;
  • presença do sulco do músculo subclávio;
  • a parte medial da clavícula é côncava, e a lateral é convexa;
  • superfície superior é mais lisa do que a inferior;
  • tubérculo conoide e linha trapezoidea: inserção do importante ligamento coracoclavicular;
  • é um osso muito sujeito à fraturas;
  • a punção da veia subclávia é feita localizando o terço médio da clavícula;

Escápula (omoplata)

Escápula

Vista Anterior

  • fossa subescapular: presença de impressões costais;
  • processo coracoide: tem esse nome porque, de acordo com o anatomista que o nomeou, ele se parece com um corvo;
  • temos ainda outros acidentes: margem medial, margem superior, margem lateral e ângulo inferior;
Visão Lateral
  •  cavidade glenoidal: pouco profunda; isso é importante, porque a cabeça do úmero fica mais “livre”, já que ela não fica enclausurada em algum tipo de fossa ou buraco; Essa liberdade é um dos fatores para que a o ombro tenha tanta mobilidade;
  •   tubérculo infraglenoidal: local de inserção para a cabeça longa do músculo tríceps braquial;
  •  tubérculo supraglenoidal: local de inserção da cabeça longa do músculo bíceps braquial;
  • acrômio: se articula com a clavícula

Vista Posterior

  • espinha da escápula: é possível a observarmos nas costas!
  • para fixação dos músculos temos a fossa infra – espinal e fossa supra – espinal; outro acidente importante da escápula é a incisura maior da escápula;
Além disso, ainda na escápula:
  •  face costal e suas margens permitem as inserções musculares e, junto com seu músculo, o subescapular, movem – se livremente sobre a parede torácica adjacente;
  •  a espinha e o acrômio podem ser facilmente palpáveis em um paciente, assim como o ápice do processo coracoide, o ângulo inferior e a maior parte da margem medial da escápula;
  • Agora, antes de falarmos dos membros superiores, é importante apenas citarmos uma região de transição importantíssima entre o esqueleto axial e o membro superior: a axila. Todas as grandes estruturas, que atravessam o pescoço e o braço, passam através dela. As regiões de transição de uma parte do membro a outra como axila, fossa cubital e túnel do carpo são regiões em que importantes estruturas passam para chegar ao membro. Maiores detalhes sobre essas outras regiões no decorrer desse post.

Membros Superiores

Braço: Úmero


Epífise Proximal

  • cabeça do úmero: articulação com a cavidade glenoide;
  • colo anatômico do úmero: sempre depois da cabeça, vem um colo!
  • colo cirúrgico: como se tivesse uma linha imaginária formando um outro colo, ele é chamado assim, pois nessa região é onde ocorre o maior número de fraturas no úmero. Essa região é a mais suscetível à fratura, pois é a mais fraca. O nervo axilar e a artéria circunflexa posterior do úmero podem ser fraturados nesta região, mas isso é raro. O colo anatômico não é tão suscetível assim à fraturas, porque a fratura teria que atravessar a região mais espessa do úmero! Antes de realizar a redução óssea, é necessário que o nervo axilar seja antes testado para ver se não teve lesão, só assim para o paciente não apresentar posteriormente algum déficit neurológico;
  • sulco intertubercular: sulco entre os dois tubérculos; O tendão da cabeça longa do bíceps braquial passa através deste sulco. Espessamentos nas margens lateral e medial do assoalho do sulco intertubercular são locais de inserção do peitoral maior, redondo maior e latíssimo do dorso, respectivamente;
  • tubérculo maior e menor: servem para a inserção dos quatro músculos do manguito rotador da articulação do ombro; No tubérculo maior inserem – se três tendões musculares (músculo supra – espinal, infra – espinal e o redondo menor), já no menor insere – se o músculo subescapular;

Diáfise

  • tuberosidade deltoidea: tuberosidade para o músculo deltoide se inserir;
  • sulco do nervo radial: recuso – me a explicar o que é;

Epífise distal

  • Tróclea: articula – se com a ulna. Tem a forma de uma roldana. É visível na parte posterior do osso.
  •  epicôndilo medial: o nervo ulnar passa pelo braço seguindo para o antebraço ao redor da face posterior do epicôndilo medial e pode ser palpado neste local do osso.
  • fossas radial, coronoidea (recebe o processo coronoide da ulna) e do olécrano (recebe o olécrano da ulna): acomodam projeções dos ossos do antebraço durante os movimentos da articulação do cotovelo.

