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Osteologia: Esqueleto Axial – Coluna vertebral

Definições e Observações

A coluna vertebral é composta por 7 vértebras cervicais, 12 vértebras torácicas, 5 vértebras lombares, 5 vértebras sacrais e 4 (podem variar) vértebras coccígeas. A principal função da coluna vertebral é a proteção da medula espinal, permitir a posição bípede e dar sustentação ao corpo.

Existe um modelo típico de vértebra, mas também cada tipo de vértebra tem sua especificidade. Há ainda as vértebras de transição que, embora apresentem as características das vértebras do grupo que pertence, elas começam a se aparentar com o próximo grupo de vértebra que virá.

É também muito importante citar sobre os discos intervertebrais, os quais localizam – se entre as vértebras (menos entre C1 e C2 que num tem esses discos). A principal função deles é amortecer o impacto entre uma vértebra e outra. No resumo de articulações e ligamentos, os discos intervertebrais serão melhores estudados.

A conformação normal da coluna vertebral é essa:

Coluna Vertebral

Repare que na vista lateral, percebemos que a região cervical apresenta uma curvatura lordose, na torácica uma curvatura de cifose e a lombar de lordose de novo. A lordose é uma curvatura secundária que adquirimos conforme começamos a andar, já a cifose é uma curvatura primária (embrionária). A patologia associada a essas curvaturas é quando elas estão muito acentuadas, daí surgem a hiperlordose e a hipercifose. A hiperlordose ocorre muito em gestantes no final da gestação e em muitos obesos. Já a hipercifose é reflexo da pessoa corcunda.

Quando o neném nasce, ele apresenta apenas curvatura de cifose. Conforme ele vai envelhecendo, a primeira curvatura secundária que aparece é a cervical (lordose), ela já existe no feto, mas vai se acentuando ao redor dos 3 ou 4 meses. Já a lordose lombar aparece ao redor dos nove ao décimo mês.

Outra curvatura na coluna, mas nesse caso é patológica, é a escoliose.  A coluna fica parecendo um S.

Curvaturas da Coluna

Vértebra Típica

Vértebra Típica

Os componentes presentes em uma vértebra típica são:

  • corpo vertebral: parte de sustentação de peso da vértebra e está ligado a corpos vertebrais adjacentes por discos intervertebrais e ligamentos. O tamanho do corpo vertebral aumenta inferiormente (porque o peso a ser sustentado aumenta).
  • forame vertebral: em conjunto, formam o canal vertebral (contem e protege a medula espinal).
  •  arco vertebral: composto por dois pedículos (pilares ósseos que fixam o arco vertebral ao corpo vertebral) e por duas lâminas (camadas plantas de osso que se estendem de cada pedículo para se encontrarem na linha média e formarem o teto do arco vertebral.
  •  processo espinhoso: local para fixação de músculos e ligamentos
  •  processo transverso: local para articulação com as costelas na região torácica.
  •  processos articulares superior e inferior: se articulam com os processos articulares inferior e superior, respectivamente, das vértebras adjacentes.
  • os forames intervertebrais são as aberturas formadas pela articulação de duas incisuras vertebrais e eles permitem que estruturas como nervos e vasos sanguíneos entrem e saiam do canal vertebral.

Vértebras Cervicais

vértebra cervical típica

Vértebra Cervical Típica

Primeiro, vamos falar das vértebras cervicais em geral, e depois partimos para as duas exceções importantes: áxis e atlas.

  • corpo vertebral curto em altura e formato quadrado;
  • o tamanho pequeno dessas vértebras é pra possibilitar que movimentos finos possam ser realizados;
  • processo espinhoso curto e bífido; Os processos espinhosos das vértebras cervicais são finos, porque tem os ligamentos nucais, que servem como ponto de ancoramento de músculos para que eles se ancorem bem na região da linha média, daí num precisa de processo espinhoso grande. Isto é, os músculos da região cervical são tão fortes que eles suplementam a falta do processo espinhoso grande!
  • processo transverso furado por um forame transversário redondo;
  • forame vertebral tem formato triangular;

As duas primeiras vértebras cervicais são exceções entre as vértebras. A primeira vértebra é a chamada Atlas (tem esse nome em homenagem ao deus Atlas que segurava o mundo, nesse caso, o mundo seria o crânio). E a segunda vértebras é o áxis. Ambas são responsáveis pelo movimento da cabeça! Esse movimento só é possível pela conformação dessas duas vértebras.

Atlas e Áxis

Atlas

  • não possui corpo vertebral!!!
  • presença de duas massas laterais que se conectam pelo arco posterior e pelo arco anterior. Superiormente, cada uma dessas massas laterais se articula com o crânio (côndilo occipital), e inferiormente elas se articulam com o processo articular superior do áxis.
  • a articulação entre o atlas e o côndilo occipital é chamada de atlantooccipital, e ela é a responsável pelo movimento de “sim” com a cabeça!
  • a superfície posterior do arco anterior tem uma fóvea articular para o dente do áxis.

Áxis

  •  o dente do áxis atua como pivô que permite que o atlas e a cabeça fixada rodem sobre o áxis, no sentido lateral, ou seja, permitindo o movimento de “não” com a cabeça;
  • As duas superfícies supero-laterais do dente possuem impressões circulares que servem como pontos de fixação para os fortes ligamentos alares, que ligam o dente às superfícies mediais dos côndilos occipitais. Estes ligamentos alares limitam a rotação excessiva da cabeça e do atlas em relação ao áxis (ou seja, impede que a gente consiga rodar a cabeça que nem a menina do Exorcista!)

  • o dente do áxis é mantido na posição pelo forte ligamento transverso do atlas;

Vértebras Torácicas

Vértebra Torácica

Vértebra Torácica

  • caracterizadas pela articulação com as costelas;
  • corpo vertebral em forma de coração;
  • cada processo transverso também tem uma fóvea (fóvea costal do processo transverso) para articulação com o tuberculo de sua própria costela;
  • duas fóveas parciais (fóvea costal superior e inferior) que articulam com a cabeça de sua própria costela e com a cabeça da costela debaixo;
  • processo espinhoso é meio “caído”, verticalizado;

Vértebras Lombares

Vértebra Lombar

  • conhecidas pelo seu grande tamanho;
  • corpo vertebral em formato riniforme (formato de rim);
  • o processo espinhoso da vértebra lombar é mais grosso, porque serve para o ancoramento da musculatura lombar, que sustenta o peso do corpo. Sem esses processos, o corpo não conseguiria ficar ereto. Os músculos dessa região também têm que ser fortes para deixarem a espinha ereta!
  • presença do processo mamilar;
  • OBS: os espaços entre lâminas e processos espinhosos adjacentes tornam – se cada vez mais largos a partir da vértebra L1 até a vértebra L5, e são ainda maiores quando ocorre a flexão da coluna vertebral. Estes espaços permitem acesso relativamente fácil ao canal vertebral para procedimentos clínicos, tais como a punção lombar:

Punção Lombar

Essa punção serve para conseguirmos uma amostra do líquido cerebrospinal para  finalidades de diagnósticos. Saber a anatomia nesse procedimento é essencial para que ele seja bem feito e sem riscos.

Vértebras Sacrais

Sacro e sua Posição na Pelve

  • as vértebras sacrais são fundidas em um único osso, formando o sacro, o qual se articula com a pelve;
  • a fusão das vértebras sacrais ocorreu, porque o sacro não precisa ter movimento, aliás, ele não pode ter movimento, pois ele se articula com a estável pelve, cujo movimento é bastante limitado. Totalmente diferente da coluna vertebral, que é extremamente móvel e instável.
  • os forames sacrais servem para a passagem dos nervos espinais S1 a S4;
  • outros acidentes anatômicos: face auricular (articulação com o osso do quadril), canal sacral, tuberosidade sacral, crista sacral lateral, intermédia e medial, hiato sacral e corno sacral, superfície articular lombossacral, promontório, ápice e base sacral.

Vértebras Coccígeas

  • 4 vértebras fundidas (pode variar) formam o cóccix. É um resquício embrionário, se fôssemos cachorrinhos, o cóccix formaria nosso rabo, mas num é o caso. Nada mais de importante sobre ele.
Clínica

Espinha bífida: dois lados dos arcos vertebrais, geralmente nas vértebras inferiores, deixam de se fundir durante o desenvolvimento, resultando em um canal vertebral aberto.

Espinha Bífida

Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 26 a 38. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.

Osteologia: Esqueleto Axial – Crânio

Definições

O esqueleto pode ser dividido em esqueleto axial e esqueleto apendicular. O esqueleto axial é aquele composto pelo crânio e a coluna vertebral. O apendicular é o formado pelos membros superiores e inferiores. O ponto de ligação entre ambos esqueletos é feito pelos cíngulos do membro superior e inferior.

O esqueleto axial, diferentemente do apendicular, está muito mais envolvido com a proteção do que com o movimento. Ele é quem protege o sistema nervoso central e também órgãos importantíssimos como o coração e o pulmão.

Esqueleto Axial

Um osso que faz exceção ao esqueleto axial é o hioide, pois sua função é de movimento e está extremamente relacionado à deglutição. Ele pode ser palpado e movimentado de lado a lado. Embora ele faça parte do esqueleto axial, ele não se articula com nenhum outro osso!! Ele fica imediatamente superior à laringe, na parte anterior do pescoço.

Tá ai o osso hioide. Queria uma imagem melhor dele e sua posição no esqueleto axial, mas não achei 😦

Crânio

Podemos classificar o crânio entre os ossos do neurocrânio (frontal, parietal, occipital, temporal, esfenoide, etmoide) e os ossos da face (maxila, mandíbula, zigomático, frontal, vômer, palatino, nasal, concha nasal inferior, lacrimal).