Observações

  • Três nervos estão relacionados ao úmero. A fratura desse osso pode danificar um dos três nervos: nervo axilar (inerva o músculo deltoide, e passa ao redor da parte posterior da região superior do úmero – colo cirúrgico), nervo radial (inerva todos os músculos extensores do membro superior, passa no sulco radial), nervo ulnar (passa posteriormente ao epicôndilo medial – é esse nervo que, quando a gente bate o cotovelo em alguma superfície, nós sentimos um choquinho que incomoda!)
  • na face medial do osso há um espessamento vertical para a inserção do músculo coracobraquial.
  • Antes de começarmos a falar do antebraço, uma pequena observação sobre o cotovelo (maiores detalhes, ver o resumo sobre ligamento e articulações): a articulação do cotovelo permite a flexão e extensão do antebraço. A pronação só pode ocorrer no antebraço, e ela ocorre com a sobreposição do rádio sob a ulna. Outra coisa importante é a chamada fossa cubital, é a região em que a gente usa pra doar sangue! É através dela que passa a artéria braquial (maior artéria) e também o nervo mediano.
Observações Clínicas
  • epicondilite: comum em jogadores de tênis e golfe, por usarem muito os músculos flexores e extensores do antebraço. A dor fica tipicamente na região dos epicôndilos e melhora com o reposo. Às vezes pode ser necessário uma cirurgia. Jogadores de tênis – epicôndilo lateral, jogadores de golfe – epicôndilo medial.
  • artrite do cotovelo: o cotovelo artrítico pode sofrer processo degenerativo e os pequenos fragmentos ósseos aparecem na cavidade articular. Esses fragmentos podem resultar em apreciável redução da flexão e extensão, alojando – se nas fossas do olécrano e coronoidea.
  • fratura supracondilar do úmero: fratura na epífise da parte distal do úmero, a cima do nível dos epicôndilos. Os fragmentos são tracionados pelo tríceps. Isso estira a artéria braquial sobre o fragmento proximal e irregular da fratura. Em crianças, os músculos do compartimento anterior do antebraço tornam – se isquêmicos e sofrem contraturas severas. (contratura isquêmica de Volkmann). É interessante observar que nós restringimos o grupo para as crianças. O motivo disso é que, na anatomia da criança, as epífises não são tão desenvolvidas assim, e esses músculos não tem a inserção definida e ficam logo sobre a braquial. Logo, quando acontece essa fratura, eles comprimem a artéria, causando a isquemia.

Antebraço

Rádio e Ulna

Um ponto importante a ser observado nos ossos do antebraço, é que enquanto um tem uma parte proximal bem incorporada (que é o caso da ulna), a parte proximal do rádio é bem pequena, quando comparada. E o inverso ocorre na parte distal. Essa inversão é importante para a estabilidade do antebraço. Embora eles sejam ossos distintos, eles atuam como se fosse um osso só! Entre eles fica uma membrana chamada de membrana interóssea, que atua como uma articulação.

Rádio

Epífise proximal

  • cabeça do rádio: ela é circular, por causa do movimento de supinação e pronação e da articulação que ele faz com o capítulo do úmero;
  • colo do rádio: porque sempre depois da cabeça, vem o colo;
  • tuberosidade radial: tuberosidade para a inserção do tendão do bíceps;

Diáfise

  • três bordas e três faces;

Epífise distal

  • incisura ulnar: articulação com a ulna;
  • processo estiloide: projeção cônica;

Observação Clínica:

  • queda com a mão estendida resulta em uma fratura típica que é a fratura na cabeça do rádio: na queda, a força é transmitida pra cabeça do rádio, que acaba quebrando. Às vezes é necessário uma reconstrução cirúrgica, e essa fratura ainda pode comprometer totalmente a extensão completa do membro. Na radiografia lateral, aparece o sinal do coxim adiposo. Encontrar isso na radiografia é importante, porque nem sempre a fratura é visível na radiografia. Quando não é visível, mas o paciente apresenta uma história clínica apropriada, aumento da sensibilidade ao redor da cabeça do rádio e o sinal do coxim positivo, então pode começar o tratamento, mesmo que na radiografia não apareça a fratura.
  • quando os pais tentam subir a criança na calçada puxando ela pelos braços, pode deixar elas com o cotovelo distendido. A cabeça do rádio dela ainda não tá desenvolvida, daí o ligamento anular do rádio é frouxo e permite que a cabeça do rádio subluxe da sua bainha de tecido. Ela é facilmente tratada, é só fazer supinação e compressão da articulação do cotovelo. Quando a cabeça do rádio é realocada, a dor passa na hora!
Outras Observações
  • as articulações proximal e distal entre o rádio e a ulna permitem que a parte distal do rádio mude de posição sobre a parte adjacente da ulna, resultando na pronação e na supinação da mão;
  • músculos anteriores do antebraço = pronação da mão. Músculos posteriores do antebraço = supinação da mão;

Ulna

Epífise proximal

  • olécrano: é a eminência que forma a ponta do cotovelo!
  • incisura troclear: serve para articulação com a tróclea do úmero;
  • incisura radial: articula – se com o rádio; inferiormente à incisura radial, situa – se a fossa que permite que a tuberosidade do rádio mude de posição durante a pronação e a supinação
  • outros dois pontos importantes: tuberosidade ulnar (inserção do músculo braquial) e processo coronoide;

Diáfise

  • três bordas e três faces;
  • rugosidade na face superior para a inserção do músculo tríceps braquial.

Epífise distal

  • cabeça da ulna e processo estiloide (esse processo é medial e saliente, e não é articular);

Observações clínicas:

  • é comum que as artérias radial e ulnar sejam seccionadas em acidentes como quebrar o vidro com o braço, pq elas são relativamente subcutâneas. O cirurgião pode, muitas vezes, facilmente consertar isso.
  •  três lesões clássicas no rádio e na ulna: Fratura de Monteggia (fratura no terço proximal da ulna e luxação anterior da cabeça do rádio no cotovelo), Fratura de Galeazzi (fratura do terço distal do rádio associada à subluxação – luxação parcial – da cabeça da ulna – epífise distal – na articulação radiocarpal – do punho – ). Fratura de Colles (é a fratura e a luxação posterior da epífise distal do rádio). Quando tem uma fratura do rádio ou da ulna, tem que tirar uma radiografia do cotovelo e do punho também pra excluir luxações.

Mão e Punho

Entre o antebraço e a mão, vem a articulação radiocarpal. Ela permite que a mão seja abduzida, aduzida, fletida, estendida e pode fazer circundução.

A mão é um instrumento de sensibilidade. Por isso, nos coxins palmares dos dedos têm uma quantidade absurda de receptores sensoriais somáticos. A proporção em relação a outros locais da pele é muitoooo maior.

Assim como já falamos da importância por serem regiões de transição: axila, fossa cubital, finalmente falta falarmos do túnel do carpo.

Túnel do Carpo

O nervo mediano e todos os tendões flexores longos que passam do antebraço para os dedos o fazem através do túnel do carpo. Na verdade, tudo distalmente passa pelo túnel do carpo, menos a artéria radial que passa dorsalmente.