Observações Importantes sobre o Crânio

  • Os ossos que constituem a cavidade ocular (onde ficam os olhos!!) são menos espessos do que os outros ossos. Isso foi uma adaptação do ser humano para que, em caso de traumas e fraturas, o olho não fosse esmagado pelos ossos que formam a cavidade ocular. Esses ossos são: lacrimal, maxila, esfenoide, zigomático, frontal, palatino.

amarelo = Osso frontal; verde = Osso lacrimal; marrom = Osso etmóide; azul = Osso zigomático; roxo = Osso maxilar; aqua = Osso palatino; vermelho = Osso esfenóide

  • os ossos que constituem a calota craniana apresentam a impressão de vasos. Isso ocorre porque a ossificação dessa região é a desmal, ou seja, o processo de ossificação ocorre em um contato muito íntimo entre os tecidos (o tecido ósseo formado e o que fica subjacente a ele).
  • o ponto mais cranial do crânio (tipo o ápice, o ponto mais alto) é chamado de vértex. A localização desse ponto pode variar de pessoa pra pessoa.
  • os forames que existem são imprescindíveis para a comunicação do encéfalo com as outras partes do corpo.
  • a região onde os ossos frontal, parietal, esfenoide e temporal estão em estreita proximidade é o ptério. As consequências clínicas de uma fratura do crânio nesta área podem ser muito graves. O osso nesta área é particularmente fino e fica sobre a divisão anterior da artéria meníngea média, que pode ser lacerada por uma fratura do crânio nesta área, resultando em um hematoma extradural.
  • O neném nasce sem que tenha ocorrido a ossificação nos ossos do crânio com um motivo simples: facilitar o parto! Os ossos saem desunidos para que a cabeça se deforme durante sua passagem pelo canal do parto e também para o crescimento pós natal.  A maioria dos chamados fontículos se fecham no primeiro ano de vida. Mas, a ossificação completa começa no final da terceira e década e, normalmente, apenas se completa na quinta década de vida.

Para continuar o estudo do crânio, é necessário saber onde fica cada um desses ossos. Alguns só podem ser observados em vistas específicas, outros podem ser vistos mais de uma. Olhem:

Ossos do Crânio: Visão Anterior e Lateral

De frente, de lado… Falta agora calota craniana, vista interna e vista posterior:

Ossos do Crânio: Calota Craniana

Ossos do Crânio: Visão Posterior

Ossos do Crânio: Vista Interna

Agora sim. Vamos falar de cada osso.

1) Osso Frontal

  • É um dos ossos que forma a cavidade ocular.
  • É um osso pneumático.
  • É o osso que forma a “testa”, e também é um dos ossos que compõem a calota craniana.
  • Quando o neném nasce, esse osso não se articula com os ossos parietais, e entre eles ficam as famosas moleiras, chamadas tecnicamente de fontanelas ou fontículos. Quando ocorre a ossificação, o osso frontal se articula com o parietal através da sutura coronal (coronal vem de coroa, mesmo! porque é mais ou menos nesse lugar em que a coroa fica na cabeça da pessoa).
  • Entre os dois arcos ciliares (no homem, esses dois arcos são bem mais protuberantes do que nas mulheres!), fica uma região chamada de glabela. É uma parte da testa em que misteriosamente geralmente não nascem pelos da sobrancelha. Clinicamente, essa região é importante, pois é um dos pontos craniométricos importantes em medida do esqueleto cefálico.

Perímetro Cefálico

  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: incisura supra – orbital (forame onde passam nervos e vasos supra – orbitais), detalhe que é possível sentirmos essa incisura quando palpamos a região onde ela se encontra. Há ainda a glabela. Internamente, podemos citar outros acidentes importantes como o sulco do seio sagital superior (é uma estrutura venosa intradural), sulco do ramo anterior da artéria meníngea média. Não podemos esquecer, por último, da cristal frontal, que é um ponto de fixação para a foice do cérebro, que é uma especialização da dura-máter que separa parcialmente os dois hemisférios cerebrais.

2) Ossos Zigomáticos

  • É um dos ossos que forma a cavidade ocular.
  • É o osso que forma as “maçãs do rosto”, ou também chamado de “osso da bochecha”.
  • A importância clínica do osso zigomático é que esse é um osso alvo de traumatismo, quando ocorrem acidentes de trânsito, esportes, etc.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: forame zigomáticofacial (onde passa o nervo zigomático), processo temporal do osso zigomático, que, junto com o processo zigomático do osso temporal formam o arco zigomático.

3) Ossos Nasais

  • “A abertura piriforme é a grande abertura na região nasal e a abertura anterior da cavidade nasal. Visível através da abertura piriforme estão o par de conchas nasais inferiores e as cristas nasais fundidas, formando a parte inferior do septo nasal e terminando anteriormente como espinha nasal anterior.” (Gray’s Anatomia para Estudante, p. 764).
  • É o osso mais comum de ocorrer fratura.

4) Maxilas

  • Nas maxilas e na mandíbula existem os processos alveolares, onde os dentes ficam inseridos. Tanto os dentes, quanto o processo alveolar só existem em “mutualismo”, ou seja, enquanto existe dente funcional, existe processo alveolar, enquanto existe processo alveolar, existe dente funcional! É por isso que quando pegamos a mandíbula de um idoso ela é “lisinha”, não tem nenhum buraquinho do processo alveolar, porque não tem mais dente, então não tem mais processo alveolar, simples assim. Isso ocorre, porque com a queda dos dentes, o processo alveolar vai se atrofiando e é absorvido. Detalhe que a presença do dente só é fator para a existência do processo alveolar se o dente for funcional, ou seja, se o indivíduo usar esse dente, continuar mastigando…
  • É um osso pneumático.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: forame infra – orbital (onde passam nervos e vasos infra – orbitais), processo alveolar, espinha nasal anterior, processo zigomático da maxila.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso (parte inferior) são: fossa incisiva, tem a região chamada de palato duro.

5) Mandíbula

  • Presença do processo alveolar.
  • Há três articulações sinoviais na cabeça. A maior é a ATM (articulação temporomandibular). – As outras duas são entre os três ossículos da orelha média.
  • A mandíbula é o segundo osso mais vulnerável a fraturas (o primeiro é o nasal). É comum também que ocorra o deslocamento da ATM, às vezes por causa de um simples bocejo, ou também por traumatismos maiores. Isso ocorre quando o processo condilar da mandíbula se move anteriormente à eminência articular.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso são: mandíbula composta pelo processo condilar (constituído pela cabeça da mandíbula e pelo colo da mandíbula, detalhe que é a cabeça da mandíbula que se articula com a fossa mandibular do osso temporal), processo coronoide (inserção do tendão do músculo temporal), ramo da mandíbula, processo alveolar, forame da mandíbula (passa o nervo alveolar inferior, artéria e veia entram na mandíbula por esta abertura), ângulo da mandíbula, espinhas genianas (inserção de músculos – genioglosso e geniohióide – essas espinhas podem ainda ser chamadas de tubérculos da mandíbula), forame mentual (passagem de nervos e vasos mentuais), tubérculo mentual, protuberância mentual, linha oblíqua (é uma crista que tem como função ser um ponto de fixação para músculos relacionados com a cavidade oral).

6) Parietal

  • Os dois osso parietais constituem a maior parte do teto do crânio, ou seja, da parte de cima da cabeça. A parte exterior desses dois ossos não tem nada muito relevante a ser dito. É importante lembrar que os dois parietais se articulam na sutura sagital. Entre o parietal e o esfenoide tem a sutura esfenoparietal, e entre o parietal e o occipital tem a sutura lambdoidea. Outra sutura importante é entre o parietal e o temporal, em que temos a sutura escamosa e a sutura parietomastoidea. Existe um forame no osso parietal chamado de forame parietal (passagem de veias emissárias).
  • Na parte interna do teto craniano, também composta na sua maioria pelos ossos parietais, podemos perceber a grande quantidade de impressão de vasos, como os sulcos da artéria meníngea média.

7) Temporais

  • É um osso pneumático.
  • O osso temporal pode ser dividido em 4 partes: escamosa, processo zigomático, timpânica e petromastoidea (petrosa e mastoidea).
  • A parte escamosa do osso temporal é muito fina e pode ser facilmente fraturada, mas, pelo menos, fica em cima dela o músculo temporal, que é muito forte, e ele se dispõe exatamente na região da fossa média, protegendo a região.
  • Os acidentes ósseos (na parte lateral) importantes desse osso são: processo zigomático do osso temporal (um dos processos que formam o arco zigomático), processo mastoide (ponto de fixação para vários músculos), processo estiloide (origem dos músculos estiloióide, estiloglosso e estilofaríngeo), incisura mastoide (ponto de fixação para o músculo digástrico), meato acústico externo (canal auricular).
  • Os acidentes ósseos (vista inferior) importantes desse osso são: fossa mandibular, forame jugular (veia jugular interna), incisura mastoidea, canal carótico (passagem da artéria carótida interna e plexo nervoso), forame estilomastoideo (passagem do nervo facial), forame lacerado (é um forame que só existe em defuntos, pois em vida ele é fechado por uma membrana e nada importante passa por ele).
  • Na visão interior podemos encontrar o meato acústico interno.

8) Osso Occipital

  • Os acidentes ósseos importantes desse osso (vista posterior) são: linha nucal superior e linha nucal inferior (importantes pontos de origem muscular), protuberância occipital externa e ínio (que é a parte mais protuberante da protuberância occpital externa) e por fim a crista occipital externa.
  • Os acidentes ósseos importantes desse osso (vista inferior) são: tubérculo faríngeo (fixação de partes da faringe à base do crânio), forame magno (continuação do encéfalo e da medula espinal, artérias espinais posteriores, raízes do nervo acessório e meninges), côndilo occipital (articulação com a primeira vértebra cervical), canal do hipoglosso (nervo hipoglosso e vasos).
  • Na parte interna, é importante saber da existência do clivo (entradinha do forame magno), tubérculo jugular.

9) Osso Esfenoide

  • É um dos ossos que forma a cavidade ocular.
  • “Ele é composto por um corpo central, um par de asas maiores e um de asas menores projetando – se lateralmente do corpo, e dois processos pterigoides, que se projetam em direção caudal, imediatamente laterais à cada coáno”.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso (vista inferior) são:  hâmulo pterigoideo (hâmulo do processo pterigoideo da lâmina medial/lateral do osso esfenoide!), fossa pterigoidea, abertura do canal pterigoideo, forame espinhoso (passagem da artéria meníngea média), lâminas lateral e medial do processo pterigoideo.
  • Os acidentes anatômicos importantes desse osso (vista interior) são: formando a sela túrcica: fossa hipofisal (onde fica a hipófise), dorso da sela, e tubérculo da sela. Tem ainda a fissura orbital superior (que dá pra ver na vista anterior da face), forame redondo.
  • Repare que o lugar em que a hipófise fica guardada é em uma região muito, muito interna do crânio, ela realmente fica bem protegida, pois um trauma em que a hipófise é acometida, teve que passar por diversas outras estruturas rígidas. A natureza deve ter tido todo esse trabalho porque a hipófise deve ser um pouquinho importante pro nosso corpo, né?
  • Os processos clinoides (vista interior): servem de ponto anterior de fixação para o tentório do cerebelo, que é uma camada de durá – mater que separa a parte posterior dos hemisférios cerebrais do cerebelo.

10) Osso Vômer

  • O vômer é melhor visto na vista inferior do crânio, na qual podemos perceber a abertura nasal posterior chamada de coáno.
  • Ele é importante por contribuir na formação do septo nasal (que separa os dois coános).

11) Osso Etmoide

  • Na vista interior, encontramos a cristal etmoidal e anterior a ela o forame cego (veias emissárias para a cavidade nasal). No osso etmoide também temos a lâmina cribriforme, e nessa lâmina ficam os forames da lâmina cribiforme, que são importantíssimos por serem a passagem dos nervos olfatórios. As células etmoidais são as responsáveis por fazerem do osso etmoide, um osso pneumático.

12) Osso Lacrimal

  • É o osso mais frágil e menor da face! Geralmente, ele tá quebrado no anatômico.

13) Ossículos da Audição

  • Os ossículos da audição são eles: bigorna, martelo e estribo. Com o tempo, esses vão perdendo a elasticidade que tem um com o outro e endurecendo, e é por isso que o idoso vai ficando surdo.

14) Osso Palatino

  • É o osso que forma a parte posterior do céu da boca (a maior parte é composta pela maxila)!
  • Os acidentes anatômicos dessa região mais importantes são: forame palatino maior, forame palatino menor, espinha nasal posterior.
Referências
DRAKE, R. et alli; (2005). p. 763 a 781. Gray's Anatomia para Estudantes. 3a tiragem.

Introdução à Osteologia

Os ossos são componentes importantes do aparelho locomotor. Este pode ser classificado em aparelho locomotor passivo, composto por ossos e articulações, e também em aparelho locomotor ativo, composto pelos ossos, músculos e articulações.

Introdução à Osteologia

Os ossos possuem diversas funções dentro do corpo humano, citemos: proteção de vísceras (o crânio protege o encéfalo, assim como as vértebras protegem o sistema nervoso central, já a caixa torácica é responsável pela proteção do pulmão e do coração), movimento (quando associados aos músculos), suporte para fixação de músculos, reserva de íons (principalmente o cálcio),  produção de células sanguíneas (hematopoiese).

Como ocorre a ossificação?

A ossificação é o fenômeno da formação do osso, seja no período fetal, pós nascimento, ou por causa de uma fratura.

Podemos classificar dois tipos de ossificação. Primeiramente, temos a ossificação desmal, cujo maior exemplo é a ossificação dos ossos planos do crânio. Nesse caso, um modelo fibroso se forma em torno do encéfalo e começa a serem depositadas camadas ósseas a cima do tecido neural. Essa deposição ocorre por influência do tecido adjacente. Portanto, podemos concluir que indivíduos anencéfalos (sem encéfalos) são também acraniais (com ausência total ou parcial dos ossos craniais). O outro tipo de ossificação é a endocondral, que ocorre principalmente nos ossos longos (como fêmur, tíbia, ulna, etc). Nessa ossificação, existe um molde prévio de cartilagem – lembre – se que o feto é todo cartilaginoso! – e vai ocorrendo deposição óssea do centro para a periferia.

A ossificação, assim como os componentes celulares do osso, são melhores detalhados no tópico de ossificação em histologia, aqui: Tecido Ósseo e Osteogênese.

Classificação dos Ossos

  1. Ossos longos: são os ossos cujo comprimento supera a largura. Eles apresentam duas epífises e uma diáfise. Como exemplo citemos fêmur, tíbia, úmero… Reparem que esses ossos são ligeiramente encurvados, o que os propicia uma vantagem na absorção de impactos mecânicos, daí eles serem ossos resistentes, e alguns relacionados com a sustentação do peso do corpo.
  2. Ossos curtos: são os ossos cujo comprimento não supera a largura, mas em geral essas dimensões são muito próximas, o que lhes dá um formato de cubo. Maior exemplo são os ossos do carpo.
  3. Ossos planos (chat0s): são ossos finos de formato achatado. O maior exemplo são os ossos parietais, que garantem proteção e e também dispõem de uma grande área para a inserção de músculos.
  4. Ossos alongados: são ossos longos, mas são achatados, e não apresentam canal medular. O melhor exemplo são as costelas.
  5. Ossos pneumáticos: são os ossos que têm “furinho”que são ocos e airados, formando os chamados seios! Internamente, são revestidos por mucosa (por serem airados, possuem uma densidade menor! São ossos importantíssimos na ave para o voo). Eles estão localizados principalmente no crânio (frontal, maxilar, temporal, etmóide e esfenóide), sua importância clínica é imensa, pois durante a sinusite, por causa da inflamação, há aumento de muco nesses ossos, o que faz entupir o nariz! Olha:

    Áreas Afetadas pela Sinusite

  6. Ossos irregulares: eles apresentam forma complexa para ser definida! Melhor exemplo são as vértebras.
  7. Ossos sesamoides: são ossos que “surgem” no meio do tendão, e tem uma função importantíssima de roldana, possibilitando que movimentos com amplitudes maiores possam acontecer sem que seja necessário o emprego de tanta força (energia!). O maior dos maiores exemplos é a patela! Geralmente esses ossos são pequenininhos, menos a patela que é grandona.
  8. Ossos suturais: ossos que ficam no meio de articulações (suturas).

Pra que servem os acidentes ósseos?

Os acidentes ósseos servem para complicar o estudo de anatomia e termos que decorar um monte de coisa… para que os ossos possam servir para a inserção de músculos. Seria muito mais difícil dos músculos inserirem – se nos ossos se esses acidentes não existissem. Podemos comparar isso com escalar uma montanha. Os “acidentes” das montanhas facilitam que o alpinista possa escalar  com mais facilidade do que se tivesse que escalar uma parede de gelo.

Formação da Placenta e Gravidez Múltipla

Placenta

A placenta é formada mais ou menos entre o 11º ao 21º dia do desenvolvimento fetal. As principais funções dela é fornecer nutrientes aos neném em desenvolvimento, e também é por onde há troca de substâncias, desde as tóxicas, e também vírus, hormônios, etc. Ela também está relacionada ao metabolismo, pois contribui na síntese de glicogênios, colesterol e ácidos graxos (fonte de nutriente e energia para o embrião/feto), transporte de gases e nutrientes, e também tem função endócrina, pois secreta hCG, tireotrofina coriônica humana e corticotrofina coriônica humana. A transferência das substâncias entre a mãe e o feto feita pela placenta ocorre por difusão simples, difusão facilitada, transporte ativo e pinocitose (transferência de moléculas grandes!)

O que denominam de membranas fetais são o córion, âmnio, saco vitelino e o alantoide. O neném, no meio de tudo isso, fica separado do endométrio pela parte fetal da placenta e pelas membranas fetais.

O embrião vem da camada interna de células (epiblasto) as células que ficam em volta (trofoblasto) contém as células que vão se tornar o córion e o âmnio. A cavidade amniótica é formada pelo epiblasto, mas o córion vem do trofoblasto. O córion é a porção fetal da placenta que funciona dando oxigênio e nutrição para o embrião, liberando hormônios para manutenção da gravidez e servir de barreira para o sistema imune da mãe.

No início da gestação, quase não há células do embrião no endométrio. Já no final, o contato é maior, com a formação das vilosidades coriônicas (vilosidades da placenta). As microvilosidades do sinciciotrofoblasto aumentam a superfície de absorção da placenta.

A placenta, juntamente com o cordão umbilical, formam o sistema de transporte de substâncias entre o embrião e a mãe. A placenta e as membranas fetais fornecem ao embrião proteção, nutrição, respiração, excreção e produção de hormônios. Depois do nascimento, tudo isso é expelido do corpo da mãe.

Placenta Decídua

A placenta decídua é a camada funcional do endométrio de uma mulher grávida, que se separa do restante do útero após o nascimento do neném (é o endométrio gravídico). Ela pode ser dividida em três partes:

  1. Decídua basal: é a parte da placenta decídua que fica abaixo do neném, formando o componente materno da placenta;
  2. Decídua capsular: é a parte superficial da placenta decídua, que cobre o neném;
  3. Decídua parietal: é toda a parte restante da placenta decídua;

Esse nome “decídua” tem alguma relação com as células deciduais?

Deve ter! Olha, por causa da quantidade grande de progesterona no corpo materno, as células do estroma da decídua (isto é, do endométrio gravídico) sofrem a reação decidual, em que algumas células acumulam glicogênio e lipídeo no citoplasma. Daí, todas as mudanças celulares, vasculares e de propriedades do endométrio resumem – se na chamada reação decidual, tudo isso já foi explicado aqui. As células deciduais protegem o tecido materno de uma invasão descontrolada pelo sinciciotrofoblasto, e estão envolvidas na produção de hormônios.