Ossos da Mão (ossos do carpo, metacarpo e falanges)

Ossos do Carpo

  • os ossos do carpo são importantes, porque para ter os movimentos é necessário que tenha um “ponto morto”, que é feito pelos ossos do carpo. Não daria pra ligar o rádio/ulna direto com os dedos, daí a necessidade dos ossos carpais.
  • fileira proximal (de lateral pra medial): semilunar, escafoide, piramidal e pisiforme (osso sesamoide que se articula com a superfície anterior do piramidal);
  • fileira distal (de lateral pra medial): trapézio, trapezoide, capitato e hamato (onde fica o hâmulo do Amato).
  • depois vem os metacarpais de I a V;
  • depois vem as falanges. Tem três falanges em cada dedo, sendo uma proximal, média e distal, menos o polegar que tem só duas falanges (a proximal e a distal).

Observação clínica:

  • a lesão carpal mais comum é a fratura do osso escafoide. É incomum ocorrerem outras lesões;
    Referências
    DRAKE, R. et alli; (2005). p. 623 a 710. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.

Osteologia: Esqueleto Axial – Tórax

Definição e Observação

A parte do esqueleto axial que forma a região chamada de tórax é formada pelas vértebras torácicas, costelas e pelo esterno. Sim, apenas eles! As vértebras torácicas já foram discutidas no resumo da Coluna Vertebral.

Costelas

Costelas

  • a costela se articula com o esterno por meio da cartilagem intercostal;
  • há no total 7 pares de costelas verdadeiras (que se inserem no esterno). Da oitava costela até a décima, nós chamamos de costelas falsas, porque a cartilagem intercostal não se insere no esterno, mas ela se liga à cartilagem intercostal da costela de cima! O décimo primeiro par e o décimo segundo par das costelas são chamadas de falsas costelas, porque não tem conexão nem com o esterno e nem com as costelas superiores.

Costelas Flutuantes, Falsas e Verdadeiras

  • a extremidade anterior da costela se articula com o esterno, e a posterior com a coluna vertebral;
  • “A cabeça da costela é um tanto expandida e tipicamente apresenta duas faces articulares separadas por uma crista. A face superior menor articula – se com a fóvea costal inferior no corpo da vértebra acima, enquanto a fóvea inferior maior articula – se com a fóvea costal superior de sua própria vértebra” (Gray’s Anatomia para Estudantes; p. 121);
  • Outros acidentes anatômicos importantes desse osso são: colo da costela, tubérculo da costela (tem uma parte articular – articula com a fóvea costal correspondente no processo transverso da vértebra associada – e tem uma parte não – articular – é áspera por causa de fixações de ligamentos). Tem ainda o ângulo da costela e o sulco da costela.
  • OBS: a primeira costela, a partir de sua articulação com a vértebra TI, ela se inclina inferiormente até sua fixação ao manúbrio do esterno. Ela possui apenas uma superfície articular, pois a cabeça articula – se com o corpo da vértebra. Essa costela tem o tubérculo do músculo escaleno maior. O sulco anterior é causado pela veia subclávia e o sulco posterior é causado pela artéria subclávia.
  • Um ponto clínico interessante das costelas é que elas podem ser vítimas de fratura durante o processo de RCP (ressuscitação cardiopulmonar);

Esterno

Esterno

  • no manúbrio do esterno, tem a incisura jugular que é facilmente palpável. De cada lado dessa incisura, tem uma grande fossa oval para articulação com a clavícula (incisura clavicular). Ainda no manúbrio, temos também a incisura costal I para articulação com a primeira costela. A incisura costal II fica “dividida” entre o manúbrio e o corpo do esterno.
  • O corpo do esterno é onde ficam as incisuras costais II até a VII (que fica dividida entre o corpo do esterno e o processo xifoide). Tem no corpo do esterno as cristas transversais.
  • O processo xifoide é a menor parte do esterno. Nele fica um pedacinho da incisura costal VII.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 120 a 123. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.