E como a placenta se desenvolve?

Já no fim da terceira semana, existe um arranjo anatômico mínimo para que haja troca fisiológica entre a mãe e o neném. Mas, só no final da quarta semana, existe uma rede vascular complexa na placenta, auxiliando na troca de gases. nutrientes e produtos de excreção.

O desenvolvimento da placenta se dá assim, de acordo com Moore: o saco coriônico é coberto pelas vilosidades coriônicas (até quando começar a oitava semana). Daí, esse saco começa a crescer, e as vilosidades coriônicas que o cobria ficam comprimidas e a quantidade de sangue que chega a elas diminui. Isso faz com que elas degenerem, e uma área avascular nasce, ela é chamada de córion liso. O desaparecimento das vilosidades faz com que as vilosidades associadas à decídua basal aumentem rapidamente de número. Elas ramificam – se profusamente e crescem, e essa parte cheia de ramificações do saco coriônico é o que chamam de córion viloso.

E até quando a placenta se desenvolve?

Então, conforme o neném vai crescendo, tanto a placenta, como o útero e o saco coriônico vão aumentando de tamanho. A placenta cresce em tamanho e espessura até o feto ter cerca de 18 semanas.

A placenta é constituída por 2 componentes, tem a porção fetal, originária do saco coriônico, e a porção materna, originária do endométrio. O componente fetal é formado pelo córion viloso (córion frondosum, onde fica o cordão umbilical), e o materno pela decídua basal (córion laeve). No fim do quarto mês, a decídua basal está quase completamente substituída pelo componente fetal da placenta.

Placenta: Lado Materno e Lado Fetal

Placenta: Lado Materno e Lado Fetal

A parte fetal da placenta (que é o córion viloso) se prende à parte materna da placenta (formada pela decídua basal) pela capa citotrofoblástica. As vilosidades coriônicas prendem – se firmemente à decídua basal pela capa citotrofoblástica e ancoram o saco coriônico à decídua basal. Artérias e veias endometriais passam livremente por fendas na capa citotrofoblástica e se abrem no espaço interviloso.

A placenta decidual basal é invadida pelas vilosidades coriônicas, como acabou de ser dito, daí o tecido da decídua sofre erosão e aumenta – se o espaço interviloso. Esse processo de erosão produz várias áreas cuneiformes na decídua, os septos da placenta! Eles dividem a parte fetal da placenta em áreas convexas irregulares denominadas cotilédones. No final do quarto mês, a decídua basal já está quase toda substituída por cotilédones!

A decídua capsular degenera – se quando ocorre a fusão da decídua capsular com a decídua parietal (a capsular degenera – se por uma diminuição do aporte sanguíneo). Esse desaparecimento faz com que a parte lisa do saco coriônico se funda com a decídua parietal! Essa fusão termina quando escapa sangue do espaço interviloso, dai esse sangue afasta a membrana coriônica da decídua parietal, e dessa maneira restabelece – se o espaço potencial da cavidade uterina.

Tudo isso é importante para entender como chega o sangue materno ao neném e vice – versa.

O sangue materno chega ao espaço interviloso vindo das artérias espiradas do endométrio da decídua basal. As artérias espiraladas passam por fendas da capa citotrofoblástica e lançam sangue no espaço interviloso. Esse grande espaço é drenado pelas veias endometriais, que também atravessam a capa citotrofoblástica.

Ahh, nesse tempo, é necessário lembrar que o saco amniótico cresce mais rápido do que o coriônico, e isso resulta numa fusão dos dois, formando a membrana amniótica.

Uma observação importante a ser feita é sobre a placenta com hydatiforme, que surge quando ocorre penetração de 2 espermatozoides em um ovócito sem o pronúcleo feminino. O embrião é inviável.

E como ocorre a circulação na placenta?

Os materiais trocados entre a mãe e o feto devem cruzar uma delgada membrana placentária chamada de barreira. Ela também separa a circulação do feto e da mãe, é formada por tecidos extrafetais. Geralmente, não há mistura do sangue materno com o fetal, mas às vezes pode acontecer de quantidades bem pequenas de sangue do neném entrarem na circulação materna. Esse sangue passa por pequenos defeitos, muitas vezes nessa membrana placentária.

O sangue do feto pobre em oxigênio vai para a placenta, sendo conduzido pelas artérias umbilicais. No local em que o cordão umbilical se une à placenta, essas artérias se dividem e formam vários ramos dispostos radialmente, as artérias coriônicas, que se ramificam livremente na placa coriônica antes de entrar na vilosidade coriônica. Já o sangue fetal bem oxigenado nos capilares fetais passa para as veias de paredes delgadas, que acompanham as artérias coriônicas até o local da união do cordão umbilical. Aqui elas convergem para formar a veia umbilical. É esse grande vaso que transporta o sangue rico em oxigênio para o feto.

O sangue fetal e o sangue materno circulam muito próximos um ao outro, facilitando a difusão. Essa aproximação é possível porque os vasos sanguíneos formam um extenso sistema arteriocapilar – venoso dentro das vilosidades coriônicas.

Em relação a como o sangue da mãe chega à placenta (circulação placentária materna) temos que, nas artérias espiraladas, o fluxo sanguíneo é pulsátil e lançado em jatos por força da pressão do sangue materno. O sangue que penetra tem uma pressão consideravelmente mais alta do que a do espaço interviloso e jorra para a placa coriônica, que forma o teto do espaço interviloso. Com a dissipação da pressão, o sangue flui lentamente em torno das vilosidades terminais, permitindo a troca de produtos metabólicos e gasosos com o sangue fetal. O sangue retorna através das veias endometriais para a circulação materna. (Moore).

Falar agora um pouquinho da Membrana Placentária

A membrana placentária já foi citada nesse resumo, com sua definição e composição.

Até cerca de 20 semanas, ela é formada por 4 componentes: sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto, tecido conjuntivo das vilosidades e do endotélio dos capilares fetais.

Depois da 20ª semana, ocorrem alterações nas vilosidades terminais que deixam mais delgadas a parte do citotrofoblasto da placenta. Daí, o citotrofoblasto praticamente desaparece e deixam apenas pedaços delgados de sinciciotrofoblasto. Na maior parte dos lugares na placenta, a membrana plasmática é formada por apenas os outros 3 constituintes. Nesse locais de apenas 3 componentes, o sinciciotrofoblasto fica em contato direto com o endotélio dos capilares fetais, e forma uma membrana placentária vasculosincicial. Muitas substâncias são capazes de atravessar essa membrana! Ela não é exatamente uma barreira muito eficaz, apenas bactérias e substâncias com carga ou muito grandes são naturalmente barradas.

Gestações Múltiplas

Em gestações múltiplas, as membranas fetais e as placentas fetais variam de acordo com a origem dos gêmeos. Toda a formação (ou má formação, dependendo) de gêmeos está relacionada à formação e estrutura dos anexos embrionários. Por exemplo, gêmeos monozigóticos o tipo de placenta e as membranas formadas depende de quando ocorreu o processo de formação de gêmeos. No caso dos dizigóticos, a maioria deles tem duas placentas e alguns podem ter placenta fundidas. Não existem gêmeos dizigóticos que possuam um único âmnio, nem córion único.

  • 65% dos gêmeos monozigóticos tem âmnios separados, um único saco coriônico e uma placenta comum;
  • 35% dos gêmeos monozigóticos tem a separação dos blastômeros pode ocorrer em qualquer ponto, desde o estágio de duas células até o de mórula, originando dois blastocistos idênticos. Daí, cada embrião desenvolve seus próprios sacos amnióticos e coriônicos, as placentas podem, no entanto, estarem separadas ou fundidas.
  • Em casos raros, a divisão do disco embrionário leva à formação de dois embriões dentro do mesmo saco amniótico. A divisão completa do disco embrionário dá origem a gêmeos que raramente sobrevivem, porque seus cordões umbilicais frequentemente se mostram embaralhados, e a divisão incompleta do disco leva à formação de vários tipos de gêmeos conjugados. Os gêmeos conjugados são classificados de acordo com o ponto de junção, como o craniopagus (união do crânio), thoracopagus (tórax), etc. Há também formas raras de gêmeos nesses casos, como os gêmeos parasitas.

Hematopoiese (só uma observação!)

Durante a vida fetal, a hematopoiese ocorre no fígado. Somente próximo ao nascimento, é que os ossos longos do corpo vão ficar alocadas as células tronco hematopoieticas. Primeiro, a hematopoiese ocorre no saco vitelínico, depois na aorta da gônada mesonéfrica, depois na placenta, depois no fígado, e por último nos ossos!

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 114 a 132 e 137 a 145. Embriologia Clínica. 8ed.

 

Terceira Semana: Formação das Camadas Germinativas e Início da Diferenciação dos Tecidos e órgãos

A terceira semana do desenvolvimento embrionário, é a primeira semana em que a mulher percebe que a menstruação está atrasada. É nessa época que, geralmente, a mulher descobre que estão grávidas, e já dá até pra ver o neném na ultrassonografia. Um dos principais acontecimentos da terceira semana é o processo de gastrulação, que consiste no aparecimento da linha primitiva, desenvolvimento da notocorda e diferenciação das três camadas germinativas.

Como se dá o processo de gastrulação?

É importante saber que a região superior do embrião é indutora de formação de cabeça (porque tem fatores que induzem a formação da cabeça), e a mesma coisa na parte inferior. Toda a determinação de localidades dos órgãos é determinada durante o processo de gastrulação, é por causa dela que podemos classificar uma simetria bilateral!

O início da gastrulação ocorre quando é formada a linha primitiva, na superfície do epiblasto do disco embrionário. É ainda durante a gastrulação que o disco bilaminar é convertido em um trilaminar. Lembre – se que é ele que vai dar origem aos três folhetos germinativos!

Cada folheto germinativo dará origem, de acordo com Moore, às seguintes estruturas:

  • endoderme embrionário: é a fonte dos revestimentos epiteliais das vias respiratórias e do trato gastrointestinal, incluindo as glândulas que se abrem no trato gastrointestinal e as células glandulares dos órgãos associados, tais como o fígado e o pâncreas;
  • mesoderme embrionário: todos os músculos esqueléticos, células sanguíneas e revestimento dos vasos sanguíneos, todo músculo liso visceral, todos revestimentos serosos de toas as cavidades do corpo, ductos e órgãos do sistema reprodutivo e secretor e maior parte do sistema cardiovascular, incluindo cartilagem, os ossos, os tendões, os ligamentos, a derme e o estroma dos órgãos internos;
  • ectoderma embrionário: epiderme, sistema nervoso central e periférico, ao olho, à orelha interna e, como células da crista neural,  muitos tecidos conjuntivos da cabeça;

Para que o processo de gastrulação consiga acontecer com êxito, as proteínas ligadas à sinalização celular são essenciais nesse período. Elas atuam, por exemplo, na execução daqueles movimentos celulares já vistos: invaginação, ebolia, intercalação, extensão convergente, ingressão e involução). Isso dá início à morfogênese, que é o desenvolvimento do corpo do embrião, um evento significativo da terceira semana. Outro importante da gastrulação é que ela fornece orientação axial ao embrião.

Em resumo, a gastrulação:

  • início com a formação da linha primitiva;
  • conversão do disco bilaminar em disco trilaminar;
  • diferenciação das três camadas germinativas;
  • atuação das proteínas sinalizadoras nos movimentos celulares;
  • morfogênese
  • orientação axial ao embrião;
  • desenvolvimento da notocorda;

Um vídeo que achei no youtube resume bemmm a gastrulação, e veremos em detalhes cada um dos processos por ele demonstrados. 

Agora, vamos ver cada fenômeno da gastrulação de uma forma mais detalhada.

Vamos começar falando da linha primitiva

Todas as estruturas que serão citadas agora e durante o post podem ser analisadas nessa imagem:

Linha Primitiva

Linha Primitiva - Gastrulação

A formação da linha primitiva é o sinal do início da gastrulação. Bem no começo da terceira semana, a linha primitiva aparece caudalmente no plano mediano do aspecto dorsal do disco embrionário. Ela é formada pela migração das células do epiblasto para o plano mediano do disco embrionário. (Moore).

Concomitantemente, ao alongamento da linha primitiva na parte caudal, a extremidade cranial começa a se proliferar, e surge o nó primitivo. Daí, na linha primitiva, surge o sulco primitivo! Ele é uma depressão que vai até o nó primitivo, e forma a fosseta primitiva. Tanto o sulco e a fosseta, surge por invaginação.

Depois do aparecimento da linha primitiva, algumas células dão origem ao mesênquima, tecido formado por células frouxamente arranjadas suspensas em uma matriz gelatinosa. As células mesenquimais são ameboides e ativamente fagocíticas, e formam a maior parte dos tecidos conjuntivos! Elas têm poder de se diferenciar em fibroblasto, condroblasto e osteoblasto.

Formação dos três tecidos embrionários: uma parte do mesênquima forma o mesoderma indiferenciado, que é o formador do mesoderma embrionário ou intraembrionário. Algumas células do epiblasto, do nó primitivo e da linha primitiva deslocam o hipoblasto e formam o endoderma embrionário no teto do saco vitelino. As células que continuam no epiblasto formam o ectoderma embrionário (ou intraembrionário). Em resumo: as células do epiblasto são as que dão origem às três camadas germinativas do embrião, primórdio de todos os tecidos e órgãos!

Voltando à linha primitiva: ela forma o mesoderma até começar a quarta semana, dai depois a produção do mesoderma fica mais lenta. Nessa época, a linha primitiva diminui de tamanho e torna – se insignificante. No fim da quarta semana, ela já tem que ter totalmente desaparecido! A sua permanência é a causa do teratoma sacrococcígeo. Tadinha da neném (geralmente acomete meninas!), olha :(:

Teratoma Sacrococcigeo

Teratoma Sacrococcigeo

Agora, da notocorda!

Em resumo, a notocorda surge assim:

Formação da Notocorda

Formação da Notocorda

A notocorda é uma estrutura transitória ao longo do processo embrionário, pois desaparece após o desenvolvimento do neném. Ela origina – se mais ou menos assim: algumas células mesenquimais migram cefalicamente, do nó e da fosseta primitiva, formando o processo notocordal. Dentro dele, é o canal notocordal! Esse processo cresce, cresce, cresce até que alcança a placa pré – cordal, que é o primórdio da membrana bucofaríngea, que vai, futuramente, no seu local, dar origem à cavidade oral! Todo esse fenômeno está bem descrito na legenda da imagem. Leia a legenda da imagem. De acordo com Moore, a notocorda surge assim:

1) O processo notocordal se alonga, porque as células da fosseta primitiva sofrem invaginação.

2) A fosseta primitiva se estende para dentro do processo notocordal, formando assim o canal notocordal.

3) O assoalho do processo notocordal funde – se com o endoderma embrionário subjacente e as camadas fundidas sofrem uma degeneração gradual, resultando na formação de aberturas no assoalho do processo notocodal, permitindo a comunicação notocordal com o saco vitelino. O remanescente do processo notocordal forma a placa notocordal, achatada e com um sulco!

4) Iniciando pela extremidade cefálica do embrião, as células da notocorda proliferam, e a placa notocordal se dobra, formando a notocorda.

Algumas células notocordais são induzidas a formarem a notocorda. Essa notocorda define o eixo primitivo do embrião (dando uma certa rigidez), fornece os sinais necessários para o desenvolvimento do esqueleto axial e do sistema nervoso central, porque induz as células do ectoderma a se transformarem em sistema nervoso, e o SN é formado exatamente onde tem que ser formado! A notocorda se estende da membrana bucofaríngea ao nó primitivo. Ela degenera e desaparece quando os corpos vertebrais se formam, mas persiste como o núcleo pulposo de cada disco intervertebral. A notocorda ainda funciona como um indutor primário do embrião inicial, e quando está em desenvolvimento ela induz o ectoderma sobrejacente a espessar – se e formar a placa neural, que é o primórdio do sistema nervoso central!!

Detalhes sobre linha primitiva e processo notocordal:

– Outras células mesenquimais da linha primitiva e do processo notocordal migram entre as células do mesoderma até que chegam ao disco embrionário. Outras células ainda migram em torno da placa pré – cordal, e formam o mesoderma cardiogênico, na área cardiogênica, onde o primórdio do coração começa a se desenvolver, já no fim da terceira semana.

– Caudalmente à linha primitiva, tem uma área circular chamada de membrana cloacal, que vai dar origem ao ânus. Ali e na membrana bucofaríngea, o disco embrionário permanece bilaminar, porque nesses locais, o ectoderma e o endoderma estão fundidos, impedidos dessa maneira a migração de células mesênquimais entre os folhetos. (Moore)

– Quando chega à metade da terceira semana, o mesoderma intraembrionário separa o ectoderma do endoderma em todos os lugares, menos na membrana bucofaríngea, membrana cloacal e no plano mediano, cefalicamente ao nó primitivo, onde se localiza o processo notocordal.

Alantoide (16º dia!!!!!!!!!)

Alantoide (atrofiado)

Alantoide (atrofiado)

O alantoide nos seres humanos é muiiito pequeno!! O seu mesoderma se expande abaixo do córion e forma os vasos sanguíneos que servirão à placenta. Os vasos sanguíneos do alantoide tornam – se artérias umbilicais. Já a parte intraembrionária das veias umbilicais tem origem diferente.

Neurulação – Início na Terceira semana, Fim na quarta!

Veja:

Os processos envolvidos na formação da placa neural e pregas neurais, e o fechamento dessas pregas para formar o tubo neural, constituem a neurulação!! Ela tá muito bem vista no vídeo. Esses fenômenos (neurulação) acabam na quarta semana, quando ocorre o fechamento do neuroporo caudal. Diz – se que o embrião encontra – se então no estágio de nêurula.

Com o desenvolvimento da notocorda, o ectoderma embrionário acima dela se espessa, formando uma placa alongada em forma de chinelo de células epiteliais espessadas: placa neural. Ah, a notocorda fica “embaixo” do tubo neural.

E esses tais de somitos?

Lembra daquele nó primitivo? Então, as células derivadas dele tem mais um papel: formar o mesoderma paraxial. Daí, quase no fim da terceira semana, esse mesoderma se diferencia e começa a dividir em pares de corpos cuboides chamados de somitos!!!!!! Eles se formam em uma sequência cefalocaudal. Esses blocos de mesoderma estão localizados em cada lado do tubo neural em desenvolvimento. Olha essa foto que gracinha os somitos nessa foto:

Somitos!

Somitos!

O “período somítico” do desenvolvimento humano é entre o 20º ao 30º dia, e nesse tempo cerca de 38 pares de somitos são formados!  Como eles são proeminentes durante a quarta e quinta semanas, eles ainda são usados como um dos vários critérios para determinar a idade do embrião.

A região em que eles aparecem é a futura região occipital do embrião, e dai vão em direção à cauda e dão origem à maior parte do esqueleto axial (como as vértebras) e aos músculos associados, assim como à derme da pele adjacente. Por isso, podemos dizer que os somitos cefálicos são os mais velhos, e os caudais mais jovens.

Desenvolvimento do Celoma Intraembrionário

O primórdio do celoma intraembrionário surge como espaços os quais coalescem e formam uma única cavidade que chamam de celoma intraembrionário, que divide o mesoderma em duas camadas: parietal (somática) que é a que forma a parede do corpo do embrião (somatopleura!), e a visceral (esplâncnica) que forma o intestino do embrião (esplancopleura). Daí, no segundo mês de desenvolvimento, o celoma intraembrionário está dividido em três cavidades corporais: pericárdica, pleurais e peritoneal.

Desenvolvimento Inicial do Sistema Cardiovascular

No início da terceira semana, já inicia – se a vasculogênese e a angiogênese! No fim dessa semana, o sangue já circula, e o coração começa a bater no 21º ou 22º dia. O sistema cardiovascular é o primeiro sistema de órgãos que alcança um estado funcional. Os batimentos cardíacos podem ser detectado por ultrassonografia durante a quinta semana.

Desenvolvimento das Vilosidades Coriônicas

Pouco depois que as vilosidades coriônicas primárias surgem, elas já começam a se ramificar. Na terceira semana, o mesênquima penetra as vilosidades primárias e forma um eixo central de tecido mesenquimal. Daí, as vilosidades (que agora já são secundárias!) recobrem toda a superfície do saco coriônico. Algumas dessas células mesenquimais diferenciam – se em vasos sanguíneos e capilares. Quando esses vasos tornam – se visíveis nas vilosidades, elas são chamadas de vilosidades coriônicas terciárias. Enquanto isso, os capilares das vilosidades coriônicas fundem – se e formam redes arteriocapilares, que logo se conectam ao coração do embrião. (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA QUE LINDO). 

No fim já da terceira semana, existe circulação no embrião bem lenta, por meio dos capilares das vilosidades coriônicas. As moléculas importantes do sangue materno que estão no espaço interviloso vão por difusão para as paredes das vilosidades e penetram no sangue do neném! E as excretas do neném difundem – se para o sangue da mãe, por meio também da parede das vilosidades.

Ao mesmo tempo que isso acontece, as células do citotrofoblasto se proliferam e se estendem através do sinciciotrofoblasto, e formam a capa citotrofoblástica, que, gradualmente, envolve o saco coriônico e o prende ao endométrio. Essa capa prende algumas vilosidades aos tecidos maternos, e assim constituem – se as vilosidades – tronco. As vilosidades que crescem adjacentes às vilosidades tronco são as vilosidades terminais. E são pelas paredes das vilosidades terminais que ocorre a maior parte das trocas de material entre o sangue materno e o do neném.

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 55 a 71. Embriologia Clínica. 8ed.

Segunda Semana: Fim da Implantação e Formação do Disco Embrionário

Nas duas primeiras semanas, as células do embrião investem muito na proteção dele, porque qualquer deslize, qualquer descamação do endométrio, qualquer trauma, é fatal pro embrião.

A implantação propriamente dita do blastocisto no endométrio termina por volta do décimo segundo dia, quando toda a camada do citotrofoblasto está dentro do endométrio. No entanto, do sétimo dia (quando surge a camada de células que forma o hipoblasto) até o décimo segundo dia, vários fenômenos ocorrem concomitantes à implantação! Vamos a eles 😉

Que acontece durante a implantação??????

Então, conforme o embrião vai invadindo cada vez mais o endométrio da mãe, aquela camada externa de células chamada trofoblasto vai tendo mais contato com esse endométrio e se diferencia em outras duas camadas: citotrofoblasto e sinciciotrofoblasto:

Sinciciotrofoblasto e Citotrofoblasto

Sinciciotrofoblasto e Citotrofoblasto

O sinciciotrofoblasto é a camada de células que invade o tecido conjuntivo endometrial, ou seja, por causa da ação dele que o blastocisto consegue “se afundar” no endométrio.Ele também dá origem aos anexos embrionários, e fica secretando muitas enzimas de lise, para facilitar a implantação. O organismo da mãe também ajuda para ocorrer a implantação, porque além da atuação do sinciciotrofoblasto, acontecem os seguintes fenômenos:

  • as células endometriais (células residuais) sofrem apoptose (ai o blastocisto consegue invadir com mais facilidade, né? já que as células do endométrio vão morrendo no lugar onde ele vai erodindo, acabam morrendo);
  • há atuação de moléculas/fatores que deixam o endométrio mais receptivo, como: microvilosidades das células endometriais, moléculas celulares de adesão, citocinas, prostaglandinas, genes homeobox, fatores de crescimento e metaloproteinases da matriz;

Tem umas células chamadas de células deciduais, elas acumulam glicogênio e lipídeos (a reação decidual, que envolve essas células, será explicada melhor depois). Daí, o sinciciotrofoblasto engole essas células! São essas células do endométrio que estão em degeneração. Como elas tão cheias de glicogênio e lipídeos, elas servem como uma fonte nutritiva para o embrião.

Outra ação do sinciciotrofoblasto é que é ele quem produz hCG, hormônio importantíssimo pra estimular o corpo lúteo a continuar produzindo progesterona (senão o endométrio “cai” e o bebê morre!).

A camada de células chamada de citotrofoblasto é formada por células que possuem só um núcleo. Elas sofrem mitose, e as novas células formadas vão para o sinciciotrofoblasto! Elas se fundem quando chegam ao sinciciotrofoblasto e perdem suas membranas. É por isso que o sinciciotrofoblasto chama – se SINCICIOtrofoblasto. Já que qualquer coisa chamada sincicio quer dizer: conjunto de células que se fundem, perdem suas membranas e formam uma única massa multinuclear!  Tudo faz sentido.

E agora?

Surge o disco embrionário, que é formado por duas camadas de células denominadas hipoblasto e epiblasto. Esse disco é que vai dar origem às camadas germinativas, que vão formar os órgãos e tecidos do neném! É importante destacar que o disco embrionário tem um crescimento lendo, quando comparamos com o crescimento do trofoblasto.

Disco Embrionário: Hipoblasto e Epiblasto

Disco Embrionário: Hipoblasto e Epiblasto

O epiblasto é uma camada espessa de células colunares altas, é ela que dá origem a: mesoderma (extraembrionário e embrionário), ectoderma (do âmnio e embrionário) e endoderma (do embrião), além do processo notocordal.

Já o hipoblasto é uma camada de células pequenas e cuboides, que ficam adjacentes à cavidade exocelômica. Ele forma o endoderma do saco vitelino e, junto com o epiblasto, o mesoderma extraembrionário. Depois, esse mesoderma vai ser formado por células que surgem na linha primitiva.

Mais tarde, esse mesoderma (extraembrionário, formado pelas células do endoderma do saco vitelino) é formado por células que surgem na linha primitiva. O saco vitelino e a cavidade amniótica tornam possíveis os movimentos morfogenéticos das células do disco embrionário. (Moore) Ou seja, as células do endoderma do saco vitelino são quem forma o mesoderma extraembrionário, depois esse mesoderma vai ser formado por células que surgem na linha primitiva.

O hipoblasto fica em continuidade com membrana delgada exocelômica, e, junto com essa membrana, eles formam o saco vitelino primitivo. Nessa época do desenvolvimento, o disco embrionário fica entre a cavidade amniótica e o saco vitelino.

Enquanto o embrião vai cavando se implanta no endométrio, surge um espaço no embrião que é o primórdio da cavidade amniótica. Quando ela surge (essa cavidade amniótica), as células do epiblasto que vão formar o âmnio, chamadas de amnioblastos, se destacam do epiblasto e passam a revestir a cavidade amniótica, formando o seu assoalho (para entender melhor, tenha em mente que a cavidade amniótica primordial vai surgindo JUNTO com o disco embrionário). O epiblasto fica perifericamente em continuidade com o âmnio.No futuro da gestação, um dos fatores que é analisado é a quantidade de líquido na cavidade amniótica, dada pela proliferação das células do epiblasto (em torno do oitavo dia!).

Para recapitular: durante a implantação o trofoblasto se divide em sinciciotrofoblasto e citotrofoblasto. Depois, surge a cavidade amniótica primordial, e o disco embrionário (formado pelo epiblasto e hipoblasto). Essas camadas de células do epiblasto e hipoblasto formam as várias estruturas do embrião e os folhetos germinativos. Ok, o que mais acontece durante a implantação do embrião no endométrio?

Depois de formados a cavidade amniótica, disco embrionário e saco vitelino, surgem as lacunas no sinciciotrofoblasto. Essas lacunas (entenda espaços) são preenchidas por sangue materno e restos celulares das glândulas uterinas erodidas, essa mistura é chamada de embriotrofo. Ela atravessa o disco embrionário por difusão e fornece o material nutritivo para o embrião. Essa comunicação entre os capilares maternos com as lacunas forma a circulação uteroplacentária primitiva. O sangue materno que chega traz oxigênio e substâncias nutritivas para o neném. O sangue com oxigênio chega ao embrião (lacunas) através das artérias espiraladas do endométrio, e o sangue com menos oxigênio é removido pelas veias endometriais. Nessa época da gestação, há atuação de muitas células fagocíticas, porque há um constante remodelamento do endométrio, e também é necessário retirar as excretas do embrião e da mãe. Essas lacunas são muito importantes!! Porque, em torno do décimo segundo dia, elas se fundem e formam o que chamam de redes lacunares, que são o primórdio dos espaços intervilosos da placenta. O sangue só consegue fluir entre a rede lacunar, porque os sinusoides, que são os capilares endometriais dilatados, estão erodidos pelo sinciciotrofoblasto! Até a formação dessa rede, a maioria do sangue circulante no embrião é materno, mas logo o embrião já começa a desenvolver as suas futuras células sanguíneas.

Depois que as lacunas se fundem, o trofoblasto começa a absorver o fluido nutritivo das redes lacunares, e depois esse fluido é transferido pro embrião. Assim que ele se alimenta, antes da placenta surgir. 🙂

12 dias!!!!!!!!!

Como já foi dito, é em torno do décimo segundo dia que as lacunas se fundem e formam a rede lacunar! Mas, outras coisas importantes acontecem em torno desse dia.

Pra começar, é no décimo segundo dia que é possível observar uma elevação na superfície do útero, onde o blastocisto se implantou. Enquanto o blastocisto tá se implantando, ele vai erodindo o tecido endometrial, né? Isso cria uma falha no epitélio endometrial, e que vai ser corrigida por um coágulo sanguíneo (um tipo de tampão). E é no décimo segundo dia, que esse epitélio vai recobrir esse tampão. Finaliza – se assim a implantação.

Reação Decidual

Assim que a implantação é finalizada, as células do tecido conjuntivo endometrial sofrem a chamada reação decidual: aquelas células do endométrio, já citadas, chamadas de células deciduais começam a armazenar glicogênio e lipídeo. O sinciciotrofoblasto as degenera e elas passam a ser material nutritivo para o embrião.

Mesoderma Extraembrionário

Mesoderma Extraembrionário

Mesoderma Extraembrionário

O mesoderma somático extraembrionário induz as células do citotrofoblasto a produzirem extensões celulares, as quais vão crescer para dentro do sinciciotrofoblasto. Essas projeções são as que formam as vilosidades coriônicas primárias, que são o primeiro estágio para o desenvolvimento da placenta.

O celoma extraembrionário divide o mesoderma extraembrionário em duas camadas: mesoderma somático extraembrionário (que reveste o trofoblasto e cobre o âmnio) e o mesoderma esplâncnico extraembrionário (envolve o saco vitelino).

O córion, que forma a parede do saco coriônico, é composto pelo mesoderma somático extraembrionário mais as duas camadas de trofoblasto.

Que mais acontece na segunda semana?

Durante todo esse processo, o mesoderma extraembrionário (formado pelas células mesenquimais do saco vitelino, fica crescendo, e dentro desse mesoderma surgem os espaços celômicos extraembrionários. Esses espaços se fundem e formam o celoma extraembrionário. Essa cavidade preenchida por fluido envolve o âmnio e o saco vitelino, exceto onde eles estão aderidos ao córion pelo pedículo do embrião. (Moore)

Por causa da formação desse celoma, o saco vitelino diminui de tamanho. Nisso, forma – se um saco vitelino menor chamado de saco vitelino secundário. Esse saco vitelino secundário é formado por células endodérmicas extraembrionárias que migram do hipoblasto para o interior do saco vitelino primitivo. Durante a formação do saco vitelino secundário, uma grande parte do saco vitelino primitivo destaca – se. O saco vitelino não contém vitelino, mas exerce funções como ser o local de origem das células germinativas primordiais e também por transferir nutrientes para o embrião. (Moore) O saco vitelino ainda é importante por ser lá em que ocorre a hematopoiese primitiva, e também onde as células germinativas primordiais surgem (elas surgem no endoderma do saco vitelino e depois migram para dentro do embrião, como já foi discutido no tópico de diferenciação sexual). Quando o embrião fica suspenso pelo pedículo, junto com os sacos vitelino e cavidade amniótica, o celoma extraembrionário passa a ser chamado de cavidade coriônica.

Formação do Saco Vitelino Secundário

Formação do Saco Vitelino Secundário

14 dias!!!!!!!!!!!

No décimo quarto dia, o embrião tem ainda a forma de um disco embrionário bilaminar, só que nesse dia, as células hipoblásticas já são colunares e delimitam uma área que é a placa precordal, onde vai ser o futuro local da boca e um importante organizador da região da cabeça do neném.

Placa Precordal

Placa Precordal

O fim da segunda semana é marcado pelo surgimento das vilosidades coriônicas primárias. (Futura formação da placenta). Ele também é marcado pelo fato do embrião já estar bem protegido dentro do endométrio (lembre que foi dito que nas duas primeiras semanas, as células embrionárias vão fazer de tudo pra proteger o embrião!). Toda a região que fica em volta do embrião, dá espaço ao embrião começar a crescer.

Lindinho!

Lindinho!

Referências
MOORE, K.; PERSAUD, T.V.N; (2004). p. 44 a 54. Embriologia Clínica. 8ed.

Tecido Muscular

A principal característica do tecido muscular é a contratilidade. Por causa dela, esse tecido é capaz de fornecer a habilidade de locomoção aos seres vivos. Em relação à origem, o tecido muscular tem origem embriológica do mesoderma, isto é, suas células são diferenciadas das células mesenquimais que formam os mioblastos.

Na fase embrionária, as células musculares estriadas esqueléticas são formadas pela fusão de mioblastos. Isso produz um miotubo que amadurece e se transforma em uma célula muscular longa. Uma célula muscular estriada esquelética pode chegar a ter vários centímetros.

Tipos de Tecido Muscular

Há três tipos de tecido muscular: tecido muscular estriado esquelético, tecido muscular estriado cardíaco e tecido muscular liso. O tecido muscular estriado esquelético tem ação voluntária, enquanto os outros dois é involuntária. A importância do músculo liso é para dar contratilidade intestinal, na bexiga, vasos sanguíneos, entre outros órgãos. O tecido muscular cardíaco é encontrado na parede do coração e é importante por fazer parte do bombeamento do sangue pelo corpo.

Há uma quantidade muito grande de mitocôndrias no tecido muscular, isso porque as células desse tecido gastam muita energia.

Tecido Muscular Estriado

A funcionalidade contrátil da célula muscular é dada pelos miofilamentos. Eles são encontrados em outros tipos de células, mas nas células musculares eles compõem estruturas importantes para a função de contração, diferente das outras células.

Há dois tipos de miofilamento: o de actina e o de miosina.Os filamentos finos são o de actina. A actina é formada por duas cadeias de monômeros, como se fossem dois colares de pérolas que fica enrolado um no outro. Associada a ela, tem a troponina e a tropomiosina. A tropomiosina é uma molécula longa e fina que vai estar entrelaçando o filamento fino. A troponina é uma proteína formada por três unidades: T, C e I. A T se liga a tropomiosina, a C ao cálcio (apenas encontrada nos tecidos musculares estriados) e a I inibe a ligação da miosina à actina.

Filamento Fino: Actina

Filamento Fino: Actina

O outro tipo é o filamento espesso, que são filamentos de miosina. Ela (miosina) tem formato de um taco de golfe com duas cabeças. Ela consiste em duas cadeias pesadas idênticas, e dois pares de cadeias leves. Cada cadeia pesada forma uma cabeça globular nas extremidades (daí parecer com um taco de golfe. Quando essas miosinas se associam uma a outra, formam o filamento espesso, o qual se associa à actina para favorecer a contratilidade muscular. A cabeça globular possui três regiões distintas: uma região de ligação à actina, uma região de ligação ao ATP e uma região de ligação a uma cadeia leve.

Filamentos Espesso e Fino

Interação do Filamento Fino com o Espesso

A sarcolema (membrana plasmática) no tecido muscular esquelético é circundada por lâmina basal e pelas células satélites (logo mais discutidas).

Células Satélites

Células Satélites

Da sarcolema são emitidas longas invaginações [digitiformes] que são os túbulos transversais, ou chamados também de túbulos T. Eles se projetam para o interior da célula (chamado de sarcoplasma). Esses túbulos T fazem contato com os canais membranosos do retículo sarcoplasmático, que concentra uma grande quantidade de íons cálcio. O local de contato é o que chamam de tríade (tríade = 2 sacos do retículo sarcoplasmático + túbulo T).

As mitocôndrias (sarcossomas) podem estar paralelas ao longo do eixo das miofibrilas ou podem envolver zona de filamentos espessos (formados por miosina).

Conceitos

  • a fibra muscular nada mais é do que a célula muscular (que é uma célula multinucleada!);
  • as miofibrilas são importantes para contração;
  • união de várias fibras musculares forma um feixe muscular;
  • cada fibra muscular é envolta por um tecido conjuntivo chamado de endomísio, por onde os capilares penetram (esses capilares devem ser flexíveis, para conseguirem aguentar a contração e o relaxamento do tecido);
  • envolvendo um conjunto de fibras musculares tem o perimísio, que é um tecido conjuntivo mais frouxo;
  • envolvendo vários feixes têm o epimísio, que é um tecido conjuntivo denso e rico em fibras colágenas (envolve todo o músculo!);
Epimísio, Perimísio e Endomísio

Epimísio, Perimísio e Endomísio

  • a fixação do tendão ao osso é feita por meio das fibras de Sharpey ao periósteo;
  • fascículo: são várias fibras musculares;
  • músculo: vários fascículos;
  • miofibrila: cadeia de sarcômeros;
  • sarcolema: membrana plasmática da célula muscular;

Tecido Muscular Estriado Esquelético

O músculo estriado esquelético tem células bem longas e o núcleo deslocado para a periferia da célula. Os pontinhos que são possíveis de serem vistos na microscopia são as miofibrilas:

  • três tipos de fibras: vermelha, branca ou intermediária;
  • fibra vermelha: unidade motora de contração lenta. Possui muiiiita mitocôndria e são resistentes à fadiga, por isso são apropriadas para a atividade muscular prolongada;
  • fibra branca: unidade motora de contração rápida. São grandes e possuem menos mitocôndrias. Elas contraem – se rapidamente e, em geral, são responsáveis pelos movimentos;
  • fibra intermediária: características tanto da fibra vermelha, quanto da branca;
  • possui estriações transversais;
  • é localizado em todo o corpo e está associado aos ossos;
  • as estriações é dada pelos sarcômeros (miofilamentos dispostos em sarcômeros);
  • existe variações de tamanho de diâmetro entre as fibras, tanto que existem músculos mais hipertrofiado do que outros;
  • hipertrofia é dada pelo número e tamanho das fibras;

Tecido Muscular Estriado Cardíaco

O músculo estriado cardíaco não tem o núcleo deslocado para periferia, e ele é esférico e central. Esse tecido apresenta estriações, obviamente pelo nome né, e as células não tem tantos núcleos quanto o esquelético. Além disso, ele apresenta estruturas específicas que são os discos intercalares. Geralmente, vendo no microscópio, é mais fácil diferenciar ele do esquelético observando os núcleos tanto pela quantidade, quanto pela posição, ou pela presença do disco intercalar.

As fibras musculares cardíacas são menores do que as esqueléticas e possuem de 1 a 2 núcleos. Elas são revestidas por uma bainha de conjuntivo e são anastomosicamente interligadas pelos discos intercalares. Esse discos constituem – se em uma região de acúmulo de proteínas de adesão (com desmossomos) e junções comunicantes, que auxiliam na troca de informação, como junções comunicantes, para uma contração sincronizada das células.

Esse tecido ainda possui túbulos T e retículos sarcoplasmácitos desenvolvidos em suas células, mas não são tão extensos. No entanto, ao invés de tríades, ele possui os díades, que são expansões do retículo sarcoplasmático (díades = túbulo T + uma cisterna do retículo sarcomplasmático. As mitocôndrias são mais abundantes nas fibras musculares estriadas cardíacas, e contêm numerosas cristas! Outra característica desse tecido são as células de Purkinje, que são células musculares modificadas que possuem muito glicogênio no citoplasma, e são importantes na propagação do impulso nervoso.

Tecido Muscular Liso

O músculo liso tem células fusiformes e não apresentam estriações (já que não tem sarcômeros!). Suas células se assemelham funcionalmente muito a um fibroblasto, tanto que alguns autores as chamam de miofibroblasto. Elas são revestidas por lâmina basal e mantidas por fibras reticulares. Essas células do músculo liso não exibem a mesma organização do músculo estriado e apresentam feixes de miofilamentos que se cruzam em todas as direções. Estes miofilamentos são de actina e tropomiosina, e de miosina. Apresenta também os filamentos intermediários de desmina e vimentina.

  • é encontrado nas túnicas musculares das artérias, músculo eretor da pele, túnica muscular de órgãos tubulares (como do sistema digestório, genito – urinário, respiratório, etc);
  • células possuem núcleo central;
  • contração lenta e involuntária;
  • não ocorre fusão de mioblastos no músculo liso;
  • sem estriações, sem sistema T;
  • o retículo sarcoplasmático é extremamente reduzido;
  • as células desse tecido podem sintetizar colágeno tipo III, fibras elásticas e proteoglicanos (daí faz lógica elas serem confundidas com os fibroblastos);
  • inervação: não exibem placas motoras, tem fibras do sistema nervoso simpático e parassimpático;
  • a miosina do músculo liso não tem aparência de taco de golfe, ela é uma miosina diferente. A interação da miosina com o feixe de actina é diferente, pois é feita com o auxílio dos corpos densos. Esses feixem agem como se estivessem costurando a célula.
  • as células musculares lisas da parede de grandes vasos sanguíneos produzem elastina (com a velhice, essa elastina passa a ser substituída por colágeno);

Contratilidade Muscular

Os tecidos musculares esqueléticos possuem sarcômeros, o liso não. Esses sarcômeros que dão o aspecto de estriação do tecido. Ele fica dentro de duas estruturas chamadas de disco Z.

Contração Músculo Estriado

A contração é feita pela interação da miosina com a actina. O sítio de ligação entre a miosina e a actina fica coberto pelo complexo tropomiosina – troponina. Quando ocorre o estímulo nervoso, há liberação de íons cálcio pelo retículo sarcoplasmático. Esses íons, então, se ligam à troponina e modifica a sua conformação. Isso faz com que ocorra o deslocamento da cabeça da miosina, que agora pode se associar à actina, que antes estava coberta pelo complexo tropomiosina – troponina. A ligação da miosina com a actina gasta ATP, porque muda a conformação da proteína que vai fazer com que ocorra o deslizamento dos filamentos de actina sobre os filamentos de miosina. O cálcio é liberado pelo estímulo nervoso, que chega ao retículo por meio de sinais conduzidos pelos túbulos T (ocorre uma despolarização de membranas e aí o sinal é conduzido pela região das tríades (túbulos T)).

Em relação ao estímulo nervoso, é importante explicar que o sinal de excitação para a contração é gerado pela acetilcolina (transmissor químico liberado por uma terminação nervosa em resposta a um potencial de ação). A acetilcolina difunde – se para o interior de um estreito espaço, denominado junção neuromuscular (entre a fibra muscular e a terminação nervosa). O potencial de ação propaga – se do sarcolema até os túbulos T, os quais transportam o sinal de excitação até o interior da célula muscular. Os íons cálcio são liberados no interior do citossol para ativar a contração muscular, quando o potencial de ação atingir o túbulo T. (Kierszenbaum)

OBS: Estrutura dos Sarcômeros

Unidade Contrátil: Sarcômero

Unidade Contrátil: Sarcômero

Quando há contração, a banda I praticamente some, porque a miosina diminui e aproxima a banda Z da outra banda Z (banda = linha, na foto), sobrepondo um filamento sobre o outro.No entanto, não há alteração do comprimento dos filamentos espessos e delgados, isto é, o comprimento da banda A e a distância ente o disco Z e a banda H adjacente permanece constante. Por outro lado, o comprimento do sarcômero diminui, porque os filamentos espessos e delgados (de miosina e actina) deslizam uns sobre os outros, ou seja, o tamanho das bandas H e I diminuem, como foi dito. A força de contração é gerada pelo processo que move um tipo de filamento sobre os filamentos adjacentes do outro tipo = deslizamento da actina sobre a miosina.

Na banda I só há actina. A miosina puxa a actina para cima e as bandas desaparecem e fica só a banda A. Essa linha M (faixa M) é uma região de intersecção entre as miosinas. Na banda H é onde tem a enzima creatina – quinase, que catalisa a formação de ATP no tecido muscular.

O fosfato de creatina é um mecanismo de reserva cuja função é manter os níveis de ATP constantes durante a contração muscular. Quando a concentração de ATP diminui, a hidrólife do fosfato de creatina constitui – se na fonte de energia de reserva. A creatina – quinase catalisa uma reação reversível que produz creatina e ATP a partir da hidrólise do fosfato de creatina. O fosfato de creatina recém – sintetizado provém das mitocôndrias e transporta grupos fosfatos entre as mitocôndrias e a miofibrila. (Kierszenbaum)

Tecido Muscular Esquelético

Tecido Muscular Esquelético

Na foto a cima, temos: as estriações bem fininhas é a actina, que forma a banda I. De uma banda I pra outra, tem a banda A, que é uma região mais espessa, dividida pela metade pela região de banda H, em que se vê somente o filamento de miosina.

Contração Músculo Liso

Invaginações da membrana plasmática (chamadas de cavéolas) atuam como um sistema de túbulos T primitivos, que transmite os sinais de despolarização ao retículo sarcoplasmático pouco desenvolvido. Essas células unem – se umas às outras por meio de junções comunicantes. Essas junções permitem a contração sincrônica do tecido muscular liso. Cada célula é envolvida por uma lâmina basal que atua transmitindo as forças produzidas por cada célula. (Kierszenbaum).

Durante a contração do músculo liso, ocorre o deslizamento da actina e da miosina, como no esquelético: os filamentos de actina e miosina associada fixam – se aos corpos densos do citoplasma, e são os equivalentes aos discos Z nos tecidos musculares estriados. (Kierszenbaum) Mas, essa contração faz com que haja um encolhimento da célula, isto é, ela enche e distende. Os miofilamentos, então, tem que ser extramente ancorados na membrana plasmática das células, senão essa contração não daria certo! Tudo isso é como se fosse uma rede de pesca, sendo que essa rede é constituída de filamentos.

A miosina do tecido muscular liso é diferente da do esquelético também (é a miosina do tipo II). Ela só vai interagir com a actina se ela estiver fosforilada. Para isso, ao invés de ter a tropomina, tem a camodulina. Quando ela se liga ao fósforo, faz com que a miosina seja fosforilada.

O complexo ativo de cálcio e calmodulina ativo faz ativar a cinase de cadeia leve da miosina que fosforila a cabeça da miosina, mudando sua conformação. Isso permite que haja deslizamento dos filamentos e contração muscular. Ah, esqueci de falar: os íons cálcio chegam do lado de fora da célula! Diferente do outro tecido muscular que eles ficam no retículo sarcoplasmático. Outra diferença entre a contração de um tecido e outro, é que as células musculares lisas não contêm troponina! Possuem a tropomiosina, e é ela que se liga aos filamentos de actina e os estabiliza. Já que não tem a troponina, uma outra molécula, a quinase, é que sensibiliza o cálcio das fibras musculares lisas.

O tecido muscular liso pode ser estimulado a contrair – se por meio de: estimulação nervosa, hormonal ou estiramento. Em resposta a um estímulo apropriado, ocorre um aumento de cálcio citoplasmático.

Regeneração do Tecido Muscular

O músculo liso tem uma resposta regenerativa mais eficiente do que o músculo esquelético, porque a célula do músculo liso é menos diferenciada do que a dos estriados.

O tecido muscular cardíaco, no entanto, não apresenta as chamadas células satélites, então a regeneração não acontece, por isso que os infartos levam à lesões irreversíveis. Na área em que houve lesão, ocorre a fibrose do músculo cardíaco, pois ele é substituído por tecido conjuntivo no lugar. Essa região em que foi substituída por tecido conjuntivo perde o contato com as outras células do tecido, dai a contratilidade da região fica deficiente.

Além das células satélites, há uma população de células – tronco do músculo esquelético adulto, que são as células da população lateral. Elas têm a capacidade de diferenciar – se em todas as principais linhagens de células do sangue, bem como em células satélites miogênicas. Essas células da população lateral estão presentes na medula óssea e podem dar origem a células miogênicas capazes de participar da regeneração muscular.

As células satélites, encontradas nos tecidos musculares que se regeneram, dão origem aos mioblastos quando ocorre a lesão do tecido. Elas ficam em repouso e são como se fossem “células tronco” do tecido muscular. Essa diferenciação em mioblastos ocorre quando as células satélites se fusionam e formam o mioblasto (célula multinucleada).

Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 199 a 222. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.